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Arquivo da tag: Interpretações

“How can art be realized?

Out of volumes, motion, spaces bounded by the great space, the universe.

Out of different masses, tight, heavy, middling—indicated by variations of size or color—directional line—vectors which represent speeds, velocities, accelerations, forces, etc. . . .—these directions making between them meaningful angles, and senses, together defining one big conclusion or many.

Spaces, volumes, suggested by the smallest means in contrast to their mass, or even including them, juxtaposed, pierced by vectors, crossed by speeds.

Nothing at all of this is fixed.

Each element able to move, to stir, to oscillate, to come and go in its relationships with the other elements in its universe.

It must not be just a fleeting moment but a physical bond between the varying events in life.

Not extractions,

But abstractions

Abstractions that are like nothing in life except in their manner of reacting.”

– From Abstraction-Création, Art Non Figuratif, no. 1, 1932.

I like you, and I’d like you to like me to like you
But I don’t need you
Don’t need you to want me to like you
Because if you didn’t like me
I would still like you, you see

La la la
La la la

I lick you, I like you to like me to lick you
But I don’t need you
Don’t need you to like me to lick you
If your pleasure turned into pain
I would still lick for my personal gain

La la la
La la la

I fuck you, and I love you to love me to fuck you
But I don’t fucking need you
Don’t need you to need me to fuck you
If you need me to need you to fuck
That fucks everything up

La la la
La la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me

Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said

I want you, but I don’t need you

La la la
La la la

I love you, and I love how you love how I love you
But I don’t need you
Don’t need you to love me to love you
If your love changed into hate
Would my love have been a mistake?

La la la
La la la

So I’m gonna leave you, and I’d like you to leave me to leave you
But lover believe me, it isn’t because I don’t need you (you know I don’t need you)
All I wanted was to be wanted
But you’re drowning me deep in your need to be needed

La la la
La la la la la la la la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me
Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said
I want you, but I don’t need you

[Momus – I Want You But I Don’t Need You]

Perguntadas, as pessoas afirmam que tomam banho diariamente. Quem admite que não toma banho todos os dias é tido como “ousado”, é aquele “que não tá nem aí para o que os outros pensam”, para simultaneamente ser taxado de porco. É como admitir que peida. Todos peidam, sabem que peidam. “Eeeu? Nunca!”. Mas é proibido pela convenção social ADMITIR uma coisa dessas. E nem estou falando de trazer à tona o assunto “flatulência” numa situação social, que aí seria BAIXARIA DO MAIS ALTO GRAU, algo só aceito em mesa de bar, com todo mundo bêbado. Falo simplesmente de admitir – para si, que seja – que solta um bafo intestinal de vez em quando, e que até sente o cheiro. Coisa triste, as amarras sociais.

Se você não caiu no lixo, não se cagou nem se mijou, não correu uma maratona nem jogou uma partida de futebol, não come alho em profusão todos os dias, não tem problemas glandulares que causem muito suor e cheiro ruim, provavelmente você não precise tomar banho hoje. Admita e aceite. Não é vergonha nem nojento ficar um dia sem tomar banho. Ou dois, ou quem sabe três dias, dependendo das circunstâncias.

Lavar o cabelo não é banho. Quem tem caspa ou cabelo oleoso teoricamente “não pode” deixar de lavar as melenas. Ponto pacífico, mas nada a ver com banho. Se você não consegue lavar a cabeça sem ficar nu debaixo de um chuveiro, o problema não é mais meu, amigo.

Não interessa aqui, tampouco, a ESCOLHA de tomar banho diariamente, nem o prazer que a pessoa que toma até mais de um banho por dia sente, menos ainda o fator relaxante do banho. Cada um na sua. Meu negócio é a suposta NECESSIDADE de tomar banho todos os dias e, especialmente, o NOJO gerado nas pessoas ao saberem que alguém não faz isso.

“Saberem”. Palavra-chave: SABER. O pecado original, pai da frescura. Para começo de conversa, e já poderia ser também o fim dela: olha na minha cara e diz que você é capaz de saber se a pessoa atravessando a rua – aquela pessoa comum, sem fedor, sem uma craca pelo corpo – tomou banho ou não, só de olhar. É claro que você não é capaz, não minta. Você não sabe se alguém tomou banho ou não até que a pessoa diga. Ninguém em condições normais fede por passar um dia sem banho. É ao SABER que a pessoa não tomou banho, pelo menos até aquele momento (vai que ela está indo para casa tomar um; terá seu banho diário em breve), que você vai acabar enxergando ou sentindo alguma coisa que “denunciaria”. Ou nem vai sacar nada, vai só julgar: suja, porca. Ou absorverá um factual e singelo porém acusatório “ela não tomou banho”. Mesmo a pessoa não estando suja.

Uma hora vão inventar, tirar de algum “estudo científico”, que O CORRETO é tomar banho 2 vezes ao dia: uma vez ao acordar e outra à noite, depois de um dia cheio. Mas é óbvio! Imagina parte de uma manhã e uma tarde inteirinha – talvez, ainda, um pouco de noite! – sem um banho. Imagina o fedor e a crosta de sujeira do indivíduo! Precisa de um banho antes de ir deitar, claro. E no dia seguinte acorda já FEDENDO (A SONO), aquele cheirão insuportável de cama que não vai sumir depois de uma arejada na rua. Vai pro trabalho assim, irmão?

