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“Eu não as odeio inteiramente porque elas não existem por inteiro. Eu odeio os detalhes, os cacos que elas são”

A festa está terminando, são quatro horas da manhã, eu estou com uma vontade inexplicável de sair correndo pela praia. Simplesmente correndo. Correndo pelas praias dessa cidade, a pior cidade. A que eu sempre odiei. Que é a melhor cidade. A melhor cidade pra mim. A única cidade possível. Com essas pessoas que eu sempre odiei. Sempre vou odiar. São as melhores pessoas. As únicas pessoas que prestam pra ficar ao meu lado. São essas pessoas que eu odeio que são comoventes, como esta merda de cidade que eu odeio. Essa merda de cidade que eu odeio, mas que às quatro horas da madrugada me comove terrívelmente. Como essas pessoas que eu odeio. Que eu tenho que amar. Como essa cidade que é minha. Que será sempre minha. Como essas pessoas que serão minhas. Exatamente como essa cidade.

Essas pessoas.

Essa cidade.

Essa pessoa.

Estas pessoas.

Essa cidade.

Essas pessoas.

– Homens não envelhecem, só amadurecem. E continuam bobos.

– Eu sou bobo?

– Homens são bobos. Todos.

– Não quero ser homem. 

– A bobice é disfarçável, mas só por um tempo. As piadas sem graça tornam-se inevitáveis com a convivência. Mesmo com os caras mais brilhantes. Principalmente com os homens mais brilhantes.

– Humpft.

(…)

– Já chegamos na fase em que eu pareço bobo?

A agressão masculina, sob a forma que assume atualmente, provém desse mal de amor, gerado pela percepção de que entre os pais há pouco prazer, cumplicidade, amor e investimento. Nesse contexto, as crianças crescem contemplando uma “primeira sociedade” onde as trocas amorosas, a preservação e a ênfase nos vínculos afetivos são desvalorizados e substituídos por um contrato moral que nasceu para ser burlado. Os futuros vínculos sociais entre criança e mundo tenderão a carregar e a repetir a mesma dinâmica vivenciada entre ela e os pais, na qual ela, como objeto de desejo dos pais, contempla a agressão, o individualismo e a falta de compreensão. A criança é levada a acreditar que uma relação que não deu certo é a mais importante e verdadeira para ela. A criança precisa negar suas próprias percepções para, a partir daí, acreditar que a família é um bem em si. Do mesmo modo, para o soldado, a guerra é um fato cujas justificativas, irracionais e contraditórias, transformam em crença. Para enfrentar a guerra, o soldado tem que acreditar no que lhe disseram a respeito dela, para que sob esta ilusão consiga lutar. É necessário que ele delire, e será a força deste delírio que o fará com que dispare o fuzil. É preciso que ele não ouça suas entranhas para que desta agressão para consigo ele possa transformar-se em agressor.

Considerando a presença das guerras na história humana, podemos pensar que talvez elas carreguem algum outro significado, que expressem uma dimensão do universo masculino que os próprios homens não conseguiram ainda identificar. Em última instância, as guerras põem os homens em contato com uma dimensão irracional deles mesmos. Para isso é necessário que o outro não seja simplesmente o representante da diferença, mas um inimigo, alguém que ocupe um lugar na cena imaginária masculina que gere temor de aniquilamento. Crer nisto já é suficiente para a justificativa de um exército. A fantasia do aniquilamento pode se tornar de fato um aniquilamento. (p. 76-77)

Александр Лебедев-Фронтов

Meine liebe ist mein größter feind,
und ich kann mich nicht wehren,
sie reißt alles an sich,
mein herz ist wund, mein herz es fühlt sich leer

meine liebe ist mein albtraum,
ich kann mich nicht von ihr befreien,
vielleicht kann ich sie vergessen,
und eines tages ihr verzeihn

(Northern Lite, Enemy)

 A guerra encarna para os homens uma paixão não dissolvida, que pulsa em suas entranhas, faz mover seus corpos e mentes e agita seus corações. Por outro lado, se ela amolece seus corações, viabiliza o contato com a dor, com o medo e a perda, a vulnerabilidade e o risco, pontos que habitualmente os homens não estão acostumados a experimentar. Ela cumpre o papel de favorecer o elemento físico e afetivo entre os homens, mesmo que seja para defender-se, matar ou morrer. É só a partir de um inimigo comum que os homens se permitem reconhecer o que sentem um pelos outros; é preciso um campo de batalha definido por razões suficientemente “racionais” para que possam sentir o que dificilmente sentiriam em outras condições. Quanto mais morto afetivamente está um indivíduo, mais ele precisa dilacerar, ferir e destruir para se sentir vivo. Nas cenas finais do filme Blade Runner (direção de Ridley Scott, 1982), o andróide, pouco antes de morrer, fere propositalmente o corpo para sentir dor. Esta seria a informação de que precisava para se sentir vivo, a dor naquele momento chegava até seu coração e alavancava a paixão que ele desenvolvera pela vida. Uma paixão reclusa, exilada na razão por que ele fora criado: guerrear, combater e eliminar. (p. 79)

Por outro lado, a entrega nos põe em ruelas escuras e tortuosas, as quais teremos que nomear, e nas quais teremos que caminhar. Para quem se entrega, não há garantias, senão a de se permitir viver o que a vida oferece, à revelia de suas próprias expectativas. O desejo pulsa e se refaz a cada contato com o que o outro pode suscitar: gozo, angústia ou frustração. Ao entregar-se, um homem avança por sobre um fino papel-arroz. Assim, a entrega permite ao homem o aprendizado da arte de se deslocar por intermédio dos próprios desejos, conduzido com suavidade e destreza, serenidade e transformação, marcando a trilha de seu destino, que jamais será igual ao de um outro. A experiência da entrega remete os homens ao exercício da solidão, já que é só se sabendo só que ele poderá viver a aventura do encontro.

