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Arquivo da tag: Rio de Janeiro

“Esse lugar é muito emblemático pra mim, porque ele é o palco de tudo, é o palco de tudo o que aconteceu, da porra toda. E… E ele me falou que me levaria em lugares chave onde aconteceram coisas que era pra eu superar – e eu achei isso fofo – eu não me senti mal no lugar, mas aí eu fui me lembrando e eu fui me tocando de algumas coisas ao mesmo tempo. É meio surreal. Na hora não foi tão bizarro, mas depois que eu me dei conta talvez tenha sido. Talvez agora… Eu ache um pouco, eu bote um pouco mais de peso nisso.”

“Eu lembro de uma época em que a gente foi lá e tava tudo relativamente bem, tranquilo entre a gente. Mas é uma coisa que eu não sei se eu gostaria de me lembrar, sabe? Sei lá… É foda eu me lembrar disso com carinho, eu não… Eu acho que eu não consigo. Acho que tudo o que envolveu isso teve tanta dor e tanta tristeza que é muito difícil eu me recordar de tudo com o carinho que talvez eles mereçam, sabe? Então é muito complicado. Então acabei me lembrando. Então pra mim é meio dolorido ter esse tipo de lembrança. É uma coisa que me entristece um pouco… Porque sabe às vezes eu penso poxa, poderia ser tudo tão simples, sabe? Poderia todo mundo ficar bem sabe? Mas eu sei que eles não são assim. Eles observam em mim – já me falaram isso uma vez e eu concordo – eles observam em mim possibilidades infinitas de cometerem as maiores atrocidades que eles quiserem. As maiores atrocidades possíveis. E eu enquanto pessoa fui palco disso. E relembrar disso é um pouco pesado, e é um pouco difícil e é um pouco pesaroso. E e enfim… Lembrar disso não é bom. Enfim.”

“Foi a primeira vez que eu o vi em toda a minha vida. E eu não fui com a cara dele. Hahaha… É muito irônico isso, não? Mas aconteceu assim… E enfim… É emblemático de qualquer forma. Porque eu jamais achava que iria acontecer tudo o que aconteceu.”

“Ai, cara… Isso foi horrível, velho. Por que ele fez isso comigo? Ele é um idiota, cara… Não, eu sei que foi na melhor das intenções, mas puta que pariu… Agora que eu estou entendendo a porra toda. Que merda! (…) Eu tinha saído de uma consulta e a gente foi comer lá, e enfim… Foi muito ruim, foi muito ruim. E ele me fez ir lá, perguntou em qual mesa foi, falou pra eu encostar na mesa. E eu fiquei com uma cara de cu o tempo inteiro e tentando relevar porque eu não gosto de me lembrar do que aconteceu ali, cara. Eu não gosto. Não gosto de me lembrar, me faz mal… Me faz mal relembrar qualquer coisa referente ao que houve, sabe? Ok, vou tentar ser justa: qualquer coisa especificamente referente a ele não. Ele como pessoa, ele fazendo o que ele faz e sendo quem ele é eu acho maravilhoso. Foi por isso, por essa fachada, estes aspectos, que eu me apaixonei. Foi isso. Agora quando eu me lembro do nosso relacionamento, do relacionamento doentio e doente e adoentado que a gente tinha, isso me faz mal. Me lembrar de como eram as coisas. Da dinâmica das coisas. É o tipo de coisa que eu não quero lembrar, cara… Não quero. Não gosto. Fico mal. Fico bolada. Fico me achando a pior pessoa do universo, enfim. E aí ele me fez ir nessa porra desse lugar e enfim… Ok. Na hora tudo aconteceu até com uma certa leveza, porque enfim, eu estava com ele, estava segura, estava me sentindo bem. Mas agora que me dei conta, estou tentando observar que tipo de questões isso tudo trouxe à tona. E qual é o meu verdadeiro problema com tudo..”

