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Arquivo da tag: Pensamentos Aleatórios

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Isso pra mim é aurora. Quando eu vejo, penso em recomeço. Lembro de acordar bem cedinho pra viajar pra longe, pra um paraíso. Lembro do fim da balada, eu bêbada, sentada em algum canto ou deitada no chão frio de casa, virada pra janela. Me preparo pras cores novas, as cores quentes que invadem o fim da noite fria. O grandioso recomeço. Uma pintura diante dos meus olhos feita pelas nuvens e pelo vento. Mas essa foto pode tanto ser o recomeço de um grande dia como pode ser o fim de um dia bastante nublado e cinzento. A foto não se move, as nuvens e as horas sim. O que conta não é a foto, a situação, mas o desejo. Se precipitado ou não, somos nós que decidimos para então lidarmos com as conseqüências depois. Todos os atrasos de nossas vidas, apenas a nós pertence. É apenas uma questão de escolha entre desejo ou decisão. Se você deseja, não decide. Se decide, terá que se abster de um desejo que seja. Pra mim, o início é melhor que o fim, por mais que eu já esteja acabada. Então que seja. Aurora.

Publicado originalmente em novembro de  2006, no meu antigo fotolog /doritchka

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Nem toda perseguição é implacável, nem todo perseguidor é psicopata. Às vezes é mera observação. E das duas uma: ou você observa, ou se deixa observar. Ou ambos. Às vezes fingir que nada acontece é uma opção. Às vezes correr do perseguidor, só o faz correr mais rápido ainda atrás de você. Quando ouço passos atrás de mim, eu mantenho a calma e caminho o mais devagar possível. Afinal, o coelho branco sempre sou eu. A gata que ri também. Eu sumo e só fica o riso. E às vezes, nem isso.

Publicado originalmente em novembro de  2006, no meu antigo fotolog /doritchka

Boa parte da minha vida não decidi por nada do que aconteceu comigo, deixava que decidissem por mim. Analisava todos os pontos, todas as circunstâncias, delineava todas as situações e jogava pras mãos das outras pessoas, algumas vezes, inconscientemente, outras muitas vezes, de propósito mesmo. Talvez isso não seja errado e funcione com outras pessoas, mas hoje eu não considero esse tipo de comportamento adequado pra mim. Tomar decisões, sérias e desagradáveis, faz parte da vida adulta. Mas acho que não tinha me tocado disso até esse ano. Ou talvez eu até tenha me tocado disso há alguns anos, mas nunca fiz questão de tomar as rédeas das situações por que talvez eu não me achasse digna de minha própria confiança. Acho que morar num lugar deprimente e ter baixa auto-estima colaborava pra que eu fosse assim também. Mas com certeza existiam outras coisas que faziam de mim uma pessoa insegura.

Hoje acredito que tudo está melhorando aos poucos. Ano passado mesmo, quando perguntavam pra mim o que eu queria, não sabia o que responder. Dizia que era preguiça, mas na verdade era covardia, medo mesmo. Hoje tenho mais respostas sobre o que quero, mas ainda não está bom, sei que posso melhorar um pouquinho mais nesse sentido. Percebo que ainda sou muito, mas muito desonesta comigo mesma quanto ao que eu realmente quero, quanto à todas as coisas que quero. Existem muitos auto-enganos na minha vida e eu tenho uma grande dificuldade em identificá-los pra ao menos poder saber o que fazer com eles: aceitar ou rejeitar. Antigamente eu culpava as pessoas por que claro, é muito mais fácil culpar os outros por erros meus, óbvio. Mas agora presto muito mais atenção no meu suposto discurso, nas coisas que falo, que penso, que aparentemente desejo. Confronto eles diretamente com a realidade pra ver se é isso mesmo, se aguento o tranco, se posso bancar… E sempre perco. E sempre ganho. E isso é tudo muito bom… E completamente devastador e desgastante, emocionalmente falando.

Por isso muitas vezes prefiro calar. There are things that are better left unsaid.

Por isso nunca gostei de pensar nessas coisas: por que elas dão trabalho, cansam, dóem. E quanto mais eu tento  dar uma de “durona”, pra demonstrar que não tenho problema nenhum em lidar com sentimentos ruins, mais eles me aterrorizam e me devoram por dentro. Então é preciso ir com muita calma nesse território. Preciso saber lidar, ter controle, sempre. E me resguardar ao mesmo tempo. É difícil. Muito difícil. Mas não é impossível.

Felizmente percebi também que tenho cada vez mais parado pra pensar, analisar, julgar, escolher e decidir quando já estou com a cabeça completamente fria, quando aparentemente não existem mais sentimentos, ou pelo menos nenhuma agitação aparente causada por paixão, ódio, mágoa, raiva, etc. Na verdade quando esses sentimentos existem, estão atuantes e eu me sinto agitada, tudo o que faço é NÃO pensar em nada disso e me resguardar muito, me preservar. Até (e principalmente) de mim mesma. Notei que é sempre melhor assim, que os danos são bem mais modestos e os resultados são melhores. Bem, funciona pra mim.

Não sei se é a maturidade que me trouxe isso ou o quê, mas a verdade é que de certa forma me eduquei a NÃO PENSAR quando estou com qualquer sentimento que não sei dominar direito, ou que eu não consigo nomear por que “não existe”. E tem sido bem melhor assim. Outra coisa que tenho notado é que cada vez menos tenho PRESERVADO os sentimentos ruins, sejam eles muito intensos ou não. Não preservo mais coisas desagradáveis, não faz mais sentido pra mim isso hoje. Não sei exatamente porquê isso acontece, mas acontece e me sinto bem por isso. Antigamente esses sentimentos pareciam durar por uma eternidade. Hoje, não passam de uma semana.

