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Arquivo da tag: Tragicômico

Pedi um café com leite pequeno. Não queria usar adoçante hoje: queria algo de verdade. Os sachês de açúcar agora tem vindo com umas mensagens sortidas bestas acreditando ingenuamente que podem fazer as pessoas se tornarem seres humanos melhores. O primeiro açúcar que usei estava escrito na embalagem “elogie mais”. Não senti nenhuma mudança no sabor. O segundo: “elogie mais”. Mexi o café com leite e ficou docinho, mas ainda insuficiente. Terceiro sachê de açúcar: mesma mensagem.

Vida: VAI SE FUDER, ok?

Grata.

Att.

pernas_tn

–  Dora, posso te perguntar algo? Constrangedor.

Dora: Claro que pode.

– E tipo, eu vou perguntar, e nunca mais tocamos no assunto. Pode ser?

Dora: Poxa.. Nunca mais é meio pesado. Mas, enfim.. ok.

– Certo. Pergunto pois nunca reclamaram, mas agora fiquei complexado, fui pesquisar, vi que é comum hoje em dia e eu devo ser bem atrasado. Um cara do trabalho estava falando em aparar a virilha. Adequado? Como faz? Sabes disso? Achei que poderias saber, já que tu é mulher, por mais que err… Tu seja mulher. Enfím, entendeu.

Dora: Olha cara, é super aconselhavel.. Te digo viu?

– Pois é, estou pesquisando e já me convenci.

Dora: Claro que você não vai raspar como uma mulher, a não ser que você queira.  Mas pelo menos os caras com quem conversei, eles morrem de medo de qualquer objeto cortante ou perfurante que chegue muito próximo da virilha… rs

– Mas então, aparar. O quanto tu acha “interessante”?

Dora: Ah, isso só vc vai saber. Corta curtinho oras. Isso é meio difícil de mesurar..

– Pois é. Não sei o quanto é curtinho. E tenho medo de fazer besteira. Falei com um amigo e ele disse que encosta na pele e corta, daí fica bem curto.

Dora: Bem, é uma técnica, a do seu amigo. Particularmente, enquanto mulher detesto pelos de qualquer natureza. Tipo, eu tiro tudo.. Então pra mim não existe o ‘curtinho’.

– É que pelo que li, gurias falando, a maior parte gosta de um pouco. Que o.. Bem… Fique visível, você sabe. Mas elas não dizem o quanto. Complicado isso.

Dora: Ah.. Depende. Na hora eu não costumo notar muito isso não. Mesmo por que, acho homem pelado uma coisa muito feia.. hahaha.. É difícil explicar meu sentimento, na verdade… Acho feio e bonito ao mesmo tempo, mas enfim… Não fico reparando.

– Heh. Bah, só fiquei mais confuso.

Dora: Não sei, minha opinião é muito diferente das gurias no geral, mesmo por que eu sou muito esquisita. Mas enfim, corte. Tente uma vez. Se não gostar, deixe crescer.. E vai tentando de novo.. Até vc se sentir confortável..

– E tá, aparar a região, é só a região né? Tenho medo até qual ponto se deve cortar, heh.

Dora: Uma coisa é importante: se vc não se sentir confortável, não faça. E cara, só corte a parte de cima.. Não tente cortar na parte de baixo pois pode ser uma tragédia. Assim, eu acho interessante.. Mas tb acho que o cara tem que ter muuuita coragem pra depilar o saco.. Muita mesmo.

– Heh. Dá pra cortar o excesso.

Dora: Heh, sim.. Mas todo cuidado será pouco. Não sei qto a maioria das meninas, mas enfim.. é tão simples.. acho mais higiênico ficar sem pêlos. Bem melhor.. Mas confesso que cera é uma tortura medieval.. Usei algumas vezes mas pra nunca mais. Me dou bem com gilete e pinça.

– Então, depilar é foda… Mas gastas um bom tempo nisso né? Mas não volta a crescer rápido?

Dora: Ah, volta.. Mas aí paciência né?

– Ahn, isso é outro medo, começar a cortar não vai começar a crescer mais? Mais demais eu digo.

Dora: Não moço.. Começa a crescer normal.. Não existe isso de crescer mais.

– Ahn, ótimo. Vou testar hoje então, heh. Antes do banho.

Dora: Boa sorte.. vc vai estranhar no início, mas depois se acostuma.

– Eu pensei também em máquina de barbear, deixa um 3 ou 4, poderia ficar legal. Mas como não tenho máquina, só o pai… Não rola. Mas enfim.. Fiquei cabreiro agora com este lance de aparar, nunca tinha pensado nisso, daí hoje fui bombardeado com a novidade. E pensei que pode ser interessante, mudar, ainda mais que tenho possibilidades sexuais próximas. E também por isso estou cabreiro de fazer merda e ficar ridículo…

Dora: Ai, desculpa mas tô rindo muito aqui.. Por que tipo, parece que tu fez a descoberta do século tá ligado? E sei lá, eu me depilo desde sempre.. Então pra mim fica engraçado ler essas coisas.. Enfim.. Não vai ficar ridículo moço.. Tu só vai te sentir estranho, mas é normal..

– Poxa, mas pior que pra mim foi a descoberta do século! Eu nunca tinha nem pensado nisso cara. E achava que tosar as partes fosse algo extremamente metrosexual..

Dora: Ela não vai reparar. Eu prometo pra ti isso. E não é metrossexual. Seria se vc se preocupasse além da conta. Mas não é o caso. É uma questão de higiene, acho… E de preocupação com a parceira.. Apesar de que, a maioria das garotas não nota.. Só nota se vcs estão trepando há séculos e ela conhece cada centímetro do seu corpo. Which is not the case.

– Ótimo. Ultima pergunta. Pois sim, estou adoidado em fóruns. E vi uns tantos comentando….

Dora: Sim?

– Embaixo do suvaco não precisa né? Tipo, não sou mega peludo, não é um tufo nem nada…

Dora: Menino, por favor.. NÃO FAÇA ISSOOONÃO!!!

– UFA!!!

Dora: NÃO!!!!

– OBRIGADO!!! \o/

Dora: NEM PENSAR!

– Era isso que eu queria ouvir…

Dora: PARE JÁ! NÃO!!!! DE NOVO, pra gravar bem: NÃO FAÇA ISSO!!!!!!

– Anotado.

Dora: Garoto, te digo: VI-A-DA-GEM. PURA. Não faça! Não faça… Se vc fizer isso perderá boa parte de sua masculinidade.

