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Arquivo da tag: Melancolia

By the turnstile beckons a damsel fair
The face of Melinda neath blackened hair
No joy would flicker in her eyes
Brooding sadness came to a rise

Words would falter to atone
Failure had passed the stepping stone
She had sworn her vows to another
This is when no-one will bother

And conceded pain in crumbling mirth
A harlot of God upon the earth
Found where she sacrificed her ways
That hollow love in her face

Still I plotted to have her back
The contentment that would fill the crack
My soul released a fluttering sigh
This day fell, the darkness nigh

I took her by the hand to say
All faith forever has been washed away
I returned for you in great dismay
Come with me, far away to stay

Endlessly gazing in nocturnal prime
She spoke of her vices and broke the rhyme
But baffled herself with the final line
My promise is made but my heart is thine

Te procuro em lugares que você não está mais. Te busco, busco por algo que nunca existiu. Palavras. Gestos. Pequenos detalhes. Resquícios. Não deixa de ser um tipo, perverso, de persistência. É um tema um tanto quanto recorrente, Mais do que eu gostaria. Não sei o que quero, ainda. Talvez jamais saiba. Mas toda vez que encontro o que pode ser um simulacro de você, sou tomada, preenchida, por um vazio imenso. Um vazio que tem todo o espaço que deseja, em mim. Um vazio que permito, sempre, que me consuma. Completamente. Eu quero você aqui. Como sempre desejei que estivesse. Como sempre quis. E te acolho, com as minhas próprias mãos. E aceito as coisas como elas são. Eu deixo você vir. E permito que se vá. Sempre. Todas as vezes. E é assim que você deve permanecer.

Há algumas semanas atrás, encontrei pessoalmente uma conhecida que temos em comum. Foi estranho pois quando conversamos falei que tivemos um relacionamento, mas que agora ele havia seguido com a vida e estava com outra pessoa e que estava… Assim que terminei de dizer isso, hesitei e terminei de falar com um tom de voz abaixo e mais sóbrio: ‘Bem… na verdade não sei muito bem se ele é capaz de ser feliz… ou se até mesmo deseja isso. De qualquer forma, eu espero que seja, mas talvez não. Mesmo’. E é assim que me lembro dele, hoje. E essa foi uma das forma mais tristes e melancólicas que já me lembrei de alguém, até hoje na minha vida.

Não tenho muitas pessoas que considero amigas. Tenho muitas pessoas próximas sim, mas isso não é garantia nenhuma de amizade. Ter um bom networking não significa ter boas amizades, são coisas bem diferentes. Alguns amigos próximos meus dizem me invejar pelo modo que eu me comunico com as pessoas. Mas tendo um pouco de autocrítica, a verdade é que eu me comunico mal pra caralho com as pessoas. A verdade é que sou realmente péssima nisso. De verdade. Ok, sem tanta autodepreciação assim: esse é um ponto que eu gostaria – e ultimamente tenho me visto em situações que preciso – de melhorar bastante na minha vida.

Sou bem esquisita. Os conceitos de algumas coisas pra mim divergem do que é estabelecido e entendido pela maioria das pessoas. Um exemplo disso é que hoje, um amigo de longa data, quase irmão, fez uma publicação que considerei de um conservadorismo meio bobo. Deixei claro que não concordo e foi isso. Não tentei ofendê-lo, nem repreendê-lo de forma constrangedora, mas muitas pessoas acreditam que uma intimidade de muitos anos de amizade permite isso. Por algum motivo, jamais conseguiria pois meu conceito de intimidade é outro. Por quanto mais tempo eu conheço a pessoa, menos eu vou esculachar com ela e vou tentar sempre uma abordagem amigável.

Se você tem algum valor pra mim como pessoa, de verdade, vou me esforçar pra não te esculachar. Seja em público. Seja no privado. E isso não é falsidade não. Só acho desnecessário mesmo agredir quem gostamos. Não acredito em tough love e para mim não existe isso de “intimidade é uma merda”. Não é não. Não tem que ser. Mas demorei pra chegar neste entendimento. Eu demoro demais, com tudo na vida. Demoro e não mudo rápido. Gosto de mudanças e raramente me oponho a elas, mas não sou afeita à mudanças constantes, à falta de linearidade. Não consigo acompanhar. Por muito tempo acreditei que houvesse algo errado comigo. Hoje sei que nada é permanentemente errado. As coisas apenas são.

