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Arquivo da tag: Perguntas Que Não Calam

Hoje no almoço eu estava pensando nos tipos de TPM que eu tenho. E não acho que seja só eu que tenha não, talvez essa carapuça sirva pra um monte de outras coitadas também. TPM é um troço chato, incompreensível. O comportamento muda radicalmente e é chato ter que ficar lidando com isso. Muitas vezes eu desejei não ter TPM, mas acho que pra isso só tirando o útero mesmo, não tem muito jeito.

Tenho tomado pílula faz uns 2 anos e isso diminuiu enormemente todos os efeitos indesejáveis de TPM que eu podia vir a ter.  Eu disse que diminuiram, mas não sumiram totalmente não. Vez e outra aparecem por ali, me deixando confusa acerca de um monte de coisas, principalmente em relação às coisas que eu sinto no momento. O que eu vivo e sinto se confunde com os sintomas da TPM e isso pode ter consequencias chatas.

Acho que é por isso que me preocupo tanto em distinguir bem e classificar os tipos de sintomas de TPM que eu tenho, por que não quero me confundir. Às vezes estes sintomas aparecem juntos, outras separados, às vezes, para o terror da humanidade, aparecem todos ao mesmo tempo (TPM overpower, onde eu me torno praticamente um monstro de outro mundo), mas essa última é bem rara, ainda bem. Eis os sintomas:

Choro: Choro por qualquer coisa, desde comercial na TV ou algo bonitinho que vi na rua. Se alguém é um pouco mais rude comigo, eu choro até secar. Se brigam comigo, fico mal ao invés de enfrentar. Choro se algo é bonito ou alegre. Choro se algo é triste ou feio.  Choro por causa do presente, do passado, do futuro. Choro se não tenho porcaria de motivo nenhum pra estar chorando… Em suma, UM PORRE!

“A fome”: Na real, nunca passei fome na minha vida. Isso não existe. Então, fico imaginando que o estômago simplesmente não manda o sinal de SACIEDADE pro cérebro e que nós, mulheres, somos TODAS danificadas sem exceção. Essa “fome” da TPM é algo que NÃO PASSA. A vontade é de comer o mundo! Achei que essa fosse uma coisa minha mesmo, uma vez que eu já tenho problema com comida mesmo. Mas quando vi uma amiga “normal” com TPM passando pela mesma coisa, notei que não era só comigo. (Dentro d'”A fome” existe também uma fome bastante específica no meu caso que é “A fome de doces”. Particularmente beijinho, brigadeiro (chocolate) e doce de leite. Ah, sorvete também serve pra acalmar a besta fera.)

Androfobia: Já ouvi falar que existem mulheres onde acontece o contrário: ficam taradas quando estão na TPM, como se estivessem no período fértil. Mas comigo o que acontece às vezes é androfobia pura. Fico com nojo, repulsa e ÓDIO MORTAL de homens e de ABSOLUTAMENTE TUDO o que seja relacionado ao universo masculino. Amazona mesmo. Quero que todos, indistintamente, MORRAM. Não suporto nem ouvir a voz, nem nada. Fico achando todos uns nojentos. Depois de uns 3 dias passa e eu volto ao normal, sendo que um desses dias é bastante CRÍTICO. (Mas dentro desta categoria, às vezes eu fico pensando que eu quero mais é que todas as pessoas – independente de sexo – morram mesmo, fico achando que é antropofobia quando na verdade é só…)

Irritabilidade/Ansiedade: o sintoma mais claro como o dia quando estamos na TPM. Tudo é extremamente irritante, até eu mesma. Fico com vontade de morrer alguns dias, de me enterrar a 7 palmos por uns 3 dias e só voltar depois. Não quero sair de casa, nem me olhar no espelho, nem nada. Tenho tendência a ficar mais deprimida/melancólica e a tratar os outros com descaso ou com grosseria (mais do que já trato). Este sintoma é incompatível com o Choro, pois ao invés de chorar, eu enfrento todo mundo, de modo bem irracional e mesmo que não precise.

Enfim, todas as vezes que percebo algum desses traços e dou uma olhada em que dia está a cartela da pílula, começo a entender algumas coisas. Não acho mais que auto-consciência é tudo não, mas certamente pode ajudar a evitar alguns probleminhas mais chatos. É claro que é impossível “controlar” a TPM e fazer com que ela “não exista”, mas não temos muita escolha: somos obrigadas a lidar com ela.

