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Pedi um café com leite pequeno. Não queria usar adoçante hoje: queria algo de verdade. Os sachês de açúcar agora tem vindo com umas mensagens sortidas bestas acreditando ingenuamente que podem fazer as pessoas se tornarem seres humanos melhores. O primeiro açúcar que usei estava escrito na embalagem “elogie mais”. Não senti nenhuma mudança no sabor. O segundo: “elogie mais”. Mexi o café com leite e ficou docinho, mas ainda insuficiente. Terceiro sachê de açúcar: mesma mensagem.

Vida: VAI SE FUDER, ok?

Grata.

Att.

Esses dias fui ao centro pra resolver algumas coisas e aproveitei pra dar uma passeada. Pensei que ainda tinha que fazer um post dizendo o quanto eu gosto de Florianópolis, do centrão, etc, mas acho que isso fica pra outro dia., pra quando eu tiver mais inspirada. Tem estado meio frio por aqui ultimamente e às vezes dá aquela chuvinha fina. Eu estava no centro perto de um prédio e acho que resolvi entrar por causa da chuva. Chuvinha chata. Na saída comprei um guarda chuva vagabundo. Mas pelo menos não molhei meu cabelo, nem meu óculos.

Quando fui pro terminal de ônibus, vi uma cena que é muito comum aqui em Floripa: um guarda-chuva vagabundo, quebrado e jogado no lixo. Na UFSC tem muito disso também.. Guarda chuvas que foram ferrados pelo vento forte e as hastes cederam. Os donos devem ter ficado putos, praguejado e jogado no lixo. Sempre que vi guarda chuvas assim, eu sentia uma tristeza que não conseguia explicar. A tristeza era ainda maior quando a estampa do guarda chuva em questão era bonita. Sempre tive uma vontade de tirar aqueles guarda chuvas do lixo, levar pra casa e sei lá, fazer alguma coisa com eles.

Aí ontem eu fiz isso.

Peguei o guarda chuva do lixo e fui “depenando” ele dentro do ônibus, tirando as hastes e guardando apenas o tecido. Chegando em casa, joguei as hastes tortas no lixo, lavei aquele tecido e guardei. Vou fazer isso com vários guarda chuvas agora, sem medo de ser feliz.  Vou ter um cemitério particular de peles de guarda chuvas. Os ossos (hastes) eu jogo fora por que não tenho criatividade o suficiente pra fazer nada nem decorativo, nem útil com eles.

Vou guardar todas as peles de guarda chuva que achar a estampa bonita. Os de estampa lisa acho que ignorarei. Quando tiver uma quantidade de estampas diferentes o suficiente acho que farei uma colcha de retalhos, um edredom ou qualquer coisa tosca do tipo. Com a ajuda de uma costureira, claro. E daí quando ficar pronto talvez eu venda. Ou talvez eu guarde pra mim. Ou talvez dê pra fazer os dois: vender um e fazer um pra mim… Enfim.

Por que eu faço isso? Sei lá. Não sei explicar. Por que tenho vontade. Por que gosto de ser caridosa com guarda chuvas abandonados e inúteis. Acho que é a minha cabeça querendo ser criativa e não sabendo direito como se comportar, aí às vezes rolam esses surtos. Oh, well…

Me sinto levemente desconfortável por entender que causo indignação, mas não me martirizo (mais) por isso. Mas senhores, não se indignem: a arte serve como justificativa pra quase qualquer coisa. Acreditem. Não em mim, mas no estado das coisas. Senhores: corpo é apenas corpo e nossa mente nos mente, então pra que iludir-vos em questionamentos que não lhes levarão a lugar algum que não seja a mesmice do “mais além”? Mais além este que mal chega na pretensa esquina de qualquer caminho mental que vocês nem sequer conseguem imaginar que exista.

O que houve foi sonho, foi vago, superficial. Foi pra debaixo da minha pele, mexeu com as minhas endorfinas, perpassou entre meus nervos e torneou alguns de meus músculos, o que fez tudo PARECER real. Mas foi com muito bom grado que me deixei levar, participar e atuar em alguma parte relevante – talvez nem tanto – de vossas existências. Algo que pra mim é muito claro, mas que, ao que parece, é preciso relembrá-los sempre: senhores: vocês são mais do que o que vivenciam. Sempre foram. Só precisam acreditar nisso, pra que isso seja possível.

