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Arquivo da tag: Sexualidade

“Então D., o amor, a cisma, digo que as pessoas não amam, elas cismam. A cisma geralmente é orgulho, não é amor. É sua ignorância, sua infantilidade é você, tão ingênua, é você tão “por favor, me ame!”, que vira um inferno na vida do outro. E você deixa de dar esse amor pra si mesma e aí sofre, de abandono. De auto-abandono. E isso vale para muitas coisas: para uma mãe que perdeu um filho, pra uma morte súbita, pra um rompimento, pra uma impossibilidade. “Sem você, não sobrevivo” e aí você pensa que assim não dá, porra. E esse “não dá” já é uma fagulha de inteligência. Isso chama-se inteligência. Quem tem inteligência de sobrevivência, quem tem essa integridade consigo mesma, não se perde por amor. Não morre de amor.

Isso é Maya, é ilusão. O tamanho da sua dor é o tamanho da sua ilusão. Que ilusão? Que você não vive sem a pessoa. Que ele é tudo pra você. Que sua vida não tem sentido. Que você morre. Que você precisa ter filhos, precisa manter, precisa lutar, precisa se sacrificar, defender… E isso tudo é de um egoísmo e de um orgulho obsceno porque é obsessivo. Não é amor. É o seu lado mimado espiritual. Pequeno. Menor. É a sua infantilidade existencial. Pude entender isso profundamente através do amor que senti pelo pai do meu filho. Porque eu tinha essa infantilidade afetiva. Muito. E eu sentia as dores do amor, dores pelas quais você inclusive se sacrifica das mais variadas formas possíveis. Mas que porra é essa? Que amor é esse que dói tanto? Amor não dói. Orgulho dói.

Hoje em dia, a maioria dos casamentos e relacionamentos que conhecemos não são construídos por amor… Quantos casamentos por amor que você conhece? Hoje mesmo eu ouvi no consultório “ah, mas a gente não consegue chegar num alto patamar de vida hoje sozinho”. Consegue. Mas se você quiser construir um patrimônio, não tiver tanta confiabilidade em si mesma e quiser ser rica, você sabe que precisa unir forças. Natural. Mas o que que é auto-apoio e o que é dependência? Tem uma diferença muito grande aí. Porque se você se pendura no outro, você vai morrer se ele for embora. Então solidão é auto-abandono, mesmo.

Muitos relacionamentos não só estruturam a sua base, bem como principalmente constróem toda a sua a sua fundação efetivamente a partir de um orgulho inconsciente. Por isso é que a gente tem tanto medo do casamento. Sua alma, seu espírito ainda anseia o amor, que a gente tenta, aos poucos, traduzir como companheirismo, parceria e certa cumplicidade.

Não tenho interesse algum pelo mundo dark, pelo que é violento. Como entendi o que é a violência na vida de uma pessoa? Toda pessoa que sofre de amor, que se abre para uma dependência emocional plena, tem um quê de suicída. E em algum momento da história, muitas pessoas morreram por conta desse amor idealizado e isso foi retratado na arte principalmente. As pessoas ficavam tísicas, tuberculosas e morriam de amor. Na verdade a pessoa queria mesmo morrer, ela se entregava por completo à dor do amor. São suicídas em potencial. E o suicídio é a violência sexual, é a energia sexual destrambelhada.

O suicídio, pra mim, não sei se existe alguma literatura mas enfim… O desejo de morrer pra vida porque você não obteve o objeto de desejo, o amor não foi correspondido ou algum outro tipo de desencontro amoroso… E você sofre tanto de amor e é uma dor tão irremediável… Para mim, esse amor não correspondido está interligado com a sua própria ignorância espiritual, o seu próprio orgulho de algo.

E que a maioria das pessoas ainda acredita totalmente no domínio a partir do sexo, essa coisa cafona. As pessoas ainda estão nesse patamarzinho baixo da ilusão de poder. É poder. Sexo não é amor. É um patamar baixo, de um instinto primário. É violência. É crueldade, D. E onde existe crueldade não pode existir inteligência. Só que existem realidades cruéis, né? E o mundo aceita porque é o mundo: engloba a tudo, é uma vastidão. Só que geralmente esses amores iludidos eles são passionais. São cheios de ciúme, de engenhocas, de dramas, de invejas, de posse, de domínio, de escravidão, de… Infantilidades.”

Texto originalmente publicado no blog Graphic Descriptions, da Stoya.