–  Mas uns caras tavam falando com tanta convicção… E como eu já descobri algo hoje, vai que este fosse outro algo…

Dora: Não cara.. Não acredite neles. Eles estão errados. Eu estou certa. Mané raspar axila… Isso não se faz!

– Ainda bem que não sou peludo.. Ia odiar ter peito cabeludão. Não gosto de pelos também, por constagem. Por isso gostei de descobrir que aparar ali em baixo é legal..

Dora: Mesmo que fosse peludo! Isso não se faz com homem nenhum!!! Aliás, com homem (hetero) nenhum! Aparar a virilha tudo bem, mas quanto a raspar qualquer outra parte… Não. Só se vc for nadador ou ciclista profissional.. Por que eles precisam mesmo.. Não é por vaidade. Outra coisa que eu não deixei claro: eu não gosto de pêlos em MIM… Mas em homens.. Ah, é homem né? Homem tem que ter pelo mesmo.. Acho um nojo aqueles corpos de gogo boys, lisinhos..

– Certo, vamos repassar as notas: 1. cortar tesoura rente a pele (espero que fique visível que há algo ali mesmo); 2. parte de cima, excesso de baixo se achar que precisa. E só. Aqueles poucos pelos em baixo do umbigo é tranquilo né?

Dora: Não, não.. deixa como está. Não mexa.

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– Ótimo. Valeu pelos conselhos. Serei um homem mais… menos… menos peludo? John Lennon que não depilava…

Dora: Ah.. Olha.. Você será um homem que facilitará o serviço pra moça.

– Sério, mesmo na imagem grande parece que ele não tem pau cara. Tá escondido na mata. Então, ele era meu exemplo de homem pelado normal. Fora isso só filmes pornôs, que eu achava que fossem a excessão…

Dora: Olha, o Lennon nessa foto é um homem pelado normal natural.. que nunca se depilou nem nada..

– Eu só pensava “Poxa, pelo menos o meu é visível, o John deve ter bem pequeno pra sumir ali no meio”..

Dora: Nas poucas pornografias que eu vi, a maioria dos caras tira tudo.. O que eu acho bizarro, mas enfim, facilita pra eles… Mas o do Lennon não aparece justamente por causa da quantidade de pelos… por incrível que pareça. Deve ter alguma coisa ali embaixo.. Mas enfim.. Aparar é saudável.

– Beleza então, vou lá.. Depois te falo como foi.

[Alguns minutos depois…]

– Nossa, muito bom o resultado! Até aumentar de tamanho “aumenta”, hahahaha…

Dora: HAHAHAHAHA! Viu só pq o do Lennon não aparecia?

– O meu que já aparecia, agora tá Ó! Heh.. Tá, pinica um pouco, mas deve acostumar né?

Dora: Sim, com o tempo acostuma..

– Bom. Sério, gostei bastante do resultado. Ficou aparecendo que tem algo ali. Sei lá, bem melhor.

Dora: Hahahaha.. Garoto animado!! Agora é só acostumar..

Por incrível que pareça, meu primeiro ímpeto de senso de responsabilidade iniciou-se quando eu comecei a assistir PORNOGRAFIA. Ok, não a ASSISTIR pornografia no sentido de ser periódica e constantemente, nem saber das atrizes mais conhecidas, etc. Falo dos primeiros contatos que tive com tudo o que é erótico e sexual, de entender e conceber o que é pornográfico. E eu tive esses contatos em idade muito jovem, algo entre 9 e 10 anos de idade. Não, eu não fiz sexo com essa idade, mas eu já entendia o que era (o que ia onde e porquê) e pra que servia (como engravidar, etc). Primeiro os livros de ciência, os órgãos por dentro, como funcionavam e pra que serviam (em teoria). Depois apareceram as famosas “revistas de mulher pelada”. Depois, revistinhas de contos eróticos.

Se bem que nunca precisei ir muito longe: as novelas e filmes sempre deixavam o meu imaginário sexual bem curioso e embora criança eu não era burra: sabia que a realidade não era daquela forma.

Quanto à pornografia mais chula (revistas com imagens e contos) eu via aquelas coisas (e também lia) e aquilo tudo me excitava muitíssimo, sem nem mesmo eu nunca ter encostado em uma pessoa do sexo oposto. Afinal, eu era uma criança. E sim, claro, por que no início a sexualidade é (comigo foi) homossexual.  Com certeza deve ter alguém que defende isso, eu não defendo nada, mas enfim isso foi um fato comigo, entre 10~12 anos. Tive criação católica e nem por isso me sentia culpada e também não achava o que fazia errado. Não conseguia explicar a mim mesma porque achava mulheres mais atraentes. Simplesmente achava. Na verdade eu me lembro que quando criança eu achava os meninos MUITO feios (sem graça) e os homens terrívelmente ASSUSTADORES por que eram grandes, nojentos e tinham pêlos.

Morria de medo de pau. Sempre tive medo. Mas era um medo VIRGINAL, não era nojo, falta de preferência ou pânico. Era um medo que eu não compreendia e que só fui superar depois do meu primeiro beijo num menino. Aí eu já tinha 13 anos. Eu não era uma menina muito brilhante, mas também nunca fui uma completa idiota que podia ser levada no papo. Poderia ter perdido minha virgindade com 13 anos se eu quisesse (como a maioria das minhas colegas de classe RETARDADAS mentais), mas não quis e foi uma ESCOLHA e uma OPÇÃO. Eu tinha um critério muito simples pra perder a minha virgindade: tinha que estar namorando e tinha que gostar do rapaz. Depois disso, tudo fluiria muito naturalmente e eu não ia ter que carregar lembranças ruins ou traumáticas PRO RESTO DA MINHA VIDA. Quando eu tinha 13 anos virgindade era um tabu e lembrar disso me faz rir TÃO ALTO hoje.. Mas enfim.

Perdi minha virgindade com 16 anos e foi exatamente do jeito que eu quis e planejei. Foi ótimo, sem traumas e não me arrependo até hoje. Esperar foi a melhor coisa que eu fiz. No entanto quando eu era mais nova, todas as vezes que neguei sexo e me justifiquei falando sobre a minha opção, vários guris me chamaram de BURRA. Aquilo me magoava, mas eu sabia que era uma tática pra me fazer fraquejar. Mas não funcionava. Como disse: eu não era brilhante, mas nunca fui uma completa idiota. Fui burra até quando quis. E depois quando consegui o que queria, deixei de ser “burra”, rs. Aliás, nem sei por que ainda tô falando de sexo, mas acho que tenho uma boa justificativa. Comecei o post falando de pornografia né? Então. Depois que perdi a virgindade e comecei a asssistir uns programas bobinhos que passavam de madrugada, algumas coisas me fizeram pensar em outras.