Comprei um espelho enorme. Acho que nunca tive um espelho tão grande. Consigo me ver inteira. Hoje pela primeira vez passei creme, no corpo inteiro, no espelho (como a minha mãe). Vi cada dobra, cada curva, cada defeito e deixei estar. Ainda tenho uma marca de sol, de queimado, no peito. Ela está se apagando aos poucos, se fundindo com um belo bronzeado de escritório amarelado. Lembrei dos momentos que me fizeram ficar com essa marca de queimado e fiquei feliz imediatamente. Fico pensando que quero mais disso, ainda esse ano. Não sei se será possível. Não sei se vai se repetir. Queria poder entrar no mar dessa vez. Mesmo que fosse um pouco só. Mesmo que eu me irritasse depois. Sinto certa falta. Queria ficar mais queimada, inteira escura, pernas, bunda, costas, rosto. Quero ter mais lembranças. E sempre poder voltar para esses lugares todos.

Entraram com uma ação contra o vídeo no MP. Não adiantou nada (ainda bem). Várias pessoas acharam o vídeo sem graça. Ok. Eu achei o vídeo engraçado, da primeira vez que o vi. E ainda continuo achando graça. Mas acredito que só entenderá a graça quem já foi vezes o suficiente em uma casa de sucos no Rio de Janeiro. Para quem é de fora, quando vamos em uma casa de suco por lá e percebemos o atendimento, a impressão que fica é que o cara que faz os pedidos pra cozinha sequer pensa no que está pedindo. É tudo no auto-piloto, quase automático. Sobre ele oferecer rôla pra moça, essa é fácil: sempre, o tempo todo, estão querendo nos vender algum tipo de produto. Lojas de suco não estão excluídas disso. E é tudo tão automático, feito de forma tão rápida que a moça – mesmo confusa, achando meio estranho e talvez não sabendo direito o que está levando – acaba mesmo pedindo duas rôlas, porque né, fazer o quê se não tem o que ela quer. Aí é que é a graça da coisa toda, porque nesse momento fica surreal mesmo. Não é por nada não mas a esquete desenha bastante bem um dos vários tipinhos brasileiros. Esse vídeo de humor fala sobre linguagem, sobre publicidade, sobre colocar as coisas no automático e fazer com que os outros, meio que na malandragem (mas também à força), aceitem o que está sendo imposto: rôla. A moça pode mesmo ter pedido duas rôlas espontâneamente, mas a esquete toda leva a crer que ela foi coagida. E nós, somos mesmo, muitas vezes coagidos a comprarmos (e aceitarmos) coisas que nem queremos ou nem sequer sabemos bem porquê estamos comprando/aceitando.

Essa esquete da Porta dos Fundos me lembra de dois outras referências de humor (bem mais ofensivos inclusive) sobre o mesmo tema:

George Carlin – Advertising Lullaby:

Bill Hicks on Marketing:

I. Irascível

A noite vi o beijo. Em novembro do ano passado era o nosso e agora mesmo já era aquele. Não lembro do que senti na hora. Lembro apenas que reconheci aquele momento. Não soube definir o que era aquilo. Acho que nunca saberei. Não sei se foi ciúme ou inveja. Talvez não tenha sido nada disso mesmo. Virei o rosto e segui andando. Ele sabia onde eu estava, sabia quem eu era e só veio me dar um beijo no rosto depois de uma lata de cerveja e meia. Fiquei constrangida, mas não muito. Sou observadora demais pro meu próprio gosto, às vezes.

Alguns dias depois, numa festa, assim que me viu, me abraçou apertado, colou aquele rosto com barba por fazer no meu e sussurrou “coisa gostosa” no meu ouvido. Eu ri. Ri alto. “Pode voltar pra sua namoradinha agora” pensei, mas não disse, óbvio. Essa frase, na verdade essa situação me encheu de um tesão irascível. E eu não fiz absolutamente nada, como sempre. Maldade gratuita não é o meu forte. Eu estava sóbria. E dançava. Eu só queria dançar. Na verdade, é tudo o que sempre quero. Faço jus ao meu nome.

II. Dos erros

Tenho uma convicção muito imbecil acerca das coisas. O perigo habita exatamente no lugar onde não digo não nem sim. Nessas horas não consigo dizer nada e ofereço apenas um olhar suntuoso pra quem estiver na minha frente, olhando pra minha cara. Queria me lamber. Eu disse que não. O primeiro erro foi pedir. O segundo, insistir. E quando lhe digo “não me tente, garoto” é por que você perdeu.

III. Do dançar

Me olham quando eu danço.

Danço.

Por que me olham?

