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Arquivo da tag: Poemas

terei outras chances e as perderei também
as sobras dançarão solitárias em uma espiral
sendo sugadas pelo porco barulhento do ralo
na pia mais íntima do lavabo em algum lugar
desconhecido e indecente, nós perderemos
mais alguma esperança que não irá embora
junto da morte e na segunda feira voltaremos
à superfície das segundas chances desperdiçadas
assim tirando música de cada retorno
de cada vômito diante da luz da manhã
apreendendo outros destinos, novas teclas
a mesma tentativa no piano
tornando novos vícios, desiludindo antigos planos
cada vez mais íntimo do abismo
aprendendo a improvisar nas teclas pretas
da sombra

(Cometa Cavalo)

when the going gets weird [ the weird turn pro ]
pattern recognition – [ dot gathering ] – connecting
strategic planning – [ information organization ] – mediation
[ the thinking part ] – the making part

learning and [ forwarding ] knowledge

the art of

sense making

to nonsensemaking

and making sense

again,

usw.

– Passarinhos são efêmeros..

– Espalharei alpiste em mim. Farei de meu corpo uma arapuca. 

– Todo corpo é arapuca.

– (Todo corpo é arapuca. Todo. Corpo. É. Arapuca. Armadilha… Ah… Isso é bom. Isso é bom…)

(…)

– Verbos denotam ações. Armadilhas denotam não ações.

– Armadilhas esperam. Aguardam. Confiam.

(…)

Me espere.

Me aguarde.

Confie em mim.

no prison
worse
than perfection

no crime
worse
than time

no mendicancy
worse
than money

and, oh, nothing
sort of,
worse than love.

 

(Noemi Jaffe)

Te amo a distância
com quatro cães rosnando a 2 cm
uma execução marcial a 7 m
150 km de congestionamento
a 30 cm da caneta que escorregou por entre os dedos

A distância
admito o olhar embaçado
forçando a vista através dos óculos vencidos
e com bastante tempo para tropeçar
fazer lanche
ficar distraído
e seguir firme em tua direção

Desde que todas as rotas foram apagadas
que as pontes desabaram
que estradas de terra foram soterradas
que colapsos aéreos e marítimos
estamparam as chamadas dos jornais
e desde que tudo conflui para o blefe da bússola
enfeitiçada por tua imapealidade
desde então
eu sangro
eu singro
sigo em tua direção

Te acho distante
telescopicamente impossível
empilho medições por sobre a mesa
testo leopardos e policilindradas
simulo minha chegada
à tua ausência.
Perto do teu chakra, dos dedos estalados,
dos chicletes e cartas sem destino lindamente assinadas
perto da xícara que você não me serviu o café
perto do último livro que você me disse que estava lendo
– sem marcador de página –
perto do montante de areia
em que você se afundou
por horas
onde fez tudo desaparecer
e quando chegou a noite
enquanto as marés subiam
você mesma desapareceu

Há um desvio até você
como se um arqueiro
tivesse mirado por muito tempo um alvo
e atingido a si mesmo
como se o anti-horário
trapaçeasse todos os meus eus
e minha regressão fosse súbita
nenhum símio tivesse me dado consciência
nenhum Deus tivesse me soprado a carne
e não existisse
nada de mim por aqui –
e enfim,
eu encontrasse você.

(K. L.)

Love never dies a natural death.

It dies because we don’t know how to replenish its source.

It dies of blindness &

errors &

betrayals.

It dies of illness and wounds;

It dies of weariness,

of witherings,

of tarnishings.

 

Anaïs Nin

[Love is eternal. Egos and their attachments die.]

 

If I were a female, any female, I would want to protect my precious eggs.

I would want to hide them in a hole and I would want that hole to be in a place hard to reach.

Unless I want you to reach me.

Penises.

Different penises.

All trying to get as close as possible to my eggs.

But I would have a tunnel.

And it would be a labyrinth.

It would be intricate.

It would be unique.

It would be species specific.

So that I am not screwed by a bear.

Penises.

Species.

Specific.

Each one unique to their respective vaginas.

A cosy fit.

Like a hand in a glove.

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