Mas talvez isso aconteça por que existe uma dor que eu ainda não experimentei.

E ela aparecerá, mais cedo ou mais tarde.

The trick is to keep breathing.

Pra mim é muito difícil falar sobre elogios. Nunca lidei muito bem com eles. Há alguns anos atrás lembro até que cheguei a responder agressivamente a um elogio. Tinha sido elogiada por um professor, em forma de boa nota, e discordei daquilo pois eu sempre fui auto-crítica demais. Não achava que o meu texto estivesse tão bom e também não achava que merecia aquela nota. Mas isso foi faz tempo.

Hoje ainda me falaram “você deve estar acostumada a receber elogios, não é mesmo?”. Não, não estou. Elogios a minha pessoa são bem, bem raros. E eu ainda não sei o que dizer direito quando me elogiam. Geralmente fico sem graça, mas atualmente estou mais civilizada e digo apenas “obrigada”. Parece o suficiente. Acho modéstia algo muito constrangedor. Não tenho coragem de ser modesta.

Até hoje não entendo elogios (direcionados a minha pessoa) direito. E entendo menos ainda os homens que me elogiam. Um tanto quanto paradoxal isso.. Me elogiam, mas eu ainda continuo sozinha. Acho que o pior de tudo, DE TUDO MESMO, é ter que ouvir você merece uma pessoa muito legal. Sério: nenhum ser vivente deve ouvir isso e se sentir bem. Particularmente, me sinto horrível. Me xingue, me ofenda diretamente, mas não me diga isso.

Ok, entendo, em partes, o lance de eu continuar sozinha. Tenho padrões e tudo o mais, mas geralmente o que acontece é de eu gostar da pessoa e ela não se encantar por mim. É bem simples. E as pessoas com quem eu não me identifico em absolutamente NADA, acabam ‘gostando’ de mim. Ainda existe gente nesse mundo que fica com outras pessoas apenas pra não ficar sozinho/a? Não sou uma dessas pessoas, desculpe.

E eu ainda questiono as criaturas. Questiono mesmo, sou curiosa. “Mas me diga, o que você viu em mim? Eu acho que nem mesmo faço seu tipo..”. E as respostas são sempre as menos convincentes.. Eu sempre tenho a impressão de que os homens mentem e mentem deslavada e descaradamente. Mentem sempre com a intenção de não se queimarem e preservarem algo que é do seu interesse. O homem que diz que gosta da minha bunda por que ela é grande, ao menos não está querendo me enganar.. Mas não vou chegar aí.

Veja bem, elogio é diferente de bajulação. Detesto bajulação, mas nego que simplesmente me ignora também é uma merda.. Tenho dito.

Mas enfim… Sei lá. Suspeito que se eu fosse tão “fantástica, bonita, legal e maravilhosa” como dizem, eu provavelmente já estaria com “uma pessoa muito legal que eu mereço” e não estaria terminalmente solteira. Ou seja, existe algo de muito errado aí. Ok, tudo bem, existem mesmo “muitas pessoas que gostam de mim” e etc, mas isso não é o suficiente, hoje, pra mim. Digo que não é o suficiente por que na minha vida me falta um certo tipo de companheirismo, do qual confesso sentir falta.

Não é carência, não é falta de amigos, não é solidão extrema, não é nada disso. Se fosse, eu já estaria com o primeiro otário que não tivesse nada a ver comigo, só por que ele disse que gosta de mim. As coisas não funcionam assim. É alguém pra fazer coisas comigo, cozinhar, sair, ver filme, mas alguém que preste (é tão difícil assim, meu deus?). Alguém pra me contar seus problemas, pelo que anda passando ou simplesmente pra ficar comigo fazendo nada mesmo. Alguém ali.

Ou vai ver eu to sozinha mesmo por que além de ter padrões escrotos eu tenho muito, mas MUITO azar mesmo viu?

Só pode.

Faz algum tempo que eu tenho condenado pensamentos e planejamentos a curto prazo. Tudo nesse mundo já se tornou imediatista demais pro meu gosto. Isso não é lá muito natural. Mas eu ainda teimo em acreditar que não existem lições que não sejam passíveis de aprendizado. Existem coisas que a gente demora mais, mas ainda assim acaba aprendendo. Cada pessoa da sua forma, no seu tempo. Eu ainda sou muito teimosa em relação a algumas coisas. Falo de relacionamentos, de pessoas.. Mas falo mais mesmo é do meu comportamento em relação ao que me cerca. O que vem dos outros eu lido com jogo de cintura, agora o que vem de mim mesma (expectativas, ansiedade, exigências, cobranças) preciso cuidar sempre pra não ficar caindo em auto-sabotagem. Nosce te hostilis.


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E eu já deveria ter aprendido a lição. Já raspei minha cabeça e vi meus cabelos crescendo.  Hoje sei que demora, sei que envolveu todo um auto(re)descobrimento, tive que exercer na marra minha paciência e tolerância e parece que, ainda assim, mesmo depois de um ano, mesmo depois de toda uma experiência, não aprendi nada. Parece que nunca aprendo. Nem sei por que estou escrevendo aqui. Não deveria nem me incomodar de escrever esse texto, mas me incomodo. E só me incomodo por que eu observo algumas coisas e as considero como erradas em mim mesma. Ok, talvez não sejam tão erradas assim, mas despropositais, desnecessárias, que não fazem sentido, que não condizem com quem eu sou. Sinto que tenho estado imediatista demais e isso não faz parte da minha personalidade. Acho que é o meio que está me induzindo a agir assim e este é um tipo de comportamento infantil, viciado, que não admito, nem gosto. Dependendo da circunstância, é falta de maturidade pura mesmo. É difícil… Quero que as coisas aconteçam logo, agora, rápido, o quanto antes. E eu nunca fui assim.