Teve um dia na minha vida (ou melhor, uma noite) em que eu estava assistindo sobre algum programa de sexo/sexualidade na TV que mostrava a rotina de umas mulheres que faziam fotos pornográficas pra revistas/internet, não me recordo muito bem. No entanto, eu me lembro muitíssimo bem da frase que uma dessas mulheres falou e não sei por que motivo essa frase me marcou tanto, mas marcou. Ela disse algo como “these pictures are forever“. Na época não entendi, mas guardei esse frame na minha memória e vez e outra essa frase volta quando faço (ou estou por fazer/falar/agir) algo: AND THIS IS FOREVER. Quando eu era mais nova não me importava muito não, me lixava pras coisas, achava que nada teria o mínimo de importância e gostava de tudo que era efêmero. Ainda gosto, mas não mais da mesma forma. O que a gente faz é pra sempre, mesmo que seja efêmero, mesmo que se transforme, mas ainda continua lá.

Acho imbecil e sempre acharei a maldita frase do Antoine de Saint-Exupèry “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativa”. Frase imbecil, pensamento imbecil, mentalidade IMBECIL. Essa frase carrega uma quantidade de BUNDAMOLICE quase que insuperável. E as pessoas sonhadoras que a apóiam deveriam trocar essa frase por outra tipo: “o homem é responsável por aquilo que é” ou ainda “estamos eternamente condenados a sermos livres”. ISSO é ter culhões e não ficar jogando a RESPONSABILIDADE por quem você é e pelo que você sente, a outras pessoas. Não respeito filhos da puta, mas RESPEITO quem se ASSUME filho da puta. Ter culhão também é dizer que sente medo, que não tem coragem e que não faria algo por que não quer, ou por que não acha justo ou certo. Ter culhões é dizer que não concorda com casamento homossexual e ainda assim SER MISS, independente de qualquer coisa.

Ter culhão é pedir desculpas e assumir um erro. É ser “metamorfose ambulante” e se assumir assim. É criar algo sabendo que esse algo vai ter fim. Ou ainda: destruindo esse algo por conta própria. E criando outros, talvez. É julgar e ser julgado por que O MUNDO e a EXISTÊNCIA é feita de julgamentos e você não tem como impedir isso. Ter culhão é saber dizer NÃO quando tudo o que você mais quer é dizer SIM (pros outros e pra si mesma). É ser promíscua e assumir a promíscuidade e suas conseqüências (SIM, EXISTEM consequencias apesar de ainda ter gente que pensa que não vive numa sociedade MACHISTA pra caralho). É assumir seus gostos, suas vontades e sua(s) personalidade(s), independente de certo ou errado, independente de tudo ou de todos. É simplesmente SER e SE DEIXAR SER. Sem amarras, sem constrangimentos, sem PIEDADE.

Falta muita gente com culhão nesse mundo viu?

Vou te contar..

I like you, and I’d like you to like me to like you
But I don’t need you
Don’t need you to want me to like you
Because if you didn’t like me
I would still like you, you see

La la la
La la la

I lick you, I like you to like me to lick you
But I don’t need you
Don’t need you to like me to lick you
If your pleasure turned into pain
I would still lick for my personal gain

La la la
La la la

I fuck you, and I love you to love me to fuck you
But I don’t fucking need you
Don’t need you to need me to fuck you
If you need me to need you to fuck
That fucks everything up

La la la
La la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me

Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said

I want you, but I don’t need you

La la la
La la la

I love you, and I love how you love how I love you
But I don’t need you
Don’t need you to love me to love you
If your love changed into hate
Would my love have been a mistake?

La la la
La la la

So I’m gonna leave you, and I’d like you to leave me to leave you
But lover believe me, it isn’t because I don’t need you (you know I don’t need you)
All I wanted was to be wanted
But you’re drowning me deep in your need to be needed

La la la
La la la la la la la la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me
Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said
I want you, but I don’t need you

[Momus – I Want You But I Don’t Need You]

PIC_6333Em fevereiro do ano passado raspei a cabeça por que eu não aguentava mais a forma que eu tratava meu cabelo. Ele já tava todo fodido mesmo e começar do zero foi uma opção razoável, uma vez que não tinha outra que consertasse os estragos que fiz nele durante anos. Mas raspar a cabeça não foi uma decisão precipitada, foi tudo bem premeditado, eu queria aquilo, queria passar pela experiência e foi uma época boa pois eu estava muito segura de mim mesma. Hoje acho que não faria a mesma coisa. Mas nada/ninguém em específico me motivou a raspar a cabeça, apenas minha própria vontade. Não tive nenhuma motivação imediata pra isso, só uma a longo prazo (faz 1 ano e 4 meses que raspei a cabeça) que foi voltar a ter um cabelo bem cuidado, forte, natural e bonito. E isso eu consegui, sem esforço nenhum e sem gastar um puto com salão, nem nada. Só com shampoos bons.

Mas não adianta: só aprendemos a mudar alguma coisa (qualquer coisa) em nós mesmos quando nos constrangemos o suficiente. E essa é a única verdade que eu conheço até hoje.

Com as minhas unhas o caso foi diferente. Sempre roí unha desde que me conheço por gente e nunca houve nada, nem ninguém que me fizesse parar. Minha mãe sempre me levava na manicure, mas não tinha muito jeito.. Não passava uma semana sem roer as unhas. Sempre que ficava ansiosa com qualquer coisa, piorava: roía até a carne. Mas no começo desse ano dois acontecimentos me revoltaram bastante comigo mesma. Não adianta: raiva, ódio e constrangimento são os únicos sentimentos desse mundo que me movem. Mas só me movem quando eu os sinto por mim mesma, nunca pelos outros.

Se não me falha a memória esses acontecimentos ocorreram num espaço curtíssimo de tempo, com diferença de 1 ou 2 dias de um para outro.

O primeiro acontecimento:

Meus pais viajaram e deixaram eu e minha irmã em casa. Nós dividíamos os afazeres da casa, que era basicamente lavar e secar louça. Nunca tive problemas com isso (lavar louça, afazeres de casa em geral) mesmo por que, nunca tive unhas: fato. Não me importava com o fato de não ter unhas, sempre fui assim mesmo e sempre lavei louça sem maiores problemas… Enfim. O problema é que eu lavava a louça, minha irmã esperava elas secarem (e não as secava) e depois, quando e se ela quisesse, ela guardava as louças… Ou seja, ela não fazia porra nenhuma e o trabalho ficava todo pra mim, independente de qualquer coisa. Por dois dias eu não reclamei. No terceiro eu avisei a ela que não iria lavar a louça por que já tinha feito aquilo por dois dias e nós precisávamos dividir as tarefas. O argumento dela?