Pouco me importam os benefícios “científicos” da higiene do corpo, ou os “prejuízos” da falta de banho. Saúde se faz na alimentação, e nem precisa lavar as mãos antes de comer, sério; nos exercícios físicos, na meditação, no bom convívio com os que nos cercam, no trabalho que dá prazer. E mesmo assim, nada é garantido.

Aí o mais engraçadinho já vem ignorar o texto e me chamar de porco. “Rá! Escreveu um texto para legitimar a própria porquice, ein! Malandrão!”. Hilariante, meu bom. Veja só, eu sou feio e barbudo, desalinhado, mal vestido e manco nas habilidades sociais; gosto de pensar que sou um cara educado, para contar algo a meu favor. Por mais banhos que eu tomasse, por NUNCA QUE EU TIVESE ESCRITO esse texto, a pessoa que me vê na rua tem muita probabilidade de não me tomar por alguém “limpo”. Numa fila de gente, tipo identificação de suspeitos na delegacia, entre indivíduos sem banho e com banho, não me sentiria injustiçado se, mesmo de banho recém tomado, fosse apontado como um dos que não viu o chuveiro naquele dia. Porque as pessoas são como são, e se você é agradável, não é por causa dos banhos que você toma todos os dias, minha filha, e assim por diante.

E se o cara vai passar o fim-de-semana em casa, vendo tevê ou sentado na frente do computador, por que diabos vai tomar banho todo dia? Banho o cara toma quando a situação está em estágio avançado, de modo que pode incomodar os outros ou causar problemas para si, como no ambiente de trabalho ou algo do tipo. Banho, como tantas outras coisas, é para os outros, não para a gente.


O texto original é do Felipeta, mas os grifos são meus.
Pertinente demais pra passar batido, de novo.

Boa parte da minha vida não decidi por nada do que aconteceu comigo, deixava que decidissem por mim. Analisava todos os pontos, todas as circunstâncias, delineava todas as situações e jogava pras mãos das outras pessoas, algumas vezes, inconscientemente, outras muitas vezes, de propósito mesmo. Talvez isso não seja errado e funcione com outras pessoas, mas hoje eu não considero esse tipo de comportamento adequado pra mim. Tomar decisões, sérias e desagradáveis, faz parte da vida adulta. Mas acho que não tinha me tocado disso até esse ano. Ou talvez eu até tenha me tocado disso há alguns anos, mas nunca fiz questão de tomar as rédeas das situações por que talvez eu não me achasse digna de minha própria confiança. Acho que morar num lugar deprimente e ter baixa auto-estima colaborava pra que eu fosse assim também. Mas com certeza existiam outras coisas que faziam de mim uma pessoa insegura.

Hoje acredito que tudo está melhorando aos poucos. Ano passado mesmo, quando perguntavam pra mim o que eu queria, não sabia o que responder. Dizia que era preguiça, mas na verdade era covardia, medo mesmo. Hoje tenho mais respostas sobre o que quero, mas ainda não está bom, sei que posso melhorar um pouquinho mais nesse sentido. Percebo que ainda sou muito, mas muito desonesta comigo mesma quanto ao que eu realmente quero, quanto à todas as coisas que quero. Existem muitos auto-enganos na minha vida e eu tenho uma grande dificuldade em identificá-los pra ao menos poder saber o que fazer com eles: aceitar ou rejeitar. Antigamente eu culpava as pessoas por que claro, é muito mais fácil culpar os outros por erros meus, óbvio. Mas agora presto muito mais atenção no meu suposto discurso, nas coisas que falo, que penso, que aparentemente desejo. Confronto eles diretamente com a realidade pra ver se é isso mesmo, se aguento o tranco, se posso bancar… E sempre perco. E sempre ganho. E isso é tudo muito bom… E completamente devastador e desgastante, emocionalmente falando.

Por isso muitas vezes prefiro calar. There are things that are better left unsaid.

Por isso nunca gostei de pensar nessas coisas: por que elas dão trabalho, cansam, dóem. E quanto mais eu tento  dar uma de “durona”, pra demonstrar que não tenho problema nenhum em lidar com sentimentos ruins, mais eles me aterrorizam e me devoram por dentro. Então é preciso ir com muita calma nesse território. Preciso saber lidar, ter controle, sempre. E me resguardar ao mesmo tempo. É difícil. Muito difícil. Mas não é impossível.

Felizmente percebi também que tenho cada vez mais parado pra pensar, analisar, julgar, escolher e decidir quando já estou com a cabeça completamente fria, quando aparentemente não existem mais sentimentos, ou pelo menos nenhuma agitação aparente causada por paixão, ódio, mágoa, raiva, etc. Na verdade quando esses sentimentos existem, estão atuantes e eu me sinto agitada, tudo o que faço é NÃO pensar em nada disso e me resguardar muito, me preservar. Até (e principalmente) de mim mesma. Notei que é sempre melhor assim, que os danos são bem mais modestos e os resultados são melhores. Bem, funciona pra mim.

Não sei se é a maturidade que me trouxe isso ou o quê, mas a verdade é que de certa forma me eduquei a NÃO PENSAR quando estou com qualquer sentimento que não sei dominar direito, ou que eu não consigo nomear por que “não existe”. E tem sido bem melhor assim. Outra coisa que tenho notado é que cada vez menos tenho PRESERVADO os sentimentos ruins, sejam eles muito intensos ou não. Não preservo mais coisas desagradáveis, não faz mais sentido pra mim isso hoje. Não sei exatamente porquê isso acontece, mas acontece e me sinto bem por isso. Antigamente esses sentimentos pareciam durar por uma eternidade. Hoje, não passam de uma semana.

Mas talvez isso aconteça por que existe uma dor que eu ainda não experimentei.

E ela aparecerá, mais cedo ou mais tarde.

The trick is to keep breathing.

Mente dinâmica, mas cuidado com imprudência!

Marte em conjunção com Mercúrio natal

DE: 16/04 (Hoje), 5h53
ATÉ: 04/05 , 8h13

A mente dinamizada! Você estará vivendo, Isadora, entre os dias 16/04 (Hoje) e 04/05, um ciclo de Marte e Mercúrio que só se repete de dois em dois anos, mais ou menos. É um ciclo poderoso, muito intenso, que costuma dinamizar enormemente o seu plano mental, verbal e intelectivo, mas o uso construtivo ou destrutivo deste aspecto dependerá unicamente de você, de sua maturidade. De todo modo, Isadora, você sentirá como se seu cérebro tivesse sido subitamente turbinado neste período. A sensação pode ser a de que você tomou dez xícaras de café…

É claro, isso pode ser altamente estressante para o sistema nervoso, sobretudo se você não souber “escoar” corretamente esta energia mental, canalizando-a para atividades intelectuais desafiantes, aproveitando o pique para estudar, ler, envolver-se em debates positivos, movimentar-se, espanar a poeira, conhecer gente nova. É a insistência numa atitude inerte que pode reverter a qualidade deste trânsito para o lado negativo, e este lado negativo envolve a idéia de discussões sem sentido, crises de birra, palavras venenosas e feias sendo trocadas, erros de julgamento e outros equívocos do plano mental, assim como uma tendência a “fazer joguinhos” desnecessários.

A sensação nesta fase pode ser a de uma aceleração dos seus processos mentais, Isadora, um período positivo e produtivo no que diz respeito às atividades intelectuais, favorecendo muito as leituras, os estudos, os testes. Provavelmente você estará vendo as coisas com mais clareza, estando com uma maior disposição para encarar desafios intelectuais.

Também é uma fase interessante para ter aquela conversa objetiva que há tempos você gostaria de ter com alguém. Os debates e conversas, neste momento de sua vida, tendem a gerar resultados práticos eficientes, ou seja, você sente que sai ganhando.

Este é um período particularmente bom para iniciar algum estudo novo, aprofundar-se em alguma atividade intelectual, e até para fazer pequenas viagens ou passeios. É um período de maior força para as suas convicções pessoais. E é justamente quando temos mais segurança em nós mesmos que mais transmitimos confiança para os outros. Por conseqüência, esta é uma boa fase para fazer acordos, assinar contratos e, principalmente, para resolver pequenas questões burocráticas. Também é uma fase boa para compras e vendas, você tende a fazer bons negócios neste período.

Todavia, preste atenção, Isadora: vale aqui cultivar o máximo de bom senso, para saber quais discussões realmente valem a pena. Tomar mais cuidado com o que você diz evitará também problemas no que diz respeito a fofocas – nesta fase, Isadora, há o risco de você dizer uma coisa e tal coisa ser propagada (e distorcida) de uma forma inimaginável, como se você tivesse dito uma maldade, o que não é necessariamente verdade.

Tenha atenção, pois as intrigas e mal-entendidos têm mão dupla: é possível que lhe digam coisas que lhe deixem com raiva, mas procure investigar melhor os fatos para avaliar se o que estão lhe dizendo equivale à verdade ou se não passa de pura maldade.

Ele: Isso tem que significar algo. Não sei o que, mas algo. Relaxa por enquanto.

Dora: Queria conseguir relaxar..

Ele: Faz o jogo e vê aonde vai.

Dora: Sim.. Mas acho que não quero fazer parte disso.

Ele: Eu ficaria calmo e veria qual é. Se não quisesse nada, me faria de idiota. Não sei se vc deveria tomar a ofensiva de primeira. Faz um reconhecimento primeiro e tenta entrever o que está acontecendo.

Dora: Mas eu me angustio. Odeio ser levada em banho maria. Que me digam as coisas na cara logo, é ruim no começo mas depois é sempre melhor.

Ele: Dora, a vida é o banho maria,  na maior parte do tempo.

Dora: Você também não me ajuda né?

[…]

Ele: Você tem que se acalmar,  mas mais uma vez: eu posso estar errado. Nesse sentido minha ajuda é pouca, é só de inspiração mesmo.

Dora: Penso que se eu me acalmar por demais isso possa virar comodismo… E do comodismo ir pra coisa pior.

Ele: Ué… O que pode ser pior? Se vc se acomodar, nada vai acontecer, mas ao menos havera uma CHANCE de acontecer. Se você chutar o balde, não vai acontecer mesmo, nem agora, nem después. Então equilibra esse balde.

Dora: Também penso nessa chance, mas também me preocupo. Não quero me ferrar com coisa que não sei que vou me ferrar.. Sei lá, prefiro me ferrar com coisas óbvias. Estou angustiada demais… Por que tudo isso é tão difícil, tão dolorido? Sinto raiva, queria resolver isso logo.

Ele: Você está apaixonada?

[2 minutos]

Dora: Não sei.

Ele: Hihihi.

Dora: Pára!

Ele: Hohoho.

Dora: Não estou, não é tão simples. Mas tem coisa acontecendo. Não gosto disso.. Me sinto uma idiota. E eu nem faço nada, deixo estar… Mas ainda assim… Chato.

Ele:  Não estou dizendo que é legal,  é chato. Mas tem que suportar, fazer o quê?

Dora:  Eu tava tão decidida sobre o que fazer até conversar com você..

[…]

Dora: Me sinto muito desconfortável. Isso tudo me incomoda muito.

Ele: Pode ser. A escolha é sua, mas os ganhos são maiores se você suportar o desconforto…. E a perda será que nada acontecerá. E se nada acontecer, dane-se, você fica na mesma.

Dora: Sim, mas nesse processo todo rola o desgaste… Eu poderia ficar na mesma agora mesmo, sem passar por desgaste nenhum.

Ele: Sim. Mas você precisa avaliar se você vai ficar tão pior caso não aconteça nada…

Dora: Eu só fico ruim mesmo quando é algo que eu não espero que aconteça.. Quando é algo que eu já imagino que aconteça, e aí acontece… eu fico mal, mas ainda tem aquele conforto do ‘eu já sabia’. A mania de ficar querendo prever as coisas é meio burra… mas eu funciono assim, fazer o quê..

Ele: Sim. E vc acha que vai se dececpionar muito se vc esperar mais um pouco pra ver o que acontece?

Dora: Não faço a mínima idéia.. Chato isso, não ter transparência.

[…]

Ele: O susto abre caminhos também. Essa seria uma opção heróica e arriscada. A outra é a opção segura. Mas a opção que você está pensando, é ruim diante dessas duas. Qualquer uma das minhas é logicamente melhor. Mas é claro que essa é minha opinião.

Dora: Eu já havia pensado em confronto direto, mas talvez eu fosse parecer muito agressiva.

Ele: Vai parecer, mas isso não é ruim.

Dora: Bom, pelo menos eu teria uma resposta… Mesmo que vaga.

Ele:  Sim. E mesmo que a resposta seja evasiva, isso indica algo. Pelo tom, você saberá.

[…]

Dora: Não estou a fim disso.

Ele: É um risco. Mas como eu disse, você fica na mesma, você tem duas opções melhores e, se não der certo, você fica na mesma. A sua opção seria uma opção baseada unicamente pelo medo. E não é bom ser guiada pelo medo.

Dora: Sim. Sempre suspeitei disso. Mas o que fode não é ser guiada pelo medo ou não, mas ter culhões pra persistir… Mesmo sabendo que vou sofrer.

Ele: Tente avaliar se o mau resultado seria muito ruim pra vc… E se for tranquilo, tente.

Dora: Bem.. muito, muito ruim não seria. Eu só me sentiria patética caso fosse descartada como ‘mais uma’.

Ele: Então você está pensando muuuuito adiante…

Dora: Não necessariamente… Esse “muuuuito adiante” pode estar logo ali, quando não há transparência.

Ele: Nem chegou perto disso ainda, Dora. Você não conhece a estrutura toda da coisa ainda.. Mesmo que funcionasse, talvez você achasse uma merda e não quisesse mais. Tudo é arriscado assim mesmo..

Dora: Eu gostaria tanto de ser desapegada.. mas quando menos percebo, lá estou eu.. Completamente envolvida.

Ele: Eu fujo de intimidade como o diabo foge da cruz… E é de medo mesmo, por que sei o risco que existe. E ao mesmo tempo, há a carência, o desejo. Mas no meu caso, está perfeitamente claro que não suporto nada agora e é isso que vc tem que avaliar em você. Você está na ativa, deve ser diferente..

Dora: Comigo, quando eu menos percebo as coisas já estão acontecendo.. E eu tenho dificuldade em dizer não.

Ele: Então avalie se você pode dizer sim e tome uma decisão.

Dora: Isso é o que pega… Pra mim, eu posso dizer não por que posso cuidar de mim e me sentir segura. E posso dizer sim pra me provar o que quer que seja e me fazer de raçuda. Qualquer uma das opções é válida… O lance do ‘eu aguento o tranco’ é o que me ferra sempre. Sempre escolho a dor que ainda não experimentei.

