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Arquivo da tag: Poesia

I have music inside me.

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Like some passion that will never be fulfilled.

Like a dream that will never come to end.

Like a child that will never be born.

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Still.

I have music inside me.

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It’s living in streams of air

Through my leaves

Outside the birds.

It’s huge, free and so generous

It’s everywhere.

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Where my footsteps are.

Where I just went.

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I judge what I hear.
I perceive (pursue) what I feel.

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Music is within me.

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And it moves…

Slightly.

All.

The.

Time.

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Juro nunca mais ser gentil
Para sempre ser severa
Pois o amor é difícil de lidar
Pois o amor lhe roubará a visão
O fardo da santidade
A tentação em ajoelhar-se
O medo mudo de ser pega
Em vapores de pecado

Nós cantamos do vácuo
Nós queimamos com amor
Tão estranhamente melancólicos
Tão estranhamente completos
Em algumas horas ébrias
Em algumas palavras céleres
De nossas bocas salivantes
Perdermos tudo para que aqui viemos

Se você fosse meu
Eu coraria um pouquinho
E morreria

[Rome, Das Feuerordal]

Queria poder ter o que dizer.

Sempre quis poder começar as coisas pelo fim.

Isso é coisa de mulher, querer prever, querer saber,

Pra só depois ver pra crer.

Então eu não digo nada,

E no meu silêncio repousam palavras infinitas,

Que não necessariamente precisam ser ditas,

Pra que tudo aconteça ao meu favor.

Tenho afeição por janelas,

Aprendi, na marra, a gostar da espera.

Mais que isso, aprendi a entender a espera como processo,

Como fim do meio.

É importante não se aprisionar.

Não é a toa que beleza rima com leveza,

É questão de letra só,

Miudeza.

Se por um lado também sou desacreditada,

Por outro, a minha vontade de se doar é maior,

A minha vontade de aprender com o outro é maior,

A vontade levar dessa vida tudo por inteiro, não pela metade.

Então eu fico solta,

Não solta demais a ponto de me perder,

Eu só me permito tatear,

O que nem sempre parece estar ao meu alcance.

E as coisas que eu encontro… Ah, nem deus sabe.

“todos meus poemas não irão ajudar. todas as mulheres que fodi não irão ajudar. e todas as mulheres que eu não fodi certamente não irão ajudar. preciso de alguém que tire essa tristeza de mim. preciso de alguém que diga, eu compreendo, garoto, agora não se aflinge e morra.”

Quando sinto esses versos se afogando em mim
Naufrago, sossobro, sobro e fim.
Quando essa poesia toda der na praia
Verei que não são pra ninguém da minha laia

Verei ancorada no que sempre fui
O erro dos meus dias, o sussuro dos meus uis,
Verei quietinha do meu canto
Todos os meus erros crassos e desencantos

Quando eu fechar meus olhos na areia
Por mais que eu desista, que eu não creia
Por mais que eu toda tenha virado mágoa
Eu vou querer de novo me jogar na água

Carolina Veríssimo

I look like something you shouldn’t hear.
I sound like something you shouldn’t try.
I taste like something you shouldn’t touch.
I smell like something you shouldn’t see.

I feel like something you shouldn’t.

Minha cor preferida é cinza. As palavras se escapam em cinza. E é pra lá que a gente volta sempre. A cidade esmaece, anoitece. A tarde arrefece e eu continuo ali esperando. A espera tem essa cor, o tédio também. Existe toda uma indústria, as coisas como são, coloridas, compráveis, mutáveis. E então existe o anti, o que é cinza, acinzentado, intangível, impalpável, mas etéreo.

As pessoas não são mais as mesmas e as coisas mudaram de lugar faz tempo. Aquele chão que a gente anda, aquela casa que a gente viu. Aquele cigarro que foi tragado e de uma hora pra outra sumiu. A gente não sabe mais distinguir o que sente, ninguém sabe mais o que quer, por onde anda. Onde as coisas começam e terminam. A gente só quer encarar o asfalto e os nossos pés nos levando aonde não devíamos ir.