Há algumas semanas atrás eu disse “realmente não existe um jeito legal de explicar pra uma pessoa que você não se importa muito com o tamanho do pau dela ou com sua intumescência”. Isso pareceu ser amplamente entendido como um comentário sobre fotos de paus não solicitadas, mas eu apenas coloco no mute ou bloqueio as pessoas que me mandam isso. No twitter, no meu celular, se eu não tenho uma forma de desligar comunicação não solicitada, eu tendo a evitar a tecnologia.

Eu me referia ao pênis tímido ou relutante. O pênis preso a uma pessoa que pensa que deve prover uma ereção de pedra ao mínimo indício de desejo sexual do parceiro. Preso àqueles que se desculpam muito pelo que eles interpretam como um isulto ao meu fascínio físico, o que eles temem é um fracasso em ir ao encontro de requerimentos básicos.

Encontro os portadores desses paus complicados bem regularmente na natureza. A coisa com a qual eu luto é em como comunicar gentilmente o fato de que em ambiente recreacional eu realmente não me importo.

Um pau duro não é a chave para uma interação sexual agradável ou gratificante. Eu não tenho nenhum pau e sei fazer me sentir muito bem quando tenho vontade. Ter um orifício inferior penetrado por um pau aumenta os riscos do sexo. Uma camisinha pode estourar, causando uma afobação para realização de testes de DST e uma ida até a farmácia para o plano B. Mesmo se a camisinha ficar intacta, a coceira no outro dia devido à abrasão pelo latex é uma das minhas sensações menos favoritas.

Quando essas pessoas com corpo de macho começam a se estressar, eu digo “É totalmente ok. Se isso se apresenta como uma opção viável para penetração vaginal pode ser divertido, mas existe todo um outro espectro de coisas que poderíamos estar fazendo” e eles dizem “obrigada por ser tão legal” enquanto não acreditam em nada do que eu disse e se estressam duplamente. Eles ficam presos em suas próprias mentes em relação a isso. Sua masculinidade fica ameaçada pela sua própria aderência a uma concepção formulaica de sexo heterossexual.

Mas na minha cama, a pessoa com o órgão semi ou totalmente flácido é a única focada na ausência de intumescência. E eu nunca encontrei uma forma boa de comunicar a minha falta de preocupação com isso de modo em que acreditem em mim.

Até recentemente, quando um homem respondia exuberantemente à minha boca e mãos encolheu ao sugerir penetração da minha vagina, a sua glande roxa desaparecendo em seu prepúcio em desacordo com suas palavras. Ele começou a pedir perdão, se desculpar, mas então perguntou se poderia me chupar.

Com as minhas costas arqueadas e ambas pernas tremendo em volta do pescoço dele, com dois de seus dedos gentilmente acariciando (mas não machucando) a parede frontal da minha vagina e sua lingua gentilmente acariciando o meu clítoris. É assim que o argumento “viu só, quem precisa de pau?” é confirmado de modo eficiente.

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Stoya

– Sabe… Sua lentidão é fascinante para mim. Porque compartilho dela. Tenho preguiça de pessoas apressadas. A mocinha com quem eu estava agora teria me chupado no sinal, num engarrafamento. Inclusive perguntou se eu não queria. Como dizer que não, obrigado? Pressa é desespero. Apenas não é exatamente esse tipo de coisa que me interessa mais.

– Também acho isso, mas às vezes sinto que penso isso porque me sinto meio puta velha. 

– Eu sou puta velha. Meu lance é outro.

– Então nos entendemos.

– Muito.

– Não sinto que eu deva provar nada para ninguém, nem pra mim mesma, sexualmente falando. Sei lá, quero estar com a pessoa. Efetivamente. Isso meio que basta. Não preciso atuar. 

– Nossa. Quer namorar comigo?

– Se acontecer algo, ótimo, é um plus. Mas quando acontece a pressão da obrigatoriedade eu meio que broxo em silêncio. 

– Acho que quero namorar você.

– Às vezes eu sinto que rolam coisas mais interessantes indo tomar água de coco na praia do que enfiado em quarto de motel, desesperados. Mas eu demorei pra entender isso… Achava que estava ficando assexuada. Mas não é nada, nada disso… Absolutamente. Não tem nada a ver com má performance de minha parte também, etc.

– Você não sabe como me agrada ouvir isso.

– Eu me interesso pelo significado das coisas. Sexo dito “intenso”, quantitativo ou casual não me interessa porque não tem significado, é esvaziado, oco. Sexo casual sempre tem o mesmo significado (e um significado bobo). 