Seria a música, as luzes o ritmo cadenciado? Seria eu mesma por trás de toda essa máscara noturna? Talvez não. Acho e penso que não. Tenho certeza absoluta que não.

Por que páram de me olhar quando não danço?

Movimento, curvas, sinuosidade. As pessoas se alimentam disso.

Também sei dançar inerte, sabiam?

Continuem me ignorando.

Continuarei dançando.

IV. Do isolamento

Enxergo as pessoas mas não as vejo. Enxergo por outros meios, nada ortodoxos, nada convencionais. Analiso. Muita gente, poucas pessoas sempre. Gosto de pessoas. De algumas. Não tanto quanto gostaria e bem menos do que deveria. Até simpatizo com algumas. Num amontoado de gente numa festa, ao mesmo tempo em que danço, me distancio e observo a todos. Dançar é socializar-se, mas na verdade, eu me isolo. E observo mais e melhor enquanto me movimento.

V. Da sociabilidade

Você já deu um “oi” sem querer ou talvez por engano alguma vez na vida? Eu já. É e não é agradável ao mesmo tempo (Fato: sou uma negação até quando não estou tentando ser sociável).

VI. Ela

Era pra ser um encontro marcado, com horário e local exatos. Mas foi um encontro espontâneo, no sentido mais certo que essa palavra pode ter. O cabelo dela tinha crescido e estava diferente. Eu estava tímida. Ganhamos as ruas, o metrô, a bagunça do comércio do centro. Ela tinha prometido uma surpresa, me levar num lugar em que eu iria gostar. Entramos em alguma ruazinha pra logo em seguida entrar no Real Gabinete Português de Leitura. Eu ouvi aquele ruído silencioso, um silêncio sinistro comparado a desordem sonora da rua.

Logo depois, um doce, um brownie quente com sorvete de creme. E um capuccino, no Bistrô do Paço. Foi a conversa mais longa e saudosa. Senti saudade de me sentir daquela forma: confortável, aconchegante. Senti carinho, grande, imensurável. Não soube explicar por que me faltou ar e meu coração bateu mais rápido quando lhe dei um beijo no rosto, agradecendo por um presente. Se eu fosse branca, certamente coraria. Tenho uma certa dificuldade em demonstrar afetuosidade, mas sempre faço do meu jeito, embora às vezes me ache um pouco desajeitada. Uma pena eu não ter dito o quanto eu sentia a falta dela. Mas de qualquer forma, acho que ela sentiu isso de um modo ou de outro.

VII. Aquele abraço

Sempre tenho a impressão de que o nosso abraço poderia ser mais longo. Nunca sei o tempo exato de “desabraçá-lo” pra então poder dizer ‘oi, como vai?’. Acho que o abraço poderia dizer várias coisas por mim, como “estou com saudades, que bom te ver de novo”. Por mim, nosso abraço duraria uma eternidade. Eu deveria ter vergonha de afirmar isso pra mim mesma, mas curiosamente não tenho. Não tenho por que não carrego culpa de nada e nem me sinto errada. Me sinto pequena dentro daquele abraço, mesmo que ele seja breve demais pra mim. Me sinto cuidada quando atravessamos a rua. Me sinto cuidada com vários olhares dele. Os olhos, os olhares entregam as pessoas. E o olhar dele nunca foi de malícia e nunca foi atuado. É um olhar de carinho e preocupação e eu entendo isso. Me sinto querida e bem vinda, todas as vezes.

VIII. Da emoção reprimida

Fazia alguns meses que não nos falávamos. E então ele me entregou meu presente de aniversário e, claro, fiquei constrangida como sempre fico quando recebo presentes, elogios, etc. Não por que ache que eu não mereça, mas.. Enfim, a situação toda agravou ainda mais esse meu jeito desajeitado de ser. Quando vi o que era meu presente, meu rosto se iluminou e eu me emocionei. Me emocionei, mas como percebi que ele ficou visivelmente constrangido, tratei logo de disfarçar a emoção com frieza.