Ele: Você tem que aprender a avaliar sem querer ser heroína.

Dora: Não quero ser heroína… Mas se eu optasse pelo que é seguro, seria algo que eu deixaria de passar pela experiência. Eu penso nisso.. Penso mesmo, muito. Mas o fato é que EU é que sou muito encagaçada… É isso.

Ele: Todo mundo é. Todo mundo manifesta seus medos de inúmeras formas. Tenho um amigo que é um mulherengo inveterado,  radical mesmo, de pegar mulher no ônibus e levar pra cama, mas isso tudo é medo também. Medo de intimidade real,  medo de compromisso. Não tem como escapar do medo, eu acho. Mas acho que dá pra tomar uma distância e tentar ver se o medo é justificado. Se for, abra mão. Saiba perder também. Perder não é necessariamente ruim.

Dora: Não é, eu entendo. As vezes eu fico brava pois fico parecendo a minha mãe falando que todas as coisas que me acontecem são “provações”. Tão ridículo isso… Mas as vezes parece verdade…

Ele: O que acho é que vc não deve escolher aquilo que vai te fazer perder DE QUALQUER JEITO, mas escolher opções nas quais vc tenha uma chance de ganhar, mantendo em vista a possibilidade de perder. Então saiba perder e escolha poder ganhar.

Dora: Mas o que eu queria mesmo, no meio disso tudo, é aprender mais coisas no processo. Queria aprender a ser mais desprendida, desapegada, mais solta. Crio regras pra tudo e isso é muito ruim. Queria uma independencia maior dessas coisas que eu sinto. Às vezes queria viver a minha vida como se não fosse minha mas isso é sonho.. Não é possível.

Ele: Não tem como não sentir, anular seus sentimentos. O que você pode fazer é formatar os seus vínculos de uma maneira diferente, por que o vínculo vai existir pra sempre. Não raro, pessoas que resistem a vínculos são as mais apegadas a alguma memória, alguma coisa do passado, sei lá. Não acho que dê para se “desapegar” simplesmente… Mas dá pra ter uma relação diferente com as coisas, aceitando que você terá uma relação.. Qualquer que seja.

[5 minutos – um abismo, pra mim.]

Dora: Acho que é difícil pra eu entender isso por que já faz muito tempo que estou sozinha. Não só estou sozinha, como me sinto sozinha.

Ele: Entendo.

Dora: E sei que estou vulnerável, por isso quero me cuidar tanto. É… complicado.

Ele: Sim, é o meu caso… Não posso bancar nada. Outro dia uma mina me ligou que eu não via há muito tempo, me falando que tinha terminado com o namorado..  Já tive uma parada com essa menina. Era óbvio o lance..

Dora: Direta ela hein?

Ele: Ela é doida. Eu não fui, mas não por causa da abordagem dela..

Dora: Mas vc falou que não ia?

Ele: Sim. Eu falei que ficaria em casa e tal… e só. Depois me perguntei se eu não deveria ter ido mas no meu estado o estrago de ter uma experiencia ruim teria sido muito maior do que o ganho de uma experiencia boa. Depois achei minha decisão acertada, mas mantive isso na manga tb. Sei que posso ligar pra ela se eu me sentir melhor com tudo. É o que eu digo, não enterre algo que você sente. Tente fazer as coisas pra você ter uma chance e mesmo que não aconteça, e que você decida depois que nada vá acontecer… Deixa estar.

Dora: É. Eu preciso saber me comportar. Gosto quando as coisas são minimamente recíprocas.. Até sou generosa e tudo o mais.. Mas ficar inflando ego de quem se lixa pra vc.. É ruim.

Ele: Isso da falta de reciprocidade é medo de ficar em desvantagem, medo de perder. Se vc perceber que é isso, dane-se, dê as costas e vá embora.

Dora: É.. o problema é eu saber perceber quando. Puta merda.. Tô na merda.

Ele: Ah…. vc tem boas chances de sobrevivência.

Dora: Yeah right.. Ok.. posso sair mal.. mas não tão mal a ponto de ficar irrecuperável.

Ele: Irrecuperável é um pouco forte.

Dora: Ok.. não chegou a ser irrecuperável por que eu tô aqui. Parecia não ter fim.. demorou.. mas acabou. Hoje eu sou uma pessoa razoavelmente civilizada. Você sabe do que estou falando..

Ele: Acho que é o mesmo comigo.

[…]

Dora: O mais bizarro é eu falar a outras pessoas sobre a minha solidão.. E elas não acreditarem.

Ele: Eu acredito.

Dora: Mas você é diferente… Você me conhece.

Ele: Você acha que sim? pq eu mesmo não sei…. Gosto muito de vc, mas não sei se te conheço.

Dora: Conhece um bocado.

Ele: Às vezes parece que te entendo muito… Às vezes não entendo nada.. Mas é assim com todo mundo, eu acho.

Dora:  Não tem como saber tudo né? Você não lê mentes… ainda! Ha-ha.

Ele: Jamais. Nem quero.

I have music inside me.

.

Like some passion that will never be fulfilled.

Like a dream that will never come to end.

Like a child that will never be born.

.
.
.