– Sim. Essas coisas não são memoráveis a não ser que sejam experiências que estejam muito à margem de tudo.

– Costumava pensar que as vezes mais memoráveis eram as que eu estava apaixonada, mas a paixão é só um dos elementos na verdade. Não necessariamente tem a ver com paixão mas também pode ter. 

– Eu quase sempre me apaixono com quem trepo. Durante. Gosto de me apaixonar. Sou um romântico.

– Pra mim significados são as coleções de coisas em comum, trocadas, referências, situações de vida e uma linguagem um tanto quanto específica que se desenvolve ao longo do tempo, com a convivência. As coisas são meios e é com o conjunto desses meios com quem me relaciono. Com tudo isso. 

– Significado pra mim é algo mais abstrato. É o que se esconde por trás e além do ato. Somos um exemplo. A nossa total falta de pressa. A completa ausência de objetividade. À qual se soma a óbvia perspectiva de entrega mútua e total. Isso tem mais valor que a adorável fricção de meu pau em sua gentil boceta.

(…)

– Você tem me desejado?

– Sim.

(…)

– Posso gozar pensando em você?

– Sim. 

Toda vez que eu falo que se a pessoa age de determinada forma é por causa de sexo, sou acusada de estar sendo rasa e superficial. Curiosamente, nenhuma das vezes que eu suspeitei disso estive errada e nem sei o básico de neuropsicologia. Mas por algum motivo entendo algumas poucas coisas. Não sou tão autônoma quanto gostaria, mas é um tanto quanto comum acharem que, se você ri muito e fala de sobre sexo sem maiores problemas, é porque você está se oferecendo. Enquanto isso os “chocados”, que me acusam de rasa e superficial, vivem na dissimulação, fazendo o que bem entendem por debaixo dos panos e muitas vezes evocando um moralismo no mínimo contraditório. Infelizmente, qualquer mulher que fale o que acha ou que sequer tenha a pretensão de ser autônoma é sempre rasa, superficial. É puta, como dizem. Acho que o maior fetiche hoje, época em que está (quase) todo mundo mais confortável em falar sobre sexualidade (e expor a sua própria), é mais do que enganar o outro: é enganar a si mesmo. A impressão que tenho é a de que, como a coisa descomplicou demais, as pessoas precisam complicar tudo para que as coisas pareçam estar em constante movimento. O curioso é que, para estar em movimento, essa complicação toda não é necessária. Compreendo a frase “todo mundo tem segredos” e entendo que existam pessoas que prefiram viver dessa forma. Só considero isso desnecessário, quando realmente se planeja qualquer tipo de convivência com alguém. Ainda é preciso saber ler, nas entrelinhas, o que o outro acha mais conveniente para si. Nas entrelinhas, claro: porque obviamente isso jamais será assumido pelo outro. Conversas francas são raríssimas, quase inexistentes. Me parece raro encontrar uma alma com quem eu possa conversar sobre isso. Ou melhor ainda: com quem eu não precise conversar sobre isso. O que funciona atualmente (ainda) é a Lei de Gérson aplicada à relacionamentos: as pessoas querem obter vantagem à qualquer custo e nada mais escapa disso. Fico tentada a acreditar que não é, de forma alguma, uma questão de privacidade como tentam defender, mas sim de (falta de) consideração para com as pessoas com quem se convive (e sua consequente objetificação). Tudo se torna ainda mais atípico e contraditório quando as pessoas em questão se autoproclamam muito liberais e libertárias, mas no entanto, quando isso é efetivamente proposto, não é o que se vê na prática. Não há uma via de mão dupla, existem camadas, existem nuances, existem mil desculpas e mil direitos. Quando qualquer coisa é insinuada ou até mesmo exposta, ou ficam na defensiva ou se tornam agressivas. Ora: ninguém quer ter o seu direito (fetiche) de dissimular ou de subjugar o outro censurado ou vetado. O que essas pessoas não entendem (ou talvez se recusem a entender) é que a autonomia que a consideração pelo outro traz não é restritiva, muito pelo contrário, é efetivamente libertadora. E muito provavelmente é essa possibilidade de libertação total o que os apavora, completamente. Acho que é possível amar várias pessoas ao mesmo tempo, não só possível como inevitável. Há algum tempo penso nesses termos e compreendo isso. Mas os fetiches sexuais de hoje em dia pra mim são bastante claros: a “privacidade” (propriedade) e, principalmente, a dissimulação (controle). E este último na verdade só reforça tudo de pior do que sempre houve, desde que o mundo é mundo e é um atraso… É o mesmo caso do ‘humor’ que insiste em se dizer politicamente incorreto, mas na verdade não passa de um modismo formuláico que reforça antigos preconceitos que já deveriam estar datados há algum tempo… Enfim… A quem se está querendo enganar mesmo?