Eu não posso lavar louça por que tenho unhas compridas, vou no salão toda a semana e pago uma fortuna pra manter minhas unhas bonitas. Você rói unha e não se importa mesmo com isso, então lave louça você.

O que eu fiz? Lavei toda a louça. Todos os dias. Até o fim das férias, que foi quando ela e meus pais foram embora. E guardei aquelas palavras dela pra mim. E elas estão muito bem guardadas.

O segundo acontecimento:

Saí com um conhecido pra jogar sinuca com unhas horríveis. Acho que não preciso dizer mais nada, a frase por si só explica tudo. Sei que não deveria, mas me senti constrangida. Bastante constrangida.

Então a partir do dia 10 de fevereiro de 2009 eu DECIDI parar de roer unhas de uma vez por todas. E isso já dura 4 meses. Comprei creme para as mãos e unhas, uma base com vitaminas e vários esmaltes (vermelhos, escuros e só um clarinho) e agora vou na manicure mensalmente por que eu não sei fazer as unhas direito (gosto delas quadradinhas). Não foi fácil. Como no início minhas unhas estavam muito fracas (por que por toda vida eu as roí), elas quebraram várias vezes e foi difícil mantê-las bem e principalmente ficar sem roer. Mas eu lembrava da cara de ironia da minha irmã e da sinuca, passava uma lixa, uma base e não colocava a mão na boca. “Uma hora cresce de novo”, eu pensava. E elas cresceram mesmo.

Uma nota curiosa: mesmo com unhas compridas, continuo lavando louça e fazendo as coisas de casa sem problema nenhum. Uma coisa não impede a outra e eu sou a prova viva disso. Se acho que minhas unhas podem estragar, nada que uma luva amarela não resolva. E sim, claro, não vejo a hora de contar sobre essa minha experiência à minha irmã. Gostaria muito de ver a reação dela e de ouvir qual será a desculpa dela desta vez.

E eu nunca pedi isso pra leitor nenhum, mesmo por que não me importo com quem lê isso aqui, mas hoje eu vou pedir pra quem lê: por favor, não me levem a mal. Eu nunca me vingo. E também não guardo mágoa. Não me vingo por que sou incompetente demais pra isso e não sinto rancor por que percebi que não posso extrair nada de proveitoso disso. Mas com certeza eu sempre serei infinitamente curiosa acerca das reações das pessoas, de como elas lembram das coisas (por mais que eu não lembre) e lidam com as situações, por mais bobas que aparentemente sejam.

Hoje em dia o ato de roer unhas me parece muito nojento. Desacostumei de tal forma que não me imagino mais roendo unha. Já tava na hora né? Vinte cinco anos na cara e com mãos e unhas horríveis.. Mas nunca é tarde pra aprender nada nessa vida. Se não se aprende por bem, se aprende por mal. Ainda bem.

Mulheres se enganam muito fácil. Eu, mais fácil ainda. É chato ter que precisar viver pra entender como as coisas funcionam, mas é assim que as coisas acontecem. Só percebo agora a forma agressiva com que ele quer se marcar em mim. Isso não é uma reclamação, apenas uma observação. Ele não é nada sutil. Ok, tudo bem, já passaram na minha vida homens também nada sutis, mas agora, hoje, que me considero outra, é diferente. Entendo que a intenção dele não é de sutileza comigo. Mas acho um tanto quanto peculiar a forma com que ele pretende me marcar. Ele está tocando acordes inversos, começando pelo fim e por mim, tudo bem.

Às vezes eu finjo que não é comigo. Mas aí percebo lembranças,  fecho os olhos, mordo os lábios, suspiro e ele está ali. Mas a verdade é que todos estão, cada um a seu modo. O problema, também, é que eu tenho má memória quando se trata de algo em que não existe uma afeição concreta. Vira outra coisa, imaginativa, conto de fadas, algo que está por vir. Meu sentimento com essas lembranças é de quase indiferença, não consigo sentir nada e depois vem o vazio, imensurável, tomando conta. Não me apetecem contos de fadas, não gosto de me alimentar disso, por isso o desprezo. Depois lembro das coisas concretas (seja lá o que elas forem) e me sinto muito mais confortável, me sinto em casa.

Sinto as mesmas coisas, só que aí não me sinto sozinha. E aí é que está toda a diferença.

Ele quer me marcar da forma errada. Talvez não consiga a principio, mesmo por que, já sou alguém marcada o suficiente. Há alguns dias atrás eu realmente imaginava que fosse algo muito diferente, muito inusitado. Eu sentia isso, fisicamente, pernas bambas, coração acelerado. Mas não passou de uma semana de sensibilidade e agora as coisas são outras, tornaram-se, talvez, o que sejam realmente. Nada muito grande, nada muito longo, nada muito forte, nada muito duro.  Gosto de voltar a mim mesma e perceber as coisas como realmente são, sem tentar me auto-sabotar e iludir, como geralmente faço. Que ele não irá passar em branco é certo. Mas nem por isso eu preciso me desintegrar inteira pra ter certeza disso.

Superestimar algumas sensações não é nada, nada bom. Mesmo.

Ontem tava olhando na minha agenda capenga da faculdade… Digo que ela é capenga pq ela tá quase nos finalmentes, mesmo ainda faltando 3 meses pro ano acabar. Ainda tem muita coisa pra acontecer nesses pequenos 3 meses. Tantas expectativas, estou tão animada! Tem tanta coisa pra fazer! E eu não tô falando da minha vida pessoal, tô falando da faculdade mesmo. Não sei. Minha vida pessoal anda chatinha, sem nada muito emocionante/interessante. Acho que, a bem da verdade mesmo, eu não tenho mais vida pessoal. Só de vez em nunca. Ou ainda, eu busco por não ter, o que seria erm… bem: pior. Acho que é por isso que tenho escrito bem menos por aqui, como se pode notar.

Liguei pra minha mãe nesse final de semana e disse à ela que eu estava “me acostumando com a solidão”. Ela sempre fica brava quando eu falo pra ela que estou me acostumando a ficar sozinha, diz que não pode, que a vida não é assim e que ninguém nasce pra ser sozinho, etc. Eu até concordo com ela. Só que a coisa é que ninguém (pelo menos que more por aqui) quer ficar comigo (estou falando de relacionamentos). E também não tenho ninguém em vista. E falando sobre amizades, tenho minhas colegas de faculdade e tudo mais, adoro elas, mas a gente sai pouco pois todas têm mais o que fazer, acho. Sem falar que desde 2005 eu ando muito, mas muito cabreira mesmo com amizades no geral. E sim, é trauma. Sei lá.. Só acho que agora eu tenho coisas mais interessantes da vida pra fazer do que ficar me socializando por aí. Se socializar demais chega um ponto que é meio sacal.

