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Arquivo da tag: Ódio

13:57 e o assunto que pipocou foi algo como substituir leite condensado por chuchu. Galerinha se acha muito liberal né, muito descoladona em vários aspectos da vida. Mas no fundo, no fundo são um bando de carola enrustido que vetam o prazer à todo custo isso sim. E o prazer alheio ainda por cima, sabe? Se fosse o próprio né, foda-se. Mas o dos outros, sabe? A gente pensa que é muito, muito moderno quando sequer saiu do básico ainda que se trata de simplesmente assumir e saber lidar com o prazer e com o que é prazeroso pra nós.

É terminantemente PROIBIDO sentir prazer. É pecado. E vamos pro inferno. E, se sentir mesmo que seja pouco e por pouco tempo, é preciso se auto-flagelar com a famigerada culpa, algo completamente artificial, fabricado, não-natural, externo à nós e ao que sentimos.

A gente ainda vive na idade média mesmo e não sabe.

Tive um pesadelo horrível essa noite. Quero saber até quando esses pesadelos vão continuar acontecendo. Foi ridículo. É ridículo. Sonhei que estava indo embora de um lugar às pressas e vieram me importunar. Vieram me xingar, me destratar, tirar o meu chão. Me desestabilizar de algum modo. Me senti a pior pessoa do universo. Não soube reagir de imediato. Deixei que toda a grosseria possível tomasse conta por uns três minutos e aí perguntei “é sério que você veio atrás de mim só pra me xingar? por que você não procura a tua turma e não me torra a porra do saco? você não tem mais o que fazer da vida não? você não entendeu o meu recado? meu recado é: VÁ EMBORA. Eu não quero você aqui. Eu só quero que você vá embora”. Mas parece que as coisas não vão embora até que elas nos ensinem a lição que precisam nos ensinar. E, aparentemente, eu ainda não aprendi o que preciso. Infelizmente.

Acabei de receber uma mensagem de texto me culpabilizando, pela milésima vez, por algo que eu NÃO SOU culpada. Chega. Me recuso a dividir sequer uma parcela de uma culpa que nunca foi minha. Se o outro não tem a capacidade de enxergar que a vida é muito mais do que gira em torno do próprio umbigo, problema dele! Foda-se. Eu é que não vou mais ficar enlouquecendo, definhando, morrendo por isso sozinha. ME RECUSO. Falam atrocidades pra segundos depois me dizer que “não foi por mal”. Ok: não foi por mal mas o mal já está feito né? Você já falou. Já disse! E quando você me diz coisas eu levo em conta todo o contexto de anos a fio de abuso, humilhação, minação da minha auto-estima. Então absolutamente NADA do que você me disser será impune. Ou será “sem querer”. Ou não terá algum tipo de impacto, devido ao nosso histórico. Eu não sou idiota. Não sou mais manipulável pelas suas palavras. Pelo seu bate e assopra. Não vou mais me sentir mal NEM POR UM MINUTO por qualquer merda que você quiser me OBRIGAR A ACEITAR. Pelo seu “falei isso mas foi por amor”. POR AMOR O CARALHO!  Isso é mentira. Não tem NENHUM amor envolvido nisso. Apenas interesses próprios: mesquinhos, escusos. Não caio mais nesse jogo não. Não caio mais nesse papinho. Estou cansada dessa merda. CAN-SA-DA. Não vou mais PASSAR O GRANDE PANO pra você nem por você não. Não vou mais aliviar pra você, nem por um minuto. Poucas coisas nessa vida me deixam mais louca do meu cu do que o tal “não foi isso o que eu disse”. Contudo, porém, entretanto, todavia, foi sim. Foi exatamente isso o que você disse e não venha me tirar de louca não. Aliás: foda-se você se quiser me tirar de louca! Pode fazer isso, inclusive, não ligo. Caso essa frase que você disse aí ainda viesse acompanhada de uma explicação, vá lá. Mas esse nunca parece ser o caso. É sempre um “você não entendeu o que eu disse” e FIM. Cara, na boa: você tá insultando a minha inteligência? Você realmente e efetivamente acha que, se me explicar, COM CLAREZA, eu não serei capaz de te entender? Por que se eu sou tão burra assim e incapaz de entender, por que que então você não se faz mais claro hein? Por que? Por que não fala mais baixo comigo? Por que não fala mais devagar? POR QUE? Como assim “eu não quis dizer isso”? Mas, meu amigo, minha amiga, veja bem: você disse! Eu tenho sido cada vez menos tolerante com a frase “sou responsável apenas pelo que eu digo, não pelo que entendem” simplesmente porque a acho absurda. Acredito que essa frase desconsidera, completamente, o outro. É frase de gente que deveria ser ermitão ou ermitã e se isolar nas montanhas. Afirmar isso é assumir que não existe preocupação NENHUMA em pensar no que se diz e em como se diz. As pessoas não tem cuidado NENHUM com as palavras. NENHUM. É um descaso completo. E ok: caso você tenha falado algo que por algum motivo se arrependeu, custa assumir que falou merda? Custa pensar por um segundo “caralho vai que eu tô errada né?”. Vai cair um braço teu se isso acontecer? Querido, querida: todo mundo fala merda. O tempo todo. E tudo bem. O mundo não acaba por isso. Mas caso você seja do tipo arrogante, prepotente e insuportável e efetivamente sem interesse algum em se preocupar com o outro e com o que ele sente, acredito que seja mais honesto nesse caso dizer então “eu não vou te explicar bosta alguma porque eu não tenho paciência pra quem tá começando”. Assim você já deixa mais claro ao que veio e deixa o outro LIVRE pra te mandar tomar NO MEIO DO SEU CU e NUNCA MAIS te olhar na cara.

“Eu não as odeio inteiramente porque elas não existem por inteiro. Eu odeio os detalhes, os cacos que elas são”

A festa está terminando, são quatro horas da manhã, eu estou com uma vontade inexplicável de sair correndo pela praia. Simplesmente correndo. Correndo pelas praias dessa cidade, a pior cidade. A que eu sempre odiei. Que é a melhor cidade. A melhor cidade pra mim. A única cidade possível. Com essas pessoas que eu sempre odiei. Sempre vou odiar. São as melhores pessoas. As únicas pessoas que prestam pra ficar ao meu lado. São essas pessoas que eu odeio que são comoventes, como esta merda de cidade que eu odeio. Essa merda de cidade que eu odeio, mas que às quatro horas da madrugada me comove terrívelmente. Como essas pessoas que eu odeio. Que eu tenho que amar. Como essa cidade que é minha. Que será sempre minha. Como essas pessoas que serão minhas. Exatamente como essa cidade.

Essas pessoas.

Essa cidade.

Essa pessoa.

Estas pessoas.

Essa cidade.

Essas pessoas.

Há alguns dias já, tenho tido pesadelos. Provavelmente são resultados de algumas questões mal resolvidas ou não resolvidas em absoluto. Hoje sonhei que cortava franja no meu próprio cabelo e odeio esse tipo de corte. Acordei assustada mas o meu cabelo estava ok. Também sonhei que estava voando (esse tipo de ação é muito constante nos meus sonhos) e que me refugiava num monastério. Às vezes os meus pesadelos me fazem acordar de mau humor. Odeio sonhar com fantasmas. Odeio simplesmente porque não há o que ser feito. Gostaria que isso simplesmente parasse de acontecer. Mas ao que tudo indica, vai demorar mais algum tempo.

As coisas não vão embora até te ensinar o que você precisa saber.

O que fazer com tanta chatice? Que desgosto, que azia. Esse mundo está coberto de chatos insuportáveis que não gostam de nada e que não são capazes de suportar nada. Reclamam do que é superficial, mas em contrapartida nem mesmo se questionam, o quê, exatamente, é superficial. O quê, para quem, em que contexto, etc, perguntas básicas. Isso não os interessa: não há convivência. E como eles sofrem… Céus. Pior do que eu ser obrigada a acompanhar meu próprio sofrimento por motivos fúteis ou injustificados é acompanhar o sofrimento alheio pelo qual nunca nutro o mínimo de empatia. “Também sofro, porra!”. Por que é tão difícil acreditar nessa frase? Não preciso que me digam que estão sofrendo, preciso poder perceber isso – coisas que as palavras não dizem, etc. E raramente percebo. E quando doem-se, é sempre precipitadamente, por antecipação. Doem-se a troco de nada, não têm contexto, não têm recheio, não têm vida, vivem em ilusão, num passado que já foi e num futuro que nunca existirá. Caminham em uma esteira eterna em busca de uma profundidade da qual serão eternamente incapazes de alcançar – e se orgulham disso. São seres fracos por saberem demais sobre tudo e saberem de tudo antecipadamente à todos. São chatos, porra! Babacas sempre serão babacas, sem o mínimo de auto-crítica (porque, afinal, não precisam disso: eles tem seus pares, seus amigos de referências idênticas que jamais o farão sair do umbiguismo imbecil em que se encontram). Pensei que já tinha passado da época de ver caras feias a troco de nada. Algo me diz que terei muitas caras feias ainda pra fingir que tolero.

Justo quando você acredita que a sua vida não poderia ficar pior, ela piora drasticamente. O que fazer? Fingir que não é com você, como você sempre faz? Opor-se drasticamente, teimar em ir contra? Tentar conviver, mesmo sabendo que vai ser simplesmente uma merda? Tudo bem, janeiro, eu sei que você foi meia boca, mas você não foi ruim. Fevereiro, por favor não seja uma merda descomunal, ok? É só o que peço. Mas tudo bem, eu já sei: o que já está ruim, só tende a piorar. Bora lá.

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