arquivo

Arquivo da tag: Verdades Doloridas

Yesterday I was there.

Today I am here.

The two are light years apart.

Julian Hibbard, Schematics: A Love Story

Certa vez, há alguns anos atrás, criei uma lista que eu considerava perfeita. Era uma lista bastante detalhada, enumerada, com todas as características que eu considerava apreciáveis. Tudo na lista se encaixava e o perfil parecia relativamente fácil de ser encontrado (embora eu soubesse que não era fácil, na verdade). Olhava pra lista, a organizava e editava inúmeras vezes, me dando por satisfeita sempre. Gostava de fantasiar e imaginar que aquela lista algum dia pudesse se tornar realidade. Pensava que se fosse exatamente da forma que estivesse na lista, eu atingiria meu objetivo, eu seria plena e a minha inquietação finalmente desapareceria.

Eis que um dia, como quem não quer nada, apercebo-me que a minha lista, que julgava complexa e detalhada, havia materializado-se pra mim. Não nego, fui feliz por algum tempo. Até que o que estava na lista tornou-se básico e outras características – as quais eu não previa – começaram a extrapolar os limites da lista, os limites do que jamais havia previsto que pudesse acontecer. Decepcionar-se não foi só inevitável, percebendo esse padrão, preferi considerar a decepção como natural. Toda lista é uma tentativa pífia, humana, malfeita, de exercer controle sobre o que jamais poderá ser controlado. É uma pretensão de racionalidade demarcada sob territórios inalcançáveis e irremediavelmente irracionais.

Todo desejo é fundamentalmente temporário.

Listas, em última análise, são uma mentira.

E em primeira análise, são essencialmente efêmeras.

Todas as escolhas que fizemos, por mais acertadas que pareçam em primeira instância, não passam de ilusões que se desfazem ao longo do tempo. Escolhas apenas nos provam, quase sempre dolorosamente, o quanto somos mais frágeis do que podemos imaginar. Não há como vencer.

Um dos maiores medos que tenho na vida, antes mesmo que o medo primordial de morrer, é o medo de engravidar. Tenho muito medo mesmo, um verdadeiro pânico só de pensar na situação. Se o medo de morrer é (bem) menor do que o medo de dar a vida a alguém, vocês podem então imaginar o meu medo. Felizmente existe a pílula anti-concepcional e isso faz de mim uma mulher muito feliz e realizada. Com menos medo, com certeza.

Decidi definitivamente por não ter filhos há pouco tempo atrás. Sim, o definitivamente é pra irritar mesmo.. Sei que nada é definitivo, mas… Pra mim, por hora, é. A vida é feita de escolhas e essa é uma das minhas. Tenho vários motivos pra não querer engravidar e irei numerá-los por aqui.

Acho que não possuo o que chamam de “instinto materno”. Não o possuo e não pretendo desenvolvê-lo.

Um dia já me disseram com todas essas palavras “acho que você seria uma boa mãe”. Na verdade eu não sei o que ele quis dizer com aquilo. Quis concordar e acho que por dentro concordei, mas por fora me censurei. E continuo me censurando. Sim, talvez eu fosse uma boa mãe. Talvez.

Mas realmente eu percebo que a minha vida não está rumando pra isso. Já tenho 25 anos, percebo que não vou casar  tão cedo e que também não vou ter espaço na minha vida pra filhos. E mesmo que eu tenha espaço: não quero, não tenho essa vontade. Acho triste por um lado, mas por outro acredito que não se pode ter tudo. E a minha escolha já está feita. E quem quer que apareça terá de se adaptar à ela, se quiser conviver comigo.

“Acho que você seria uma boa mãe”. A frase martela pesadamente no fundo minha cabeça. Olha, sinceramente… Eu não tenho jeito nenhum com crianças. Nunca tive. Nunca soube lidar com elas e nem fiz e nem faço questão. Prefiro ignorá-las na maior parte das vezes. Eu não sei conversar com elas, não sei como tratá-las. Sou um verdadeiro fracasso nesse sentido. Não tenho paciência, nunca tive, nem com minha irmã menor, que sofreu muito nas minhas mãos.