Estou dando mais prioridades pras coisas de ordem prática, voltada pro profissional mesmo,  por assim dizer. Projetos, o que quero fazer, o que não quero fazer, etc. Usando o cérebro um pouquinho, coisa que sempre tive preguiça de fazer. Aprendi a duras penas que ouvir a todos é o mesmo que ouvir ninguém. Logo, eu devo ouvir a mim mesma, só e somente, pra tomar as minhas decisões e ser sensata, sempre. Mesmo que eu leve em muito consideração as opiniões de pessoas que eu realmente admiro e compreendo como “inteligentes”, também devo entender que tenho vida própria, interesses e vontades próprias não que sejam “erradas”, mas sim, diferentes. Tenho minha própria estrutura e devo levá-la em conta sempre em primeiro lugar, antes de entrar em conflito com os outros, comigo mesma, etc.

Acho mesmo impossível compreender as coisas de forma completamente neutra, mas ando tendo cada vez menos paciência com discursos muito idealistas/ideológicos também. Sejam eles quais forem. Simplesmente me nego ao diálogo. Tento me afastar das pessoas que são muito ideológicas ou idealistas, por entender que isso não é lá muito saudável. Talvez eu esteja errada, mas ainda prefiro pensar assim, enfim. Voltando à minha vidinha, antigamente eu tinha uma vontade absurda de me entregar a um relacionamento. Mas agora essa vontade – de verdade – é de me entregar ao meu projeto de vida, a um projeto qualquer, a algo que vou poder falar que eu fiz, eu colaborei, eu estava lá quando tudo aconteceu.  E isso é totalmente possível. Mas claro: algo que, de preferência, funcione. Não quero me dedicar a algo que vai nascer morto. De novo, não.

Acho que isso vai preencher o meu vazio existencial mais do que qualquer outra coisa. Relacionamentos, família.. Isso tudo não deve ser mesmo pra mim. Nunca vai ser. Meu destino não está rumando pra esses lados ao que tudo indica. A não ser que tudo mude muito e inesperadamente. O que eu duvido que aconteça.

No entanto, posso me considerar relativamente satisfeita, mesmo por que, já estou num projeto de pesquisa, gosto do tema com que estou trabalhando, então tudo bem. É isso mesmo que eu quero, eu sei disso, eu sinto isso, pois me sinto feliz, me sinto satisfeita, me divirto. Ontem foi bem engraçado. A professora veio meio que envergonhada me pedir ajuda com um projeto dela, coisa à toa, tabulação de alguns (muitos) dados e eu esperei ela me dizer tudo o que tinha pra dizer pra no final ela só me dar aquele olhar do tipo “e aí, róla?!”. Aí, claro, eu fui bem sincera com ela: “pode contar comigo sempre professora: eu não tenho vida”. E é verdade. E não é contação de vantagem não. É fato. Simples assim.

Ainda bem que setembro chegou… E que venham os outros meses.

É muito difícil achar gente realmente autêntica hoje em dia.

É tão difícil gostar das pessoas “pelo que elas são” sendo que o que elas são, pra mim – ultimamente – não tem sido o bastante. Não que eu seja “grande coisa”. Nada disso, não me entendam mal. Sei lá eu qual é o meu problema, só sei que acho que não consigo mais me apaixonar perdidamente. Às vezes parece que só me apaixono perdidamente (mesmo) por sagitarianos. Bem, pelo menos esse foi o padrão que eu notei. Mas de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde, os sagitarianos acabam me desprezando. Ok, não me desprezam, mas perdem o interesse pela minha pessoa. Mas enfim…

Misticismos à parte, o fato é que eu não consigo mais me apaixonar. E isso ao mesmo tempo que me alivia, é meio que frustrante… A incapacidade de se apaixonar pra uma mulher, é quase tão terrível quanto impotência é pro homem. E, querendo ou não, quase sempre me apaixono pelo que os caras são, por mais que eles tenham problemas ou defeitos que eu não goste. Eu relevo tudo em nome do que estou sentindo. Mas hoje em dia o que acontece é que – ao que parece – eu coloquei tantas restrições na minha cabeça pra poder gostar de alguém efetivamente, que vou acabar terminando sozinha, mesmo. De verdade.

Eu queria passar pela experiência de um outro alguém e não simplesmente “me relacionar” com alguém. E eu nunca vou conseguir explicar essa frase. É difícil mesmo entendê-la, mas acredito que as pessoas que conseguirem é por que me conhecem muito bem, ou por que são muito parecidas comigo de certa forma. Acredito que ninguém vai entender essa frase, mas tudo bem. A vida é assim mesmo, não vou ficar me preocupando. Não sei,… Não sei mais. Ultimamente dou mais preferência a tudo o que é perene, às coisas certas. Olhando pra mim mesma, parece que me tornei uma pessoa muito complicada nesse sentido e não vejo luz no fim do túnel.

Aí eu começo a me repetir, all over again: é muito difícil achar gente autêntica hoje em dia. Todo mundo é um personagem, todo mundo faz tipo, basta olhar pras pessoas e você enxerga… E é um saco isso. E outra: e mais: gente autêntica interessada em mim aí sim que é praticamente impossível. Não existe. Não existirá. Mesmo por que eu devo ser mesmo muito da sem graça. E ainda com essa mania de “gostar das pessoas pelo que elas são”, só me fodo. Só me fodo mesmo. Por isso que digo que vou morrer seca, sozinha mesmo. A maioria dos personagens que eu vejo hoje são irritantemente VAZIOS. É muito ruim… Muito ruim isso. Prefiro ficar sozinha.

Não sei explicar com palavras direito, elas ficam me faltando. Pela primeira vez na vida, me sinto desajeitada demais pra falar disso, uma verdadeira TROGLODITA nesse sentido. Cansei de olhar as pessoas. De ficar analisando e tentar compreender, tentar ser compreensiva, tentar ser legal e ter paciência com tudo e com todos. Cansei de entendê-las. Quero alguém que não fique exigindo demais as coisas de mim. Alguém com quem eu não precise conversar e mesmo assim a pessoa me entenda, fique na dela e não pergunte “o que há?”. Quero alguém independente o suficiente, que não precise de mim, que aceite a minha ausência, que se acostume com meu jeito contraditório, com a minha inconstância, com o que eu sou e já não sou mais (e isso tudo muda em questão de segundos).