Engoli o choro e devo ter dito algo como “Poxa, muito obrigada mesmo”, mas que não me pareceu como um agradecimento genuíno nem em mil anos luz.. Me senti falsa por que me contive. Fiquei triste por dentro, mas foi melhor assim.  Talvez até tenha sido melhor não perder a compostura. Nunca tinha feito isso,  nunca tinha me privado de me emocionar e confesso que  achei bastante difícil. Difícil, mas não doloroso. É só recuperar o fôlego e continuar. E no fim da noite, um pedido de desculpas quando, aparentemente, não fiz nada de errado. Carregava uma culpa que nem eu mesma sabia qual era. Só sabia que era pesada.

E pedir desculpas não me aliviou e nem me fez sentir melhor, só mais idiota. Mas ainda: foi melhor assim. Às vezes a minha imbecilidade e fragilidade com as coisas que acontecem é tanta que eu nem consigo acreditar que sou eu. Acho que “perdi a mão”, o jogo de cintura. Sei lá, quero pensar nisso não.

IX. Perguntas que não calam

Por que demonstrar afeto por alguém é tão simples mas tão difícil? Existem formas bem claras de se demonstrar afeto: dinheiro, presentes, carinho, abraços, beijos, sexo. Mas quanto as formas não tão objetivas de se demonstrar afeto? Um olhar, um sorriso, algumas palavras ou ainda, presentes que contenham palavras. Ou sentimentos muito bons que não conseguimos explicar, nem ver, apenas sentir. Não sei. Prefiro os afetos que parecem que não estão ali. Eles duram mais e por mais tempo.

O que faz com que as pessoas se apaixonem pela gente? Como a paixão acontece na nossa cabeça?

Não sei explicar, só sei que, ao que tudo indica, é essencialmente espontâneo. Não nos forçamos a nos apaixonar por ninguém, nem podemos forçar ninguém a se apaixonar pela gente, pois aí já não é algo legítimo, mas forjado. Minha experiência pessoal diz que nada que é induzido nesse sentido pode ser muito bom. Situações fabricadas serão, sempre, situações fabricadas. E não há nada que mude isso.

Por que algumas pessoas tem a necessidade de manterem-se apaixonadas pra sentirem-se vivas?

Não sei. Esse nunca foi o meu caso. E nunca será.

X. Do cuidado

Sou péssima com presentes pros outros. Apesar de ser boa observadora, se sou privada do convívio a coisa se torna um tanto quanto mais difícil. Ainda assim me senti que deveria retribuir a delicadeza, sem contar que em alguns dias seria o aniversário dela. Lembrei-me que no dia do meu aniversário este ano ela me enviou um e-mail carinhoso, com uma fotografia linda de orquídeas. Então nem fui muito criativa.

Andar nas ruas com aquela planta foi um privilégio pra mim, e cuidei dela por alguns instantes. A protegia com as mãos quando um vento forte aparecia e segurava melhor o caule pra que não se partisse. As pessoas me olhavam, cada um de modo diferente. Não é muito comum encontrar uma pessoa com uma orquídea grande dentro do metrô. No caminho, quatro pessoas sorriram pra mim, afetuosamente.

Percebi nos olhares delas que se perguntavam “será que ela ganhou ou está levando de presente?”. Eu só as observava quieta, olhando por cima das orquídeas brancas. Acho que o meu presente agradou. Espero que sim, pois o entreguei com um carinho muito especial. E então, conversamos. Falei sobre algumas angústias e pedi conselhos. Não exigi nada, simplesmente compartilhei algumas coisas minhas. Senti então muito cuidado nas palavras dela, instigando minha proteção. Um cuidado que senti verdadeiro, genuíno.

E de fato depois da conversa a angústia passou e comecei a entender algumas coisas por uma outra perspectiva. E melhorei muito. Ao me abrir e confiar, só tive a ganhar. Soube como agir melhor, pra me proteger.

XI. Da proximidade acidental

O destino é muito irônico, ri com dentes podres na nossa cara.

Antes do último dia, adoeci. Com direito a baixar hospital, correr pra emergência e tomar qualquer coisa intravenal que fizesse aquela dor parar. Foi horrível. Foi um fiasco.

Foi 2006 redivivo, só que desta vez a vítima fui eu.

