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Arquivo da tag: Saudade

Algumas frases desconcertam. Tinha perguntado sobre lembranças nossas, para todos. Não imaginava tanta coisa assim, aí você respondeu. Eu não me lembrava de você. Li sua resposta, fingi que não li, que não entendi e tentei rememorar uma das nossas primeiras lembranças. Era uma noite qualquer, você estava bem alterado (bêbado? não sei, mas bem alterado), nos encontramos em algum lugar, você estava com sotaque e falando alto, me abraçou e me beijou no rosto, loucásso. Lembro que ri. Lembro que por um momento quase não me lembrei quem você era e só depois me dei conta. O cara que foi embora. Que tá longe. Enfim. Você tava louco, mas o abraço e o beijo foram genuínos, foram de saudade. Mas isso faz tempo, faz alguns bons anos já. A minha vida era outra. Mas eu falei que tinha perguntado de lembranças, ao que você disse que não tínhamos nenhuma ainda que valessem a pena, mas que as melhores que teríamos ainda estariam por vir. Esse tipo de frase me deixa fodida da minha vida, sabe? Já ouvi mais de uma vez. Hoje a entendo como prenúncio de sofrimentos incomensuráveis. Quando li pela primeira vez, fingi que não notei o frio na espinha que ela me causou. Fingi que não lembrei de uma série de coisas que já me aconteceram. Tentei rememorar o que já existiu e o que existe, ao invés de focar no que talvez nunca aconteça propriamente dito. Alimentar minha esperança de qualquer coisa é a pior coisa que alguém pode fazer, pois a minha mente é persistente e fantasiosa. A tendência é a de que ela concretize as coisas. Mas não quero mais isso. Quero poder só me dar ao luxo de observar o que ocorre e simplesmente deixar ser. Não agir sobre nada. Deixar estar e ser. Nada fazer. “O menor movimento é nefasto”.

Mas eu me lembro dessa frase, às vezes. Em dias vazios. Quando observo a chuva lá fora, a partir da minha sala. Quando sinto um frio inexplicável. Essa frase se esconde, nas curvas de palavras que jamais direi.

It’s colder than before
The seasons took all they had come for
Now winter dances here
It seems so fitting, don’t you think?
To dress the ground in white and grey

It’s so quiet I can hear
My thoughts touching every second
That I spent waiting for you
Circumstances afford me
No second chance to tell you
How much I’ve missed you

My beloved, do you know
When the warm wind comes again
Another year will start to pass
And please don’t ask me why I’m here
Something deeper brought me
Than a need to remember

We were once young and blessed with wings
No heights could keep us from their reach
No sacred place we did not soar
Still greater things burned within us
I don’t regret the choices that I’ve made
I know you feel the same

My beloved, do you know
How many times I stared at clouds
Thinking that I saw you there
These are feelings that do not pass so easily
I can’t forget what we claimed was ours

Moments lost, though time remains
I am so proud of what we were
No pain remains, no feeling
Eternity awaits
Grant me wings that I might fly
My restless soul is longing
No pain remains, no feeling
Eternity awaits

My beloved, do you know
When the warm wind comes again
Another year will start to pass
And please don’t ask me why I’m here
Something deeper brought me
Than a need to remember

My beloved, do you know
How many times I stared at clouds
Thinking that I saw you there
These are feelings that do not pass so easily
I can’t forget what we claimed as ours

Moments lost, though time remains
I am so proud of what we were
No pain remains, no feeling
Eternity awaits
Grant me wings that I might fly
My restless soul is longing
No pain remains, no feeling
Eternity awaits

Moments lost, though time remains
I am so proud of what we were
No pain remains, no feeling
Eternity awaits
Grant me wings that I might fly
My restless soul is longing
No pain remains, no feeling
Eternity awaits

Moments lost, though time remains
I am so proud of what we were
No pain remains, no feeling
Eternity awaits
Grant me wings that I might fly
My restless soul is longing
No pain remains, no feeling
Eternity awaits

Comprei um espelho enorme. Acho que nunca tive um espelho tão grande. Consigo me ver inteira. Hoje pela primeira vez passei creme, no corpo inteiro, no espelho (como a minha mãe). Vi cada dobra, cada curva, cada defeito e deixei estar. Ainda tenho uma marca de sol, de queimado, no peito. Ela está se apagando aos poucos, se fundindo com um belo bronzeado de escritório amarelado. Lembrei dos momentos que me fizeram ficar com essa marca de queimado e fiquei feliz imediatamente. Fico pensando que quero mais disso, ainda esse ano. Não sei se será possível. Não sei se vai se repetir. Queria poder entrar no mar dessa vez. Mesmo que fosse um pouco só. Mesmo que eu me irritasse depois. Sinto certa falta. Queria ficar mais queimada, inteira escura, pernas, bunda, costas, rosto. Quero ter mais lembranças. E sempre poder voltar para esses lugares todos.

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