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Algumas pessoas não precisam se foder homericamente pra crescer. Basta sofrer um pouquinho que já é o suficiente. É o meu caso.

Sofro. Agonizo às vezes. Mas meus sofrimentos geralmente se relacionam à bola de feno no deserto que é a minha vida sentimental. Ainda não aceito uma série de coisas e essas coisas me incomodam. De resto, acho que não tenho muitos motivos pra ser infeliz. Tirando o fato de que eu podia ser milionária, não ter de fazer porra nenhuma da vida, e passar o resto dos meus dias torrando dinheiro a rodo sem precisar fazer mais nada, não tenho muitos motivos pra ser infeliz. Na verdade algo me diz que mesmo que eu fosse rica e minha vida não tivesse nenhum outro significado além de torrar dinheiro sem fazer mais porra nenhuma, eu seria extremamente infeliz em algum tempo.

Sim: a vida não é como eu quero. Mas a vida de ninguém é.

Todo mundo tem seu vazio particular e eu também tenho o meu. Acho tudo uma merda, mas acho que a minha tendência é de ir melhorando com os anos. Na verdade acho que em alguns anos estarei muito boa mesmo. E, ainda assim, acho tudo MUITO merda. Acho a vida uma merda. Mas, querendo ou não, arranjo um jeito de sobreviver. Arranjo um jeito de as coisas não ficarem tão insuportáveis. Tento não ser escrota o suficiente a ponto de não gostar de absolutamente nada. Tento, me esforço sim, bastante, pra fazer coisas que me agradem por boa parte do tempo. Tento me preencher. Se o percurso é uma merda, tento fazê-lo agradável. Sempre fiz isso. Pra muitos isso é o mesmo que fazer o impossível. Pra mim mesma isso é o mesmo que fazer o impossível. Mas faço e faço todos os dias. E faço porque posso, porque tenho culhão suficiente pra isso.

Não faço a Pollyana porque acho de um cinismo patológico e cretino demais acreditar que “tudo vai dar certo no final” ou que “tudo de ruim tem seu lado bom”. Vá se foder: não tem. Não existe isso de “lado bom”: existe a vida me fodendo e existe eu, resistindo à ela. E resisto bem até. Resumindo em uma frase: não sou mal agradecida. Sou mal criada. Mal agradecida jamais.

Sempre fico pensando que poderia ser pior e aí imediatamente penso que só se pode dar ao luxo de ser mal agradecida quem tem opções: uma família, um namorado, um marido, grana a dar com pau, ou tudo isso junto, ou seja, algum suporte que seja sempre externo a si mesmo. The truth is out there. Yeah, right.

A verdade é que eu não tenho muitas opções – por mais que achem que sim. Eu não tenho opções de nada e nem para nada. E isso é muito duro e isso é o que eu tenho. Acho muito bom ser consciente disso (e isso foi quase um elogio – sim, ser consciente pra mim é um tipo fino de elogio).

Mas pra outras pessoas me parece que a desgraça não pode ser pouca. Parece que anseiam pela desgraça, na verdade. Desejam isso. Querem se foder o tempo todo. Gostam de ser infelizes, planejam a vida em torno da sua infelicidade como que para permanecerem miseráveis pra sempre. Cultivam a própria miséria. Isso me dá nojo. Não sei lidar e não pretendo. Essa gente não é capaz de crescer nem quando rolam merdas homéricas, quando alguém morre (de verdade). Antes eu achava que precisavam perder algo que, sem isso, não pudessem sobreviver. Achava que precisavam NÃO TER OPÇÕES. Ficar paraplégico, ter derrame. Se FODER mesmo, sem retorno.

Mas isso nunca acontece com os mal agradecidos. Só com gente boa.

Eu só acho que esse tipo de gente – mesquinha, miserável e infeliz – tem mais é que se foder mesmo e não merece nem pingo de consideração de ninguém. Tenho ódio.

A verdade é que odeio depressivos fisiológicos e por mim, um bom diagnóstico pra todos eles seria uma bala na cabeça, sem volta.

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