Da maneira como foram concebidos, os homens estão privados de viver qualquer dos aspectos mencionados anteriormente. Sexualizando a tudo e a todos, não há nenhuma outra porta para sair e respirar fora das fronteiras masculinas definidas como convencionalmente são.

A entrega suscita nos homens um sentimento de vulnerabilidade e fragilidade com o qual têm dificuldade de lidar. O desconforto gerado por esta situação procede primeiramente do deslocamento do lugar de controle e do distanciamento a que ficam habitualmente referidos no plano afetivo. Ao sair deste lugar, os homens entram numa dissonância interna em que vigora o temor do aniquilamento. Este temor ronda, desde a infância, todo o processo de construção da identidade masculina, e aparece travestido nos olhares vigilantes dos pais e do grupo social.

A cada possibilidade de entrega afetiva fora dos confins da família, uma dúvida é lançada sobre o comportamento dos meninos: estarão se comportando como homens? (p. 111)

Os homens que se privam de viver os sabores e dissabores da vida amorosa tendem a travar um duelo com eles próprios, e para aplacá-lo nada resta senão alienar-se de sua condição afetiva. (p. 113)

NOLASCO, Sócrates. O mito da masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. 187 p.

13/1/2009 – 22:45:56 – Rompy – Hei (Isa)Dora :) (hehe or was it Døra, thi-hi) Greetings from Norway. Been a while, but now is better than never. Hope you had a nice christmas and new year celebration and that you had a nice time with your loved ones. We even had lots of snow for a while, but then the rain came. Now there is nothing left :(

13/1/2009 – 22:58:54 – Rompy – [grrrrrr enter] Looking good on the picture ;) (ok, gonna stop looking at it now) (just one more time) Want to wish you all the best for the new year :) Oh, make people around you happy, and you will find yourself happy. Best wishes from the land of the midnight sun

Runar

Uma das coisas que mais gosto de fazer nessa vida é observar homens dormindo. Não há palavra que descreva esse prazer, pra minha pessoa. Antigamente eu jurava que era coisa de menina. Depois tentei pensar que fosse coisa de mulher apaixonada. Também não é. É algo que simplesmente não consigo evitar. Observar o respirar, o movimento rápido dos olhos, o movimento da caixa toráxica, todos diferentes, todos idênticos. Quando os homens dormem eles não estão ali. Existe só a visão, aquela casca, tudo está calmo. Eu gosto disso. Mas só gosto disso nesses exatos momentos. É bonito de ver, mas eu prefiro os homens vivos mesmo. Bem vivos.

Conheço homens que dormem acordados e eles me entristecem muito. Na verdade não é entristecer a palavra. Acho que ainda é um sentimento que não tem nome. Eu perco o interesse e começo a nutrir sentimentos que não deveria sentir por homem nenhum, como sei lá… Pena. Dó. É… É triste mesmo de ver. Ainda mais quando isso acontece em homens muito jovens. Vejam bem, não me interpretem mal: quando falo de “dormir acordado” não falo de homens sonhadores, que têm desejos, etc… Mas de homem que, de fato, adormecem pra vida. De homens profundamente deprimidos, e que não se reconhecem como tal.

Ok, todas as pessoas têm problemas, etc, e todo aquele papinho mole. Mas me deixo o direito de não gostar de homens assim. Eles me parecem… Enferrujados, empoeirados, travados, complexos demais, mesquinhos demais. Não são coisas boas. Ok, estou falando de homens mas nada impede que mulheres também sejam da mesma forma, enfim. E não digo essas coisas por dizer, mas sim por que é o que sinto. Um rapaz lindo, na flor da juventude, pode sim ter maturidade… Mas nem por isso precisa se comportar como um inútil, impotente. São coisas bem diferentes. É melancólico perceber um jovem enferrujado. E esses tipinhos, mesmo que sem querer, querem ser ultra-românticos, viver entre vida, morte, drogas e orgias. Não vejo graça, nem vantagem. E eles também não. E é exatamente isso o que me irrita, profundamente, nesses tipos de homens.

Todo mundo é um pouco contraditório. Mas pra esse homem, em um dia ele vai morrer sozinho e no outro ele casaria agora mesmo com a primeira garota que lhe dirigisse o olhar. Tudo bem ser de lua, mas não é pra tanto. Eu sei, não consigo entender, nem os homens, nem as pessoas. Ah, ele é só um menino. Um menino irritado também, que me diz que está cansado demais pra se importar comigo e com o que eu penso. Hoje ele diz que não dá mais a mínima. Num dia é isso, no outro é um beijo na minha boca. E eu aceito isso. Aceito isso? Já não sei mais. A vida é assim, toda torta mesmo então não adianta muito ficar reclamando, querer que tudo seja diferente, que tudo mude. Certas pessoas e coisas nunca mudam. As pessoas esquecem as coisas e isso é tudo natural. Os bêbados, drogados, nunca as lembram. Tem sempre aquela névoa que faz todo mundo esquecer de tudo, até das piores coisas.

