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Arquivo da tag: Vileza

Eu já passei por muita “desgraça”. Sim, vai entre aspas porque a minha desgraça é completamente relativa. Sim, sempre poderia ser muito pior. Sim, existem casos bem piores que os que eu passei. Mas ainda assim, o sofrimento é de cada um, pra usufruir individualmente. Já tive o meu coração partido, duas vezes. Já fui abandonada uma porção de vezes, por pessoas que jamais imaginei que fariam isso comigo. Já fiquei em total desamparo em situações muito, muito difíceis para mim. Já me senti vulnerável em lugares onde deveria me sentir segura. Já entrei sim em desespero por conta dessas coisas que acabei de mencionar. Às vezes esse desespero durou alguns anos, onde eu encontrava um abismo toda vez que ia buscar um copo de água na cozinha. Quando tinha crises convulsivas de choro no transporte público. Quando pensava que a minha vida realmente não valia a pena ser vivida e talvez o melhor caminho fosse eu desistir de tudo, mesmo. A gente passa por tudo isso, sim… Mas eventualmente a gente acaba saindo pelo outro lado, uma hora ou outra (quem não tem uma condição fisiológica de depressão ao menos, meu caso). E tudo depois de um tempo acaba sendo aprendizado, de uma forma ou de outra. A gente se estabelece, se reforça e persevera eventualmente. Mas acho que nada me devastou – e devasta – tanto quanto descobrir o porquê uma pessoa é vil. E isso já aconteceu duas vezes, comigo. Pensei nisso hoje porque existe aquilo de desapego, de desapegar-se do sofrimento, das situações e das pessoas, mas aí observando melhor cheguei a conclusão de que esse é o meu limite, parece. Acredito que quando as coisas aconteçam comigo eu sofro, me fodo, o tempo passa e eu eventualmente recupero. Caio 7 vezes, levanto 8. Mas quando é algo que independe de mim e sobre o qual eu não tenho nada de controle, eu me vejo rancorosa, com ressentimentos. E isso é algo que também preciso trabalhar. Para mim, é bastante complexo conseguir retornar disto. Conseguir voltar para mim mesma, neste sentido. Porque eu sempre queria poder fazer algo, queria poder ajudar, modificar o passado, modificar a coisas, tudo… E sei que não posso. Que é impossível. Que este não é o meu currículo, que esta não é a minha vida e que não tenho como mudar nada que está muito além de mim. É uma sensação de impotência pavorosa e que tende a se arrastar por muito tempo, mesmo quando eu achava que não existisse mais. E é a PIOR sensação da vida inteira. Nada se compara. Nenhum abandono, nenhuma traição, nenhum desamor e nenhum luto. É meu dever superar esses tipos de coisas. Mas a gênese da vileza é inalterável e inalienável… E preciso aprender a lidar com ela de modo a conter danos, não tanto aos outros mas à mim mesma.

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