Sinto que esse possível problema comunicacional seja herdado, aprendido ao longo dos anos com a convivência com meus pais. Basta eu observá-los para chegar nessa conclusão. Não se ouvem. Nem se falam. É um eterno zero a zero, numa eterna insatisfação. Tudo o que existe é um comodismo e uma fachada. Às vezes isso acontece por aqui, em situações práticas inclusive. Devo observar isso com mais cuidado e verificar se quero/preciso mudar isso ou não e em quais contextos quero que isso mude. Às vezes preciso falar e isso é realmente importante. Mas nem sempre. Sou melhor observando. Sou muito melhor observando.

Minhas observações são processadas de forma lenta. Eu sou bastante lenta de modo geral. Não sei realizar julgamentos rápidos. O que você achou? Bom? Ruim? Lindo? Abominável? Depois de 5 minutos, eu sinceramente não sei. Depois de uma hora, tampouco. Depois de uns dias, talvez ainda não. Talvez nunca inclusive. Sempre acho que não devo uma resposta a ninguém, sobre nada. Só se eu quiser. Só se sentir que devo, se julgar necessário (nunca julgo, raramente acho). E quanto mais sou pressionada em relação a isso, pior fica. Falo pouco, observo e sinto mais. As coisas, para mim, precisam primeiro fazer sentido. Para só então terem algum tipo de significado. Tudo é um processo. Então talvez essa ânsia de comunicação não se aplique em tudo na minha vida, mesmo. Talvez eu não deva mesmo dar às pessoas o que elas pedem sempre.

Sou assim com as coisas, sou assim com as pessoas. Raramente dou o devido crédito para o que elas dizem. Palavras são só isso: palavras. São só e são tudo isso. São limitadas e limitantes por natureza. E em última instância são sempre apenas isso mesmo: palavras. Sempre insuficientes pra dizer, significar qualquer coisa. É o que temos. Mas não as compro sempre. Palavras enganam. Ou melhor, palavras trapaceiam. A si mesmas. A quem as profere. Gosto de observar o que não é visível aos olhos. A forma que a pessoa pisca. A forma que se movimenta, que seu corpo se movimenta. Sua respiração. Uma marca de corte no dedo indicador. A entonação ou empostação de voz, durante a fala. A forma que me toca ou não. Essas coisas sempre me disseram muito mais que as próprias palavras. É a partir delas que o mundo se abre pra mim.

Antigamente eu desconfiava dessa minha habilidade. Mas há cerca de três anos foi que notei que isso é algo que eu não posso deixar de levar em consideração. Eu sempre quero todas as palavras não ditas. Todas as palavras escondidas. Só preciso pensar nisso de forma mais sóbria, pois pra mim ainda se trata de uma novidade. Pessoas pra mim são como borboletas e eu sou uma colecionadora nesse sentido. Busco uma certa variedade, mas efetivamente me oponho a confrontos gratuitos simplesmente porque acho que a vida é muito curta pra ficar perdendo tempo com isso. É curta demais pra passar desta forma. Sou lenta sim, mas não gosto de sentir que estou desperdiçando o tempo.

Gosto das coisas em si. De observação. De apreensão. De significado. De isolamento. Não “produzo” essas coisas: eu sou essas coisas. Na vida. Isso não é produzido por mim porque não há um esforço, não há ‘algo especial’ acontecendo para que eu aja assim. Tudo acontece, o tempo todo. A vida me acontece e eu reajo assim à ela. Não desvinculo a minha própria vida de tudo o que contém beleza, verdade e significado. “Minha vida é minha mensagem”. Entendo que as coisas não são fáceis. E as devoro, do meu modo. Meu modo de digerir a vida irrita algumas pessoas mais ágeis e mais ávidas. Muitas vezes me sinto como uma cobra, uma cobra enorme que ao mesmo tempo que engole a presa de uma vez, faz sua refeição lentamente, arrastando-se, empurrando o outro para dentro de si, até que em algum momento aquilo se torne essência, refeição. Energia.

Sou rápida só quando preciso, de forma impulsiva, sempre.

Sou lenta e, por isso, as pessoas não me têm.

E quase sempre, tudo parece se consumir, em mim.

 

“A maior desgraça consiste em você querer penetrar num espaço cujas portas se mantém permanentemente abertas. Isso porque não há penetração no aberto. Você pode até percorrer as suas instalações por dentro, mas continuará do lado de fora. Daí porque, diante dessa situação, você vai empreender todos os esforços no sentido de fazer com que o porteiro volte a fechar as portas, nem que para isso você o provoque. A outra possibilidade é você vir a se encontrar diante das portas fechadas e com o acesso totalmente bloqueado. Aí seria a glória. Porque só então você teria alguma chance de penetrar em seu interior.”

(R. S.)

Eu tive um pesadelo com você, quando era criança.

Algo que ainda não consigo decifrar.

Acordei há alguns anos atrás.

Com muito medo.

 

 

 

(Ele ainda reverbera em mim)

Passei a vida tentando e me esforçando para ser suficiente para as pessoas que amei. Nunca consegui. Sempre faltou algo. Nunca fui perfeita, nunca fui exatamente como elas queriam que eu fosse. Isso dificultou sempre a criação da minha própria identidade, os outros, essas pessoas, que eu amei. Esperei muito delas, esperei mais ainda de mim mesma. Esperei demais por coisas que nunca vieram, que jamais chegaram a ser. Hoje me vejo tendo que ser o suficiente para mim mesma. Em alguns aspectos tenho me sentido satisfeita. Bastante satisfeita. Mas isso é sempre transitório. A minha satisfação nunca é plena. Continuo querendo mais coisas. Continuo querendo coisas as quais penso que não posso alcançar. E é essa continuidade que me dá a impressão de que eu não me basto, nunca. De que não sou o suficiente, nem para mim mesma. Percorro um caminho e, na verdade, eu não tenho onde chegar. Essa chegada, para mim, não existe. E então eu começo a pensar que talvez o topo não exista. E que talvez o suficiente seja uma miragem que insistimos dizer enxergar. Algo que está a passos de distância, mas nunca chega, nunca se completa, nunca se sacia, pois saciar-se seria um tipo específico de morte. Eu não basto. Eu jamais irei bastar. Para mim mesma. Para quem quer que seja.

Ouvi essa música e me lembrei do seu beijo.

(O beijo azul em câmera lenta na hora do rush.)

(…)

Não conseguia te ver claramente.

Sua pele estava naquele tom de azul bonito,

de fim de tarde, da sua cidade.

De quando o sol se põe.

Eu conseguia ouvir seu coração pulsando pelos poros.

Você me abraçava e não queria me deixar ir.

Não sabíamos o que fazer.

Foi um beijo desproposital.

(…)

O beijo

Foi

Um despropósito.

Despretensioso.

Você, com as mãos na minha cabeça.

Acredito que uma lágrima tenha saído de algum de meus olhos.

Sem história.

Sem passado.

(…)

Em mim

Aquele beijo

Ainda acontece.

[O passeio]

Penso muito nisso. E me distraio facilmente, apesar de teimar em continuar com uma observação infrutífera. A verdade é que não existe mais nada ali. Ou melhor: aqui. Sinto esse impulso, vez e outra. Não deveria. Penso no que pode acontecer. Prevejo acontecimentos, tudo o que já aconteceu vai acontecer novamente. Vou estar em algum saguão de embarque em dez anos e jamais serei reconhecida. Minha respiração vai descompassar, vou deixar de pensar no que estiver pensando. Talvez eu derrube algo e esqueça alguma coisa. Meus olhos vão marejar e ficarei com a voz embargada, caso alguém fale comigo. Olharei. Observarei à distância. Provavelmente irei sorrir, mas não farei nada. Após isso, segue o baile. Antes de qualquer ação sempre pergunto a mim mesma: para quê? Para matar as saudades, seria uma das respostas óbvias. Saudade do quê, exatamente? Do que não existe mais? Saudade do que inclusive sequer chegou a existir. Não posso me permitir ser ingênua. É uma perda de tempo querer viver esse tempo passado. Um mau hábito. Surgem as infelizes comparações. Surge uma angústia desnecessária. Surgem coisas que não fazem mais sentido e muito menos cabem mais no que acontece agora. E o que acontece agora é tão mais proveitoso e interessante. Mais livre. Menos doloroso. Pensar nisso tudo não me deixa mais triste. Me sinto satisfeita com todas essas respostas. Me olho no espelho. Dou um sorriso. Não faço mais nada. Sigo em frente, com o baile e com a minha próxima distração.

Algumas coisas pra mim fazem cada vez menos sentido. Meu trabalho, diário, é fazer sentido e buscar com que as coisas façam sentido de acordo com alguma determinação lógica, imposta ou nem tanto assim. Na verdade é totalmente arbitrário e funcional. Me satisfaz, me satisfaço com isso, ao longo do dia. Passo o dia fazendo arranjos, planejamentos e principalmente organizações. E aceitam ou não. Concordam ou não. Tenho minhas justificativas, minhas pesquisas, o que for. As pessoas tem as razões delas. E assim vou vivendo, vamos. Em princípio, não tenho tempo para mais nada além dessas coisas.

Minha rotina é massacrante, minha vida é solitária e por muitas pessoas eu poderia ser considerada profundamente infeliz. Talvez eu seja e não saiba ao certo. Ela me disse “essa cidade acabou com você, desde que você veio pra cá. você está péssima”. Achei curioso pois penso justamente o contrário disso. Há aproximadamente uns dois anos, tenho tido bastante satisfação na verdade. Me sinto calma, apta a resolver meus próprios problemas, não preciso sair dos meus trilhos por ninguém nem para ninguém. É uma escolha, como qualquer outra. Posso dizer com tranquilidade que há cinco anos eu era profundamente infeliz. E não sabia.

Uma das coisas que planejo aniquilar é o meu ódio a mim mesma. E rancor com as coisas que fiz e que decidi. Isso precisa ser resolvido. Eu me trato muito mal. Perco tempo com coisas que não me são necessárias em absoluto em detrimento a coisas que me são vitais. Me alimento de forma totalmente errática e literalmente me sinto mal o tempo todo, todos os dias. Há uma falta de saciedade recorrente e uma total falta de controle em relação a qualquer coisa que me provenha prazer imediato. Não possuo o mínimo de disciplina. Na verdade estou cagando para disciplina. E em consequencia disso, cagando para mim mesma.

Isso é bastante ruim, sim. Mas pode ser consertado. Tudo ao seu tempo. Meus horários são cronometrados. Há algumas semanas tenho tido hora exata para tudo. Minha rotina nunca foi tão incisiva. Não reclamo, aceito, me adapto e refino essa rotina, cada dia mais. A entendo como um mantra, como algo que deve ser repetido tão conscientemente que eventualmente se perca nessa própria consciência. Bato a porta às 7h30. Dou bom dia às 10. Almoço 11h30. Descanço as 15h30 e 18h30. Às 20h pego a condução e às 21h chego na Paraíso. Às 21h25 estou em casa. Devo dormir às 23h para que seja possível acordar, às 6h sem problemas.

Equilíbrio inexiste, faço o que é possível. Burlo a minha realidade enquanto posso. Leio no ônibus durante a viagem. Volto para casa a pé para mexer o meu corpo de algum modo. Me alimento várias vezes ao longo do dia para que eu engane o fato de que eu não estou com fome o tempo inteiro. Bebo água enquanto ainda há água pra beber. E me sinto profundamente sozinha em toda a extensão em que é possível se sentir sozinha. Nem eu mesma me acompanho, muitas vezes. Me olho no espelho e não me reconheço em absoluto. Não sei quem está ali. É um resquício de alguém que deveria ser eu. Não me lembro quando foi a última vez que sorri, genuinamente.

Mas isso não importa. Essas coisas não importam, sorrisos, felicidade. É preciso que funcione, é preciso fazer sentido. Eu preciso equilibrar o impossível, nas minhas costas, nas minhas coxas, nos meus pés. Não tenho como combater essa tristeza que eu sinto. Ela vai ficar aí até não ficar mais: agora, ela faz sentido em mim. Preciso continuar fazendo o que eu estou fazendo: mais e melhor. Preciso e quero continuar sendo isso. E preciso também me tratar melhor. Eu me trato terrivelmente mal. Sou impiedosa comigo mesma. Não tenho misericórdia. Preciso aprender a me dizer não. E a cortar da minha vida frases nocivas como “eu quero agora” e “eu quero mais”. Preciso entender que passar mal o tempo todo, hoje, não me serve mais e não vai fazer sentido na minha vida a longo prazo.

Para isso existem procedimentos cabíveis: auto-intervenção, intervenção assistida e intervenção direta. E eu vou me utilizar das três em diferentes momentos ainda este ano. Eu simplesmente me cansei de viver de um modo que não mereço. Quero não precisar ser escrava de nada. Sempre tive isso comigo e agora tenho mais do que nunca. Todo tipo de dependência me causa asco. Apesar de tudo, da tristeza, da melancolia, eu estou bem. Me satisfaço em vários sentidos. Continuo querendo coisas. Apenas reconheço que poderia estar melhor e que isso depende de mim mesma e das decisões que pretendo tomar. E elas já estão sendo tomadas. Uma de cada vez.

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