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“Há, na literatura de origem espanhola, dois autores clássicos, que são Santa Tereza de Jesus e San Juan de la Cruz, aos quais Lacan faz referência, especialmente a Santa Tereza, a quem cita com frequência. A ela em particular, porque quer marcar o diálogo dela com Deus. Lacan foi um dos que mais enfatizaram que temos de conhecer as religiões e ver o que ocorre sobre esse bom e velho Deus, como ele o chama, ou seja, é necessário entender esse diálogo tão especial com esse velho Deus e o modo como aparece no corpo – nós o traduzimos como grande Outro -, porém fundamentalmente em sua aparição sexuada. Quer dizer, as leituras dos místicos indicam praticamente momentos orgásticos, que são articulados a momentos de dor, de castigo, de penitência. E também essa maneira de renunciar aos prazeres para articular-se a esse gozo do Outro, que não existe, e tentar escrevê-lo. Aí a importância que tem o Escrito como modo de tentar passar ao Real essas experiências místicas; por isso Lacan lhe dá tanta importância e insiste que se trata de outra dimensão que a psicótica, ou seja, que aí não haveria forclusão do Nome-do-Pai e seria um tipo de gozo mais feminino, mas não da mulher, feminino no sentido de invocar o suplemento fálico. Fazendo uma pequena digressão, diria que a usual ligação entre um neurótico e um perverso acontece justamente porque o perverso vem prometer ou encarnar um gozo adicional a respeito do neurótico. O neurótico quer ser perverso; busca por um suplemento ao gozo fálico. É esse querer transcender que, na fantasmática do neurótico, é inclusive usualmente dirigido como um pedido ao analista: “Como é que ele pode e eu não?”. O perverso é usualmente, como se diz, um gozador, mas Freud mostra que se trata antes de um pobre diabo, mascarado de hiperprazer.”

Por incrível que pareça, meu primeiro ímpeto de senso de responsabilidade iniciou-se quando eu comecei a assistir PORNOGRAFIA. Ok, não a ASSISTIR pornografia no sentido de ser periódica e constantemente, nem saber das atrizes mais conhecidas, etc. Falo dos primeiros contatos que tive com tudo o que é erótico e sexual, de entender e conceber o que é pornográfico. E eu tive esses contatos em idade muito jovem, algo entre 9 e 10 anos de idade. Não, eu não fiz sexo com essa idade, mas eu já entendia o que era (o que ia onde e porquê) e pra que servia (como engravidar, etc). Primeiro os livros de ciência, os órgãos por dentro, como funcionavam e pra que serviam (em teoria). Depois apareceram as famosas “revistas de mulher pelada”. Depois, revistinhas de contos eróticos.

Se bem que nunca precisei ir muito longe: as novelas e filmes sempre deixavam o meu imaginário sexual bem curioso e embora criança eu não era burra: sabia que a realidade não era daquela forma.

Quanto à pornografia mais chula (revistas com imagens e contos) eu via aquelas coisas (e também lia) e aquilo tudo me excitava muitíssimo, sem nem mesmo eu nunca ter encostado em uma pessoa do sexo oposto. Afinal, eu era uma criança. E sim, claro, por que no início a sexualidade é (comigo foi) homossexual.  Com certeza deve ter alguém que defende isso, eu não defendo nada, mas enfim isso foi um fato comigo, entre 10~12 anos. Tive criação católica e nem por isso me sentia culpada e também não achava o que fazia errado. Não conseguia explicar a mim mesma porque achava mulheres mais atraentes. Simplesmente achava. Na verdade eu me lembro que quando criança eu achava os meninos MUITO feios (sem graça) e os homens terrívelmente ASSUSTADORES por que eram grandes, nojentos e tinham pêlos.