Acredito que nenhum gênio(a) já tenha inventado algum “remédio anti-TPM”. Também não acho que tomaria tal remédio se existisse. Minha experiência com esses remédios “pra cabeça” é medonha. Outro dia escrevo sobre o dia que eu tomei 1 Fluoxetina ‘de brincadeira’. Achei o resultado bom e aterrorizante ao mesmo tempo. :)

Acho que eu tenho problema pessoais com esse meu blog. Um problema bem sério e direto com ele. Vejo as coisas que escrevi e as odeio. Mais do que odiá-las: tenho mágoa delas. Tenho mágoa das coisas que se passaram.  Isso é bem adolescente e acho que não muda com o tempo: há alguns anos lia os diários que fazia (sempre fiz diários) e sempre me achava uma imbecil lendo as coisas do ano anterior. Isso acontece mesmo, é o normal de acontecer. Só guardo meus diários há 2 anos, mas os tenho a bem mais tempo. Os mais antigos devem ter ido pro lixo, simplesmente.

De algum tempo pra cá – coincidentemente quando comecei a fazer biblioteconomia – tenho entendido que é besteira jogar essas coisas no lixo, então não jogo mais. Mas ainda tem algo odioso que fico pensando em fazer: quero cometer o crime de passar “as coisas a limpo”. Recategorizá-las. Reorganizá-las. Now, guess what honey: o passado não pode ser recategorizado. Nem reorganizado. O passado é passado e ele vai permanecer do modo que está e do modo que sempre foi. Não adianta você apagar tudo o que aconteceu.

Não adianta você apagar as coisas que foram escritas, vividas. Elas estarão pra sempre lá, registradas. Fingir que não aconteceu tampouco resolve. Sei que aceitá-las também não. Mas acho que é importante deixar estar, deixá-las como estão, como sempre foram e não ficar tentando modificar nada. Posso até tentar fazer isso em outras situações, mas não aqui, não neste espaço. Se eu mudei de fato, acho que preciso reconstruir essa mudança… E aí o modo que as coisas estão categorizadas e organizadas mudam também, de modo orgânico, natural.

Algumas coisas podem ser passadas a limpo. Outras não podem e nem devem. Acho que tentar pensar deste modo é uma solução boa, por hora. E vai me ajudar a destravar algumas coisas.

Será que existe mesmo uma diferença entre BOM SENSO e tiração de onda?

Esse ano eu já fui chamada de moralista várias vezes. Talvez eu seja mesmo, uma moralista idiota. Não sei. Se estão dizendo é por que deve ser mesmo.

Vou usar dois assuntos que são mais próximos de mim pra chegar onde quero: tatuagens e roupas. Sim, tudo bastante superficial. Tatuagem, pra mim, é tiração de onda. Sempre foi, sempre será. É parte da minha personalidade, sim, e tudo o mais, mas faço por que acho bonito e claro, pra mostrar pros outros. Já falei sobre como as pessoas ficam desesperadamente procurando significados pra tatuagens enquanto as minhas não significam nada. E sim:  nego SE CHOCA quando eu falo que elas não significam nada. Por que tatuagens necessariamente TEM que significar alguma coisa, né? Juro que não entendo quem foi O IDIOTA que estabeleceu isso, mas tudo bem.

Me sinto bem indo em uma boate, bar, praia, festa mostrando as minhas tatuagems. É adequado. Quando estou na rua, sei lá, fazendo compras, também. Nunca sofri discriminação por causa disso. Mas, por incrível que pareça, não me sinto bem mostrando minha tatuagens em: igrejas, ambiente de trabalho e universidade.  E não me sinto bem assim nesses lugares pelo simples fato de que não vou a esses lugares pra tirar onda. Vou por motivos específicos e fim.

Muitas das vezes não gosto de gente que tira onda nem em lugares adequados… E com toda a certeza, gosto MENOS AINDA de gente que tira onda em lugares que EU considero inadequados.

É simples e é assim que funciona comigo. Se eu PRECISAR tolerar a criatura, tolerarei. Se não, NÃO.

E sim, claro, vai ter gente que vai defender criaturas que se vestem com microvestidos em universidades e que claro, “Brasil país do carnaval, como as pessoas podem ser tão moralistas? e mimimi…” … “por que o direito das mulheres serem sexualizadas e mimimi… mulher também pode ter desejo”… entre outras trilhões de abobrinhas que li por aí, eu, em todo o meu moralismo, imbecilidade e machismo porco chauvinista ainda acho que falta uma boa dose de BOM SENSO a muita gente nesse mundo.