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Lembro que numa das primeiras sessões de análise que fiz na minha vida, ouvi uma frase que na época não dei bola, mas nunca mais esqueci: “tudo tem seu tempo”. Mas o que eu ia saber? Eu tinha 13 anos e aquela frase não significou nada pra mim, na época. O analista ainda me explicou, muito pacientemente, que ninguém come os ingredientes crus de um bolo. É preciso saber as medidas, fazer a massa, entender a temperatura do forno, esperar o bolo crescer e depois esfriar (comer bolo quente pode dar dor de barriga). Quando eu era mais nova, tentar compreender essas coisas me irritava muitíssimo. Eu achava que era perda de tempo, mas na verdade a grande questão é que eu simplesmente me recusava a entender o PROCESSO inteiro, entender as fases, as sequencias, as evoluções das coisas, de tudo. Eu não queria saber de ciclos. E não adianta: por mais que eles aprendam na escola, você não vai fazer nem uma criança e nem uma adolescente entender a importância disso. Esse é o tipo de importância que só se aprende com a dor e nada além disso. É algo tão simples, mas tão simples… Que chega a ser muito complexo. Crescer é obrigatório, amadurecer é estritamente opcional e é bem doloroso..

broto

Mudando um pouco de assunto mas sem perder o foco, a algum tempo já tenho tido interesse por jardinagem e botânica em geral. Não sei direito o porquê disso, só sei que gosto de plantas e tenho curiosidade. Botânica é algo mais complexo, envolve nomenclaturas, etc, mas sempre gostei dessa parte quando estudei biologia. Jardinagem já é algo mais simples. Ano passado meu pai me deu uma lavanda de presente. Me disse pra cuidar bem dela. Cuidei, dei água, deixei no sol. Quando eu viajava, deixava na casa de uma amiga pra que ela desse água enquanto eu estivesse ausente. A planta não morreu e estava ficando bonita, bem cuidada. Nesse final de ano agora, eu e minha família viajamos e  papai prometeu que alguém cuidaria da lavanda pra mim. Quando voltamos, ela estava morta. Ele teve a cara de pau de me dizer “não tem problema, depois eu compro outra pra ti” o que me deixou com muita raiva por alguns segundos. Ele não notou, mas fiquei bastante triste e chateada. Afinal, cuidei daquela planta por seis meses. Eu gosto de cuidar, sinto essa vontade em mim. As plantas, diferentemente dos bichos e das pessoas, são generosas. Independente de qualquer coisa.

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Elas nunca negam cuidados e os cuidados nunca parecem ser suficientes, tanto em se tratando de uma planta só, como de um jardim inteiro. E apesar de qualquer deslize nosso, de qualquer defeito da nossa personalidade, de qualquer dia ruim, no final, as plantas ainda sempre nos recompensam – a longo prazo – e nos fazem entender mais e melhor sobre o tempo e como (e por que) ele funciona. Eu gosto dessas pequenas observações. Gosto de comparar a minha vida, meus comportamentos com as coisas que são naturais e em como posso modificar a forma que me comporto para que tudo seja mais… Suave, na minha vida. Não adianta eu querer que a semente vire árvore agora por que isso não vai acontecer. Se todas as vezes em que eu pensasse em cobrar os outros eu cobrasse a mim mesma, as coisas mudariam bastante de figura. Não preciso falar muito mais que isso sobre a minha vida pessoal. Quero me dedicar mais a jardinagem e mais a botânica. Quero ter os dedos verdes. Quero colocar as mãos na terra, aprender a fazer compostagem orgânica. Ver diferentes sementes e entender como elas funcionam. Sentir a emoção de ver um broto nascendo por cuidados meus e orgulho de acompanhar o crescimento de uma planta saudável.

Mas isso tudo leva mais tempo..

Mais tentativa e erro.

Mais  determinação.

Mais tolerância.

Mais paciência.

Amém.

Hoje me aconteceu algo engraçado. Não tenho muito jeito com crianças. Na verdade nunca tive. De uns tempos pra cá tenho sido mais tolerante com elas. Não só isso como também tenho as observado mais. O jeito que elas correm,  se movimentam, se comportam, falam. Antes eu não fazia isso. Acho estranho… Mas enfim. Como eu ia dizendo, hoje aconteceu algo curioso.

Às vezes eu tenho a capacidade de pensar em coisas bastante complexas em questão de segundos e isso me assusta um pouco. É estranho. Não que eu seja a pessoa mais brilhante do mundo, nada disso. É que às vezes eu chego a conclusões de formas bastante inesperadas.

Hoje eu peguei um ônibus pra voltar de casa pro norte da ilha e enquanto eu estava no ônibus eu não pensava em nada. Não pensava em nada e só observava as casas e pessoas fora do ônibus, que passavam. De repente o ônibus parou num ponto que ficava ao lado de um parque. Hoje o dia estava um tanto quanto quente e nesse parque, algumas crianças brincavam. Se não me engano, duas meninas estavam no balanço. Uma das meninas me chamou  mais a atenção, por que ela estava indo muito alto com o balanço.