Still.

I have music inside me.

.
.

It’s living in streams of air

Through my leaves

Outside the birds.

It’s huge, free and so generous

It’s everywhere.

.

Where my footsteps are.

Where I just went.

.

I judge what I hear.
I perceive (pursue) what I feel.

.
.
.
.

Music is within me.

.
.
.
.

And it moves…

Slightly.

All.

The.

Time.

.
.
.
.
.

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De tanto me partir, aprendi a gostar de fragmentos pois descobri que no total eu era todos os pedaços que havia juntado pelo caminho e os que eu havia perdido por aí.

Descobri que fragmentar-se é se repartir com o mundo de alguma forma e a coisa mais generosa que alguém pode fazer é dividir os seus cacos com quem puder fazer algum proveito.

Um fragmento sempre permite um princípio de idéia, uma resposta a uma pergunta, uma possibilidade para além dos três pontinhos.

Um pedaço seu que você deixou de fora quando fez o último mosaico de si mesmo pode ser útil a alguém que também esteja se remontando.

Fragmentar-se necessário para estar sempre em construção.

É permitir-se novas cores e formas, novos ângulos, novas perspectivas e novas interpretações.

Fragmentar-se ao contrário do que possa parecer, é uma chance de crescimento.

Carolina Veríssimo via fotolog

Juro nunca mais ser gentil
Para sempre ser severa
Pois o amor é difícil de lidar
Pois o amor lhe roubará a visão
O fardo da santidade
A tentação em ajoelhar-se
O medo mudo de ser pega
Em vapores de pecado

Nós cantamos do vácuo
Nós queimamos com amor
Tão estranhamente melancólicos
Tão estranhamente completos
Em algumas horas ébrias
Em algumas palavras céleres
De nossas bocas salivantes
Perdermos tudo para que aqui viemos

Se você fosse meu
Eu coraria um pouquinho
E morreria

[Rome, Das Feuerordal]

Há alguns dias atrás, pensava ser covardia. Mas hoje, pensando melhor, tenho a certeza de que é apenas auto-preservação mesmo e não há nada de errado com isso. Sinceridade pode tanto ser virtude quanto vício, isso depende quase que totalmente da dosagem na qual ela é usada. Nada me tira da mente que o que é secreto deve permanecer secreto e as coisas, realmente são melhores assim. Ok, talvez não sejam necessariamente melhores mas enfim… Sejam diferentes. Talvez elas simplesmente precisem ser assim. Gosto de me proteger e acredito que não devo carregar uma culpa ilusória e nem me sentir covarde por isso.

Auto-preservação deve sempre estar acima de qualquer paixão. 

 

 

Chegaria naquele lugar com desleixo total. Desdenharia de tudo. Mas tudo bem, a vida já não tava boa mesmo, então era o que se tinha a fazer. Eu o ridicularizava por que pra mim falar e escrever as coisas sempre foi muito fácil, tudo era sempre muito verborrágico. Pra ele não, escrever era um estorvo, um tormento sem fim. Ele o fazia por que devia, não por que queria. Era quase que uma obrigação com ele mesmo e com o teclado, ou qualquer coisa que o valha, caneta, papel. Mas eu estava naquela cidade, o dia estava bom, as pessoas iam pra praia, o sol estava alto. Um dia realmente perfeito, e aquele lugar era paradisíacamente afrodisíaco. Ok. Táxi, check-in, abri as cortinas do lugar e vi o mar ali daquele alto andar. Eu não sabia se estava feliz e isso era uma constante por aqueles dias.

Pensei em fazer qualquer coisa, pensei em várias coisas, visitar alguns lugares, rever algumas pessoas que não via há cerca de 3 anos, mas não fiz nada disso. Sentei e esperei pra que algo acontecesse. Comigo, de mim, pra mim. E aí acendi um cigarro, pois é isso que se faz nessas horas, mesmo. Tempo é babaquice, apego também. Essas coisas deveriam ser banidas da existência pra que a gente pudesse pelo menos viver um pouco mais, com preocupações a menos. Mas as coisas – e as pessoas – não são tão simples assim e nem tudo é tão fácil quanto parece. As horas passam o firmamento muda de cor, o dia muda de cheiro, chega cansado, suado no final. É sempre assim, quando ele chega perto de mim. Fazia tempo que não me via. Fazia tempo que não me tinha.

Na verdade, acho que nunca teve, nem nunca terá. Não é assim que as coisas funcionam pro outro. Os desejos são outros, a vida também é outra. Qualquer coisa perene é empecilho pro que for. Então o não persiste e eu… Eu insisto. Insisto sem querer, sem perceber o desgaste, sem atinar que tudo não passa de uma brincadeira e que nada vai ser como imagino, como planejo, como EU desejo. Como tinha falado, tempo e apego deveriam ser suprimidos desta realidade. Ah, se deviam. Permaneço deitada-sem me mover. Decidi morrer naquele momento. Decidi negar a existência e aceitar aquela violência como se fosse um presente, uma dádiva. Eu o esperava. O esperaria pra sempre, sendo que o pra sempre era agora. E agora ele me queria. E eu sabia que não, que não era nada daquilo.

– Você tem certeza disso? – perguntei.

Ele fez que sim. E eu não fiz que não, o que é diferente de dizer sim. Ele também não notou de primeira.  Acho que em toda a minha vida, a verdade mesmo é que nunca aprendi a dizer não. E então as situações subverteram em suas mais variadas formas. Claro, a gente faz o que faz, mas é puro impulso, puro instinto, mecânico. Não existe nada ali, não acontece nada. Existe apenas a repetição de algo vazio e sem significado algum. Algo frio, insosso, como a primeira vez, como todas as vezes, como as vezes que nunca foram, nunca serão, como as vezes esquecidas, imaginadas, fantasiadas. Algo fútil. Um filme, uma comédia, com as horas a nos devorar. Você pensa em tudo, menos no que acontece de fato. Não pensa no outro. O outro não existe. Existe só uma situação pequena, mesquinha. Inconsciente. Finita.

– Você é boa mesmo quando está mal. – ele disse.

Não me dou bem com finitudes. Não me sentia nada benevolente naquele momento. Não sentia nada mesmo. Aquele beijo não era um beijo e aquela pessoa era como uma rocha num estado avançado de corrosão pelo tempo. Eu não o enxergava completamente, mas sim como se estivésse fora de foco, algo que atrapalhava minha visão, de certa forma. E eu o amava. O amava sem me entregar como desejava. A minha mente era como um labirinto, só que sem saída e cheio de empecilhos pra que eu realmente pudesse viver e sentir o que eu quisesse, sem armadilhas, sem boicotes. Mas o medo de desilusão era maior do que qualquer coisa. Então me entregava de outras formas, deixando meus sentimentos em estado vegetativo, ignorando qualquer possibilidade, qualquer pensamento, qualquer bem querer.

Aceitava passivamente tudo o que não havia pois alimentar qualquer possibilidade envolveria planejamentos e desgastes e planos frustrados. Algo que nunca poderia dar certo. Algo que não daria certo. Eu só tinha a certeza do quase. Essa sempre tive. Então era isso o que vivia, quase sempre, o tempo todo, exaustivamente. E essa certeza, ao mesmo tempo em que era fértil e florescia dentro de mim, também me amargurava, angustiava e esvaziava. Como uma montanha russa de sentimentos e sensações variadas. Mas tinha fim. Ganhei a rua e estava frio. Ainda podia ouvir a cidade agitada, o cheiro da noite, as pessoas indo de uns lugares pra outros. Ele tinha ido embora. De uma vez por todas, desta vez. Pisava na areia e via o mar. Eu estava perdida, eu estava deserta. Observei e esperei.

O dia amanheceu branco.

mar_deserto

Imagem retirada do flickr /myhaela

– Com o mundo inteiro Mack. Estou dizendo que a reconciliação é uma rua de mão dupla e eu fiz a minha parte, totalmente, completamente definitivamente. Não é da natureza do amor forçar um relacionamento, mas é da natureza do amor abrir o caminho.

Após dizer isso Papai levantou-se e pegou alguns pratos para levar para a cozinha.
Mack levantou a cabeça e ergueu os olhos.

– Então eu realmente não entendo o que é reconciliação e realmente morro de medo de emoções. É isso?

Papai não respondeu imediatamente, mas balançou a cabeça. Mack a ouviu resmungar…

– Homens! Algumas vezes são tão idiotas!

Ele não podia acreditar.

– Ouvi Deus me chamar de idiota? gritou pela porta.
– Se a carapuça serve, querido. Sim senhor, se a carapuça serve…

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YOUNG, William P. A Cabana. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. 236 p.

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não gosto de observar pessoas. é algo que faço involuntariamente quase sempre. pior do que observar é reparar na pessoa. são coisas bem diferentes. acho que pior ainda que reparar é você se pegar “pensando mal” da pessoa. mas não mal no sentido de desejar maldade, mas mal no sentido de “ok isso não pode estar certo”, quase que como um tipo de CRÍTICA ao outro mesmo. e eu critico tudo na minha cabeça, desde comportamento, personalidade até mesmo o estilo da pessoa. fútil eu sei, mas acontece.

é uma tentativa imbecil de querer que todo mundo seja mais ou menos como eu queria que fosse.. enfim. na verdade até acho isso chato, quase errado, mas como eu já disse antes, é inevitável. quando eu vejo já estou pensando muita bobagem. e esses pensamentos me torram a paciência às vezes.  esses dias eu e um colega conversávamos sobre as “pessoas falsificadas” ou pessoas fabricadas, que existem por aí. estilos, tatuagens, cabelos coloridos, preferências… não chegamos a uma conclusão muito precisa mas enfim…

não tenho nada contra a FANTASIA em si. mesmo. acho bacana ela fazer parte da nossa vida. POR UM TEMPO. por um dia. num final de semana. etc. é legal você fazer parte de tribo X, Y, Z, mas acho que uma hora, eventualmente, no dia a dia, a gente ‘precisa crescer’. ou ao menos desvincular-se, um pouco, disso tudo. de alguma forma. você não vai poder SER X coisa 24/7 pro resto da sua vida, por que senão isso acaba se tornando muito estranho. mesmo. pérolas aos porcos. enfim…

