arquivo

Arquivo da tag: Fotografias

enhanced-buzz-wide-16569-1436346969-7

“An enthralled stargazer is immersed in the stars as the luminous purple sky is mirrored in the thin sheet of water across the world’s largest salt flat, Salar de Uyuni in Bolivia.” – Astronomy Photographer of the Year 2015

(Quero te roubar, um dia… Te trazer pra cá. E te dizer que tudo isso aqui é teu.)

11201107_10153321741535645_5116723218386466941_n

The Chernobyl forest. These trees are deeply sick. Their branches were twisted by high levels of ionized radiation.

10689415_10153321741545645_4344659944377245513_n

Strangely, the Chernobyl area is gradually becoming a sort of natural park. With the evacuation of humans, nature is back in charge.

11011525_10153321741645645_3232794281484145160_n

A Pravda from 1988 – two years after the catastrophe. Tens of thousands of Soviet citizens worked for years to reduce contamination levels arising from the Chernobyl plant. Thousands developed cancer later.

11113875_10153321744600645_8085996029705359950_n

Duga-3 was a gigantic early warning radar for the anti-ballistic missile defenses of the USSR in the 1970s and 1980s. The only similar radar ever built, near the Amur river in Siberia, has long been dismantled.

10690079_10153321744570645_840281097566284285_n

Located only a few kilometers from the nuclear plant, Duga-3 is about 160 meters high and 500 meters wide. It has not been scrapped because its metal remains contaminated by radiation.

11209532_10153321741725645_241916070726518096_n

It is possible (but not too safe) to climb the Duga-3 radar.

11262377_10153321742115645_3213612669326294347_n

A diary entry from 1984. Countless personal objects were left behind when the Chernobyl area was evacuated.

11295816_10153321742065645_1173527420935782804_n

A highly contaminated kindergarten. This is common dirt mixed with radioactive dust.

10406588_10153321742295645_182572828833287359_n

Pripyat had 50,000 inhabitants when it was abandoned.

11147871_10153321742635645_1403260571290096939_n

Once a cinema hall, now the relic of a bygone era.

11060024_10153321742745645_110723021023140322_n

“Stronger”.

1546112_10153321742865645_2463867887540174786_n

Gas-protective masks, abundantly available in Pripyat, were not enough to provide defense against radionuclides.

10527368_10153321742730645_3963210766734650778_n

While most of what you see is the direct result of the 1986 evacuation, later visitors to Pripyat also left their marks.

17639_10153321743280645_3894363222851087857_n

The cooling tower is a Modern Coliseum of sorts.

11265209_10153321743345645_894472316846112685_n

Acoustics are extraordinary inside the Reactor 5 cooling tower. Shout anything and you’ll hear your voice reverberating for several seconds.

11245526_10153321743505645_1599667226980393391_n

Reaching another contaminated junkyard near the reactors.

10426550_10153321744045645_9112203492686948958_n

At the office of the Jupiter plant’s manager.

17397_10153321743850645_8383376943453607389_n

1980s music. Now silent.

10933695_10153321744395645_2354094609594139647_n

Café Pripyat was probably the place to be 30 years ago.

11038724_10153321744350645_7932297838282262840_n

Yes, there are fish and other forms of life in the lake, but they are too toxic for human consumption.

11215083_10153321744500645_6249152392223402420_n

A collective dormitory.

11265206_10153321742410645_6139855497073739943_n

Entering a 16-floor residential building.

11295763_10153321743020645_3412624694724409485_n

“And the angels which kept not their first estate, but left their own habitation, he hath reserved in everlasting chains under darkness unto the judgment of the great day” (Jude 1:6-7)

All pictures by Thomaz Napoleão Photography.

Isadora

 “I’ll dance my gratitude to you”

Isadora02

“He was a peasant. A poet of the people enjoying the indulgence of a new regime. He was also an epileptic, a drunkard, a lecher, a layabout and a thief. Isadora found him irresistible. The fact that they couldn’t understand each others languages, didn’t bother them at all.”

Isadora03

 “Her performances were a disaster. Her private life, a scandal”.

Isadora04

 “You were once wild here. Don’t let them tame you”.

Isadora07

“No one came to see her”.

Isadora05

“The temperature of the studio was more arctic then helenic, lack of fires, thin tunics, and bare feet made stoicism an essencial part of the curriculum”.

Isadora08

“Adieu, mes amis. Je vais à la gloire!”

Nunca imaginei que eu fosse sair de casa algum dia para qualquer coisa. Hoje saí de casa para ver. E foi muito bom. Proveitoso. Já falei isso por aqui: uma das coisas que mais me atraem nas pessoas é a forma que elas enxergam as coisas. Descobri que, observar isso é também uma forma de observar a mim mesma. Um dos meninos buscava cores e as conseguia de modo impecável, composições excelentes, buscas interessantes. Gosto do que ele faz, mas o que ele faz não é o que eu faço. Tento fazer parecido, o resultado é bastante pobre. Ainda não sei ao certo o que faço, mas tenho algumas dicas já. Olho pra outras coisas. Os meninos perceberam isso logo quando apontaram pra uma janela com azulejos cheios de adornos e disseram “vai lá, Dora, essa foto é sua”. Era como se isso que existisse não fosse de propriedade de mais ninguém (um sentimento estranho, enfim). Eu gosto do abandono. De ruínas. De (im)permanências. E principalmente, de texturas. As cores – gosto delas até, mas – são meras consequências do que eu enxergo. Raramente penso em cores ou anseio por elas – ao contrário do meu colega. De tudo, a textura é o que mais me atrai. Sentir que posso tocar algo (ou sentir que posso ser tocada por esse algo, ao enxergá-lo). Isso responde algumas coisas.