Acho uma MERDA essas pessoas que acham que todo mundo tem que ENGOLIR o que elas tem pra oferecer GOELA ABAIXO por que senão vão ser taxadas de moralistas/hipócritas/racistas/preconceituosas/fascistas/insira aqui o SEU RECALQUE.

Quer dizer agora que toda via pública agora é uma passarela de samba, uma sapucaí, virou tudo samba do crioulo doido e EU NÃO TÔ SABENDO? Posso andar PELADA na rua de boas e todo mundo vai ter que ACEITAR e me tratar COMO IGUAL? Posso fazer O QUE EU QUISER, agredir as pessoas sem pensar, sem ter que lidar com nenhuma consequencia por isso? Tá escrito onde? Desde quando? Quem disse/ensinou/mostrou?

Devo ser mesmo uma pessoa muito ignorante, desinformada e  antiquada.

Sim, irônico uma criatura que tem mais da metade do braço esquerdo tatuado lhe falando qualquer coisa sobre BOM SENSO. Eu sei. Posso até ser hipócrita, mas enfim… Faço o que posso pra evitar causar confusão e desrespeitar as pessoas do meu convívio a troco de pouca bosta. Não é essa a minha intenção, nunca. Felizmente entendo que nem todas as pessoas do mundo são obrigadas a gostarem de mim, me aturarem e aturar o meu jeito de ser. E sempre tento fazer um esforço pra não levar isso pro lado pessoal.

PIC_6333Em fevereiro do ano passado raspei a cabeça por que eu não aguentava mais a forma que eu tratava meu cabelo. Ele já tava todo fodido mesmo e começar do zero foi uma opção razoável, uma vez que não tinha outra que consertasse os estragos que fiz nele durante anos. Mas raspar a cabeça não foi uma decisão precipitada, foi tudo bem premeditado, eu queria aquilo, queria passar pela experiência e foi uma época boa pois eu estava muito segura de mim mesma. Hoje acho que não faria a mesma coisa. Mas nada/ninguém em específico me motivou a raspar a cabeça, apenas minha própria vontade. Não tive nenhuma motivação imediata pra isso, só uma a longo prazo (faz 1 ano e 4 meses que raspei a cabeça) que foi voltar a ter um cabelo bem cuidado, forte, natural e bonito. E isso eu consegui, sem esforço nenhum e sem gastar um puto com salão, nem nada. Só com shampoos bons.

Mas não adianta: só aprendemos a mudar alguma coisa (qualquer coisa) em nós mesmos quando nos constrangemos o suficiente. E essa é a única verdade que eu conheço até hoje.

Com as minhas unhas o caso foi diferente. Sempre roí unha desde que me conheço por gente e nunca houve nada, nem ninguém que me fizesse parar. Minha mãe sempre me levava na manicure, mas não tinha muito jeito.. Não passava uma semana sem roer as unhas. Sempre que ficava ansiosa com qualquer coisa, piorava: roía até a carne. Mas no começo desse ano dois acontecimentos me revoltaram bastante comigo mesma. Não adianta: raiva, ódio e constrangimento são os únicos sentimentos desse mundo que me movem. Mas só me movem quando eu os sinto por mim mesma, nunca pelos outros.

Se não me falha a memória esses acontecimentos ocorreram num espaço curtíssimo de tempo, com diferença de 1 ou 2 dias de um para outro.

O primeiro acontecimento:

Meus pais viajaram e deixaram eu e minha irmã em casa. Nós dividíamos os afazeres da casa, que era basicamente lavar e secar louça. Nunca tive problemas com isso (lavar louça, afazeres de casa em geral) mesmo por que, nunca tive unhas: fato. Não me importava com o fato de não ter unhas, sempre fui assim mesmo e sempre lavei louça sem maiores problemas… Enfim. O problema é que eu lavava a louça, minha irmã esperava elas secarem (e não as secava) e depois, quando e se ela quisesse, ela guardava as louças… Ou seja, ela não fazia porra nenhuma e o trabalho ficava todo pra mim, independente de qualquer coisa. Por dois dias eu não reclamei. No terceiro eu avisei a ela que não iria lavar a louça por que já tinha feito aquilo por dois dias e nós precisávamos dividir as tarefas. O argumento dela?

Eu não posso lavar louça por que tenho unhas compridas, vou no salão toda a semana e pago uma fortuna pra manter minhas unhas bonitas. Você rói unha e não se importa mesmo com isso, então lave louça você.