Antigamente as pessoas de modo geral me angustiavam. Hoje em dia acho graça, acho muita graça. Mil risos de escárnio pra essas coisas toscas que a vida nos dá. Não vejo mais propósito. Não me esforço pra encontrá-lo. Acho que as coisas terminam desse jeito mesmo. Com as pessoas vazias. E é só o vazio é que resolve tudo mesmo.

Já caí na porrada – literalmente – com ele uma vez, num dia de fúria qualquer desses que a gente tem. Não me orgulho, nem me envergonho, simplesmente aconteceu. Meu pai não nasceu em berço de ouro, mas sempre teve uma vida de muita correria. Eu sei que ele foi militar e, ao contrário da sádica da minha irmã, me recuso a perguntar pra ele sobre aquela época. Se perguntasse, sei que ele não responderia mesmo, então evito constrangimentos. De qualquer forma, ele só me falava das coisas boas que aprendeu com os militares, questão de ordem, disciplina, etc. Hoje em dia não sou exatamente uma mulher disciplinada, mas sou meio exigente, com as coisas em geral e comigo mesma, de uns tempos pra cá.

Enfim… Às vezes fico tentada a acreditar que o sonho do meu pai era ter filhos homens, que gostassem de futebol e de beber cerveja, que nem ele. Mas a vida lhe deu duas meninas. Fico pensando idiotamente que “se eu fosse homem tudo mudaria de figura”, meu pai me enxergaria de forma diferente, não se importaria com alguns detalhes da minha personalidade e me privilegiaria em outras. Em compensação, exigiria muito mais de mim também, o que não seria exatamente algo positivo, dependendo do caso. Mas não fico pensando muito nisso, pois pode não ser verdade. Nunca vou saber. Eu vejo que ele gostaria de filhos homens pela forma que trata meus primos e os namorados meus e da minha irmã. Mas isso deve ser bobagem mesmo.

Meu pai gosta só de 4 coisas hoje em dia: minha mãe, minha irmã, eu e cerveja. E ele quer se aposentar. E eu acho que já deveria mesmo. Não que ele não preste pra mais nada, mas eu reconheço nele a figura do cansaço em pessoa. A barriga, os cabelos brancos, a impaciência com muitas coisas, o jeito eterno de alemão ranzinza dele. Meu pai fica puto muito fácil, mas de uns anos pra cá ele já melhorou muito, conseguiu abstrair e aceitar muitas coisas e eu reconheço isso. Talvez seja a única que perceba isso e talvez só perceba isso porque agora estou morando longe e só o vejo de 6 em 6 meses. Não reclamo muito de saudades. Acho que, no tempo em que “esteve comigo” meu pai me ensinou (ou ao menos tentou ensinar) muitas coisas, simples e complexas.

Ele já brigou com amigos muito próximos por minha causa. Já tentou me educar a fazer a coisa certa, sem didática alguma, de forma completamente errada e desastrosa. Mas pais, antes de serem perfeitos, são humanos. Demorei, mas aprendi isso. Não que ele me quisesse mal, mas nem sempre as coisas saem do jeito que a gente espera. De qualquer forma sempre me senti segura com ele. Uma vez, num carnaval antigo (eu devia ter uns 3 anos e ele gosta muito de carnaval) subi nos ombros dele e pulamos carnaval. Não lembro disso muito claramente, mas consegui resgatar uma foto dessa época. Se eu não consigo me esquecer deste momento em específico, é porque algo importante deve ter acontecido ali. Deve ter sido divertido. Não vou “colorir” essa lembrança, mesmo porque não me recordo muito. Mas deve ter sido divertido mesmo.

Ele faz o melhor churrasco do mundo, o melhor galeto do mundo e também faz sopa de capelletti todos os domingos à noite, só pelo prazer de fazer. Ele lê os jornais, aprendeu a duras penas a mexer com Internet e com o computador. Tudo que ele quer ele consegue, se minha mãe deixar (pois é…). Mas a coisa é que, meu pai nunca quis demais, a vida toda ele foi muito generoso, mesmo sendo ranzinza. Ele me ensinou a amarrar o tênis quando eu tava na primeira série. Mas nessa época ele ainda era meu “tio”.

Ok. Long short story. Eu tive 3 pais até hoje:

1. Pai biológico: não faço a puta idéia de quem seja. Nem quero saber.
2. Pai do RG: o cara com quem minha mãe tava casada na época em que decidiu me ter. Ela se separou dele quando eu tinha 3 anos e depois ele nunca fez questão de manter contato comigo, então não consegui criar nenhum tipo de sentimento por ele. Nem bom, nem ruim. Minha mãe também nunca me falou nada dele, nada de bom, nem de ruim. Também não tenho muito contato com a família dele, nem nada. Dele, só carrego o sobrenome. Ele faleceu há alguns anos atrás e no dia que minha mãe me comunicou isso eu não consegui me sentir mais indiferente.
3. O meu pai: o cara de quem falo nesse texto. O meu pai, que me educou, me criou, paga minhas contas, se aborrece comigo e se orgulha de mim também às vezes.