Eu obedeço a texturas.

Posso passar por tudo, mas nunca passo por elas incólume.

E gosto, muito, disso.

Eu não sei tomar decisões difíceis racionalmente. Mas a verdade é que eu desconfio que ninguém saiba. Tomar uma decisão difícil é ir até o seu limite, o limite do seu mundo. Às vezes me ocorrem pensamentos sobre limites e limitações, isso tem acontecido por esses dias. Basicamente é quando a gente se depara com algo que não queremos, não sabemos ou não podemos lidar. As reações são sempre variadas, mas sempre as mesmas: as pessoas despirocam, para bem ou para mal. Lidar com uma decisão difícil ou com alguma limitação é o mesmo que recebemos uma carta e demoramos dias pra abri-la e ver o seu conteúdo (mesmo – e ainda mais – se já sabemos do que se trata… e quase sempre já sabemos do que se trata). Abrimos esta carta e não entendemos o significado dela (ou nos recusamos a compreender). Os dias se passam e tudo vai se movimentando. Abandonamos nossa casa, abandonamos o convívio com quem quer que seja. Lidar com limitação é lidar com aceitação. E aceitar (que acabou, que começou, que agora é pra valer, que agora é de verdade, que tudo era mentira, etc.) é difícil pra caralho. O que acontece quando vamos de um ponto ao outro é o que transforma as coisas. Mesmo o trivial, passar pela mesma estação de metrô, ir aos mesmos lugares, comer da mesma comida, beber da mesma bebida, quando há algo em jogo, nada disso mais é trivial. Tudo se torna diferente, no caso, mais escuro, as pessoas desaparecem, pouca coisa faz algum sentido porque você não quer mais que nada faça muito sentido. Você precisa disso.

mario-estação-liberdade03O escapismo é pra fracos, mas negar que isso seja um tipo de potência é uma burrice, simplesmente. Quando tudo na nossa vida atinge uma perspectiva onírica, podemos fazer absolutamente tudo o que queremos, sem restrições. É uma loucura permitida, damos um desconto, uma abertura à nós mesmos, por todas as merdas que tivemos que aturar por muito tempo. Escapamos, sonhamos e principalmente: agimos em relação a isso. Isso é perigoso e excitante. E se isso não é potência, eu não sei o que é. O mundo real, as contas a pagar, a família, aparecem insistentemente, brilhando na tela do celular e as palavras “casa” e “amor” nunca tiveram tão pouca importância como agora. A sensação de olhar para aquela tela é a de completo estranhamento. Não reconhecemos nada ali. Quem são essas pessoas e por que estão tentando me ligar? O que eu teria a dizer à elas? Que realidade é essa? Não pertencemos mais, é a destruição total da identidade, do afeto, dos valores, das memórias. Não entendem que essa destruição é na verdade a mais completa imersão e construção, e que faz parte do todo, dos resultados. Abandonar a casa e a família (ou o que o valha). Ir morar no Hotel Glória. Beber, perder a direção e o senso de qualquer coisa. Passar por entretenimento vazio. Comer a recepcionista do Hotel Glória. Fumar ópio. Ir até o fundo do poço. Eu já passei por tudo isso e um pouco mais e por muito menos. Não da forma como vi na tela, mas enfim, ao meu próprio modo, por isso a identificação. Só quando realmente não há mais escapatória é que finalmente lemos – ou no caso pedimos para que alguém leia e traduza – a maldita carta. E só aí talvez passamos a entenda-la. Pra só aí aos poucos começarmos a aceitá-la. Vez e outra eu também recebo uma carta dessas. Às vezes me devasta mais, outras nem tanto. Nunca é difícil o suficiente para me destruir, mas é sempre o bastante para me refazer por inteira.

mario-estação-liberdade01Descobri essa noite que, quando tenho a possibilidade, me colocar em direção à uma situação mais extrema me faz ter uma decisão mais acertada. Acredito que se eu me sentisse menos sozinha, mais amada, mais amparada, provavelmente tomaria uma decisão que seria bem menos pensada. A verdade é que eu não gosto de decisões fáceis ou simples. Mudo de cidade. Mudo de vida. Compro passagem só de ida. Dispenso oportunidades que algumas pessoas dariam tudo para ter. E nada disso vem fácil, pra mim. Noite passada eu sofri bastante. Me obriguei a não dormir até estar com uma decisão bastante clara na minha mente. É curioso… Sofro tanto com meus relacionamentos pessoais que não deram certo, mas quando se trata de algo que é minha inteira responsabilidade – meu trabalho, por exemplo – o sofrimento se modifica, toma outra forma, outra dimensão. É um sofrimento seco, áspero… E muito, muito pior. Mil vezes pior do que qualquer dor de amor. É a hora em que percebo que estou realmente sozinha nisso tudo. Pessoas vêm e vão, mas eu estou sempre aqui, comigo mesma, sob minha própria responsabilidade. É diferente. Preciso ser dura. Preciso criar uma postura (palavra que tem me perseguido há alguns dias). Não dormi, fiquei acordada e no final, tomei uma decisão com as minhas entranhas e jamais tinha me sentido tão certa sobre alguma coisa na minha vida. Nunca acreditei na minha intuição. Nunca. Nunca dei ouvidos à ela com tanta convicção. Mas desta vez estou indo contra tudo o que é racional e apostando nela. Posso me foder, mas vou fazer isso. Posso me foder, mas estou aqui pra isso. E vou fazer isso agora. All in.

mario-estação-liberdade02

%d blogueiros gostam disto: