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Quando eu te abracei, eu nunca mais quis te soltar. E te apertei, com muita força. Queria exaurir todo o calor do seu abraço. Encostei minha cabeça no seu peito, pra ouvir as batidas do seu coração. Pra saber, entender, que você era vivo e estava ali, para mim. Não queria nunca mais te soltar. Não queria nunca mais sair daquele abraço. Fomos nos soltando aos poucos e você segurou meu rosto com suas mãos, dizendo “eu quero olhar pra você, quero olhar pra você, inteira”. E você olhou pra mim. “Você é perfeita”. Meus olhos brilhavam, não conseguia sequer respirar direito, você olhou nos meus olhos e sorriu, sem palavras. Não queria sair daquele momento e me entristeceu ter de fazê-lo.

(…)

A sensação que tenho é a de que tudo é uma corrida, meio que sem propósito. Estamos juntos, mas nunca estamos efetivamente juntos. Corremos, com a impressão de estarmos indo em direção um ao outro. Com a impressão de que, se corrermos o suficiente, em algum momento, em determinado momento estaremos próximos, estaremos juntos de verdade. Estaremos suficientemente juntos. Entendemos que nada disso é verdade. Não buscamos por um propósito ou propósitos, apenas seguida e repetidamente por significados tão efêmeros quanto essa linha de chegada imaginária, a qual pensamos ter vencido – e que sequer existe. Somos animais e sabemos disso. É uma corrida violenta por sobrevivência, por nutrição, por medo da morte, por medo da vida. E quanto maior for o medo da separação, da falta de conexão, mais violenta. E evidentemente, nos contraímos, nos afastamos. É involuntário. É natural. Bem como o que terminamos por sentir logo após a corrida termina.

(…)

Quando eu era mais nova, eu fugia de casa, dos meus pais, para me encontrar com o meu namorado na época. Até meus 15 anos, meus pais não me deixavam sair de casa e muito menos tomar ônibus sozinha. Era uma vida difícil, de prisão domiciliar mesmo. Com 16, quando comecei a namorar (escondido obviamente), eu fugia. Esperava eles dormirem, pegava a chave e saía andando à noite pela cidade, até chegar na casa do meu namorado que devia ficar cerca de 2,5km de distância da minha casa. Minha casa era, inteira, uma armadilha. Tudo precisava ser calculado e pensado. Meu quarto era em cima do quarto dos meus pais então eles ouviam cada passo meu. Quando eu me levantava da minha cama, a única coisa possível de ouvir em casa era a minha respiração. Tudo, do início ao fim, era um exercício de escuta do ambiente. Minha respiração era a primeira coisa que eu ouvia. A segunda, era o ronco do meu pai. Tirava o pijama, colocava uma roupa, pegava a mochila e o uniforme do colégio para o outro dia – estudávamos na mesma escola. Ía, pé ante pé, até a porta do meu quarto e girava a maçaneta de forma a não fazer barulho algum. Não sei como conseguia isso, mas conseguia. A escada da minha casa era de madeira e sempre, sempre rangia ao longo da noite. Descê-la era complicado, ela ficava próxima ao quarto dos meus pais e eles tinham o sono leve. Eu descia as escadas de meias, com os tênis na mão, para que eu fizesse o mínimo de ruído possível. Mal conseguia respirar ou ouvir minha respiração. Descer as escadas de dia era rápido, mas nas madrugadas durava uma eternidade, provavelmente era a parte mais difícil de tudo. Além disso eu ainda tinha que passar por mais uma porta, trancada, antes de ganhar a rua. Depois de ter descido, precisava girar um molho de chaves e uma maçaneta de forma a não haver ruído algum, o que era quase impossível. Quando eu fechava a última porta, sempre ficava com a impressão de que algum deles acordaria e não me encontraria no quarto. Ou me pegaria no flagra e me questionaria, fazendo algum escândalo. Isso nunca aconteceu. Talvez eles soubessem e percebessem, talvez não. Eu ganhava o portãozinho de casa e a rua, e aí andava com passos apressados até o centro da cidade. Corria, até. De noite. No frio. Em ruas escuras e mal iluminadas. Disso, eu não sentia medo. Nunca senti. Porque tudo fazia sentido assim que eu chegava.

(…)

Cada passo que dou, é como se o chão surgisse sob meus pés naquele exato momento. Como se a realidade fosse sendo criada a partir dos meus passos. Todos os dias, para onde quer que eu vá, uma nova realidade se faz.

A marcha é tudo o que há.

(…)

Não quero sair desse momento. Nunca mais.

“Nem todas as pessoas tóxicas são cruéis e indiferentes. Algumas delas nos amam muito. Muitas delas tem boas intenções. A maioria é tóxica para nós simplesmente porque suas necessidades e sua forma de existir no mundo nos força à comprometermos a nós mesmos e a nossa felicidade. Eles não são pessoas inerentemente ruins, mas não são as pessoas certas para nós. E por mais difícil que seja, precisamos deixá-los ir. A vida já é difícil o suficiente sem termos à nossa volta pessoas que nos põem pra baixo, e por mais que você se importe, você não pode destruir-se para o bem de outra pessoa. Você tem que fazer com que seu bem estar seja uma prioridade. Se isso significa romper com alguém com quem se importa, amar uma pessoa da família à distância, deixar com que um amigo se vá ou remover-se de uma situação que parece dolorosa – você tem todo o direito de ir embora e criar um espaço mais seguro para si mesmo”.

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If I get there early, will it be the right time?
Our heaven is just waiting so put your hand into mine
If I get too surly, will you take that in stride?
Our boat is just there waiting so put that little hand in mine

And speak when you’re spoken of
Catch up on your sleep, girl
When you wear that body glove

You’re acting on initiative
You’re spelling out your love
You shouldn’t be alone in there
You could be above ground

All I want is to be the very best for you
And all I want is to be the very best for you
Oh, this time, there’ll be no life of crime

E aí sempre aparece aquela coceirinha “Mas e aí… É isso mesmo então? Tem certeza?”. Não, eu não tenho certeza. Há algum tempo acho que não preciso tanto dela assim. Mas por enquanto morar aqui tem funcionado. Meu tempo aqui não acabou e ainda preciso que São Paulo me dê uma lição ou duas: a ter mais agilidade na vida e a ser mais segura com uma coisa ou outra. Sei que é bastante irônico querer cultivar segurança e agilidade numa cidade onde essas duas coisas ou são precárias ou inviáveis, mas parece que vai ser isso mesmo. Na marra, como quase tudo na minha vida. Mas tudo bem, esse vai ser o meu currículo mesmo. Se eu quisesse conforto não estaria aqui.

Tenho uma memória afetiva ou outra por aqui, mas curiosamente nunca me deixei consumir por elas. Convivo com essas memórias pelos lugares da cidade, sem tanta afetação, sem maiores problemas. É como se tudo isso aqui já tivesse sido meu antes dessas memórias, como se eu já tivesse propriedade sobre tudo isso aqui. Então não há tanto drama, não há tanta dor, tanta euforia: existem apenas os lugares onde eu vou, sempre fui, sempre irei. Já fui absurdamente feliz nessa cidade e já me senti profundamente amada aqui. Tive momentos bastante ruins também, de tristeza e acho que a cidade combina com isso também. Me espelho nela quase sempre, acinzentada, melancólica. Me sinto acolhida nessas coisas. Tento extirpar dela através de algumas fotos, suas partes mais coloridas, sua geometria. Não sei se consigo, mas me divirto no processo e é isso o que importa.

Aprendi com uma música ano passado que São Paulo é a minha amiga mais antiga. É meu amor mais platônico de todos que já tive. Tão platônico e tão etéreo que terá que pra sempre ser redescoberto. E isso acontecerá cada vez que eu visitar um novo lugar e cada vez que eu tiver de sair com algum amigo pra fazer um passeio de turismo na cidade. E é um amor tão platônico que, mesmo estando aqui, é como se eu ainda não estivesse de fato. É como se eu flutuasse, como se sonhasse acordada, o tempo todo. Como se a qualquer momento eu tivesse que acordar pra outra realidade mais banal. Aqui acordo todos os dias uma estrangeira e esse é um sentimento brutalmente contraditório. Digo que é contraditório pois acho que no Brasil, até então, esse é o único lugar em que jamais me senti sozinha e jamais me senti desconfortável. Claro que eu sou uma pessoa adaptável e posso criar sentidos em outros lugares, mas não tão naturalmente quanto aqui.

Minha história com essa cidade é longa e eu sempre quis voltar pra cá porque acho que aqui é o meu lugar lógico no mundo: não me vejo, por hora, fazendo muito sentido em nenhum outro lugar.