Me recuso a chamá-lo de padrasto por que simplesmente não parece certo. Nunca pareceu. Ele começou a namorar a minha mãe quando eu realmente era muito pequena, eu devia ter uns 4 anos, por aí. E eles começaram a viver juntos e tudo o mais, e minha mãe nunca me explicou direito o que tava acontecendo. Ela sempre deixava tudo muito solto, pra que eu mesma tirasse minhas próprias conclusões, mesmo que primitivamente. Talvez fosse melhor assim mesmo. E aí ela começou a morar com ele e eu comecei a chamá-lo de “tio”. Ainda não o reconhecia como pai, mas essa conquista se deu aos pouquinhos. E aconteceram muitas coisas boas e engraçadas nessa época de “tio”, mas lembro de pouquíssimas.

Uma marcante foi uma vez que eu era muito pequena e acordei de madrugada, com “fome”. Saí da cama e fui pé-ante-pé até a cozinha, tentando não fazer muito barulho pra não acordar meus pais. Minha irmã ainda não tinha nascido, ou seja, faz muito tempo mesmo. Peguei uma colher (devo ter feito barulho, provavelmente), abri a geladeira e peguei o copo de requeijão. Comi requeijão puro, bem rapidinho. Eu sempre fui assim meio torta, mas não era culpa de ninguém. Só sei que quando eu olhei pra cima, lá estava o rosto do meu pai, iluminado pela luz da geladeira, me olhando com cara de bravo/sonolento. Eu não sabia há quanto tempo ele tava ali me observando, mas não devia ter sido muito. “Já pra cama, menina!”. Acho que foi a primeira vez que senti vergonha na minha vida, mesmo porque, mesmo morando comigo, ele ainda era “um estranho”. Mas voltei a dormir.

Digo e reforço que ele é o meu pai, porque fui eu quem o escolhi pra isso e não o contrário. Não sou filha de sangue e sêmen dele, não tenho nem mesmo o sobrenome dele, mas… Sei lá.. Às vezes acho que papéis, são apenas papéis, coisas pequenas. Burocracia não entende mesmo das coisas humanas, paciência. Um dia ele me contou, bastante emocionado, sobre o dia em que eu resolvi chamá-lo de pai, pela primeira vez. Acho que, como criança, deve ter sido bem difícil pra eu conceber isso, mas eu não via outra forma. Vivia chamando-o de “tio”, sendo que ele fazia coisas que todos os pais faziam. Chegou uma época em que começou a realmente se tornar incômodo, para mim, aquele status eterno de “tio”. Aquilo já não fazia o mínimo de sentido pra mim. Não parecia certo da minha parte ficar chamando ele assim pro resto da vida. Até que um dia eu cheguei pra ele e disse “não quero mais chamar você de tio”. E ele me olhou, achando estranho…

“Vou chamar você de pai de hoje em diante. Posso?”. Eu devia ter uns 5 anos.

Acho que não tinha dimensionado bem a importância da decisão que acabava de tomar, mas tive mais certeza do que medo. A partir daquele momento, quase que magicamente, ele se tornou meu pai. Só hoje percebo o peso e a importância que a minha decisão teve no restante da minha vida, pois hoje sei que ela faz parte de tudo o que sou. Toda vez que conto essa história pra alguém, não consigo deixar de me emocionar. E mesmo com tudo de tosco e ruim que já aconteceu entre a gente, com as brigas, desavenças e tudo, eu posso dizer que sim, que acima de tudo e de qualquer coisa, eu amo muito o meu pai. Do meu jeito meio torto, mas amo. Amo quem ele foi, quem ele é e o que ele representa pra mim. E isso jamais vai poder ser tirado de mim e jamais vai ser esquecido.

E hoje não me restam mais dúvidas disso.

Tapinha nas costas é o cúmulo da infâmia. Tapinha nas costas é quase que um desrespeito.

Cara que me abraça e me dá tapinha nas costas, lhes asseguro que não vai me comer nunca. Nunca, nunca, nunca. Por 2 motivos: 1. Por que muito provavelmente não quer me comer mesmo. 2. Por que eu não vou dar. De jeito maneira.

Tapinha nas costas uma ova.

Se eu te dou um abraço com tapinha nas costas, pode crer também que eu nunca vou dar pra você. E nunca mesmo, no sentido certeiro da palavra.

Tapinha nas costas é o sinônimo primordial de amizade.

Homens com amizade mais íntima ainda dão aquele tapinha infame no peito, do lado do coração, que também quer dizer uma coisa que eu não entendo o que é. Acho que só os homens entendem o que isso é.

Homens não dão tapinhas no peito da mulher por motivo óbvio: porque daí a coisa toda fica sexualizada e não dá certo. Mas o tapinha pode ser dado em outro lugar, em um contexto adequado.

Se você gosta de uma mulher, mesmo, de verdade: não dê um abraço com tapinha nas costas dela. Não faça isso. É um desrespeito, é um fingimento. Tapinha é na bunda. Tapinhas nas costas não.

Por favor.

– Mas aí… Você como homem, diz aí… Tu acha que mulher tem que “fazer ceninha” ou “chegar apavorando”?