Na minha cabeça, eu repreendi essa menina imediatamente. Hoje, de imediato, eu faria o que minha mãe e minha madrinha faziam comigo quando eu era pequena e estava no balanço. “Não vá muito alto menina!”, “Você vai cair daí e vai se machucar! Pode quebrar a boca, pode quebrar a cabeça!” e tudo aquilo que mães, madrinhas, tias e vós sempre dizem pra gente…

Incrívelmente, no mesmo momento em que pensei dessa forma, me coloquei também no lugar da criança que está no balanço. E aí eu me emocionei com as respostas que minha cabeça me deu. Crianças gostam de testar limites. Elas não são tão burras quanto os adultos supõem e até sabem que se machucar não é uma coisa boa. Mas não se importam por que elas precisam da experiência.

Weeeee!!

Como lhes falta noção da maioria das coisas, elas se permitem ir até onde acham que devem. Isso muitas vezes acaba em lágrimas, mas acho que a vida é assim mesmo. Lembrando de quando eu era menina e brincava de balanço eu posso recordar algumas coisas.. Eu sentia várias coisas.  A sensação mais óbvia é a de estar voando, lembro bem disso.  Experimentar a rapidez, a cinemática da coisa toda. Crianças não são corajosas, são sem noção. Mas é uma sem noçãozice saudável, às vezes.

A gente não entende muito bem o que se passa na nossa cabeça e no nosso corpo. A altura, o balanço, a rapidez, o medo, a diversão. Os batimentos cardiacos acelerados, uma alegria pequena, quase invisível, inexplicável. Um céu tão azul que a gente quase consegue tocar, um vento que bate nos nossos cabelos num dia quente e nos refresca… Só aí, nesses milésimos de segundos, que eu percebo que cresci e isso é de certa forma, melancólico. Me questiono, sem me indignar, como eu pude trocar essas coisas por outras  mais ‘seguras’?

Alguns adultos me disseram que era melhor assim. Eu mesma, depois de um tempo, disse a mim mesma que era melhor assim. Talvez isso tenha me feito perder várias coisas, nunca vou saber. Talvez tenha me feito ganhar outras. Não é algo que posso medir, quantificar. É só algo que percebo.

As lágrimas vieram e eu não entendi porquê, mas achei a cena bonita e ela misturada com as coisas que pensei formaram um quadro singelo. Pensei muito rapidamente na forma como eu lido com limites (e com a falta deles), na forma que me comporto algumas vezes e na minha quase que total incapacidade de lidar comigo mesma.

Minha vida anda séria demais, mesmo eu sendo nova demais pra isso.

Talvez eu deva sair mais pra brincar, mesmo estando velha demais pra isso.

I.

O melhor que podemos aproveitar do amor é a superficialidade. É difícil acreditar na existência de um amor perene, pelo menos pra mim. Eu olhava pra eles e achava que fosse ser pra sempre. A anulação de ambos. A carência dela. A independência dele. Pensei algo como “Ok, se já passou tanto tempo e eles superaram tantos problemas é capaz de que fiquem juntos mesmo. Pra sempre”. Eu estava enganada. De qualquer forma, nenhum dos dois assume o que não existe mais. Nenhum dos dois assume o relacionamento desgastado, a coisa que já não é mais a mesma. Continuam aparentemene “juntos” por segurança e comodidade. Não sei o que é pior, mesmo.

II.

O que a gente faz com alguém que está perdido? O deixa assim ou o faz “achar o caminho”? Eu nunca mais vou ajudar ninguém na minha vida, ser mãe de ninguém. O que fazer se a pessoa não sabe o que sente, quando sente e nem por quê sente? Não há o que ser feito. Não há como mudar a mente de uma pessoa. De nada adianta ser nômade se você não está bem consigo mesmo (a)? Você não ficará bem em lugar algum, com relacionamento algum. E aí sim as coisas realmente não passarão da superficialidade. E você se apaixonará por pessoas que não sentem absolutamente nada por você. E elas te desprezarão. Ou ainda te tratarão como amigo, irmão, e não passará muito disso. É preciso se dar valor e atentar para a realidade.

III.

Não gosto de pessoas que mudam radicalmente por causa de relacionamentos. Não tenho paciência. A coisa fica pior ainda quando a pessoa SE DESVIRTUA por causa de outra pessoa. Isso beira o INADMISSÍVEL quando se trata de ambiente de trabalho. E tudo o que a pessoa faz é FALAR sobre o relacionamento, e de como ele vai mal, e de como ela não aguenta mais e de como “não vai ficar assim” e assim sucessivamente. É INSUPORTÁVEL. Se em menos de uma semana a pessoa já está reclamando de tudo, como é que ela pode querer que eu ACREDITE que vai ser pra sempre? E de que é o HOMEM DA VIDA dela? Sendo que ele a trata como lixo? Sinto muito… Pode até ser. Mas eu já o odeio por ele te deixar desse jeito: antinatural.

IV.

Ela sabia que não seria pra sempre, embora desejasse que fosse. Ela queria confiar. Ela queria ser boazinha, compreensiva. Mas sabia por dentro que estava agindo errado. Sabia que o que ela pensava ser um compromisso sério era apenas uma brincadeira (pra ele). Sabia que o que sentia poderia não ser recíproco na mesma intensidade. Ela sabe o que quer da vida, o que pretende fazer, enquanto ele ainda está pensando, é dependente, não tem muita noção e talvez – eu disse talvez – continuará assim por algum tempo. Ela não queria ser “a mãe” do relacionamento. Mas o pior de tudo é que ela gostava dele, de verdade. Esse é o tipo de coisa que dói meu coração de ter de observar. Mas se não dá certo hoje, não é amanhã ou depois que vai dar.