Mas existem outros motivos sim… Motivos que tem a ver comigo.

Devo ter sido uma criança que não deu muitos problemas pra minha mãe, acho. Mas a partir dos meus 12 anos, fui uma  pré-adolescente/adolescente muito “problemática” e lembro muito bem o quanto a minha mãe sofreu por isso. Na minha concepção, e pelo que pude observar, ela mais sofreu do que teve alegrias comigo.

Minha mãe é uma pessoa muito, muito estranha. O objetivo de vida dela é conciliar uma carreira cheia de compromisssos, com uma vida familiar intensa. Duvido que alguma vez ela tenha falhado na primeira, mas quando ela sente que falha na segunda (mesmo que não tenha falhado), ela sofre imensamente. E claro, me culpava (direta e indiretamente) pelos sofrimentos dela. E eu, adolescente que não sabia das coisas, carreguei a culpa por todos os sofrimentos dela por muitos e muitos anos..

Hoje não faço mais isso. Os sofrimentos são dela, não meus. As culpas, idem. Hoje consigo identificar prontamente quando ela quer jogar algum sofrimento ou culpa pra mim.. Chega a ser infantil a forma como ela faz isso, mas na mesma hora eu faço com que ela note e reconheça esse erro de comportamento. E hoje em dia ela se irrita, porque eu detecto as intenções dela de me usar como bode expiatório dos problemas que ela não consegue resolver consigo mesma. Enfim… Histórias dentro de histórias.

De qualquer forma, a possibilidade de eu ter uma filha como eu mesma, me irrita bastante só de imaginar. Mesmo tendo me livrado de boa parte das culpas da minha mãe, ainda penso que dei “muito trabalho” pra ela porque vivenciei muitos dos seus sofrimentos, mas a bem da verdade é que eu fui uma adolescente como qualquer outra, com coisas boas e ruins. Não vou entrar no mérito de como foi a minha criação por que senão o post vai ficar mais longo do que já está e esse texto vai sair do foco mais do que já saiu.. Enfim.

Existe uma outra pergunta que me intriga bastante… Quem seria o pai da criança? O pai do meu filho/a?

Bem, atualmente estou solteira. E me vejo solteira por mais uns 5 anos, tranquilamente. A possibilidade de eu engravidar hoje é nula tanto porque estou tomando pílula, quanto por não ter vida sexual ativa. Previsão de estabilidade emocional? ZERO. Previsão de estabilidade financeira? IDEM. Se não tenho previsão dessas duas coisas, se nada nessa vida me dá o mínimo de segurança, porque diabos eu colocaria a vida de uma pessoa que nem existe em risco por isso? Não sei… Isso não me parece justo. Nem certo. Por isso me cuido tanto pra que isso não aconteça, mesmo que “sem querer”.

E aliás, pra mim, não existe isso de “sem querer”, de “acidente”. Existe camisinha, pílula anti-concepcional e pílula de emergência. Não existem “acidentes”. Existiam acidentes, há sei lá… 50 anos atrás. Hoje, não. Hoje a gente se cuida. Vou soar muito escrota no próximo post, mas enfim… “I don’t mean to sound bitter, cold, or cruel, but I am, so that’s how it comes out.”

Quem irá ficar com o corpo todo deformado, quem irá carregar, passar noites sem dormir e sofrer pra parir a criatura sou EU, então a culpa pelo “acidente” é sim toda minha. Homens são homens: irresponsáveis por natureza, ainda mais relativo à essas coisas. Não acho que os homens devam ser responsabilizados pelo que simplesmente não lhes diz respeito… Ainda mais quando eles nem mesmo tem noção de como é isso (estar grávida).

Soando completamente antifeminista mesmo, a responsabilidade é toda da mulher. Isso de “mas nós fizemos isso juntos” é conversa pra boi dormir. Toma pílula, caramba!!! A não ser que você realmente queira agir de má fé, o que eu acho uma cagada igualmente fenomenal.. Mas aí é outra história. Soei machista? Pois bem… Fazer o quê, né?

Mas voltando à questão de não querer ter filhos, pra mim não é tanto uma questão de “ser egoísta” mas acredito que na época que eu realmente começar a curtir minha vida como ela deve ser curtida (lá pelos 35~40 anos) não quero ter impedimento nenhum pra nada: viagens, compras, mudança de cidade, mudança de apartamento, o que for. Quero poder fazer o que quiser sem ter ninguém dependendo de mim pra isso.

Sendo muito otimista (e talvez ingênua, como sempre), a minha previsão é de até os 35 ter “terminado meus estudos” (como se isso fosse possível algum dia na vida…) e depois que atingir uma certa estabilidade, viajar pra lugares diferentes que eu não conheça. Ou ainda, viajar para os mesmos lugares, só que várias vezes seguidas. Afinal, a probabilidade é de que eu continue solteira pro resto da vida e só trabalhe mesmo. Eu sei que esse é o meu destino. Já aceitei isso. Pois bem. Paciência.

Esses dias conversando com um amigo ele me disse que tem gente que pergunta pra ele:  “e quem vai cuidar de você quando você estiver velho?”. Resposta dele: “Essa não cola. Tenho primos e alguns já tem filhos. Seja um ‘tio’ legal e também tá valendo. Na pior das hipóteses, vou pra uma casa de repouso da vida. Bem mais barato do que criar filho”. Pois é. Penso que a minha irmã terá muitos filhos por mim.. Então prefiro me preservar bem pra poder estragar todos os filhos dela.

Voltando a falar da minha mãe, a cobrança por parte dela para que eu tenha filhos é outra coisa que me irrita muito. Acho que se minha mãe quer tanto bebês assim, ela deveria adotar mais alguns e não ficar me importunando com isso.

Um dia eu peguei minha mãe na curva com essa história de “netos”. Ela veio cheia de graça pra mim, como sempre vem, com essa de  “E os meus netinhos? Mimimi… Queria tanto netinhos…” e eu comecei então uma discussão, falando que não quero ter filhos, que não é pra mim, não tenho o perfil, etc. E então ela começou a discutir comigo como se não houvesse amanhã e eu, bem… Eu fiquei quieta né? Fiz cara de Monalisa até ela encher o saco de ficar reclamando a toa…

Aí esperei ela se acalmar,  aquietar… PARAR de falar. Olhei pra ela com o meu olhar mais profundo e falei no tom mais sério que eu consegui fazer:

“Mãe: e se eu te dissesse que eu estou grávida, agora mesmo. Que eu estou esperando um filho, um neto, SEU neto, que vai nascer daqui uns 6 meses… Você iria gostar?”

Aí ela me olhou… olhou… pensou.. e respondeu: “Não”.

Aí eu falei “Ok, mãe. Obrigada”.

Mas é ÓBVIO que ela se borrou quando eu falei que podia estar grávida. Ficou pálida com a possibilidade de ser avó e com a possibilidade de o que eu tinha acabado de dizer ser verdade. Foi engraçado. Mas não, não era verdade… Eu nunca engravidei e nem pretendo. Não sou imbecil nem louca de jogar o que me resta de vida fora. Mas a pressão pra parir no meu caso é muito maior por eu ser mulher. Acho isso ridículo, mas já fiz minha decisão. E a minha decisão consiste em alguns fatos irrevogáveis que vou ter que carregar, pro resto da vida:

Serei a única mulher da minha família que irá “ficar pra titia”.

Meu pai não vai me levar em altar nenhum e eu não irei engravidar.

Minha existência enquanto mulher será seriamente e socialmente comprometida, pela minha decisão (Hahahah).

Eu serei MENOS mulher dentre todas as mulheres (Hahahahahahahahaha).

Não cumprirei meu propósito biológico para com a existência (AHAHAHAHAHAHAH).

Serei pra sempre uma solteirona e daqui alguns anos serei vista como uma leprosa pra sociedade. (Oh, well… :D)

Pois bem… Essas coisas acontecem.

Boa parte das pessoas acredita que as mulheres que não têm filhos são necessariamente amargas. Não diria amargas, mas sim, talvez elas não sejam lá muito amáveis.

E como eu já não sou amável de qualquer forma, não seria um filho que me faria ser.

A verdade é essa.

Ela: Sabe uma coisa que eu descobri?
Dora: Diz.
Ela: Eu não sou uma pessoa “datable”. Só fui em 2 ou 3 dates na vida e o último me fez ver que eu não nasci praquilo..
Dora: Ah.. talvez. Eu também estou no meio de um rolo que me fez compreender que não nasci pra isso também. Normal. Acho que a gente descobre a vocação pra solidão de maneiras maneiras diferentes..
Ela: Esse negócio de “conhecer alguém”… De smalltalk, contar coisas da vida.. Sei lá, isso fode com a minha paciência. Eu gosto de quem eu já conheço e se eu não conheço, não quero conhecer.
Dora: É… Acho que estou chegando muito, mas muito perto disso também…

Por incrível que pareça, meu primeiro ímpeto de senso de responsabilidade iniciou-se quando eu comecei a assistir PORNOGRAFIA. Ok, não a ASSISTIR pornografia no sentido de ser periódica e constantemente, nem saber das atrizes mais conhecidas, etc. Falo dos primeiros contatos que tive com tudo o que é erótico e sexual, de entender e conceber o que é pornográfico. E eu tive esses contatos em idade muito jovem, algo entre 9 e 10 anos de idade. Não, eu não fiz sexo com essa idade, mas eu já entendia o que era (o que ia onde e porquê) e pra que servia (como engravidar, etc). Primeiro os livros de ciência, os órgãos por dentro, como funcionavam e pra que serviam (em teoria). Depois apareceram as famosas “revistas de mulher pelada”. Depois, revistinhas de contos eróticos.

Se bem que nunca precisei ir muito longe: as novelas e filmes sempre deixavam o meu imaginário sexual bem curioso e embora criança eu não era burra: sabia que a realidade não era daquela forma.

Quanto à pornografia mais chula (revistas com imagens e contos) eu via aquelas coisas (e também lia) e aquilo tudo me excitava muitíssimo, sem nem mesmo eu nunca ter encostado em uma pessoa do sexo oposto. Afinal, eu era uma criança. E sim, claro, por que no início a sexualidade é (comigo foi) homossexual.  Com certeza deve ter alguém que defende isso, eu não defendo nada, mas enfim isso foi um fato comigo, entre 10~12 anos. Tive criação católica e nem por isso me sentia culpada e também não achava o que fazia errado. Não conseguia explicar a mim mesma porque achava mulheres mais atraentes. Simplesmente achava. Na verdade eu me lembro que quando criança eu achava os meninos MUITO feios (sem graça) e os homens terrívelmente ASSUSTADORES por que eram grandes, nojentos e tinham pêlos.

Morria de medo de pau. Sempre tive medo. Mas era um medo VIRGINAL, não era nojo, falta de preferência ou pânico. Era um medo que eu não compreendia e que só fui superar depois do meu primeiro beijo num menino. Aí eu já tinha 13 anos. Eu não era uma menina muito brilhante, mas também nunca fui uma completa idiota que podia ser levada no papo. Poderia ter perdido minha virgindade com 13 anos se eu quisesse (como a maioria das minhas colegas de classe RETARDADAS mentais), mas não quis e foi uma ESCOLHA e uma OPÇÃO. Eu tinha um critério muito simples pra perder a minha virgindade: tinha que estar namorando e tinha que gostar do rapaz. Depois disso, tudo fluiria muito naturalmente e eu não ia ter que carregar lembranças ruins ou traumáticas PRO RESTO DA MINHA VIDA. Quando eu tinha 13 anos virgindade era um tabu e lembrar disso me faz rir TÃO ALTO hoje.. Mas enfim.

Perdi minha virgindade com 16 anos e foi exatamente do jeito que eu quis e planejei. Foi ótimo, sem traumas e não me arrependo até hoje. Esperar foi a melhor coisa que eu fiz. No entanto quando eu era mais nova, todas as vezes que neguei sexo e me justifiquei falando sobre a minha opção, vários guris me chamaram de BURRA. Aquilo me magoava, mas eu sabia que era uma tática pra me fazer fraquejar. Mas não funcionava. Como disse: eu não era brilhante, mas nunca fui uma completa idiota. Fui burra até quando quis. E depois quando consegui o que queria, deixei de ser “burra”, rs. Aliás, nem sei por que ainda tô falando de sexo, mas acho que tenho uma boa justificativa. Comecei o post falando de pornografia né? Então. Depois que perdi a virgindade e comecei a asssistir uns programas bobinhos que passavam de madrugada, algumas coisas me fizeram pensar em outras.

Teve um dia na minha vida (ou melhor, uma noite) em que eu estava assistindo sobre algum programa de sexo/sexualidade na TV que mostrava a rotina de umas mulheres que faziam fotos pornográficas pra revistas/internet, não me recordo muito bem. No entanto, eu me lembro muitíssimo bem da frase que uma dessas mulheres falou e não sei por que motivo essa frase me marcou tanto, mas marcou. Ela disse algo como “these pictures are forever“. Na época não entendi, mas guardei esse frame na minha memória e vez e outra essa frase volta quando faço (ou estou por fazer/falar/agir) algo: AND THIS IS FOREVER. Quando eu era mais nova não me importava muito não, me lixava pras coisas, achava que nada teria o mínimo de importância e gostava de tudo que era efêmero. Ainda gosto, mas não mais da mesma forma. O que a gente faz é pra sempre, mesmo que seja efêmero, mesmo que se transforme, mas ainda continua lá.

Acho imbecil e sempre acharei a maldita frase do Antoine de Saint-Exupèry “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativa”. Frase imbecil, pensamento imbecil, mentalidade IMBECIL. Essa frase carrega uma quantidade de BUNDAMOLICE quase que insuperável. E as pessoas sonhadoras que a apóiam deveriam trocar essa frase por outra tipo: “o homem é responsável por aquilo que é” ou ainda “estamos eternamente condenados a sermos livres”. ISSO é ter culhões e não ficar jogando a RESPONSABILIDADE por quem você é e pelo que você sente, a outras pessoas. Não respeito filhos da puta, mas RESPEITO quem se ASSUME filho da puta. Ter culhão também é dizer que sente medo, que não tem coragem e que não faria algo por que não quer, ou por que não acha justo ou certo. Ter culhões é dizer que não concorda com casamento homossexual e ainda assim SER MISS, independente de qualquer coisa.

Ter culhão é pedir desculpas e assumir um erro. É ser “metamorfose ambulante” e se assumir assim. É criar algo sabendo que esse algo vai ter fim. Ou ainda: destruindo esse algo por conta própria. E criando outros, talvez. É julgar e ser julgado por que O MUNDO e a EXISTÊNCIA é feita de julgamentos e você não tem como impedir isso. Ter culhão é saber dizer NÃO quando tudo o que você mais quer é dizer SIM (pros outros e pra si mesma). É ser promíscua e assumir a promíscuidade e suas conseqüências (SIM, EXISTEM consequencias apesar de ainda ter gente que pensa que não vive numa sociedade MACHISTA pra caralho). É assumir seus gostos, suas vontades e sua(s) personalidade(s), independente de certo ou errado, independente de tudo ou de todos. É simplesmente SER e SE DEIXAR SER. Sem amarras, sem constrangimentos, sem PIEDADE.