– Tu sabe que se ficar esperando, perde o bonde, então corre pra pegar e briga pra sentar na janelinha! Nada como umas pegadinha mais sem vergonha pra animá alguém, e se mesmo assim num funcionar, apela pros sussurro no ouvido…

– Pô, passa as técnicas!

– Opa! Várias… Vou montar um script básico, mas tu fica livre pra improvisá. Metade do desfecho é o de sempre: tão lá, dançano, já enxarcado de canjibrina, que já ajuda a aguçá bastante, ae aquela coisa de dançá juntim, tua mão nos ombro dele, ele com a mão na tua cintura.. Se num tivé, COLOCA! Começa por ae… Se ele num relutá, metade do serviço tá feito, aí é coisa de ir dançano junto, aquela esfregação tipo forró e talz. Desenhado o contexto, existe uma outra coisa se fazer: tu tem problema com pegação em lugares públicos?

– Pegação não… Só “pegação hardcore” em público que eu acho tosco.

– Então assim: você tem três opções. Vamos as abordagens práticas da coisa:

  1. Rolar antes da festa. Vantagem: num vai ter concorrência; Desvantagem: ele pode ficar com a idéia de “Já consegui o que queria” e largar tu de lado;
  2. Na festa. Vantagem: fetiche, além de tu poder ficar provocando, se insinuando, mas sem chegar às vias de fato; Desvantagem: não haver lugar propício no local para realização da empreitada;
  3. Afterhours. Vantagem: em casa, no conforto e com o resto da madrugada pra se divertir; Desvantagem: o cara num querer ir, ou ficar com vergonha, com receio, aquelas viadagem típica de “gente sensível”;

Então vamos nos focar na sua preferência, é o seguinte: vocês começa a enxarcá cedo, vai fazendo as brincaderinha mas só falando, nada de tocar, pegar… Só falar, pra esquentar a coisa. Segue mais ou menos roteiro de filme pornô; Na festa: pegação moderada, aquela coisa de se insinuar, esfregação, dancinha e tal, tudo o que já te falei, mas sempre deixando claro o teu objetivo. Isso é o principal. E você nem precisa dizer nada afinal, convenhamos, até um viado sabe que muié que muito se alisa, quer. Aí tu pode usar toda sorte de truque sujo…

– Truque sujo? Eu hein.. Sou dessas não. :D

– Dá nada. Todo homem tem em si um espírito caminhoneiro. Vem no original de fábrica. O cara já tá bêbado e tem muié dando sopa… Dificilmente recusa…

– Às vezes pode broxar uai…

– Existe isso não. É só manter acordado, mas se o cara dormir a coisa não vai mesmo. Mas aí tu vai ter uma tarefa grande, que é a de não deixar ele passar do ponto, manter o rapazito aceso. Tem que ficar no nível de conseguir ficar em pé sozinho mesmo meio que caindo… Tipo vara de bambu no vento…

– HAHAHAHAHA…

– E tu quer ver uma coisa que funciona que é uma beleza? Aproximadamente uma hora e meia antes de vocês irem embora, arraste o rapazito pra um lugar meio ermo ou simplesmente estratégico, e simule um início de pegação hardcore mas assim usando e abusando do q puder…

– Meldelz! O_o

– Morde, bate, arranha, aperta, esfrega que é pra dexa o rapaz no ponto… Aí quando tu vê que ele “vai que vai” tu pára de repente e olha pra ele esperando ele dizer alguma coisa. Provavelmente ele vai esboçar um “Que foi?” ou algo do tipo “Parou por que?” ou um “Nhaaa!”, se for meio afeminado..

– HAHAHAHAHAHAHAHAHA…

– Pois bem. Aí é a parte que tu ganha ele. Provavelmente depois de toda encenação, ele já vai tá pensando que tu é a maior pervertida do mundo, e aí você diz algo como “É que tem muita gente, eu fico com vergonha…” ou seja, é praticamente um convite implícito. Além de mostar que tu é sim taradona, mas tem pudor, que é uma coisa que homem sei lá por que cargas d’água, gosta…

Aviso: esse post são vários num só, então não se assustem com a miscelânea de assuntos. É isso.

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As pessoas invisíveis

Por 5 dias da semana eu almoço todos os dias no mesmo lugar. E isso acontece desde março. Todos os dias eu vejo as mesmas pessoas que me atendem. Eu não sei o nome delas. Eu não quero saber. Eu não preciso saber. No entanto, eu as trato bem. E tratar bem não quer dizer bajular, ou ainda “dar trela”, ficar conversando por horas a fio. Nada disso. Já conheci muita gente (idiota) que dá trela pra mendigo e pra bêbado e eu não sou desse tipo. Nunca fui. Não tenho paciência pra lidar muito com pessoas. Acho que foi isso que o jornalismo não deu certo pra mim.

Se sinto que não preciso, simplesmente as desprezo pois é assim que tem que ser. De uma outra forma eu seria a desprezada, então por que não desprezar também? A vida é assim, por que eu não haveria de ser?

Pois bem.

