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Lembre-se da pergunta que o seu professor de história fez naquela manhã que você passou chorando em seu escritório. “Você pode amar alguém à distância?”. Lembre-se que pareceu impossível.

Voltem.

Terminem,

Voltem.

Terminem.

Faça longas voltas com o carro. Frequente livrarias. Beba café e ouça música clássica no seu carro quando chover. Apenas quando chover. Compre vários álbuns de indie folk e associe-os para sempre a esta fase da sua vida. Ouça-os quando seu coração precisar se lembrar desta fase. Seja consumida pela sua tristeza. Use-a como combustível para a sua arte. Odeie a sua arte.

Se apaixone por um menino estranho e quieto. Deixe que ele fotografe suas mãos enquanto você toca piano em uma loja de consignação. Se apaixone de maneira muito forte. Perceba que ele tem muros que vc jamais será capaz de ultrapassar. Tente de qualquer modo. Falhe. Empreste a ele o seu livro favorito. Peça de volta quando ele disser que ainda não começou a leitura. Procure bandas obscuras para relacionar a ele. Desista por hora.

Lembre-se de alguém que você conheceu há alguns anos atrás. Ande pela sua cidade vazia de noite com ele e ouça-o falar sobre filmes B dos quais você nunca ouviu falar. Faça uma nota mental para assisti-los. Beije-o num banco de um parque porque ele é charmoso. Vá rápido demais. Encontre-o uma semana depois em uma loja de conveniências e compre uma caixa de chás superfaturada. Vá para casa com ele. Perceba que ele tem um poster de cinema em seu quarto. E vários livros. Coloque-os numa coluna que diga que isso é uma boa idéia. Permaneça levemente não convencida. Veja você mesma depois. Sinta-se usada. Procure-o para mais. Empreste a ele o seu livro favorito. Se canse da sensação ruim em seu estômago. Diga a ele que você não pode mais fazer isso. Espere um mês antes de pedir o seu livro de volta. Ele não vai ter lido mesmo.

Visite o garoto que você gostava quando você tinha uns 15 anos para assistir um filme. Fiquem abraçadinhos enquanto assistem o filme. Esqueça o filme. Perceba mais tarde que aquilo não significou nada. Faça de novo.

Voltem a ficar juntos.

Passe um verão conhecendo um ao outro de novo. Não terminem completamente quando setembro começar. Esperem até dezembro.

Terminem.

Não voltem a ficar juntos.

Visite o menino que você gostava quando tinha 15 anos quando você estiver se sentindo sozinha.

Visite o menino estranho e quieto tarde da noite. Vá para o seu quaro e note as luzes de natal não características colocadas na parede. Beije-o e note que ele está com hálito de torta de abóbora e uísque. Ouça Depeche Mode enquanto estiver na cama dele. Pense que a vida é um filme. Peça a ele para pular a música de amor porque você sabe que não é assim. Isso não tem nada a ver com amor. Faça isso mais algumas vezes. Perceba que isso não significa nada. Diga a si mesma que você sabia disso o tempo todo. Faça uma pintura das palavras mais doces que ele falou pra você: “eu não faço nada por você”. Considere deixar esta frase na porta dele. Decida, ao invés disso, manter esta frase como um lembrete. Esqueça.

Ande pela cidade com um garoto apenas porque você achou que ele era engraçado. Ande de um jeito esquisito com o braço dele no seu ombro. Sente em um banco e fique com torcicolo enquanto ele te beija. Diga a ele que está cansada. Manda uma sms dizendo “Claro!” quando ele diz que vcs deveriam sair de novo qualquer hora dessas. Evite-o. Lembre-se de tempos em tempos que ele ainda te deve 13 reais.

Beba uma garrafa de vinho tinto em seu quarto em uma hora. Atravesse a faculdade para ver sua amiga. Faça com que ela te leve de volta pra casa assim que você chegar lá. Pense que talvez isso é que seja amor.

Conheça um cara na internet. Concorde em deixá-lo vir no seu quarto no meio da noite. Nunca mais ouça falar dele novamente. Fique com um estranho sentimento de realização de uma relação de apenas uma noite. Tente não se sentir usada.

Encontre amor inesperadamente. Passe as primeiras semanas do seu relacionamento bebendo cerveja e se agarrando. Seja a garota que a família dele adora. Faça pão pra ele. Se apaixone profundamente.

Estude na Espanha por três semanas. Passe suas noites no pub da esquina. Fale com o seu amor o quanto for possível. Sente no pub e assista futebol com um cara do seu grupo. Beba cuba libre e decifre poesia espanhola. Desfrute da companhia silenciosa. Este é o tipo bom de solidão.

Volte para casa para o seu amor e compartilhe o verão.

Pensem em suas vidas juntos.

Vão para escolas diferentes quando agosto chegar.

Passem todos os finais de semana na cama dele. Façam brunchs. Assistam muita televisão.

Perceba que ele não te diz mais bom dia.

Beba muito e comece brigas idiotas. Não tomem mais banhos juntos. Sinta que ele te puxa pra perto dele enquanto ele dorme. Entenda que isso é apenas um hábito.

Perca-o.

Passe alguns dias na cama.

Vá ao apartamento dele para pegar suas coisas. Chore nos braços dele. Perceba que agora ele tem feito faxina. Pergunte-se por que. Deixe algo lá de propósito para que você tenha uma desculpa de vê-lo novamente.

Acorde no sábado de manhã e veja que ele está em um “relacionamento sério”. Pegue o carro e dirija 113 quilômetros em linha reta. Volte.

Visite-o no outro dia para saírem. Perceba que ele lavou a roupa de cama. Tente aceitar o fato de que o seu corpo não permanece mais na cama dele. Pergunte-se se algum de vocês ainda permanece no coração dele. Olhe para ele um pouco apaixonadamente. Deixe-o desconfortável e faça com que ele peça para você ir embora.

Passe tempo com um garoto que te levou pra casa uma noite. Almoce com uma amiga. Fique acordada até tarde assistindo declamações de poesia. Vá beber uma cerveja com o menino que quebrou seu coração. Tente não ficar chateada quando ele fala sobre ela.

Chame isso de enfrentamento.

Ame-o à distância.

Tenho pensado muito em algumas coisas da minha vida das quais não consigo me desapegar simplesmente e em todas as vezes que penso nisso eu encontro a mesma resposta … É porque não quero me sentir vulnerável.

A vulnerabilidade é aterrorizante. É expôr-se e se permitir ser empurrado e até mesmo derrubado. É permitir-se se abrir; dar espaço para algo novo – algo que terá o potencial de te destruir.

Mas não é esta a questão?

Às vezes precisamos ser quebrados para que possamos nos quebrar de uma vez e assim nos tornarmos livres. Assim, podemos crescer. Crescimento não acontece se você não se arrisca ou se apenas se apoia em coisas que já não te servem. O primeiro passo para o crescimento é a vulnerabilidade. É fazer a escolha consciente de fazer algo novo e diferente.

Mesmo que isso signifique um novo fracasso.

E a vulnerabilidade nem sempre significa que você vai falhar ou se machucar.

Às vezes você se abre e coisas boas começam a se desdobrar à sua volta.

De qualquer forma você tem que estar vulnerável primeiro pra que isso aconteça.

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