Espero não parar de conseguir enxergar tanta poesia por aqui, principalmente nas coisas mais insignificantes.

Real life

Waking dream

Waking life

Mesmo lugar

Mesma história

Mesmas conversas

Tudo diferente

Tudo novo e de novo

Tudo outra vez

Mais uma vez

E de novo e de novo e de novo.

(eu não me canso)

mystique

urbe

Saudade

Saudade

Saudade de São Paulo.

Saudade da minha vida.

Saudade de quem eu sou.

Saudade.

Mérito (método, disciplina, persistência, etc.) nem sempre equivale a talento. Mas nem sempre *mesmo* e arrisco dizer que isso é quase ilusão.. Talento, dom, genialidade são coisas bem mais subjetivas do que imaginamos e provavelmente envolve um conjunto de variáveis bem mais complexo do que “se ter foco” ou até mesmo “ser generalista”.

Pessoas focadas não são espertas: elas são focadas. E são pessoas. A questão não é como elas conseguem “manter escolhas” mas sim como elas também tem a coragem de decidir-se por algo, de fazer escolhas de fato, em primeiro lugar. E isso é uma decisão muito íntima, mesmo. Ter determinação hoje em dia não é mais algo louvável, mas geralmente é diagnosticado como A “neurose” dos tempos modernos.. Será mesmo?

Se as pessoas focadas são coitadas por simplesmente não terem habilidades de multitasking, pessoas generalistas são para sempre infantis, pois nunca terão a oportunidade de lidar com perdas. Sim, toda escolha envolve uma perda, para cada escolha que fazemos por algo, abrimos mão de um mundo de possibilidades que poderiam fazer parte de nossas vidas.. E essa é uma grande angústia – a maior de todas, arrisco dizer.

É colorido acreditarmos que podemos ter tudo e saber de tudo sobre tudo nessa vida. Mas a verdade – e a angústia, bem dolorida – é que não, não podemos. Fazer escolhas e “ser focada” é tão corajoso quanto optar por ser uma “especialista em generalidades”. São apenas escolhas diferentes, formas de vida diferentes, cada uma ao seu modo, cada uma com seus encantos, desafios e diferentes modos de convivência..

Lembro-me de estar com ela dentro do carro e notar quando ela passou um batom vermelho nos lábios olhando no retrovisor. Não sei porque aquilo foi muito marcante pra mim, talvez porque ela não passasse batom há muito tempo. Ou talvez porque eu nunca tivesse visto ela passando batom, ainda mais de uma cor tão chamativa quanto vermelho. Quando eles se encontraram, olhei pra ele, cumprimentei-o e fui bastante direta “ela colocou esse batom aí só pra te ver, sabia?”.

Devia ter cinco para seis anos e não sabia do que se tratava, mas crianças são assim, crianças não se contém, crianças falam pelos cotovelos. Eles nunca esqueceram desta cena e me lembram sempre dela, aos risos, me dizendo o quanto eu era uma criança bonitinha. Devia ter sido um dos primeiros encontros que meus pais tiveram, não saberia dizer com certeza. Lembrei-me dessa cena com mais nitidez hoje quando estava em frente ao espelho contornando meus lábios com um lápis de maquiagem antes de aplicar o batom. Sim, vermelho.

Lembrei-me também que quando era pequena gostava de contornar os desenhos com traços bem fortes e delineados, definindo bem o traço do que estava para ser pintado para só depois preenchê-los com cor. Foi mais ou menos assim que aprendi a desenhar e a pintar, mas depois cresci e desaprendi. Desaprendi muitas coisas aliás, talvez coisas demais. Hoje além de pintar os lábios de vermelho, decidi ignorar a temperatura, mas talvez tenha sido ela quem me ignorou. A essa altura, sã e salva em casa com um copo de chá fumegante, não faz tanta diferença na verdade.

Quis sentir frio hoje e ainda não sei o porquê. Talvez seja porque estava me sentindo bem demais e foi exigido algum tipo de punição por isso. Me toquei de que demorei tempo demais para aprender a silenciar com mais sabedoria. Tempo demais pra aplicar de fato o significado de discrição. Tempo demais para, ao invés de ser crua, ser criativa com o que me atinge. Mas pelo menos uma coisa já sei: o timing da minha vida é todo errado mesmo e isso é tiro e queda. Ainda me considero um completo desastre com colocações e frases, ainda me acho meio indolente, no sentido de ceder com muita facilidade ou simplesmente abandonar um posto que deveria ser meu desde o início. Tenho sempre uma resposta engatilhada, mas talvez não devesse. Realmente não devesse. Para que servem todos estes gatilhos afinal?