Fazendo um esforço sobre-humano pra parecer minimamente humana, eu dou “bom dia” pro tiozinho que recebe os tickets do RU, mesmo que aquele não seja exatamente um bom dia pra mim. E ele sempre me responde do seu jeito “bom dia querida” e me dá um sorrisinho entediado. Devolvo o sorrisinho entediado também e ficamos por isso mesmo. Mas ele marcou a minha cara: ele não sabe meu nome, mas sabe quem eu sou. Pra ele eu sou a mocinha de cabelo curto que usa um certo tipo de perfume e sempre o dá “bom dia”, mesmo que não seja um bom dia. Ele marca a cara de quem o enxerga. E todos nós fazemos isso, conscientemente ou não.

No dia que eu esqueci meu cartão do RU, ele me deixou entrar mesmo sem cartão por que a EMPATIA já tinha sido criada. A única coisa que falou pra mim foi uma advertência “não esqueça mais o cartão” e só. Penso que, se eu não o desse bom dia todos os dias, ele não me deixaria entrar. Talvez. Isso eu nunca vou saber. Por isso dou bom dia. Por isso eu sorrio. Humanos gostam disso. É tudo muito sutil, é um joguinho de sutilezas que, quando você menos percebe faz com que tudo mude na sua vida. Pra melhor ou pra pior: isso depende diretamente da forma que você se comporta. E não é mentira minha gente… Não é mentira mesmo:

 

 

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A fêmea alfa

 

Do início do ano pra cá, notei um mesmo exato tipo de comportamento em 3 meninas diferentes: o de fêmea alfa. Pelo que andei notando, a fêmea alfa quando participa de um grupo de pessoas, faz questão de chamar atenção de todos os machos. E não só isso: ela não só quer chamar a atenção de todos os machos, mas também faz o que for necessário pra evitar que eles entrem em contato com outras fêmeas. Ela faz de tudo pra conseguir esses objetivos e, caso não consiga, faz a vida do grupo todo um inferno. Simples assim.

Tendo em vista que ela é uma fêmea alfa, ela não consegue namorar com muita freqüência, uma vez que a tendência de seu comportamento é chamar a atenção do maior número de machos possível. De qualquer forma, quando está se relacionando com alguém (leia-se: ficando ou qualquer coisa do gênero, mesmo por que, elas não namoram), ela faz de tudo para que nenhuma outra fêmea (intencionada ou não) se aproxime do macho “dela”. A forma com que ela exclui as outras fêmeas é bem nítida: arrancando (literalmente) o cara da conversa, dizendo que tem algo “muitíssimo importante e urgente” pra conversar com ele, fazendo ceninha de triste ou carente. As armadilhas parecem não terminar nunca.

Geralmente os homens (bananas) caem fácil pois homem gosta de se sentir “viril e útil” perante uma “fêmea indefesa, triste, carente” em detrimento de todas as outras fêmeas “auto-suficientes demais pro gosto deles”. Impressionante como alguns homens são simplesmente burros. Te contar. Deixa estar.

 

 

 

 

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O homem banana

No começo do ano, eu e mais 4 colegas minhas caímos de paixonite aguda por um carinha da nossa sala. Ele era bonitinho, querido, um amor, se vestia bem, ele era tão tudo de bom que a gente quase achava que ele poderia ser gay. Felizmente, não era. Eu dizia “que fofo”. Outra dizia “ai se eu não tivesse namorando”, a outra “ai se eu não gostasse do meu ex” e assim vai… No entanto, o tempo foi se passando e, cada vez menos ele conversava com a gente. Até percebermos que ele decidiu, por conta própria (Ao que parece. Ou talvez não), virar capacho de uma menina da sala…

Pronto. Acabou-se o encanto.

Não existe nada mais horrível e repugnante do que um homem domado. Sério. Juro pra vocês. Ver uma mulher dizer “junto!” e o cara se colocar do lado dela, sempre…. Sei lá, isso não me parece nem certo e nem natural! Sei lá, podem me odiar por isso, mas pra mim, o pior defeito que um homem pode ter no mundo é ser UM BANANA. O cara pode ser über-liberal (coisa que a maioria das mulheres não gosta), pode ser mentiroso, intrigueiro, cafajeste mesmo, um cretino, insensível, idiota, burro, pobre, feio, sei lá… Pode ser qualquer coisa, pode ter todos os defeitos do mundo! Mas não há defeito PIOR num homem do que ser CAPACHO. Isso é o fim. O fim mesmo. Homem que é capacho não é homem, é meio homem. É horrível, horrível, horrível.

É anti-natural isso: homem submisso. Pra mim, particularmente, é BROXANTE.

E não só pra mim: as 4 colegas concordaram em gênero, número e grau.

Meio termo e bom senso é tudo nessa vida. Mas existem gostos e gostos. Eu gosto de homem que se impõe de certa forma. Não que eu seja submissa, não sou… Mas quero alguém que me defenda quando eu precise e não um eterno banana. Se se impôr mais do que deve, simplesmente caio fora. Se não se impôr o suficiente, idem. Meio termo. Bom senso. Essas coisas é que devem prevalecer. Homem banana: não, nunca, jamais, de forma alguma, recuso, me nego, broxei, broxei, broxei, mil vezes.

Ontem eu estava num bar quando falei pra uma amiga:

– Vou sair com Fulano, mas não quero ficar com ele logo de cara não…

– Por que não?

Ah, sei lá… Acho tosco ser OFERECIDA. Prefiro ter uma certa resistência pra não precisar tomar iniciativa, mesmo por que, eu não sei tomar iniciativa direito…

– Mas… Por que?!

– Ah… Por que SIM, porra!