Falta muita gente com culhão nesse mundo viu?

Vou te contar..

I like you, and I’d like you to like me to like you
But I don’t need you
Don’t need you to want me to like you
Because if you didn’t like me
I would still like you, you see

La la la
La la la

I lick you, I like you to like me to lick you
But I don’t need you
Don’t need you to like me to lick you
If your pleasure turned into pain
I would still lick for my personal gain

La la la
La la la

I fuck you, and I love you to love me to fuck you
But I don’t fucking need you
Don’t need you to need me to fuck you
If you need me to need you to fuck
That fucks everything up

La la la
La la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me

Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said

I want you, but I don’t need you

La la la
La la la

I love you, and I love how you love how I love you
But I don’t need you
Don’t need you to love me to love you
If your love changed into hate
Would my love have been a mistake?

La la la
La la la

So I’m gonna leave you, and I’d like you to leave me to leave you
But lover believe me, it isn’t because I don’t need you (you know I don’t need you)
All I wanted was to be wanted
But you’re drowning me deep in your need to be needed

La la la
La la la la la la la la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me
Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said
I want you, but I don’t need you

[Momus – I Want You But I Don’t Need You]

As pessoas dizem que a vida é curta e que
você pode ser atropelado por um ônibus a qualquer
momento e que você tem que viver cada dia
como se fosse seu último

MENTIRA

A VIDA É LONGA

E você provavelmente não vai ser atropelado por
um ônibus e você terá que viver com as escolhas
que você faz pelos próximos cinquenta anos
.

Beijos.

Boa parte da minha vida não decidi por nada do que aconteceu comigo, deixava que decidissem por mim. Analisava todos os pontos, todas as circunstâncias, delineava todas as situações e jogava pras mãos das outras pessoas, algumas vezes, inconscientemente, outras muitas vezes, de propósito mesmo. Talvez isso não seja errado e funcione com outras pessoas, mas hoje eu não considero esse tipo de comportamento adequado pra mim. Tomar decisões, sérias e desagradáveis, faz parte da vida adulta. Mas acho que não tinha me tocado disso até esse ano. Ou talvez eu até tenha me tocado disso há alguns anos, mas nunca fiz questão de tomar as rédeas das situações por que talvez eu não me achasse digna de minha própria confiança. Acho que morar num lugar deprimente e ter baixa auto-estima colaborava pra que eu fosse assim também. Mas com certeza existiam outras coisas que faziam de mim uma pessoa insegura.

Hoje acredito que tudo está melhorando aos poucos. Ano passado mesmo, quando perguntavam pra mim o que eu queria, não sabia o que responder. Dizia que era preguiça, mas na verdade era covardia, medo mesmo. Hoje tenho mais respostas sobre o que quero, mas ainda não está bom, sei que posso melhorar um pouquinho mais nesse sentido. Percebo que ainda sou muito, mas muito desonesta comigo mesma quanto ao que eu realmente quero, quanto à todas as coisas que quero. Existem muitos auto-enganos na minha vida e eu tenho uma grande dificuldade em identificá-los pra ao menos poder saber o que fazer com eles: aceitar ou rejeitar. Antigamente eu culpava as pessoas por que claro, é muito mais fácil culpar os outros por erros meus, óbvio. Mas agora presto muito mais atenção no meu suposto discurso, nas coisas que falo, que penso, que aparentemente desejo. Confronto eles diretamente com a realidade pra ver se é isso mesmo, se aguento o tranco, se posso bancar… E sempre perco. E sempre ganho. E isso é tudo muito bom… E completamente devastador e desgastante, emocionalmente falando.

Por isso muitas vezes prefiro calar. There are things that are better left unsaid.