E aí eu fico idiota, idealizando, querendo coisas que não existem e criando expectativas acerca disso tudo e termino, claro, sozinha. Não que isso seja um problema, ainda. Ok, talvez seja mesmo, mas daqui uns anos ou melhora, ou piora de vez…

It’s always darkest just before it goes pitch black.

O negócio tá tão feio que vai voltar a ser o seguinte: vou voltar a ter amores platônicos, que nem quando eu tinha 13 anos. Vou retroceder, só pra fugir desse tédio sentimentalista no qual me encontro. Pelo menos eu sei que meus amores platônicos nunca serão correspondidos e nunca irão acontecer. Não existe expectativa. Mais seguro assim. Não existe experiência e nada, mas ainda assim eles estão ali e só irão embora quando eu enjoar da cara deles ou algo assim.

Sad. But true.

Mas é a vida… E não é bonita.

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Eu não sou a pessoa mais conservadora do mundo. Nunca fui, nunca serei. Eu não tenho (nunca tive) nada contra a putaria. Nada mesmo. Tanto, que ninguém nunca quis (e nunca vai querer) namorar comigo justamente por causa disso. E também por que sou chata, mas aí são outros quinhentos. Mas só escrevo essas coisas pra deixar claro que não sou frígida por que eu acho um puta argumento ridículo quando eu CRITICO algo acerca de sexo, alguns RETARDADOS me dizem que eu sou frígida. Não sou. Sou CHATA, como já disse. É diferente.

Mas tudo bem, não é essa a questão. Me considero um tanto quanto destravada pra lidar com “problemas” do sexo. Dos outros, claro.. Por que “eu não tenho problema nenhum” (heh!). Ok, talvez eu até tenha, mas até hoje nada muito conflitante não, ao que tudo indica. Mas ATENÇÃO: destravada não quer dizer desinibida. Não me aliso em todo par de calça que me aparece na frente e não tento seduzir (ou como dizem as piriguétes: “SER SIMPÁTICA” com) todo mundo que conheço. Isso de “métodos” da sedução é a coisa mais ridícula da face da terra. Não faço isso. Nunca fiz, felizmente. Mas o post também não é sobre isso. Vou falar logo o que foi por que estou enrolando demais. Pois bem:

Passei boa parte do dia hoje lendo artigos e me dedicando a uma monografia que terei que entregar dia 19/06 agora. Aqui na minha faculdade (UFSC) existem 2 laboratórios de informática onde posso ter acesso e eu costumo vagar de um pra outro, todos os dias. Eles não ficam muito distantes um do outro, mas têm horários diferentes. Um fecha no almoço e o outro não. Um tá sempre cheio e o outro não. Então eu fico vagando de um pro outro a fim de achar um computador só pra mim onde eu possa ler artigos, escrever parágrafos e tudo o mais. Passo os dias em função disso e quando não estou fazendo isso, estou PENSANDO no que escrever, no que ler, em como argumentar, etc. Esse é o meu “normal”. E acho que esse deveria ser “o normal” de qualquer pessoa que leva uma faculdade minimamente a sério. Ok.

HOJE, estava saindo de um dos laboratórios e indo ao outro, agora a pouco, quase 15h e pensando nos parágrafos, no que escrever, em argumentações, teorias e mimimi, quando avisto de SOSLAIO 3 meninas com umas caras de uns 16 anos, com “tudo em cima”, “gatchééénhas” e tal… e caras de que “estamos fazendo propaganda de algo”. Confesso: FUJO desses tipos, assim como FUJO dos hippies daqui. Odeio propagandas e odeio hippies. Simples assim. Mas decidi não desviar delas. Pensei “deve ser alguma propaganda de shampoo ou festinha escrota, vou pegar a porcaria do papel e jogar no lixo anyway…”. Aí passo por elas achando que elas vão me ignorar mas não: uma das moças me estende o braço e diz alguma coisa meio melosa (deve ter sido algo como “boa tarde”, não lembro, não ouvi direito) e me estende um papelzinho e uma CAMISINHA DE MORANGO

W-T-F?

Três da fucking tarde. Camisinha de morango. Na faculdade. De uma guria “gatchénha”.

Ok, eu sabia que a UFSC era LIBERAL e tudo o mais mas, queporrééssa, mermão?

Fiquei com medo de ler o papel, mas RESPIREI FUNDO e li. Li tudo.

Fazendo um JABAZINHO básico, transcrevo aqui na íntegra o que está escrito no folheto. Guardarei-o para posteridade caso alguém DUVIDE do que aqui está escrito:

Parte I – Frente:

Keka “A Rainha do Orkut” – Em NUA na banca mais próxima!

Parte II – Verso:

[letras grandes]Já nas bancas – Primeira revista masculina de Santa Catarina

Nuawww.revistanua.com.br – R$ 5,00[/letras grandes]

[letras médias]Em Balneário Camboriú, toda a nudez de

[negrito]Raquel de Souza-Keka[negrito][/letras médias]

[letras médias]A mais acessada Rainha do Orkut em um ensaio de tirar o fôlego! Nada é virtual, tudo é real![/letras médias]

[negrito]Leia Mais![/negrito]

[letras pequenininhas] Entrevista com uma escritora que já foi garota de programa

O nu feminino por quatro dos melhores fotógrafos catarinenses

Swing: nós contamos tudo o que vimos e um pouco do que fizemos

Os populares charutos de Timbó estão em todo o Brasil[/letras pequenininhas]

[negrito]Especial[/negrito]

[letras pequenininhas]Um final de semana em Balneário Camboriú, a cidade que não dorme [/letras pequenininhas]

Eu vou comentar por partes. Se já encheram o saco desse post e não quiserem mais ler, parem aqui ou não me encham o saco depois. Eu vou escrever tudo o que eu tiver que escrever:

1º reação – O susto

Quando a guria me entregou a camisinha de morango e o folheto,… Sei lá… Se eu fosse branca, eu CORARIA de vergonha (traduzindo: ficaria vermelha) imediatamente, mas como eu não sou, a reação foi a mesma de quando acontece, ao acaso, de eu ver pornografia em público: eu dei RISADA. Aí depois quando me meti a ler o que estava escrito: aí eu ri mais ainda. Pra depois dizer, em alto e bom som, pra quem estivesse do meu lado e quisesse ouvir: “Esse mundo tá perdido mesmo”. Quem ouvisse ia pensar “crente frígida”, mas porra, porra, PORRA!!! Aquilo não foi certo. Não é conservadorismo, mas puta que pariu… Vocês vão me entender até o fim do post, prometo. Falando sériamente: puta estratégiazinha de marketing INFELIZ essa hein? Te contar…