“Mas pra quê usar isso?”. Pela sua auto-estima. Pra ficar mais bonita. Porque sim. “Mas me sinto um travesti!”. Ainda sou uma criança que diz tudo o que me vem à mente muitas vezes sem pensar (coincidentemente a astrologia diz que é por conta do meu mercurio em áries, que é impulsivo demais) – e não é de hoje que isso tem me trazido problemas. O não-dizer, para mim, não só equivale a omissão, mas também a dissimulação – o que nem sempre é verdade (entre o preto e o branco existem vários tons de cinza, etc). Seja bem vinda ao triste mundo adulto, Dora: as pessoas são assim, não tente se convencer (muito menos convencer alguém) do contrário. Maquiar-se também é difícil, contornar os lábios, passar uma base, um delineador, um lápis no olho.. São mais artifícios do que mentiras, falsidades escabrosas (como você gosta tanto de acreditar) e é preciso aceitar isso também… Aos poucos.

“How can art be realized?

Out of volumes, motion, spaces bounded by the great space, the universe.

Out of different masses, tight, heavy, middling—indicated by variations of size or color—directional line—vectors which represent speeds, velocities, accelerations, forces, etc. . . .—these directions making between them meaningful angles, and senses, together defining one big conclusion or many.

Spaces, volumes, suggested by the smallest means in contrast to their mass, or even including them, juxtaposed, pierced by vectors, crossed by speeds.

Nothing at all of this is fixed.

Each element able to move, to stir, to oscillate, to come and go in its relationships with the other elements in its universe.

It must not be just a fleeting moment but a physical bond between the varying events in life.

Not extractions,

But abstractions

Abstractions that are like nothing in life except in their manner of reacting.”

– From Abstraction-Création, Art Non Figuratif, no. 1, 1932.

Por incrível que pareça, meu primeiro ímpeto de senso de responsabilidade iniciou-se quando eu comecei a assistir PORNOGRAFIA. Ok, não a ASSISTIR pornografia no sentido de ser periódica e constantemente, nem saber das atrizes mais conhecidas, etc. Falo dos primeiros contatos que tive com tudo o que é erótico e sexual, de entender e conceber o que é pornográfico. E eu tive esses contatos em idade muito jovem, algo entre 9 e 10 anos de idade. Não, eu não fiz sexo com essa idade, mas eu já entendia o que era (o que ia onde e porquê) e pra que servia (como engravidar, etc). Primeiro os livros de ciência, os órgãos por dentro, como funcionavam e pra que serviam (em teoria). Depois apareceram as famosas “revistas de mulher pelada”. Depois, revistinhas de contos eróticos.

Se bem que nunca precisei ir muito longe: as novelas e filmes sempre deixavam o meu imaginário sexual bem curioso e embora criança eu não era burra: sabia que a realidade não era daquela forma.

Quanto à pornografia mais chula (revistas com imagens e contos) eu via aquelas coisas (e também lia) e aquilo tudo me excitava muitíssimo, sem nem mesmo eu nunca ter encostado em uma pessoa do sexo oposto. Afinal, eu era uma criança. E sim, claro, por que no início a sexualidade é (comigo foi) homossexual.  Com certeza deve ter alguém que defende isso, eu não defendo nada, mas enfim isso foi um fato comigo, entre 10~12 anos. Tive criação católica e nem por isso me sentia culpada e também não achava o que fazia errado. Não conseguia explicar a mim mesma porque achava mulheres mais atraentes. Simplesmente achava. Na verdade eu me lembro que quando criança eu achava os meninos MUITO feios (sem graça) e os homens terrívelmente ASSUSTADORES por que eram grandes, nojentos e tinham pêlos.

Morria de medo de pau. Sempre tive medo. Mas era um medo VIRGINAL, não era nojo, falta de preferência ou pânico. Era um medo que eu não compreendia e que só fui superar depois do meu primeiro beijo num menino. Aí eu já tinha 13 anos. Eu não era uma menina muito brilhante, mas também nunca fui uma completa idiota que podia ser levada no papo. Poderia ter perdido minha virgindade com 13 anos se eu quisesse (como a maioria das minhas colegas de classe RETARDADAS mentais), mas não quis e foi uma ESCOLHA e uma OPÇÃO. Eu tinha um critério muito simples pra perder a minha virgindade: tinha que estar namorando e tinha que gostar do rapaz. Depois disso, tudo fluiria muito naturalmente e eu não ia ter que carregar lembranças ruins ou traumáticas PRO RESTO DA MINHA VIDA. Quando eu tinha 13 anos virgindade era um tabu e lembrar disso me faz rir TÃO ALTO hoje.. Mas enfim.

Perdi minha virgindade com 16 anos e foi exatamente do jeito que eu quis e planejei. Foi ótimo, sem traumas e não me arrependo até hoje. Esperar foi a melhor coisa que eu fiz. No entanto quando eu era mais nova, todas as vezes que neguei sexo e me justifiquei falando sobre a minha opção, vários guris me chamaram de BURRA. Aquilo me magoava, mas eu sabia que era uma tática pra me fazer fraquejar. Mas não funcionava. Como disse: eu não era brilhante, mas nunca fui uma completa idiota. Fui burra até quando quis. E depois quando consegui o que queria, deixei de ser “burra”, rs. Aliás, nem sei por que ainda tô falando de sexo, mas acho que tenho uma boa justificativa. Comecei o post falando de pornografia né? Então. Depois que perdi a virgindade e comecei a asssistir uns programas bobinhos que passavam de madrugada, algumas coisas me fizeram pensar em outras.

Teve um dia na minha vida (ou melhor, uma noite) em que eu estava assistindo sobre algum programa de sexo/sexualidade na TV que mostrava a rotina de umas mulheres que faziam fotos pornográficas pra revistas/internet, não me recordo muito bem. No entanto, eu me lembro muitíssimo bem da frase que uma dessas mulheres falou e não sei por que motivo essa frase me marcou tanto, mas marcou. Ela disse algo como “these pictures are forever“. Na época não entendi, mas guardei esse frame na minha memória e vez e outra essa frase volta quando faço (ou estou por fazer/falar/agir) algo: AND THIS IS FOREVER. Quando eu era mais nova não me importava muito não, me lixava pras coisas, achava que nada teria o mínimo de importância e gostava de tudo que era efêmero. Ainda gosto, mas não mais da mesma forma. O que a gente faz é pra sempre, mesmo que seja efêmero, mesmo que se transforme, mas ainda continua lá.

Acho imbecil e sempre acharei a maldita frase do Antoine de Saint-Exupèry “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativa”. Frase imbecil, pensamento imbecil, mentalidade IMBECIL. Essa frase carrega uma quantidade de BUNDAMOLICE quase que insuperável. E as pessoas sonhadoras que a apóiam deveriam trocar essa frase por outra tipo: “o homem é responsável por aquilo que é” ou ainda “estamos eternamente condenados a sermos livres”. ISSO é ter culhões e não ficar jogando a RESPONSABILIDADE por quem você é e pelo que você sente, a outras pessoas. Não respeito filhos da puta, mas RESPEITO quem se ASSUME filho da puta. Ter culhão também é dizer que sente medo, que não tem coragem e que não faria algo por que não quer, ou por que não acha justo ou certo. Ter culhões é dizer que não concorda com casamento homossexual e ainda assim SER MISS, independente de qualquer coisa.

Ter culhão é pedir desculpas e assumir um erro. É ser “metamorfose ambulante” e se assumir assim. É criar algo sabendo que esse algo vai ter fim. Ou ainda: destruindo esse algo por conta própria. E criando outros, talvez. É julgar e ser julgado por que O MUNDO e a EXISTÊNCIA é feita de julgamentos e você não tem como impedir isso. Ter culhão é saber dizer NÃO quando tudo o que você mais quer é dizer SIM (pros outros e pra si mesma). É ser promíscua e assumir a promíscuidade e suas conseqüências (SIM, EXISTEM consequencias apesar de ainda ter gente que pensa que não vive numa sociedade MACHISTA pra caralho). É assumir seus gostos, suas vontades e sua(s) personalidade(s), independente de certo ou errado, independente de tudo ou de todos. É simplesmente SER e SE DEIXAR SER. Sem amarras, sem constrangimentos, sem PIEDADE.

Falta muita gente com culhão nesse mundo viu?

Vou te contar..

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