Apesar da situação ruim, houve a preocupação e aí sim o cuidado se tornou mais do que evidente. Foi uma proximidade acidental, mas que me agradou muitíssimo. Olhei pra ela e disse “você é a próxima vítima, pode acreditar”. E depois conversando com ele pensamos em várias coisas que poderiam ter causado aquela dor estomacal: tensão, ou sei lá, somatizei algo. “Qualquer coisa é gatilho quando há predisposição” ele me disse. Talvez. Não me preocupo em pensar muito nisso não. Só sei que aconteceu e sei que isso que vou dizer vai soar horrível mas “foi bom passar mal”.

XII. Da memória

Fiquei em Botafogo a maior parte do tempo, gostei de lá, mas andei pouco. Conheci uma parte da Urca que me marcou muito, Praia Vermelha, chinelo, vestido branco e colar de contas. No fim, tudo teve que ser resolvido às pressas, tive de sair correndo com malas, prazos, horários, pra então sair de novo, ir, vir e encontrar-se novamente. Acho que desde janeiro eu queria conhecer o Parque Lage. Acho que era fim de tarde. Chá de maracujá e maçã. Eu vi a piscina, lugar com o qual já tinha sonhado algumas vezes, mesmo sem nunca ter estado lá.

Fazia muito tempo que eu não andava pelo mato. Achei bonito aquela mistura de pedras, ruína e floresta. Gostaria que meus olhos fossem capazes de tirar fotos. Estava um tempo agradável. Nossos nomes foram escritos numa parede. E depois de andar mais um pouco, apareceu uma piscina natural, com carpas imensas. Tinha uma cachoeira também… Tudo parecia um sonho, mesmo. Lembrar disso agora me faz sentir esquisita, não sei o que acontece.. Um frio na barriga estranho. Acho que é por que ainda está muito recente na memória.

E depois, um mirante, onde era possível ver a lagoa Rodrigo de Freitas, parte de Ipanema e Leblon, se não me engano. Prometi pra mim mesma que guardaria aquele momento pra sempre na minha memória.. Mas sempre que prometo eventualmente esqueço. Promessas não são nada espontâneas. Lembranças são.

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XIII. Do fim?

Um dos post mais acessados deste blog tem o título “Como esquecer alguém?”. Escrevi e não me arrependo, mas hoje sei que é bobagem. Hoje sei que não é possível esquecer ninguém, por mais que se tente. Na verdade é  o maior dos paradoxos: a gente sempre se lembra de esquecer. É uma ferida, um recalque que se torna aparentemente incurável. E é ridículo, não condiz mais com quem eu sou hoje em dia.

E a gente sente essa vontade de esquecer por ‘n’ motivos, geralmente relacionados a desentendimentos, brigas ou simplesmente por que o que havia acabou. Os motivos vão desde algo besta como ‘não gostei do que você disse/fez/insinuou’, algo mediano como hostilidade gratuita advinda de TPM até coisas “graves” como traição, etc (apesar de eu não acreditar em traição, mas aí é outro post).

A diferença é que, quando eu era mais nova, o custo de se adaptar às situações e às pessoas pra mim era muito alto, eu não conseguia, não tinha como. Eu era inflexível e de certa forma me orgulhava disso. Hoje em dia é diferente, penso em viver com leveza e pago caro por isso, mas pago com gosto. Às vezes esforçar-se pra esquecer não vale a pena, pois é um esforço em vão.. Ainda mais quando o motivo não é dos mais fortes. É tudo uma questão de saber se comportar.

A verdade é que as pessoas – de modo geral – farão o que puderem pra te machucar, às vezes conscientemente, às vezes não. Às vezes por sadismo, às vezes por defesa. É preciso saber reconhecer e fazer escolhas, entre continuar ou parar. E às vezes eu me machuco por pouco, por muito pouco e reconheço isso. E percebo que o motivo pelo qual me machuco é tão bobo, tão infantil, tão… pequeno, pobre.. Que realmente seria muito imaturo da minha parte manter isso em tão alta conta.

Me preocupar com pobreza e com pequenez de algumas coisas não combina com a minha personalidade generosa. Sou generosa e expansiva sim, e também cobro pouco, mas não deve se confundir esse meu comportamento com  um deslumbre sentimental, como se todas as pessoas devessem me amar  o tempo todo  (e provar que me amam o tempo todo também) ou se apaixonarem por mim indistintamente.

Isso não existe. Nem comigo, nem com ninguém.