2º reação – A camisinha

Mas gente… CAMISINHA DE MORANGO… Três da fucking tarde? O que eu faço com isso? E é uma Prosex ainda… Marca boa, puta desperdício! Se não fosse de morango, eu usaria. Eu tenho um trauma particular com camisinhas de sabores. Simplesmente acho grotesco e não uso, por que o cheiro não sai! Fica impregnado por dias, por mais que se lave. É hor-rí-vel. Não uso mais nem morta, mesmo por que ODEIO cheiro artificial de morango. Ainda não sei o que vou fazer com essa parada… Acho que vou dar a camisinha pra alguma amiga que goste…

3º reação – O folheto

Aí é que a coisa fica um pouquinho mais complexa. Tá, tudo bem… Vou deixar de ser ignorante por 3 segundos e aceitar o fato de que hoje em dia as mulheres também lêem revistas masculinas. Então até que as “gatchééénhas” fizeram seu papel (por assim dizer) em propagandear a parada pra mim. Alguns pontos positivos que vi na coisa toda:

1. “Primeira revista masculina de Santa Catarina” – Legal isso. Mas vamos ver até onde vai…
2. O nome da revista: “Nua”. Curto, simples, direto, objetivo, diz tudo. Pra quê mais né? Nome bom.
3. “O nu feminino por quatro dos melhores fotógrafos catarinenses”. Soou interessante. Mas o design no folheto não favoreceu. Lixo.

Pontos negativos

1. Não sou miss, nem famosa, nem bonita, nem gostosa: mas a “Rainha do Orkut” é baranga. Prontofalei. Não é por nada não, nada contra a moça em si, mas poxa… Ela, além de não ser bonita, é vulgar. Ok, ok… “Tem cara que gosta”, “mas olha o corpo dela” e etc e tal, mas.. Sei lá, a Mulher Melancia consegue ser menos baranga e vulgar que essa mulher. Como diriam os sul-matogrossenses, ela é chipa mesmo. Não tem jeito, não simpatizei. Tem mulheres que podem tirar fotos nas posições mais putanescas possíveis e ainda assim não terem “cara de vulgar”. Nas fotos da “Keka”, ela não precisou ir muito longe.. Sei lá, acho que se for pra fazer revista masculina, que tenha o mínimo de glamour… Senão vira revista de putaria. E aí – ao meu ver – já é outra coisa…

2. “Nada é virtual, tudo é real!”. Ah, JURA pra mim?! Só por essa frase eles já se entregaram que descem a mão no Photoshop pra tirar a estria. Ninguém me tira isso da cabeça.

3. “Entrevista com uma escritora que já foi garota de programa (…) Swing: nós contamos tudo o que vimos e um pouco do que fizemos”: um grande BOCEJO pra essas duas frases. Morri de sono. Puta que escreve / escritora que é puta e contos de Swing é o que mais existe internet afora. Não dava pra ser mais criativo não? E sobre os charutos eu não vou falar nada por que eu não entendo de charutos.

4. “Um final de semana em Balneário Camboriú, a cidade que não dorme”. PRETENSÃO da pôrra querer comparar BALNEÁRIO CAMBORIÚ com NEW YORK CITY, the city that never sleeps. Muito ridículo, não pegou mal, pegou PÉSSIMO. Só por que lá perto da BR – 101 tem altas “casas de shows” (leia-se, casa de putaria) já acham que tão abalando bangu? Ora, façam me o favor…

Assim… NA BOA: ou eu sou muito lesada (e muito reprimida e frígida sexualmente *boceja* whatever) ou existem DE FATO diferenças entre “revistas masculinas” e revista de putaria? Tá certo que nas duas tem “mulé pelada” e a “sacanagem” é um fator comum também mas… Elas não são exatamente a mesma coisa,… São? Tô TÃO desavisada assim é?

Tera, você que é um especialista no assunto (pelo menos em matérias de vídeos, que eu sei), o que tu acha? E você, Cíntia? Chamei vocês dois por que pra mim vocês são referência no assunto. Comentem. E comente quem mais quiser também.

Reiterando: a abordagem foi constrangedora SIM pra mim. Sair com uma camisinha DE MORANGO (ÉCA!) na mão, públicamente, por mais de 30 segundos, não foi exatamente a coisa mais “NATURAL” do universo. Não é. Pra mim não é. Camisinha na mão não é sinal de preocupação e nem de saúde não. Camisinha DE MORANGO é sinal de “tá quereeendo”… Isso sim. Foi tosco.

Mas… Fazer o quê, né? Eu tava pensando nas coisas que tinha que fazer, aí tive que parar pra ler a parada, dar uma risada e dizer que o mundo vai acabar, pra só depois esconder o folheto na minha mochila. A vida tem desses contratempos. Mais engraçado seria se sei lá… Eu desse e cara com algum professor meu, etc… Ou com algum colega.. E aí aquela camisinha singela de morango ali… de bobeira na minha mão e tudo o mais… Enfim… Sim, poderia ter sido muito pior… Poderia ter sido uma tragédia, um desastre. Poderia sim, ter sido horrível

GENTE, sei lá… Faculdade é mesmo O LUGAR pra se fazer propaganda de revista masculina?! Sei lá.. Liberdade de expressão tem limite. Mesma coisa com aqueles alunos TOSCOS de fora (do Estado) que vem pra cá (JURO!) só de bermuda e havaiana, achando que tão na praia 24/7. Enfim.. O que eu quero dizer, sem soar muito grosseira, mas JÁ SENDO, é que não houve bom senso. Se fosse numa balada, de noite, numa merda de happy hour que seja, qualquer outro ambiente, não teria sido tão tosco.

Mas porra… 15h da tarde… O que que eu vou querer saber de Keka, Rainha do Orkut? Me diz.

O que que eu vou fazer com uma camisinha de morango ÀS 15 HORAS de uma TERÇA FEIRA? Me diz?!

Ináceitavel. Te contar viu…?

Ontem eu presenciei uma das cenas mais deprimentes do ano, pra mim, até agora. Talvez vocês não achem nada demais, mas pra mim, sei lá, me senti horrível por testemunhar aquilo. Foi bem deprimente. Foi por volta das 8h30 da manhã, eu tinha voltado de um exame médico e estava na cantina do lugar onde eu faço estágio. Por causa do horário, lá estava bem cheio, todo mundo querendo ser atendido, tomar café e eu logo percebi que não ia ser atendida tão cedo, mas por mim tudo bem, eu estava de bom humor e resolvi esperar.