Morria de medo de pau. Sempre tive medo. Mas era um medo VIRGINAL, não era nojo, falta de preferência ou pânico. Era um medo que eu não compreendia e que só fui superar depois do meu primeiro beijo num menino. Aí eu já tinha 13 anos. Eu não era uma menina muito brilhante, mas também nunca fui uma completa idiota que podia ser levada no papo. Poderia ter perdido minha virgindade com 13 anos se eu quisesse (como a maioria das minhas colegas de classe RETARDADAS mentais), mas não quis e foi uma ESCOLHA e uma OPÇÃO. Eu tinha um critério muito simples pra perder a minha virgindade: tinha que estar namorando e tinha que gostar do rapaz. Depois disso, tudo fluiria muito naturalmente e eu não ia ter que carregar lembranças ruins ou traumáticas PRO RESTO DA MINHA VIDA. Quando eu tinha 13 anos virgindade era um tabu e lembrar disso me faz rir TÃO ALTO hoje.. Mas enfim.

Perdi minha virgindade com 16 anos e foi exatamente do jeito que eu quis e planejei. Foi ótimo, sem traumas e não me arrependo até hoje. Esperar foi a melhor coisa que eu fiz. No entanto quando eu era mais nova, todas as vezes que neguei sexo e me justifiquei falando sobre a minha opção, vários guris me chamaram de BURRA. Aquilo me magoava, mas eu sabia que era uma tática pra me fazer fraquejar. Mas não funcionava. Como disse: eu não era brilhante, mas nunca fui uma completa idiota. Fui burra até quando quis. E depois quando consegui o que queria, deixei de ser “burra”, rs. Aliás, nem sei por que ainda tô falando de sexo, mas acho que tenho uma boa justificativa. Comecei o post falando de pornografia né? Então. Depois que perdi a virgindade e comecei a asssistir uns programas bobinhos que passavam de madrugada, algumas coisas me fizeram pensar em outras.

Teve um dia na minha vida (ou melhor, uma noite) em que eu estava assistindo sobre algum programa de sexo/sexualidade na TV que mostrava a rotina de umas mulheres que faziam fotos pornográficas pra revistas/internet, não me recordo muito bem. No entanto, eu me lembro muitíssimo bem da frase que uma dessas mulheres falou e não sei por que motivo essa frase me marcou tanto, mas marcou. Ela disse algo como “these pictures are forever“. Na época não entendi, mas guardei esse frame na minha memória e vez e outra essa frase volta quando faço (ou estou por fazer/falar/agir) algo: AND THIS IS FOREVER. Quando eu era mais nova não me importava muito não, me lixava pras coisas, achava que nada teria o mínimo de importância e gostava de tudo que era efêmero. Ainda gosto, mas não mais da mesma forma. O que a gente faz é pra sempre, mesmo que seja efêmero, mesmo que se transforme, mas ainda continua lá.

Acho imbecil e sempre acharei a maldita frase do Antoine de Saint-Exupèry “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativa”. Frase imbecil, pensamento imbecil, mentalidade IMBECIL. Essa frase carrega uma quantidade de BUNDAMOLICE quase que insuperável. E as pessoas sonhadoras que a apóiam deveriam trocar essa frase por outra tipo: “o homem é responsável por aquilo que é” ou ainda “estamos eternamente condenados a sermos livres”. ISSO é ter culhões e não ficar jogando a RESPONSABILIDADE por quem você é e pelo que você sente, a outras pessoas. Não respeito filhos da puta, mas RESPEITO quem se ASSUME filho da puta. Ter culhão também é dizer que sente medo, que não tem coragem e que não faria algo por que não quer, ou por que não acha justo ou certo. Ter culhões é dizer que não concorda com casamento homossexual e ainda assim SER MISS, independente de qualquer coisa.

Ter culhão é pedir desculpas e assumir um erro. É ser “metamorfose ambulante” e se assumir assim. É criar algo sabendo que esse algo vai ter fim. Ou ainda: destruindo esse algo por conta própria. E criando outros, talvez. É julgar e ser julgado por que O MUNDO e a EXISTÊNCIA é feita de julgamentos e você não tem como impedir isso. Ter culhão é saber dizer NÃO quando tudo o que você mais quer é dizer SIM (pros outros e pra si mesma). É ser promíscua e assumir a promíscuidade e suas conseqüências (SIM, EXISTEM consequencias apesar de ainda ter gente que pensa que não vive numa sociedade MACHISTA pra caralho). É assumir seus gostos, suas vontades e sua(s) personalidade(s), independente de certo ou errado, independente de tudo ou de todos. É simplesmente SER e SE DEIXAR SER. Sem amarras, sem constrangimentos, sem PIEDADE.

Falta muita gente com culhão nesse mundo viu?

Vou te contar..

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