E caímos na risada. Aí, ela como boa amiga que é me falou:

– Olha, tudo bem, pode até rolar uma resistênciazinha por sua parte, mas não enrola muito não por que daí já vira cu doce… E homem nenhum gosta disso.

Tomei um tapa n/kra… Acho que foi por que eu nunca havia imaginado a situação por esse prisma. Foi só com essa frase dela que me toquei que eu não faço idéia nenhuma do LIMIAR entre a resistência charmosa e o cu doce grosseiro.

Eu sou uma tosca. Mesmo.

Eu sou incapaz de quebrar o gelo. Incapaz de dar diretas, quanto mais indiretas. Eu não sei “chegar” em ninguém, mesmo que eu já conheça a pessoa há milênios. Tenho certo PAVOR de encostar no outro, quando não tenho certeza se a recepção será boa ou não. Geralmente sou GROSSA com a pessoa por quem me sinto atraída: trato-o como um reles mortal (Lembrem-se: atração e afetividade são coisas diferentes. BEM diferentes). Eu não sou de olhares, não sou charmosa, não sou sexy, não sei flertar de nenhum modo que seja. Se eu for deixando, a mula não desempaca nunca e eu morro ENCALHADA na praia. Sei lá… Tenho certo TRAUMA de ficar me esfregando em barra de calça… Já vi meninas assim (amiga-da-onça filha da puta inclusa), não sou dessas, nem nunca quero ser interpretada / vista como tal.

Por isso não faço nada. Fico na minha. Não dou nem a ENTENDER que estou a fim de qualquer coisa que seja.

Isso até já aconteceu esse ano mesmo. Lá estava eu, morta de vontade de agarrar o cara, mas fazendo a egípcia, do tipo “não é comigo”. Eu não o desprezei, mas simplesmente não demonstrei afetividade e nem INTENÇÃO nenhuma, fui grossa, estúpida e só disse as coisas erradas pra ele. Resultado: ele também não fez nada e tudo ficou por isso mesmo. Até acho que fiz bem: se eu levasse um NÃO, não ia me conformar até o dia da minha morte! Se bem que nesse caso, eu não tinha certeza das intenções do cara….

E nesse caso atual… Bem, também não tenho, mas não descarto possibilidades. Nem ele (e ele me disse isso). Ah, sei lá… O cara é meu amigo, meu camarada, meu amigão… Também não quero FORÇAR situação nenhuma. Fazem 6 meses que não nos vemos, isso por que moramos na mesma cidade. Não sei qual vai ser a minha reação quando eu vê-lo novamente, mas acho que dessa vez me esforçarei pra tentar perceber a situação e não deixar chegar no nível de cu doce grosseiro.

Se bem que estamos quites nesse sentido… Das 2 vezes que saímos (aparentemente, só saímos de 6 em 6 meses, exatamente) cada um tomou a sua iniciativa: ele no primeiro encontro e eu no segundo. Agora é a terceira vez e eu tenho a mania IMBECIL de não dar o braço a torcer, nunca.

Eu sou idiota?

Claro que sou.

Alguém me diga que eu sou. Por favor.


– Bora sair?
– Pode ser.
– Pode ser uma porra. Você vai. Fica nessa aí de “pode ser” chega no dia e diz “tá frio, não vou”. Se ferrar…
– Hahaha.. Quando vai ser mesmo?
– 05/07. E quem não te conhece que te compre.

– Leva uma vodka cara..
– Raiska?
– Sei lá, uma Raiska da vida
– É.
– É. Ando bebendo bastante Raiska.
– Com sprite. Vou começar a beber às 20h na praça XV e entrar baleada.
– Vai? Vamos.
– Não pode entrar com bebida. Da última vez ficaram com o meu álcool! Fiquei puta.
– Agente fica baleado e deixa em algum lugar.
– Meu sonho um dia é comprar aquele cantil de alcoólatra e se alguém me confiscar aquilo eu meto a porrada.
– Ahh… Pior cara! Que tu leva pros lugares… hahaha..
– É. E é meio chique. Tu tira a parada do casaco e bebe…
– E nem tá caro essa parada aí.
– Nem tá… Eu tenho que ir no camelô comprar…
– Cara esses cantis são coisas de manguaceiro terminal mesmo. Gamei.
– Essa é a idéia.

– A gente tem que botar as conversas em dia.
– Tem mesmo.
Okay, short long story.
– Casou? Emprenhou alguém? Pegou AIDS?
– Não. Estou trabalhando.
– Ah tá.
– Estou trabalhando agora mesmo aliás…
– Hum.
And I’ve been drinking, a lot. Eu fui na base aérea me apresentar às 8 da manhã “commmpretamentsh” mamado da noite anterior.
– Hahahaha… Meu deus…
– Tenho 3 garrafas de Raiska vazias em cima do meu armário e uma pela metade. E isso foi em tipo… Um mês e maio?
– Ah… Tá bom então…
– Tô sem grana pra cerveja.
– Foda seria se fosse 1 garrafa por dia.