Logo na minha frente tinha uma velhinha, idosa mesmo, cabeça branca e tudo o mais. Aparentemente, ela tinha pedido um café. O cara da cantina que estava atendendo ela perguntou umas três vezes seguidas “A senhora vai querer com açúcar ou adoçante?” e ela não respondia. Primeiro eu pensei que realmente, ela não tivesse ouvido. Mas depois que o atendente quase começou a gritar e ela ainda não respondia, eu suspeitei que a coisa pudésse ser bem pior do que eu imaginava.

Olhei bem pra expressão daquela senhora e ela fitava o atendente com um misto de estranhamento e depois de alguns segundos sorria, como se ainda estivesse esperando o café, que nunca vinha. A cantina estava cheia, as pessoas agitadas e algumas já começavam a olhar feio pra velhinha. Foi bastante constrangedor. E eu odeio cenas constrangedoras, mesmo quando não são comigo. Talvez principalmente quando não são comigo. O momento durou segundos, mas pra mim pareceram horas. Ela realmente parecia não entender o que o atendente falava. Foi bem surreal.

Me identifiquei por que já sonhei / pensei algo similar, do meu isolamento ser tamanho, que algum dia quando sair na rua e for em algum lugar, não vou saber me comunicar com ninguém, vou esquecer palavras, esquecer como me portar, esquecer de tudo mesmo. Mas no caso dessa velhinha eu tenho duas hipóteses: ou ela era bem, mas BEM surda… ou ela tem alzheimer (e talvez não saiba) e esqueceu completamente os significados de “açúcar”, “adoçante”. Sei lá né… Nunca se sabe. Aposto na segunda hipótese, só pela cara que ela fazia.

Outra coisa bastante intrigante foi que ninguém que estava por lá, conversou, ajudou ou teve compaixão com a velhinha. Todo mundo só queria ser atendido o mais rápido possível e ir embora. Foi bem estranho, bem angustiante. Simplesmente não consegui ficar por lá pra ver o desfecho daquela situação, fui embora pro meu estágio e só voltei uma hora depois. Aquela cena me impressionou. Passei com ela na cabeça o resto do dia. Deve ser muito horrível perder o controle sobre si mesmo, sobre o que se quer. Sei lá…

Mais tarde eu contei pra ele sobre a cena e sobre como aquilo deprimiu o meu dia. E ele, sempre querendo me fazer rir e sempre melhorando o meu dia (efetivamente), me disse “Vai ver ela não ‘funciona’ antes de ingerir cafeína, o que é um paradoxo. Aposto que depois do café (sem açúcar) ela foi pro departamento de física discutir o paradigma da interpretação de Heisenberg. Vai ver era isso que tava na cabeça dela o tempo todo enquanto o carinha lá enchia o saco dela sobre coisas triviais e mundanas como ‘açúcar ou adoçante'”…

Heh. Hihi.

Fato indiscutível: ele é doce.

Algumas pessoas são impacientes com as máquinas. Eu, confesso, sou uma delas. Mas ainda assim sou muito mais paciente do que a maioria. Na verdade eu sou mais preguiçosa em relação à modernidade do que impaciente mesmo. Eu simplesmente não me importo. Mas quando falo de máquinas, me refiro às coisas eletrônicas em geral e aos computadores, especificamente. É que algumas vezes a tecnologia vem, mesmo, pra atrapalhar tudo o que pode ser mais simples.

Por exemplo, no lugar onde eu faço estágio temporário (agora, uma sala de ultrassom) existem duas máquinas. Ok, existem três: um ultrassom, uma impressora e um computador (com Linux, mas que não é muito complicado de usar). Esse computador e essa impressora parecem desnecessários por que, no caso o médico, teria 2 trabalhos: o de operar o ultrassom e o de operar o computador (ao mesmo tempo). Não é exatamente funcional… Mas garante o meu estágio de digitadora.

De qualquer forma, a máquina de ultrassom pode imprimir as fotos e o médico pode simplesmente imprimir laudos genéricos e então preenchê-los de acordo com cada paciente. Mas isso não acontece e o hospital acha que quanto mais médicos usarem o software de laudos automáticos, o computador e a impressora, melhor vai ser, mais simples, etc. Só que, também, às vezes os programas travam, o sistema trava, a impressora se recusa a imprimir e então temos que voltar aos laudos de papel. Ok, o sistema travar é meio raro, mas já aconteceu. Programa travar acontece às vezes.. E a impressora.. bem.. A impressora é um caso à parte.

Mas felizmente eu sempre tenho a <ironia>brilhante e genial</ironia> idéia de reiniciar tudo. E geralmente funciona, depois que eu reinicio, tudo começa a funcionar normalmente. Só que, o engraçado é que, o usuário comum não se toca dessas coisas. Às vezes, ao que me parece, as pessoas tem uma preguiça, imensa, de pensar. Um “problema na impressora” geralmente é uma questão de uma pecinha mal encaixada, que faz as folhas saírem amassadas ou ainda de reiniciar o computador mesmo. Coisas bem simples, que é questão de notar só, de ter a curiosidade de perceber… Mas a maioria das pessoas não pensa nisso, nem nota, nem liga… Preferem chamar “um técnico”… Por que será?

Hoje, agora a pouco, deu um probleminha na impressora aqui. Ela não quis imprimir. Eu supus ser um problema no software e realmente era o que parecia, mas o médico insistiu que se fizesse um copydesk (meu deus, isso ainda existe…) e chamasse o pessoal da informática pra resolver. Ok.. Feito isso, simplesmente reiniciei a máquina e depois as impressões saíram, como se nada tivesse acontecido. Uns 15 minutos depois chegam 2 carinhas da informática:

– É aqui que tá com problema na impressora?
– Era. Mas eu já reiniciei a máquina e resolvi.
– Que fantástico!!!
– :D
– :D

Fiquei me sentindo o ser mais inteligente do mundo, mas sei que não sou. De qualquer forma, só de pensar na quantidade de chamadas do hospital que esses caras recebem diariamente pra resolver probleminhas pequenos como esses… Fico com certa dó deles, por terem que aturar gente acéfala o dia inteiro, 5 dias da semana.

Parece mesmo que as pessoas e as máquinas nunca vão se dar bem: as máquinas, por que não sabem pensar por si próprias… E as pessoas… Bem…

…Aparentemente pelo mesmo motivo.

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