O que eu fiz? Lavei toda a louça. Todos os dias. Até o fim das férias, que foi quando ela e meus pais foram embora. E guardei aquelas palavras dela pra mim. E elas estão muito bem guardadas.

O segundo acontecimento:

Saí com um conhecido pra jogar sinuca com unhas horríveis. Acho que não preciso dizer mais nada, a frase por si só explica tudo. Sei que não deveria, mas me senti constrangida. Bastante constrangida.

Então a partir do dia 10 de fevereiro de 2009 eu DECIDI parar de roer unhas de uma vez por todas. E isso já dura 4 meses. Comprei creme para as mãos e unhas, uma base com vitaminas e vários esmaltes (vermelhos, escuros e só um clarinho) e agora vou na manicure mensalmente por que eu não sei fazer as unhas direito (gosto delas quadradinhas). Não foi fácil. Como no início minhas unhas estavam muito fracas (por que por toda vida eu as roí), elas quebraram várias vezes e foi difícil mantê-las bem e principalmente ficar sem roer. Mas eu lembrava da cara de ironia da minha irmã e da sinuca, passava uma lixa, uma base e não colocava a mão na boca. “Uma hora cresce de novo”, eu pensava. E elas cresceram mesmo.

Uma nota curiosa: mesmo com unhas compridas, continuo lavando louça e fazendo as coisas de casa sem problema nenhum. Uma coisa não impede a outra e eu sou a prova viva disso. Se acho que minhas unhas podem estragar, nada que uma luva amarela não resolva. E sim, claro, não vejo a hora de contar sobre essa minha experiência à minha irmã. Gostaria muito de ver a reação dela e de ouvir qual será a desculpa dela desta vez.

E eu nunca pedi isso pra leitor nenhum, mesmo por que não me importo com quem lê isso aqui, mas hoje eu vou pedir pra quem lê: por favor, não me levem a mal. Eu nunca me vingo. E também não guardo mágoa. Não me vingo por que sou incompetente demais pra isso e não sinto rancor por que percebi que não posso extrair nada de proveitoso disso. Mas com certeza eu sempre serei infinitamente curiosa acerca das reações das pessoas, de como elas lembram das coisas (por mais que eu não lembre) e lidam com as situações, por mais bobas que aparentemente sejam.

Hoje em dia o ato de roer unhas me parece muito nojento. Desacostumei de tal forma que não me imagino mais roendo unha. Já tava na hora né? Vinte cinco anos na cara e com mãos e unhas horríveis.. Mas nunca é tarde pra aprender nada nessa vida. Se não se aprende por bem, se aprende por mal. Ainda bem.

A mulher que aluga a kitinete onde eu moro sempre foi muito prestativa comigo. Nunca entendi bem o porquê, mesmo por que eu a trato assim como trato todo mundo normalmente durante o dia. Ela tem a idade da minha mãe, mas sempre conversamos de igual pra igual, nunca tivemos nenhum atrito nem nada, ainda bem. Não sei… Devo ser uma pessoa muito estranha e esquisita mesmo, por que as palavras “bom dia”, “obrigada” e “por favor” fazem parte do meu vocabulário, tanto falado, quanto escrito. Faz parte de mim ser assim e agir assim com as pessoas e já escrevi sobre isso por aqui esses dias, quando falei sobre as pessoas invisíveis.

Aí hoje, durante uma conversa corriqueira com essa senhora, ela vira pra mim e diz “Você é uma moça muito educada“. Encarei como um elogio e respondi “obrigada”, mas ainda assim, meio sem jeito. Eu não entendo elogios (neurose minha) e geralmente fico pensando neles mesmo depois de um tempo. Me chamou de “educada” como se fosse um elogio… Hum, estranho… Isso só reforça ainda mais uma suspeita íntima que sempre tive comigo:

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Será que hoje em dia todo mundo é *mesmo* boçal e só eu que ainda não notei isso?

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Sinônimos: oferecida, assanhada, pilantra, aproveitadora, interesseira, aparecida, marafona, biscate, pirigas, pirigueti.
Palavras relacionadas: mulher fácil, mulher oferecida, astúcia, beleza, carisma, dinheiro, carro, festa, night, vulgar, fácil, jovem sem-caráter, aproveitadora, puta-sem-salário, piri, safada, substituta.

E tem até música sobre isso: a letra aqui e o vídeo no YouTube.

Fonte: Dicionário InFormal.

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