Todo mundo é detestável em alguns aspectos. E só não se enxerga o que é  realmente detestável em alguém quando não se vai além do que é superficial e material.. O que é muito comum hoje em dia. Faz algum tempo que cansei de pessoas que se utilizam de afetos vulgares..

E então, saio de determinadas cenas.

E assim permaneço em outras. Pra sempre.

Falei pra ele que tinha escrito um texto um tanto quanto piegas. Se não me engano, esse texto está escrito no meu diário de 2008 e eu preciso melhorá-lo ainda, refiná-lo. Pretendo postá-lo aqui daqui um tempo. Mas de qualquer forma, esse texto são só palavras… E eu não deveria me apegar tanto a elas, apesar de elas me agradarem bastante.

Na verdade elas não só me agradam, como servem ao seu propósito, que é fazer com que eu me identifique e que comunique algo que considero importante, marcante. Sempre tento fazer com que a minha pieguice não fique esdruxulamente vulgar, mas tem vezes que não consigo e aí acho constrangedor (até pra mim mesma). Algumas coisas não são tão simples quanto parecem. Mas eu faço o meu melhor.

Às vezes falar é melhor do que escrever. E eu falei sobre isso pra ele, mas não falei tudo o que gostaria e como gostaria. Não vi necessidade disso. Às vezes o melhor mesmo é não dizer coisa nenhuma e não estragar as coisas. “Words are very unnecessary”. Às vezes sim, mas outras vezes eu sinto mesmo necessidade não só de entender o que sinto, mas também de comunicar o outro. E aí me vejo num impasse. Mas sempre acabo resolvendo.

E o meu único pedido, sempre, é que acreditem em mim e no que sinto. Não é muito, mas eu sei que é tudo. Isso depende muito da pessoa, imagino.

É engraçada a forma que as coisas acontecem de forma completamente diferente e nada previsíveis. Não pensei que tudo fosse correr bem. Pensei na verdade que fosse sei lá.. Ir embora e ficar deprimida. Pensei que eu talvez pudesse ter regredido novamente, em algum sentido. Mas aparentemente não foi isso o que aconteceu. Fico feliz.

Me sinto bem, me sinto feliz. Me sinto plena, num sentido que não consigo descrever com exatidão pra mim mesma. E talvez esse sentido não precise ser descrito mesmo. A razão só tem verdadeira serventia quando as pessoas pensam, planejam, arquitetam. Nessa situação e nesse momento, eu apenas sinto. E isso é o suficiente, me basta. Me inunda, na verdade.

Algumas coisas não têm solução.

E nem precisam..

I/V – 12/03
II/V – 13/03
III/V – 14/03
IV/V – 15/03

Hoje eu consigo entender quase que perfeitamente por que eu não choro mais quando deixo alguma cidade e amigos que gosto muito. Não choro por que não estou voltando pra Campo Grande/MS, mas pra Floripa/SC. Não é questão de “cuspir no prato que comeu”, mas a questão é que aquela cidade realmente não me fazia bem. E não tenho problema nenhum em admitir isso por que essa é a verdade. Claro que vou sentir saudades da cidade que acabei de visitar, claro que eu não queria ir embora tão cedo. Mas eu preciso. Preciso voltar pra rotina, pra realidade, pras coisas que me esperam, pras coisas que eu espero. Pras coisas que preciso consertar e continuar consertando. Minha casa, minha cama, minhas coisas. Eu mesma, tudo.

Nada é pra sempre mesmo então eu não deveria me preocupar.

Um beijo. Um abraço. Um muito obrigada por tudo sussurrado ao pé do ouvido. Sendo que esse ‘tudo’ é muito mais do que as coisas que são óbvias e palpáveis. Gosto de ser grata pelas coisas que não existem e que talvez nunca existiram. Gosto de ser grata pelas coisas que não consigo carregar, mas que permanecem inertes, pra sempre na minha mente e que agora querendo ou não fazem parte de mim, de quem sou. Coisas inesquecíveis. Coisas sem valor. Coisas bonitas. De verdade.