Eu acredito. Não em vocês, nem em mim. Mas nas possibilidades dos sonhos e das interpretações e de como tudo pode ser transformado e transformável, mesmo quando não se faz absolutamente nada pra isso. Ou ainda quando se parece HOSTIL. Ou ainda quando se parece MAGOADA. Ou ainda quando se diz ATRAÍDA. São cenas, sonhos, confusões, detalhes… E eu guardo todos os detalhes que constam, bons e ruins. O contra-regra é sempre a favor da regra, e sempre está ALÉM dos atores, atuações, cenas, cenários.

Portanto senhores selo meus lábios nos vossos. Agradeço pelas coisas que não aconteceram. Agradeço pelo vácuo, pelas histórias que não participei. Tenho (e tive) todos os senhores dentro de mim e poderei reassistir as mesmas cenas quantas vezes eu desejar. Atores mudam, cenas idênticas, não vou saber o que é real e o que é fictício, vou me envolver, vou me perder, me reencontrar, me APAVORAR e aí, como num passe de mágica, num corte de câmera, numa outra tomada, tudo ficará BEM novamente. E com vocês também, senhores.

O cenário mudará. A língua, costumes também. Mas o teatro sempre pode ser cinema e cinema é sempre vida, vivência, detalhes e não-experiência. Não há como fugir disso e se se foge disso ainda assim, retorna-se e cria-se algo similar a isso, mesmo por que são padrões que se repetem. Não é difícil entender isso. Mas as histórias são sempre as mesmas, só que se refazem e então parecerão outras, sempre. Se não comigo senhores: com outras. E outras. E outras. Até o dia em que lhes direi adeus pela última vez.

As pessoas dizem que a vida é curta e que
você pode ser atropelado por um ônibus a qualquer
momento e que você tem que viver cada dia
como se fosse seu último

MENTIRA

A VIDA É LONGA

E você provavelmente não vai ser atropelado por
um ônibus e você terá que viver com as escolhas
que você faz pelos próximos cinquenta anos
.

Beijos.

As pessoas têm disso. Tenho mais do que o comum. Agora mesmo, a necessidade de ficar sozinha. Em qualquer outro momento, um carinho (sincero). Um olhar, algum interesse. Algumas mordidas. E o desprezo. Também necessito de desprezo pois, ao que tudo indica, é isso o que me move de uma forma muito, muito estranha. E as coisas teimam em nunca acontecer na quantidade certa. Nem pra mim, nem pra ninguém.

É sempre pouco demais, ou sempre em excesso. Mas a verdade é que equilíbrio demais também enche o saco, eventualmente. E isso é assim com todo mundo.

Às vezes penso que decidi me tornar uma eterna insatisfeita. E essa inquietude aumenta em mim de acordo com os anos. Aí dizem que ela é destemida, insaciável, incansável. Mas isso tudo é ilusório e mentiroso, uma vez que ela é uma pessoa extremamente insatisfeita com tudo o que a vida oferece. São palavras duras, mas verdadeiras. Sad but true.

Quando não há base e não há firmamento, as coisas passam por ela e ela não passa por nada, não sente nada, não vive nada. É uma vida fabricada, de plástico. São tantas paixões impensadas, repetidas, tantos amores iguais, todas as fotografias do mundo, todas as ideologias e lutas, todas as drogas do mundo…

E essas coisas não a saciam. Nada parece ser o suficiente.

Por que na realidade não são suficientes.

Não há teto e não há chão.

Não existem parametros, não existe vida. Existe apenas uma pessoa que vegeta sem saber, numa vida de excessos que mascara algo vazio e sem significado.

Ainda assim, precisamos dessas necessidades bestas. E isso é um tanto quanto melancólico. Teve uma época (e se não me engano, até hoje) que era muito glamuroso não ter satisfação com nada. I can’t get no satisfaction...

 

 

Mas sinto que isso não é pra mim.

Mas só sentir não resolve muita coisa.

13/1/2009 – 22:45:56 – Rompy – Hei (Isa)Dora :) (hehe or was it Døra, thi-hi) Greetings from Norway. Been a while, but now is better than never. Hope you had a nice christmas and new year celebration and that you had a nice time with your loved ones. We even had lots of snow for a while, but then the rain came. Now there is nothing left :(

13/1/2009 – 22:58:54 – Rompy – [grrrrrr enter] Looking good on the picture ;) (ok, gonna stop looking at it now) (just one more time) Want to wish you all the best for the new year :) Oh, make people around you happy, and you will find yourself happy. Best wishes from the land of the midnight sun

Runar

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