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Penso muito nisso. E me distraio facilmente, apesar de teimar em continuar com uma observação infrutífera. A verdade é que não existe mais nada ali. Ou melhor: aqui. Sinto esse impulso, vez e outra. Não deveria. Penso no que pode acontecer. Prevejo acontecimentos, tudo o que já aconteceu vai acontecer novamente. Vou estar em algum saguão de embarque em dez anos e jamais serei reconhecida. Minha respiração vai descompassar, vou deixar de pensar no que estiver pensando. Talvez eu derrube algo e esqueça alguma coisa. Meus olhos vão marejar e ficarei com a voz embargada, caso alguém fale comigo. Olharei. Observarei à distância. Provavelmente irei sorrir, mas não farei nada. Após isso, segue o baile. Antes de qualquer ação sempre pergunto a mim mesma: para quê? Para matar as saudades, seria uma das respostas óbvias. Saudade do quê, exatamente? Do que não existe mais? Saudade do que inclusive sequer chegou a existir. Não posso me permitir ser ingênua. É uma perda de tempo querer viver esse tempo passado. Um mau hábito. Surgem as infelizes comparações. Surge uma angústia desnecessária. Surgem coisas que não fazem mais sentido e muito menos cabem mais no que acontece agora. E o que acontece agora é tão mais proveitoso e interessante. Mais livre. Menos doloroso. Pensar nisso tudo não me deixa mais triste. Me sinto satisfeita com todas essas respostas. Me olho no espelho. Dou um sorriso. Não faço mais nada. Sigo em frente, com o baile e com a minha próxima distração.

Um cenário etéreo desde o princípio, uma sensação de sonho, uma ambiguidade que não permite saber ao certo se é noite ou manhã recém acontecida, até notarmos a revoada de pássaros, a agregação quase invisível de insetos. Há éter, incenso no ambiente onde o que acreditamos ser uma sacerdotisa nos aguarda. Há uma brisa leve, quase tudo reluz. Em tudo há uma postura de pretensão de eternidade, o queixo alto, a expressão impassível, cabeça erguida, movimentos lentos. As partículas de ouro da atmosfera podem ser na verdade estrelas longínquas, as quais, por hora, não podemos mais encarar. Ela sabe que sofremos. E promete saciar uma sede.

“Você diz que é solitário. Eu te digo que você deveria pensar nisso”.

Sabemos que há todo um universo que se esconde além do que é mostrado, mas por algum motivo não queremos nos apressar para decifrá-lo. Apenas queremos observar para vermos até onde ele se desdobra. Ela fala como se dirigisse a um deus igual, mas omite seu nome, omite, em certa medida, seu amor. Omite inclusive sua própria onipotência. E tudo o que é omitido fica em evidência, pois seu rosto se ilumina quando o que não é dito é insinuado. Se lembra desse deus, com quem se comunica, através de gestos: o indicador para o alto, o olhar para os céus, enxergando águias estridentes. Ela entende que há, que existe sim, algo maior que si.

Algo que talvez seja incapaz de mencionar. Incapaz de saber lidar.
Uma – ainda – humana que faz promessas, que possivelmente não cumprirá. E que sente paixões.

“Eu te colocaria em primeiro lugar. Eu posso te foder melhor que ela.”

As ambiguidades são sempre precisas. “Você diz que me quer. Eu te digo que você consegue viver sem isso. A não ser que…” O jogo está estabelecido. Em um primeiro momento, um séquito de iguais. “Me dê duas semanas e você não irá reconhecê-la”. Para esta sacerdotisa, ser uma divindade é efetivamente uma questão de distância e perspectiva. Ela oferece as mãos banhadas em ouro. Oferece e possui um séquito de adoradoras dependentes. Enquanto divindade, ela sacia a sede, jorra ouro pelas mãos, alimentando e criando um vínculo de dependência. “Eu sou a cura para toda a merda pela qual você está passando”.

Nesse momento é possível ver um panorama geral de todo o reinado aparente.

“Você sabe que é meu”.

Nesse momento, ela reafirma seu poder, enquanto divindade, ao seu séquito. Enterra, assim, em certa medida e mesmo que momentaneamente, o seu deus – o inominável – para assim, tornar-se a sua própria.

“Eu te colocaria em primeiro lugar, apenas feche seus olhos e sonhe com isso”.

Duas temperanças.

“Eu vou saciar sua sede, apenas persiga isso e pare de duvidar”.

Quatro temperanças.

A princípio, parece uma divindade que vai ao encontro do que se propõe, que realiza milagres. Mas o conteúdo do que é dito, trata-se exatamente o oposto disso. Não existem milagres, não existe sequer uma entrega efetiva, mas uma entrega superficial, transitória, como a temperança. Feche seus olhos e sonhe com isso. Apenas persiga isso e pare de duvidar. Trata-se de uma questão de fé. Nela. Em seu poder. Nos seus desígnios, desejos e caprichos. “Eros é diabólico: ele constantemente retém o que promete, e constantemente promete o que pretende reter“. Por fim, é mantida uma deusa silenciosa e submersa. Uma divindade inconsciente, mas à espreita. Longe do reinado, das temperanças, das promessas – mas que é parte e influi diretamente nele, como parte da lei.

[O que está em cima é como o que está embaixo. O que está embaixo é como o que está em cima.]

(Você corre em direção ao precipício. E então voa.)

[Sonhei com isso repetidas vezes.]

I know it hurts
You know
I’d quench that thirst
(I can treat you better than them)

You say you’re lonely

I say you’ll think about it

‘Cause you’re the only

One
who
resonates
that chest
Mouth open like (High)

Higher than a motherfucker, dreamin’ of it, it’s my lovin’ (Open your heart)
Flying like a screamin’ falcon, on our ways to do each other (Open your heart)
Pull out the incisor, give me two weeks, you won’t recognize her
Mouth open, you’re high

I know it hurts
You know
I’d put you first
(I can fuck you better than her)

You say you want me

I say you’ll live without it

Unless you’re the only

One
who
instigates
Get your
mouth,
open
your
heart

Higher than a motherfucker, dreamin’ of it, it’s my lovin’ (Open your heart)
Flying like a screamin’ falcon, on our ways to do each other (Open your heart)
Pull out the incisor, give me two weeks, you won’t recognize her
Mouth open, you’re high

Feel your body closin’
I can rip it open
Suck me up, I’m healin’
for the shit you’re dealin’

Smoke on your skin to get those pretty eyes rollin’
My thighs are apart for when you’re ready to breathe in

Suck me up,
I’m healin’ for the shit you’re dealin’
Hi, motherfucker, get your mouth open,
you know you’re mine

I’d put you first
Just close your eyes and dream about it

Higher than a motherfucker, dreamin’ of it, it’s my lovin’

I’ll quench your thirst
Just chase around and stop your doubtin’

Flying like a screamin’ falcon
On our ways to do each other (high, high, high, high)

Higher than a motherfucker, dreamin’ of it, it’s my lovin’

Flying like a screamin’ falcon, on our ways to do each other (Open your heart)

Pull out the incisor, give me two weeks, you won’t recognize her

Mouth open, you’re high

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