I/V – 12/03
II/V – 13/03
III/V – 14/03

Abri o olho 8h30 da manhã. Mandei se ferrar e voltei a dormir. Voltei a acordar às 11 e tantas, aí não rolou voltar a dormir. Comi yakissoba e sorvete napolitano. Eu nem lembrava do gosto de sorvete napolitano. Fiquei feliz. Hoje era dia do meu aniversário. Hoje, eu completava 24 anos. Tudo bem, “grande coisa”, mas o fato é que eu estava feliz e sentia que tinha mais é que comemorar mesmo, por mais boba que seja a situação. Quando deu 15h resolvi caminhar até a barca. Não voltaria mais pra Niterói. Chovia forte. Eu estava preocupada. Deveria estar do outro lado até às 16h e não gosto de atrasar. Devo ter chegado lá umas 16h10, não me lembro bem pra pegar um cineminha ali perto às 17h. Ainda deu tempo de tomar um capuccino. Vi o Eastern Promises do Cronenberg que, coincidentemente, também faz aniversário junto comigo, dia 15/03. Fazia muito tempo que eu não via uma cena de luta tão FODA num filme. Juro pra vocês. Acho que o último que me impressionou tanto foi o OldBoy.

Depois fomos até o FILE/Rio pra ver o que tava rolando. A exposição tava legal até, mas dava pra perder horas por ali se nos dispuséssemos a assistir tooodos os vídeos e interagir com tooodas as obras. Enrolamos por lá até umas 20h20 e depois caímos pro Devassa. Já tinha ouvido falar dessa cervejaria algumas vezes, mas nunca tinha ido lá. Não ia tomar cerveja por que ando evitando, mas acabei tomando 1 shot de tequila e 1 Cuba Libre. Foi o suficiente. Não fiquei bêbada, mas foi muito bom sim. Comi batata frita e carne ao molho madeira… Jaquei a dieta, sem peso nenhum na consciência. Era o meu aniversário e nunca estive tão bem comigo mesma. Algumas coisas precisam ser consertadas aqui e ali, mas o principal já aconteceu. Estava num lugar legal, com duas pessoas que gosto muito, não esquentando a cabeça com nada e mantendo as coisas de forma muito simples. Acho que não precisava, não preciso de muito mais que isso pra ser feliz, mesmo que só por aquele momento. A vida é isso mesmo.

V/V – 16/03

Eu tinha pensado em ir pra rodoviária a pé. Sempre tive a piração de começar uma viagem peregrinação a pé. Tá certo que isso na Europa é muito mais chique, mas como eu não tô podendo, começaria por Floripa mesmo. Mas no dia choveu pra caralho, aí acabei pedindo pra uma amiga me levar na rodoviária mesmo. Devo ter chegado lá umas 20h, pra olhar pra minha passagem pra São Paulo e ver que o horário de partida do ônibus era 18:30. “Fudeu” pensei. Simples assim. Mas aí eu fui lá e o cara conseguiu trocar a minha passagem (sem me cobrar nada) por outro ônibus com o mesmo destino que sairia às 21:30. Bem, menos mal. Pela viagem digeri Belle & Sebastian e The Arcade Fire. Cheguei em São Paulo umas 8:30 da manhã e o ônibus pro Rio sairía às 9:30. A viagem foi tranquila.

Chego no Rio umas 15h e não enxergo ninguém de braço cruzados me esperando. O primeiro pensamento foi pegar o cartão e seguir pra fazer uma ligação, mas no meio do caminho eu encontro o Guilherme. É. A minha vida, de fato, é uma piada prontíssima de péssimo gosto mesmo. Enfim, nunca tínhamos nos visto, mas nos reconhecemos numa boa mesmo e não foi nada muito diferente do que eu imaginava. Saímos logo de lá e fomos pro centro, pro Flamengo ali se não me engano e caminhamos pela orla. Foi bacana. Tava com saudades do Rio. Lá é tão bonito, apesar de tudo. Passeamos um pouco mais pelo centro ali, Laranjeiras, Cinelândia, tudo meio que a pé. Não aconteceu muito nesse dia mesmo por que, eu tinha recém chegado de viagem e tava meio cansada.

Peguei a barca pra Niterói lá pelas 18h. As barcas também estão novas, mais modernas, diferentes. Bastante coisa devia ter mudado em 2 anos. Bem… Pelo menos eu queria acreditar nisso.. rs
II/V – 13/03
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