V.

É realmente horrível ver um homem arrasado por causa do fim de um relacionamento. Eu me recuso a consolar mulheres por que acredito que elas precisam ser fortes. Agora homens são inconsoláveis por vários outros motivos. É um misto de vergonha com dó. Eu também achava que fosse pra sempre. Mas aí pensei, olhei de novo e percebi que talvez – talvez – a menina tenha enchido o saco de ter um namorado com cara de homem e mentalidade de criança. Não adianta, digam o que quiserem: mulher não gosta de homem infantil, inseguro, perdido. Nenhuma de nós quer um cara assim. Tudo bem que homens são crianças até a velhice, mas as atitudes de homem estão nos pequenos detalhes. Imagino que tenha sido isso que resultou no fim.

VI.

Ela veio me dizer, toda contente esses dias, que o alarme de perigo está soando e ela finge que não está ouvindo. Isso é muito terrível e já aconteceu comigo. Não recomendo. O triste disso tudo é que ela parece feliz, animada e satisfeita. Não quero estar perto quando ela perceber a não-reciprocidade. Isso meio que me constrange e eu não tenho nem o que dizer pra pessoa. Me limito a dizer “não vou lhe dar os parabéns por que sou uma pessoa profundamente amargurada e desiludida nesse aspecto”. É um filme que já vi muitas vezes e entendo como termina, e acho os porquês bizarros, mesmo por que não existem por quês consistentes. Por que não. Ninguém que você ama vai te dizer as verdades que você precisa ouvir. Nunca.

VII.

É muito estranho quando você simplesmente SABE que as coisas não funcionam, mas você SE FORÇA a acreditar que está tudo bem, mesmo quando OBVIAMENTE NÃO ESTÁ. Aí quando é preciso, quando a coisa toda chega a limites insustentáveis, sentam, conversam e decidem que é melhor não continuar assim. E então, simplesmente desaparecem com tudo, com todo o passado, com tudo o que já existiu entre eles. Não dão satisfação aos amigos, nem nada, simplemente desaparecem do mapa, como se nunca se conhecessem, como se nunca tivessem existido. Acho esse comportamento bem bizarro. A primeira coisa que me vem em mente é o saudosismo tosco que fica depois.

VIII.

Não gosto de ser sacaneada. Não gosto que me façam esperar. Dei um troco bem trocado e disse não. Vesti minha melhor roupinha, ajeitei meu cabelinho, botei um perfume e disse não. Deixei que deitasse no meu colo, que me fizesse caras e bocas. Disse não. Quis cafuné. Parou e ficou me olhando. Queria que eu o olhasse nos olhos. Não olhei, desprezei. Não por que posso, mas por que ele é comprometido. E ele sabe disso. E eu sei mais ainda. E não existem desculpas pra isso. “Eu sei que eu não presto” não é o suficiente pra me fazer ceder. Não tenho nada a ver com isso. Eu sei que presto o suficiente, logo, ficarei na minha. É preciso saber dizer não… Sempre. Em alto e bom som.

IX.

Ninguém é salvação de ninguém. Isso é insanidade. Não inicie um relacionamento apenas pelo fato de a pessoa te fazer melhor por que quando tudo acabar você ficará pior do que antes (para o bem ou para o mal). Não use ninguém como muleta para problemas que são seus: isso não é certo e nem justo. Não viva de fantasias, atente-se à realidade, acredite nela, ENXERGUE-A. Qualquer coisa fora disso é ilusória, não é real e pode fazer sofrer com muita facilidade. Gente que não sabe usar e exercer a felicidade me entedia. Gente que não compartilha, mas apenas age como parasita. As coisas não funcionam assim e acho que essa não é a primeira vez que digo isso.  Não brinque comigo. Não há graça nenhuma das suas brincadeiras.

X.

Existem pessoas que idealizam outras pro resto da vida sem se dar conta disso. E isso é meio ridículo por que só quem tá de fora consegue enxergar, mas a pessoa (e o outro, idealizado) não. E quando você aponta, acham que é bobagem sua, exagero seu, coisa da sua cabeça, etc. Isso é meio incômodo. Falam de histórias que nem existe mais, relembram de coisas que já se foram. Mas os olhos dele… Aqueles olhos só ficam daquele jeito pra ela. Não é loucura da minha cabeça, não é inveja, não é ciúmes. Basta observar, por que é muito mais do que óbvio. O jeito, a ternura do saudosismo com que ele lembra de tudo. E no final, só pra não deixar por isso mesmo, diz que hoje nada mais é assim e que ele já esqueceu tudo mesmo. Ahan.

– Ontem eu vi o clipe de “Irreplaceable” da Beyoncé.. E eu e uma amiga minha ficamos conversando sobre como seria bão se a gente fosse milionária e gostosa e pudéssemos dar um fora num negão gato e tal.. E pegar as coisas dele tudo de volta..

– milionária => gostosa

– Por que no clipe é assim: a Beyonça tá terminando com um negão gatz lá.. E tira tudo dele e pá.. Quinvéja. Vida ingrata.

– Vocabulário de lógica basico: A => B significa: Se A, então B. Ser gostosa enquanto milionária é fácil. Grana => Gostosa.

– Assim.. O ritmo dessa música é massa.. Mas a letra é surreal. Ela diz algo do tipo “E tu tava lá com outra vadia com o carro que eu te comprei”. Tipos… Oi? Comprou pq quis?!

– Hahahahaha…

– Essas preta americana me dão nos nervo as vezes. Bandirecalcáda. Elas reclamam das próprias babaquices que fazem!! E só elas num percebem isso. Acho que eu mesma só fui perceber isso hoje em dia.. Vai ver é um reflexo de mim mesma. Tem muita música da Destiny’s Child que é legal.. Mas tem umas letras que forçam a amizade. Eu leio as letras e fico pensando “Cara.. Se for pra eu dizer isso pra um cara algum dia… É pq alguma merda eu fiz merda antes.. Só pode. Ninguém fala isso de graça pra ninguém…”

– A maioria das pessoas reclamam das próprias merdas que fazem…

– Sim, mas elas não reconhecem como se fossem elas. Daez meio que ficam se vitimizando / martirizando. Ou o q é pior no caso das r&b singers: inflando o próprio ego, tipo “eu sou melhor que isso!”… Pff.. Hahaha…

– É a condiçã humana. É a condiçã ridim en blus.

– Os ridim é 10.. Agora os blus fóde a vida. Melhor nem prestá atenção. E essa Ingrid Michaelson até que canta bonitinho, mas tem umas carinha de nerdz. Acho ela bonita mesmo assim…

– Sim, ela é fofa.. but I like my bitches the way i like my coke: big, black and sugar free!

– HAHAHAHAHAHAHAHAHA… *morre*

Tapinha nas costas é o cúmulo da infâmia. Tapinha nas costas é quase que um desrespeito.

Cara que me abraça e me dá tapinha nas costas, lhes asseguro que não vai me comer nunca. Nunca, nunca, nunca. Por 2 motivos: 1. Por que muito provavelmente não quer me comer mesmo. 2. Por que eu não vou dar. De jeito maneira.

Tapinha nas costas uma ova.

Se eu te dou um abraço com tapinha nas costas, pode crer também que eu nunca vou dar pra você. E nunca mesmo, no sentido certeiro da palavra.

Tapinha nas costas é o sinônimo primordial de amizade.

Homens com amizade mais íntima ainda dão aquele tapinha infame no peito, do lado do coração, que também quer dizer uma coisa que eu não entendo o que é. Acho que só os homens entendem o que isso é.

Homens não dão tapinhas no peito da mulher por motivo óbvio: porque daí a coisa toda fica sexualizada e não dá certo. Mas o tapinha pode ser dado em outro lugar, em um contexto adequado.

Se você gosta de uma mulher, mesmo, de verdade: não dê um abraço com tapinha nas costas dela. Não faça isso. É um desrespeito, é um fingimento. Tapinha é na bunda. Tapinhas nas costas não.

Por favor.

Aviso: esse post são vários num só, então não se assustem com a miscelânea de assuntos. É isso.

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As pessoas invisíveis

Por 5 dias da semana eu almoço todos os dias no mesmo lugar. E isso acontece desde março. Todos os dias eu vejo as mesmas pessoas que me atendem. Eu não sei o nome delas. Eu não quero saber. Eu não preciso saber. No entanto, eu as trato bem. E tratar bem não quer dizer bajular, ou ainda “dar trela”, ficar conversando por horas a fio. Nada disso. Já conheci muita gente (idiota) que dá trela pra mendigo e pra bêbado e eu não sou desse tipo. Nunca fui. Não tenho paciência pra lidar muito com pessoas. Acho que foi isso que o jornalismo não deu certo pra mim.

Se sinto que não preciso, simplesmente as desprezo pois é assim que tem que ser. De uma outra forma eu seria a desprezada, então por que não desprezar também? A vida é assim, por que eu não haveria de ser?

Pois bem.

Fazendo um esforço sobre-humano pra parecer minimamente humana, eu dou “bom dia” pro tiozinho que recebe os tickets do RU, mesmo que aquele não seja exatamente um bom dia pra mim. E ele sempre me responde do seu jeito “bom dia querida” e me dá um sorrisinho entediado. Devolvo o sorrisinho entediado também e ficamos por isso mesmo. Mas ele marcou a minha cara: ele não sabe meu nome, mas sabe quem eu sou. Pra ele eu sou a mocinha de cabelo curto que usa um certo tipo de perfume e sempre o dá “bom dia”, mesmo que não seja um bom dia. Ele marca a cara de quem o enxerga. E todos nós fazemos isso, conscientemente ou não.

No dia que eu esqueci meu cartão do RU, ele me deixou entrar mesmo sem cartão por que a EMPATIA já tinha sido criada. A única coisa que falou pra mim foi uma advertência “não esqueça mais o cartão” e só. Penso que, se eu não o desse bom dia todos os dias, ele não me deixaria entrar. Talvez. Isso eu nunca vou saber. Por isso dou bom dia. Por isso eu sorrio. Humanos gostam disso. É tudo muito sutil, é um joguinho de sutilezas que, quando você menos percebe faz com que tudo mude na sua vida. Pra melhor ou pra pior: isso depende diretamente da forma que você se comporta. E não é mentira minha gente… Não é mentira mesmo:

 

 

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A fêmea alfa

 

Do início do ano pra cá, notei um mesmo exato tipo de comportamento em 3 meninas diferentes: o de fêmea alfa. Pelo que andei notando, a fêmea alfa quando participa de um grupo de pessoas, faz questão de chamar atenção de todos os machos. E não só isso: ela não só quer chamar a atenção de todos os machos, mas também faz o que for necessário pra evitar que eles entrem em contato com outras fêmeas. Ela faz de tudo pra conseguir esses objetivos e, caso não consiga, faz a vida do grupo todo um inferno. Simples assim.

Tendo em vista que ela é uma fêmea alfa, ela não consegue namorar com muita freqüência, uma vez que a tendência de seu comportamento é chamar a atenção do maior número de machos possível. De qualquer forma, quando está se relacionando com alguém (leia-se: ficando ou qualquer coisa do gênero, mesmo por que, elas não namoram), ela faz de tudo para que nenhuma outra fêmea (intencionada ou não) se aproxime do macho “dela”. A forma com que ela exclui as outras fêmeas é bem nítida: arrancando (literalmente) o cara da conversa, dizendo que tem algo “muitíssimo importante e urgente” pra conversar com ele, fazendo ceninha de triste ou carente. As armadilhas parecem não terminar nunca.

Geralmente os homens (bananas) caem fácil pois homem gosta de se sentir “viril e útil” perante uma “fêmea indefesa, triste, carente” em detrimento de todas as outras fêmeas “auto-suficientes demais pro gosto deles”. Impressionante como alguns homens são simplesmente burros. Te contar. Deixa estar.

 

 

 

 

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O homem banana

No começo do ano, eu e mais 4 colegas minhas caímos de paixonite aguda por um carinha da nossa sala. Ele era bonitinho, querido, um amor, se vestia bem, ele era tão tudo de bom que a gente quase achava que ele poderia ser gay. Felizmente, não era. Eu dizia “que fofo”. Outra dizia “ai se eu não tivesse namorando”, a outra “ai se eu não gostasse do meu ex” e assim vai… No entanto, o tempo foi se passando e, cada vez menos ele conversava com a gente. Até percebermos que ele decidiu, por conta própria (Ao que parece. Ou talvez não), virar capacho de uma menina da sala…

Pronto. Acabou-se o encanto.

Não existe nada mais horrível e repugnante do que um homem domado. Sério. Juro pra vocês. Ver uma mulher dizer “junto!” e o cara se colocar do lado dela, sempre…. Sei lá, isso não me parece nem certo e nem natural! Sei lá, podem me odiar por isso, mas pra mim, o pior defeito que um homem pode ter no mundo é ser UM BANANA. O cara pode ser über-liberal (coisa que a maioria das mulheres não gosta), pode ser mentiroso, intrigueiro, cafajeste mesmo, um cretino, insensível, idiota, burro, pobre, feio, sei lá… Pode ser qualquer coisa, pode ter todos os defeitos do mundo! Mas não há defeito PIOR num homem do que ser CAPACHO. Isso é o fim. O fim mesmo. Homem que é capacho não é homem, é meio homem. É horrível, horrível, horrível.

É anti-natural isso: homem submisso. Pra mim, particularmente, é BROXANTE.

E não só pra mim: as 4 colegas concordaram em gênero, número e grau.

Meio termo e bom senso é tudo nessa vida. Mas existem gostos e gostos. Eu gosto de homem que se impõe de certa forma. Não que eu seja submissa, não sou… Mas quero alguém que me defenda quando eu precise e não um eterno banana. Se se impôr mais do que deve, simplesmente caio fora. Se não se impôr o suficiente, idem. Meio termo. Bom senso. Essas coisas é que devem prevalecer. Homem banana: não, nunca, jamais, de forma alguma, recuso, me nego, broxei, broxei, broxei, mil vezes.

Sei que não sou especialista em porra nenhuma, mas existem 3 condições que me permitem escrever esse post: sou humana, sou mulher e sou observadora. Isso já basta pra chegar em algumas conclusões, mesmo que elas estejam equivocadas. Enfim… Não quero ensinar NADA a NINGUÉM aqui, por que meu blog não existe pra isso. Ele existe POR QUE SIM. Anyway…

Esses dias eu estava pensando de novo sobre esse lance de ter filhos. Ainda acho esquisito quem toma essa decisão. Nada contra as crianças em si, mas sei lá… Ainda existe muita gente nesse mundo que acha que ter filho é, de fato, uma grande coisa. Sei lá. Pra mim se você é uma idiota com meio cérebro, basta você abrir as pernas pra ter filhos. Minha mãe biológica que o diga. Ou seja.. Não é algo digno de nota, ou de sei lá… mérito (for fuck’s sake… literally).

Como diria Bill Hicks, engravidar não é nem um pouco melhor do que arrotar, vomitar ou cagar. É algo que acontece. E acontece muito, infelizmente. De qualquer forma, ainda, o post não é sobre engravidar, nem sobre ter filhos, mas sobre como algumas mulheres cuidam de seus bebês/crianças. Algumas mulheres parece que NÃO PERCEBEM que a criança não é mais um bebê, e continuam tratando a criança de forma retardada, ao invés de estimulá-la e tratá-la como gente.

Com a minha prima foi assim. Tanto que a filha dela tinha 3 anos e ainda não sabia falar direito. Com 5 anos ela falava mais ou menos, mas ainda falava meio que em “miguxês”. Nota: minha prima usava o “miguxês” pra conversar com a filha dela. Juro pra vocês. Eu acho isso uma merda. Isso é errado e devia ser proibido. Uma mãe dessas devia ser apedrejada em praça pública. Heh, eu adoro ser exagerada.

Enfim… Falando de casos bons. Há algumas semanas atrás, quando eu ia pegar um ônibus à noite pra viajar pra São Paulo, uma cena na rodoviária chamou bastante a minha atenção. Uma mulher e sua filha estavam esperando a chamada do ônibus. A menininha devia ter uns 4 pra 5 anos. Ela era bem esperta e não parecia uma criança comum, afetada. Crianças geralmente são meio “lesas”.. Sei lá se sou eu que não tenho paciência com elas, mas o “normal” numa criança pra mim é correr, gritar e agir como idiota a maior parte do tempo. Criança pra mim sempre foi sinônimo de incômodo. Mas essa menininha ficou lá, sentadinha, tomando o achocolatado dela e respondendo à mãe dela normalmente (normalmente mesmo, sem falar que nem criança nem nada). Aquilo pra mim foi bastante impressionante. Aquela mãe tá de parabéns.

Mas não que a criança fosse “fria” nem nada… Nada disso. Depois de um tempo chegou o vô dela e foi um grude. Ela abraçava o vô e ficava fazendo carinho nele. Foi uma das cenas mais bonitinhas que eu guardei na minha memória esse ano. Acho que guardei por que nunca tive vô. Deu inveja dela.

Ontem eu vi um outro caso de criança bem educada. Eu estava lanchando no CED aqui da UFSC e enquanto comia percebi que se aproximou uma mulher, negra, com seu filho. Ela me chamou a atenção por ser muito parecida com uma amiga da minha mãe, muito parecida mesmo. Aí eu percebi que ela também conversava com seu filho como se estivesse conversando com um adulto, e explicava as coisas pra ele normalmente. Achei incrível. Depois de um tempo ela começou a ensiná-lo, enquanto lanchavam, que “ele deveria sim obedecer às professoras, mas por livre e espontanea vontade e que professora nenhuma deveria colocá-lo de castigo, nunca. E ela foi bem enfática nessa última afirmação. O filho dela ficou sentadinho na frente dela, ouvindo com atenção ao que ela dizia. Era um garoto comportado, aparentemente de 4 pra 5 anos também. Fiquei imaginando que ela deve estar fazendo mestrado em educação ou coisa do tipo, pedagogia, sei lá… Só pela forma que ela falava. Pelo menos parecia. Coincidentemente, essa amiga da minha mãe com quem ela tanto se parece é doutora em Educação.

Minha mãe me educou bem, acho. Fez o que pode. Sempre conversou normalmente comigo, sempre foi workaholic. Mas se eu não sou drogada e não tenho nenhum outro tipo de desvio de personalidade/caráter muito absurdo, então isso quer dizer que ela cumpriu seu trabalho bem demais pra uma workaholic. Minha mãe gosta muitíssimo de bebês e crianças. Mas quando minha adolescência chegou ela quis morrer. Hoje em dia ela se culpa, acha que foi uma péssima mãe por que eu moro há mil quilometros dela, sou cheia de tatuagens/piercing, ouço músicas esquisitas, leio livros demais, não vejo TV, não tenho namorados, não penso em casar nem em ter filhos. Ela se lamenta MUITO por eu não querer ter filhos. O que ela mais quer na vida são netos, filhos que sejam meus pra ela poder estragar bastante eles. Enfim… Ela não está convencida de que é uma boa mãe e hoje se considera ausente. Pra mim, ela nunca foi ausente o suficiente. Heh.

De qualquer forma, observar mães e crianças como as que eu observei (na rodoviária e ontem) é algo que me conforta momentaneamente. Mas ainda acho que eu nunca vou ter filhos por que não tenho paciência, não teria jeito pra cuidar, nem nada. Falo que me falta instinto maternal. Tem gente que diz que isso vai mudar quando eu trintar ou quarentar. Eu acho que pode até mudar, mas também acredito que as coisas “não são bem assim”. Não quero ter um filho sozinha, não quero que seja algo desestruturado. Se for pra ser, a criança no mínimo vai ter que ter um pai decente. E pra mim tudo teria que ser muito planejado e perfeito, e se for pra pensar assim, melhor nem ter filho.. Mesmo por que não existe nada perfeito.

Eu sou niilista demais pra ter filhos, até mesmo pra pensar em crianças. Eu não acredito em várias coisas. Não acredito em genética. Não acredito na possibilidade de um bom pai. Não acredito na minha capacidade de dedicação a outro ser humano (a não ser que eu esteja trabalhando, num projeto, etc). E o xeque-mate: não acredito num futuro bom, pra quem eu for gerar. Esse mundo é podre e essa existência, escrota. As pessoas são insensíveis, insensatas, gananciosas e o que resta da Terra, está morrendo.

Por que eu traria pra cá alguém que nem existe, mas que eu amo tanto? Por que eu faria isso?

Que tipo de “amor” tão perverso e egoísta é esse?

Por que esse padrão de “crescer, casar, ter filhos” é tão compulsório, tão obrigatório?

Por que uma mulher que não “cresce, casa e tem filhos” é malvista pela sociedade? Por que ela é excluída? Ou ainda: por que ela é considerada “menos mulher” que as outras?

São várias coisas que eu me pergunto, desde que tomei consciência que podia conceber uma outra pessoa (lá pelos meus, sei lá, 15/16 anos). Nunca engravidei, nunca abortei, nunca fiz nada de errado, nem com meu próprio corpo, nem com nada, nem ninguém. Mas esses questionamentos são coisas que eu simplesmente não entendo…

E acho que vou morrer sem entender.

Nomes para uma trilogia chatíssima sobre a minha vida:

1. O dia em que perdi a minha chave no mar
2. O dia em que pescaram minha chave de volta
3. O dia em que cheguei em casa

Nesse exato momento da minha vida, pescaram a minha chave de volta a pouco tempo e agora comecei a voltar pra casa. Daqui uns 5 anos eu chego em casa.

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