– E ah… Eu tô saindo com uma menina aí, mas acho que não vou levar ela não.
– Uia, tá namorano, tá namoranooo!
Yeah sure… babe you knooow me…
Better than anyone. E nem vou falar nada.
– Nem eu. Imagina nós dois lá (eu e você) e ela junto… Quando de derrepente PÁ,… Nóis se agarremo na frente dela.
– A dramaticidade do “PÁ” foi ótima. “PÁ” é o novo som do amor…”PÁ”!
– Hahaha… PÁ!
– Casa comigo. Você é muito romântico. Fell in love ALL OVER again.
– Tá falando sério?
– Claro que não. Tá maluco?

– Ok. Vou trabalhar. Vender meu corpinho aqui.
– Puaaat!
– Puaaaaat. *dedo no ombro*
– Qualquer coisa manda um recado.
– Mandarei. But count me in!

I sure will babe. ;D

Sinto-me péssima. Um lixo em forma de gente. Sinto muita vontade de chorar. Mas eu sei que não vou. Não por que não quero, mas por que não consigo mais. Acho que talvez nunca mais. Nunca mais por ele, nem por nada que derive dele. Eu nunca vou conseguir me perdoar. Nunca vou conseguir perdoá-lo. Vou viver o resto da minha vida com medo, desse jeito. Me afastando das pessoas que gostam de mim, me afastando de alguns amigos. Tudo, tudo, tudo, tudo pra apagá-lo da minha memória, fazer com que ele finalmente suma, desapareça.

Mas isso não vai acontecer. Nunca. Nunca mais.

As lembranças não se apagam. Elas ficam ali, espreitando, sempre… A vida inteira, o resto da minha maldita vida. O que eu faço é tentar, ao máximo, apagar os ícones que podem voltar a ressucitar essas lembranças. Apago-os todos, sem pensar muito. É instintivo, auto-proteção paranóica. Apago e não me arrependo. Cesso qualquer tipo de comunicação. Tornei-me mais fria do que supunha. Tornei-me mais do que fria, fiquei amarga, vazia por dentro, com um passado oco, que ninguém sabe como é, ninguém sabe mais como foi. Nem eu. Tento (em vão) desregistrar tudo da minha memória. E no processo fiquei muito amarga com pessoas que não merecem, nunca mereceram, nunca me fizeram NADA de ruim pra que eu fosse assim…

Não é justo comigo. Não é justo com eles. Não é justo com a vida.

“Mas quem disse que a vida é justa de qualquer forma?” minha amargura BERRA na minha cara.

“Você precisa fazer o que precisa fazer, mulher!” orgulho e coragem me dizem em uníssono, alto e bom som.

E então eu incorporo todas essas entidades mesmo e faço um juramento Scarlet O’Hara de que eu farei DE TUDO (possível e impossível) o que for preciso pra não sofrer (tanto) novamente. Não me entrego mais (nunca mais). Não acredito mais. Desacredito no verbo amar, acho que é fantasia, que é bobagem, que não existe, nunca existiu e se existe é algo PATOLÓGICO, doentio. Não entendo mais como funciona a afeição com quem quer que seja. Pra mim esses são conceitos perdidos, inválidos, que não me dizem mais respeito, que não consigo entender mais quando enxergo na vida dos outros. Digo que é pouca bobagem, que não vai dar certo de novo, que tudo um dia tem fim. É esse o meu discurso pra felicidade alheia, sempre.

Não deixa de ser verdade, mas eu sei que não precisava ser assim. E eu sei disso.

A amargura em pessoa. Alguém que não perdoa ninguém, nem a si mesma. Alguém que será infeliz até o dia de sua morte. Alguém INCAPAZ.

E essa pessoa sou eu.

Sou a pessoa que não deu certo. Uma mulher quebrada por dentro e que não vai se refazer nunca mais. Não é questão de “você está assim por que quer”. As coisas – infelizmente – não são assim tão simplistas. Gostaria mesmo (MUITO) que fossem.

Agora eu vou ser pra sempre frágil, como ele mesmo me dedicou essa música há muito, muito tempo atrás. A letra (nunca vou saber se ele prestava atenção nisso ou não) são promessas que ele NUNCA cumpriu. Além de frágil, vou ser pra sempre fraca, pequena, pobre de espírito toda vez que o assunto vier à tona, que o passado me assombrar, que eu reencontrar pessoas, ir em lugares, etc. Esse vai ser meu eterno ponto fraco e eu assumo isso, publicamente.

Na minha vida existiam, existem e EXISTIRÃO muitos outros COVARDES que farão questão de enfiar o dedo na minha ferida, sempre que possível pra me ver mal, pra me fragilizar ainda mais, pra tentar me desarmar. Não tenho medo, pois já não tenho mais nada a perder, mesmo. Perdi tudo o que era precioso demais pra mim nesse percurso: minha auto-estima, minha vontade de vida, minha vontade de entrega, minha vontade de AMIZADES perenes. Perdi minha fé em TUDO o que era (e podia ser) bom.

São poucos os pilares que me mantém de pé hoje em dia, mas acredito que me sustentam o suficiente a ponto de eu não enlouquecer de vez. Acho incrível por si só o fato de eu ainda continuar em pé, de me equilibrar no meio fio da vida e ainda conseguir seguir em frente, mesmo que cambaleante, torta e pro caminho ERRADO, talvez. Mas se tudo fosse muito fácil a vida não teria graça nenhuma. Assim como os vídeo-games. O futuro consistirá na emulação de sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Pois hoje em dia as pessoas já estão vazias de qualquer forma.

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