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Arquivo da tag: Teimosia

Uma das coisas mais difíceis de se fazer nessa vida é reconhecermos e assumirmos em definitivo quando não estamos a fim de alguma coisa. Isso parece simples mas a verdade é que é uma das coisas mais difíceis de serem feitas, ainda mais quando levamos em alta conta todo um histórico, entre outras coisas que nos fazem sentir seguras ou que sentimos que seja necessário, de algum modo, para nosso bem estar. Acho isso simplesmente surreal. Nos submetemos às piores situações e aos piores cenários possíveis por conta disso. Algumas pessoas colocam isso como se fosse a tal zona de conforto… Acho esse conceito raso e meio deslocado. Acredito que seja um pouco mais nefasto que isso. Não se trata de mero comodismo, é muito pior que isso. Para mim, particularmente, pelo que tenho observado até agora é praticamente um suplício eu reconhecer que definitivamente não estou a fim de algo porque tenho tendência a resistir e principalmente em persistir por meses… Às vezes anos até. E o complicado é que ao longo de todo o processo eu só padeço por isso. Sofro. Me dilacero. Tanto quanto se eu assumisse qualquer coisa, inclusive. É uma forçação de barra fodida na vida. E eu considero isso horrível, considero a pior coisa a ser feita. Isso definitivamente não faz parte dos meus valores. E é sempre essa briga do coração me dizendo “nossa, mas eu tô MUITO a fim, eu tô SUPERafim, eu tô a fim pra caralho!” e o cérebro dizendo: “Meh… nens”. E o coração é bacana, tem intuições e desígnios interessantes e faz coisas legais por mim até. Mas é o cérebro que manda no corpinho aqui e que de fato paga as contas dessa birosca. E eu percebo que não adianta nada eu entrar com todo o meu coração em determinada situação se a minha cabeça não acompanha. O resultado é claro: eu não vou. Não inteira. O corpo paga essa conta. Algo fica pela metade, se perde no limbo, em meio às situações, seja afeto, seja prazer, seja vontade, seja querer. E eu não gosto de perder, para mim não é só perda de tempo e recursos, mas perda da própria vida. É seríssimo. Nefasto. Bem mais do que eu gostaria que não fosse. Por que que é tão difícil abrir mão, arredar o pé e largar o osso no momento em que percebemos que simplesmente não vai rolar? E não é uma questão de não estar rolando agora: você, em seu íntimo, sabe que não vai rolar NUNCA. E se recusa a admitir isso. E aí não chega sequer a ser uma questão de obediência ou não a uma coisa ou outra… Apenas de reconhecimento. Mesmo. E é insanamente contraditório, mesmo e completamente: eu te quero muitíssimo, mas na verdade não estou tão a fim assim. Eu te amo e estou disposta a passar minha vida com você, mas é uma frase oca de sentido, que não se preenche verdadeiramente por nada dessa mundo. Uma frase repleta de lacunas e outros mistérios. Eu me entrego a você, repetidamente, mas a verdade é que eu não estou ali. Eu estou em outros lugares. Eu estou em todos os lugares. Menos onde talvez devesse estar. E eu resolvo assumir isso. Custe o que custar.

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