Por isso nunca gostei de pensar nessas coisas: por que elas dão trabalho, cansam, dóem. E quanto mais eu tento  dar uma de “durona”, pra demonstrar que não tenho problema nenhum em lidar com sentimentos ruins, mais eles me aterrorizam e me devoram por dentro. Então é preciso ir com muita calma nesse território. Preciso saber lidar, ter controle, sempre. E me resguardar ao mesmo tempo. É difícil. Muito difícil. Mas não é impossível.

Felizmente percebi também que tenho cada vez mais parado pra pensar, analisar, julgar, escolher e decidir quando já estou com a cabeça completamente fria, quando aparentemente não existem mais sentimentos, ou pelo menos nenhuma agitação aparente causada por paixão, ódio, mágoa, raiva, etc. Na verdade quando esses sentimentos existem, estão atuantes e eu me sinto agitada, tudo o que faço é NÃO pensar em nada disso e me resguardar muito, me preservar. Até (e principalmente) de mim mesma. Notei que é sempre melhor assim, que os danos são bem mais modestos e os resultados são melhores. Bem, funciona pra mim.

Não sei se é a maturidade que me trouxe isso ou o quê, mas a verdade é que de certa forma me eduquei a NÃO PENSAR quando estou com qualquer sentimento que não sei dominar direito, ou que eu não consigo nomear por que “não existe”. E tem sido bem melhor assim. Outra coisa que tenho notado é que cada vez menos tenho PRESERVADO os sentimentos ruins, sejam eles muito intensos ou não. Não preservo mais coisas desagradáveis, não faz mais sentido pra mim isso hoje. Não sei exatamente porquê isso acontece, mas acontece e me sinto bem por isso. Antigamente esses sentimentos pareciam durar por uma eternidade. Hoje, não passam de uma semana.

Mas talvez isso aconteça por que existe uma dor que eu ainda não experimentei.

E ela aparecerá, mais cedo ou mais tarde.

The trick is to keep breathing.

[on the phone]

Harry: Marion… I’ve been thinking about you so much… are you okay?
Marion: When are you coming home?
Harry: Soon.
Marion: When?
Harry: Soon… you holding out alright?
Marion: Harry… can you come today?
Harry: Yeah… [starts to cry]
Harry: I’ll come… I’ll come today. You just wait for me, alright?
Marion: Harry…
Harry: I’m coming back, Marion.
Marion: Yeah.
Harry: I’m really sorry, Marion…
Marion: I know. [hangs up]

I have music inside me.

.

Like some passion that will never be fulfilled.

Like a dream that will never come to end.

Like a child that will never be born.

.
.
.

Still.

I have music inside me.

.
.

It’s living in streams of air

Through my leaves

Outside the birds.

It’s huge, free and so generous

It’s everywhere.

.

Where my footsteps are.

Where I just went.

.

I judge what I hear.
I perceive (pursue) what I feel.

.
.
.
.

Music is within me.

.
.
.
.

And it moves…

Slightly.

All.

The.

Time.

.
.
.
.
.

1237226118804_f

De tanto me partir, aprendi a gostar de fragmentos pois descobri que no total eu era todos os pedaços que havia juntado pelo caminho e os que eu havia perdido por aí.

Descobri que fragmentar-se é se repartir com o mundo de alguma forma e a coisa mais generosa que alguém pode fazer é dividir os seus cacos com quem puder fazer algum proveito.

Um fragmento sempre permite um princípio de idéia, uma resposta a uma pergunta, uma possibilidade para além dos três pontinhos.

Um pedaço seu que você deixou de fora quando fez o último mosaico de si mesmo pode ser útil a alguém que também esteja se remontando.

Fragmentar-se necessário para estar sempre em construção.

É permitir-se novas cores e formas, novos ângulos, novas perspectivas e novas interpretações.

Fragmentar-se ao contrário do que possa parecer, é uma chance de crescimento.

Carolina Veríssimo via fotolog

%d blogueiros gostam disto: