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Minhas decisões não são corajosas, são estúpidas. E na maioria das vezes, impensadas. E ingênuas. Mas o mais importante pra mim é que, dentro do contexto das coisas que eu quero para mim, são decisões possíveis. E isso é o que faz todo o restante valer a pena. É o que me faz bancar o restante. “Foi o que deu pra fazer na época”. Depois de um tempo, por mais estúpida que seja a decisão, ela sempre se mostra a mais acertada – para o momento, para o meu futuro. Da forma que eu falo parece que as decisões que eu tomo são os “grandes acontecimentos” e aí há “o restante”, o resto da minha vida. Talvez seja mesmo.

Existem as coisas que eu preciso fazer. Existe tudo aquilo que eu preciso ser. Existe o meu currículo. Sinceramente, eu não acho uma estratégia excelente na metade da minha vida simplesmente jogar tudo pra cima e me tornar outra coisa, hoje. Por mais que eu queira. Isso sim seria uma estupidez infinita. Não sou uma mulher brilhante. Não vou mudar o mundo. Não vou deixar um legado. Não vou criar grandes coisas. Não nasci pra me foder, nem pra ser fodida. Eu só quero viver bem e sem atrapalhar ninguém. E isso envolve decisões que são sempre sérias e nunca triviais. Um exemplo entre elas é mudar de cidade. Parece muito trivial sim… Não é.

Outras coisas que sou capaz de fazer, tendo que decidir coisas: abrir mão de oportunidades concretas para dar tiros no escuro. Decidir fazer um vestibular sem ter estudado absolutamente nada. Decidir que vou afastar – mesmo que seja à força e contra a minha vontade – pessoas que me vampirizam e se alimentam do meu sofrimento e do meu desgaste. Decidir mudar o meu nome para honrar quem, de fato, sempre se importou – e se importa – comigo, até hoje. Decidir que vou fazer uma operação que vai me permitir viver mais e melhor, apesar de todas as consequências advindas disso. Decidir que preciso conversar com alguém sobre todas essas coisas.

Decisões parecem coisas extremamente triviais se comparadas ao meu “motivo” de vida.

Não são.

[…]

Hoje acordei de um sonho horrível. Sonhei que haviam invadido uma conta de rede social minha e tinham usado o meu perfil para fazer um comentário desagradável na conta de uma pessoa com quem não me comunico mais. A angústia, no sonho, era ter de me comunicar com a pessoa explicando o fato de que aquele comentário não era meu e que a minha conta tinha sido invadida e todos os pormenores disso. Acordei PUTA e sentindo um ódio enorme. Acordei com uma sensação de humilhação terrível. Não quero, em hipótese alguma, voltar a me comunicar com a pessoa. Odeio quando meu inconsciente me prega peças. Com o que, exatamente, estou insegura?

Conversei com um amigo e ele me disse que isso é um sinal de que eu quero me expressar mais. Disse também que sonhos são realizações de desejos inconscientes. Que o que acontece é o que eu desejo que aconteça, mesmo que eu lute contra no sonho. Ok, vamos lá. Há um desejo de comunicação. Mesmo que seja falso. Mesmo que provoque insegurança. Mas a que custo, isso tudo? É óbvio que meu inconsciente será solenemente ignorado. Estoure isso em que parte do meu corpo estourar. Não ligo. Vou morrer por teimosia e foda-se. Já tive o suficiente. Já fui maltratada o bastante e sinceramente não penso em trocar essa paz de espírito por desejo inconsciente algum.

Seja o que ele for.

[…]

No começo dessa semana, tinha um nódulo bem esquisito e incômodo no meu peito. Era um nódulo avermelhado, duro e quente. Dolorido. Podia ser maligno. Podia ser sei lá, um tumor, um câncer mas como sempre, não entrei em pânico sob hipótese alguma. Aconteceu de ser apenas uma espinha muito grande e interna mesmo e agora tem um pequeno buraquinho redondo na minha teta. Isso de não entrar em pânico com absolutamente NADA referente a nenhum sintoma que eu tenha, ainda vai me fazer morrer gargalhando. É uma boa forma de se morrer, no entanto. E agora tem um buraco oco no meu peito. Posso dizer isso sem aspas.

Gosto quando um sintoma se torna absolutamente concreto e real.

Sabe quando você passa a vida inteira brincando e aí quando você diz algo a sério não te dão crédito? Então.

Só hoje percebi o quão perturbador pode ser não saber se de fato uma pessoa está brincando ou está realmente falando a sério. Podem me chamar de ignorante, sem noção, não tem problema. “Nossa cara, você é retardada? Não sabe diferenciar uma ironia de algo sério?”.

Ok, posso ser retardada. Não sinto constrangimento nenhum em desconfiar das intenções de uma suposta ironia, se eu quiser. Para mim não é problema nenhum admitir que posso, sim, desconfiar do que é dito e escrito por qualquer pessoa, seja ela próxima ou não. Chamem do que quiser: burra, paranóica, exagerada… Chamem minhas reações de overreactions: tem problema não.

Quer vocês queiram ou não, é realmente muito fácil esconder suas intenções por trás de palavras e por trás de uma tela. É muito mais fácil, mesmo, gerar ambiguidade, confusão e cortina de fumaça. Muito mais do que no tete a tete.

Desculpem, mas não neguem: é, simplesmente. Muito fácil.

O que eu acho difícil mesmo é viver enxergando isso tudo e fingir que não existe, que não é uma possibilidade. Não enxergar e nem se dar conta às vezes do peso e da importância das palavras, do gestos de determinadas frases, dos duplos sentidos, das ambiguidades.

Sou burra por não compreender ironias? Pode ser.

Sou grossa e estúpida por repreender, não aceitar e/ou questionar coisas/termos/expressões/comportamentos que não compreendo e que talvez me ofendam? Pode ser também.

Mas acho que a minha ignorância seria ainda maior se eu deixasse certas coisas passarem batido, como se não significassem nada pra mim. Ou como se absolutamente tudo fosse uma eterna brincadeira na minha vida. E eu não sei viver assim.

Mas muita gente vive assim.

“O que eu escrevi não é pra ser levado a sério”. Vivemos na era do bate e assopra. Escreve uma bosta e depois não sabe se justificar. Fala algo e depois diz que foi brincadeira. Ou pior ainda: diz que não quis dizer nada “que disse por dizer”. Que tipo de pessoa sem culhão fala uma coisa dessas? Nada significa nada então? Não entendo.

O que eu acho é que as pessoas estão/são cada vez mais irresponsáveis e inconsequente no que dizem e no que escrevem. As pessoas, de um modo geral, NÃO SE ASSUMEM. Não assumem seus desejos, não assumem suas vontades, não assumem seus pensamentos e não assumem seus desgostos, principalmente. Eu não gosto disso e eu não consigo conviver com isso. E posso escolher: eu não quero que as coisas sejam desse jeito na minha vida, nem com as pessoas com quem me relaciono.

Mas talvez seja eu quem desaprendeu a brincar, mesmo. É, que pena. Talvez seja eu que tenha me tornado uma pessoa amarga e séria demais. Mesmo. Que seja. Mas por hora – por todas as experiências que já tive – prefiro continuar sendo assim. Esta decisão sim eu admito que pode não ser muito sábia da minha parte, mas até eu encontrar um outro novo modo menos defensivo de pensar para lidar melhor com essa situação, será assim mesmo.

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