vai ver mesmo sou eu quem sou muito idiota, mas ao menos prefiro fazer com que algumas coisas não façam TANTA parte da minha personalidade a ponto de eu não conseguir VIVER/SOBREVIVER sem elas, ao ponto de eu não conseguir me desvencilhar delas, nunca. eu sei que pode até ter uma pontinha de niilismo aí, mas enfim… essa sou eu. consigo fazer isso por que eu sempre me sinto preparada a perder tudo. acho que chega uma hora que é preciso ter um pouco que seja de maturidade ao menos.  não estou conseguindo me expressar direito… acho que não é bem maturidade a palavra. é outra, mas agora não está vindo.

sei lá, pra mim é uma questão de sobrevivência até isso tudo. pessoalmente acho muito feio perceber que alguém SE RECUSA a crescer. tá. tudo bem. uma coisa é a pessoa SE DECIDIR por isso e ser assim mesmo e não ter jeito. aí, é claro, a pessoa vai TRILHAR e BUSCAR por isso e ser assim mesmo e pronto. outra é ver que a vida da pessoa rumar pra um lado e a pessoa querendo ir pra outro nada a ver. é muito horrível. angustiante. ainda mais quando são pessoas muito próximas. não gosto nem de ficar sabendo.

e às vezes não é nem crescer a palavra. mudar apenas, talvez…? não sei.

eu sempre fui do tipo que gosta das coisas perenes, apesar de parecer que não. mas ora pois, estamos falando de superficialidades, de roupas, de estilo. ainda assim, me considero relativamente perene. não faço estilo clássico, nem nada, na verdade, não faço estilo algum e faço todos ao mesmo tempo. o que revela a minha suposta perenidade são as tatuagens, que não sairão dali nunca, a não ser que eu faça outros desenhos por cima.. mas ainda assim, serão tatuagens. pois bem. quando eu envelhecer vou ficar ok com isso por que já faz parte de mim. as coisas (e pessoas) que não faziam parte de mim foram embora e hoje só sobrou isso que sou.

posso dizer que, hoje, estou feliz até. nunca me senti tão bem, tão pura, tão eu mesma. o que me entristece e aborrece na maior parte do tempo são os outros mesmo. e o mais ridículo é que nem são pessoas do meu convívio. geralmente são aleatórios mesmo. ô povinho que gosta de forçar uma barra… sei lá… ao contrário deles, eu pelo menos não me sinto obrigada a nada.

obrigada a seguir um estilo de vida. obrigada a fazer cara feia pros outros, ou cara de indiferente ou qualquer cara que defina algum grupo em nome de qualquer coisa, sei lá. se não quiser não bebo, se não quiser não fumo. não faço coisas idiotas pra me enturmar (nunca entendi isso, sempre fiz, assumo). acho que a minha idade e as coisas que me aconteceram me fizeram ver a vida de uma forma diferente.

hoje simplesmente vejo que algumas pessoas “se estragam” por opção própria, e não há nada que impeça isso. são pessoas profundamente infelizes (ou, às vezes, até que não são), que buscam felicidade nas coisas rasas e erradas (às vezes até SABENDO disso) e tem o verdadeiro DOM de procrastinar uma vida inteira que poderia ter muito mais possibilidades se elas apenas cultivassem hábitos diferentes. ou se apenas fossem mais honestas consigo mesmas, ao menos.

não dá pra querer negociar, conversar com gente assim, fazer com que a pessoa entenda. ninguém que é assim quer ser ajudado. ou ainda, ninguém que é assim acha que precisa ser ajudado. ou são uns saudosistas nojentos ou futuristas sem noção, e não percebem que “o importante é o agora minha gente”. isso pode parecer insensível da minha parte, mas é verdade e ninguém enxerga.

a FEIÚRA é uma coisa que me deprime muito. mas não a feiúra física… mas aquela da alma, dos ciclos viciosos, das pessoas viciadas, das pessoas de uma tristeza profunda, que só existe por opção delas mesmas… odeio me deprimir por tabela por esses tipos. não mereço isso. tenho que me policiar com essas coisas.

a única coisa que me alegra são os meus sonhos sádicos internos de ver esse povo envelhecendo mal e APODRECENDO. pois hoje eles ainda contam vantagem das coisas que não fizeram, das promessas que não cumpriram. se acham velhos sendo jovens. ou acham que serão jovens pra sempre. ou associam ‘inteligência’ às coisas erradas. acham que terão cabelos coloridos/compridos pra sempre. acham que não enjoarão nunca das tatuagens que escolheram num catálogo qualquer por aí. e ignoram solenemente seus defeitos, como se eles não existissem apesar de, evidentemente, esses mesmos defeitos modificarem suas vidas como um todo. pra pior, é claro. é tudo muito triste, e tudo muito feio. me dão náuseas, NÁUSEAS!

preciso PARAR de observar gente assim. urgentemente.

e sim, eu realmente não pareço ser quem sou.

nasci pra subverter. só pode.

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