Ele não me chama mais. Eu o olho e me queimo inteira, sem parar. Meu fogo não desiste. É uma chama breve, falha, incalculada. Ele me vê, não me olha, não me enxerga mais, fico translúcida, não há como meter a mão em mim. Não há carne. E as coisas continuam se confundindo, maleáveis, nada sonoras. Deito no chão, e me asfalto, no resto de chama, no resto de tudo. Me fundo em cinzas e desapareço completamente.

E ele passa por ali como se nada nunca tivesse acontecido.

E não deixa pegadas.

Não há caminho.

I felt her smell by the street today and recalled
we had good times together, oh.

We used to drink together.
And damn that was some fine drinking.
We would walk by town
owing ourselves half the world
cheering up beer after beer until
we were plain wasted and completely useless.

We danced the best beats in the whole fucken’ world together
we had thoughts alike
we were good mates.

I’d say: “Dora, you’re the man I’ve never been!”
And I never kissed her, for she kissed me all the time.

After that, sure I’ve been wasted again, smoked cigarettes and lived the life.
But since then, It ain’t the same.

(Suicide Commando ~ Love Breeds Suicide)

He’s saying it.

I was meant to be alone.

And what is meant to be,

can not

let

to

be

.

.

.

quando eu o encontrar
não vou ter medo de falar
umas poucas e boas pra ele.

não vou gritar
nem meter o dedo na cara
não preciso disso
não precisamos
não é isso, é diferente
não é dor, nem mágoa, nem rebeldia
é só essa coisa que
a gente sente.
eu minto que não sinto
mas sei.
já ele
não sei
não sabe de mim
e também nem quero
que tenha fim.
fica assim.

e vou dizer tudo atropelado
tudo de qualquer jeito
com aquele olhar semi-cerrado
semi-bêbado, de peixe morto,
de mulher quase morta
serei eu
sereia eu
corajosa
minhas guelras abrindo e fechando
e eu perdendo o ar
e vomitando as palavras
que também vão se perdendo
na cabeça, nos ouvidos
na mente dele.
nele inteiro.
nele todo.

e o mundo vai sumir
todas as coisas irão ao chão
e nada mais vai existir
naquela hora
a não ser meus olhos fixos
a não ser minhas palavras
mortas e tortas,
doces, ameaçadoras
escorregando pra fora da minha boca
enquanto ele ouve
estático, inconformado
incrédulo,
e ele me absorve
e se absurda
todo.

não sou uma mulher que grita
não meto dedo na cara
não tenho nem por que gritar com ele
na verdade
não tenho nada com ele
não tenho
ele.
nem ele eu.

[…]

mas tu te prepara por que
eu vou te dizer poucas e boas cara.
é só uma questão de tempo…
eu vou te dizer umas poucas e boas..

A dor de querer ser aquilo que não pode.
Não acredito em respostas fáceis.
Me falta o ânimo pras difíceis.
O beijo de duas línguas frias.

Antes, a vaidade de imaginar-se vista.
Hoje, a cegueira de ver-se imaginada.
A lucidez então se faz bonita.
Mas se perde na leveza do gracejo.

O que se tem como alegria?
O que se tem como garantia, quando a lucidez é fantasia?

diacinza.jpg

Nunca me explicaram o vazio.
O amor não se explica mas se entende, num sorriso escapado, num bilhete escondido, num tropeço disfarçado.

O vazio carece de solidariedade.
Carece de provas, pois não pisa, nem geme.
Carece de solidão, pois se faz constante.
Carece de afeto, pois abraça sem braços.

O vazio se sente, mas não me sinto tão só.
E hoje o dia se solidarizou e finalmente nasceu.

Cinza.

Imagem retirada do flickr /assortedstuff

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