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Arquivo da tag: Filosofia de Boteco

É difícil perceber que as coisas tem um preço. Ainda mais quando esse preço é imaterial, é um preço de alma o que o torna ainda mais caro. É possível viver uma vida sem paixão. Essa frase deveria vir com um ponto de interrogação no final, pois tem gente que simplesmente não acredita que uma vida possa ser vivida sem paixões. Pois bem: pode. E perfeitamente. Sua vida inteira pode passar em branco e num piscar de olhos você pode ter passado anos a fio sem ter produzido absolutamente nada e sem ter se especializado ou ao menos gostado de fazer nada, que isso não fará a menor diferença para o mundo e para as outras pessoas.

Teve uma época da minha vida em que eu fui cercada por pessoas cheias de objetivos, motivadas, centradas em produzir algo de bom ou algo que gostassem. E, felizmente ou não, foi numa época em que eu estava completamente perdida em relação ao que fazer da vida. Observava aquelas pessoas e me sentia totalmente deslocada, triste mesmo. As invejava no fundo, mas dizia que não, que “nada a ver” e que “eu não queria levar minha vida daquele jeito”. As entendia como “bitoladas”. “Meu deus, sera que SÓ existe ISSO na vida delas? Será que não têm nenhum outro assunto?”. Isso era paixão. Esse “só” na verdade era o tudo, o todo, era o que formava o sentido na vida delas. Era uma paixão tão verdadeira que foi difícil até mesmo para eu identificar e reconhecer como tal, até hoje.

Uma vida sem paixões não seria insossa? Talvez. Não há nada em jogo. Ou ainda: há nada em jogo, o que pode ser alguma coisa, mas aí não vão querer discutir sobre isso por que é mais fácil não pensar sobre isso. Paixões são mesmo nocivas. Podem te fazer perder tempo e uma parte da vida. Podem fazer com que as pessoas percam sua cabeça, suas razões. Percam a si mesmas, percam pessoas próximas, queridas. E isso tudo é muito assustador, essa falta de razão, falta de controle. Então é mais fácil viver uma vida rotineira, previsível, desinteressada, do que apaixonada. O caminho mais fácil. O atalho. A negação.

Nisso habita a dificuldade de assumir posicionamentos e compromissos que, querendo a gente ou não, fazem parte de tudo o que nos cerca. A falta de paixões nos isola tanto quanto o excesso de paixões e podemos nos acomodar perfeitamente em ambas situações. Percebendo isso noto que a ausência de paixão, o desinteresse – que muitas vezes é descaradamente dissimulado – não tem mais espaço dentro das coisas que escolhi, apesar de não saber exatamente por onde devo (re)começar.  Acho que devo começar a partir das coisas as quais eu não tenho escolha, pois, na verdade, foram elas quem eu escolhi desde o início..

Por incrível que pareça, meu primeiro ímpeto de senso de responsabilidade iniciou-se quando eu comecei a assistir PORNOGRAFIA. Ok, não a ASSISTIR pornografia no sentido de ser periódica e constantemente, nem saber das atrizes mais conhecidas, etc. Falo dos primeiros contatos que tive com tudo o que é erótico e sexual, de entender e conceber o que é pornográfico. E eu tive esses contatos em idade muito jovem, algo entre 9 e 10 anos de idade. Não, eu não fiz sexo com essa idade, mas eu já entendia o que era (o que ia onde e porquê) e pra que servia (como engravidar, etc). Primeiro os livros de ciência, os órgãos por dentro, como funcionavam e pra que serviam (em teoria). Depois apareceram as famosas “revistas de mulher pelada”. Depois, revistinhas de contos eróticos.

Se bem que nunca precisei ir muito longe: as novelas e filmes sempre deixavam o meu imaginário sexual bem curioso e embora criança eu não era burra: sabia que a realidade não era daquela forma.

Quanto à pornografia mais chula (revistas com imagens e contos) eu via aquelas coisas (e também lia) e aquilo tudo me excitava muitíssimo, sem nem mesmo eu nunca ter encostado em uma pessoa do sexo oposto. Afinal, eu era uma criança. E sim, claro, por que no início a sexualidade é (comigo foi) homossexual.  Com certeza deve ter alguém que defende isso, eu não defendo nada, mas enfim isso foi um fato comigo, entre 10~12 anos. Tive criação católica e nem por isso me sentia culpada e também não achava o que fazia errado. Não conseguia explicar a mim mesma porque achava mulheres mais atraentes. Simplesmente achava. Na verdade eu me lembro que quando criança eu achava os meninos MUITO feios (sem graça) e os homens terrívelmente ASSUSTADORES por que eram grandes, nojentos e tinham pêlos.

Morria de medo de pau. Sempre tive medo. Mas era um medo VIRGINAL, não era nojo, falta de preferência ou pânico. Era um medo que eu não compreendia e que só fui superar depois do meu primeiro beijo num menino. Aí eu já tinha 13 anos. Eu não era uma menina muito brilhante, mas também nunca fui uma completa idiota que podia ser levada no papo. Poderia ter perdido minha virgindade com 13 anos se eu quisesse (como a maioria das minhas colegas de classe RETARDADAS mentais), mas não quis e foi uma ESCOLHA e uma OPÇÃO. Eu tinha um critério muito simples pra perder a minha virgindade: tinha que estar namorando e tinha que gostar do rapaz. Depois disso, tudo fluiria muito naturalmente e eu não ia ter que carregar lembranças ruins ou traumáticas PRO RESTO DA MINHA VIDA. Quando eu tinha 13 anos virgindade era um tabu e lembrar disso me faz rir TÃO ALTO hoje.. Mas enfim.

Perdi minha virgindade com 16 anos e foi exatamente do jeito que eu quis e planejei. Foi ótimo, sem traumas e não me arrependo até hoje. Esperar foi a melhor coisa que eu fiz. No entanto quando eu era mais nova, todas as vezes que neguei sexo e me justifiquei falando sobre a minha opção, vários guris me chamaram de BURRA. Aquilo me magoava, mas eu sabia que era uma tática pra me fazer fraquejar. Mas não funcionava. Como disse: eu não era brilhante, mas nunca fui uma completa idiota. Fui burra até quando quis. E depois quando consegui o que queria, deixei de ser “burra”, rs. Aliás, nem sei por que ainda tô falando de sexo, mas acho que tenho uma boa justificativa. Comecei o post falando de pornografia né? Então. Depois que perdi a virgindade e comecei a asssistir uns programas bobinhos que passavam de madrugada, algumas coisas me fizeram pensar em outras.

Teve um dia na minha vida (ou melhor, uma noite) em que eu estava assistindo sobre algum programa de sexo/sexualidade na TV que mostrava a rotina de umas mulheres que faziam fotos pornográficas pra revistas/internet, não me recordo muito bem. No entanto, eu me lembro muitíssimo bem da frase que uma dessas mulheres falou e não sei por que motivo essa frase me marcou tanto, mas marcou. Ela disse algo como “these pictures are forever“. Na época não entendi, mas guardei esse frame na minha memória e vez e outra essa frase volta quando faço (ou estou por fazer/falar/agir) algo: AND THIS IS FOREVER. Quando eu era mais nova não me importava muito não, me lixava pras coisas, achava que nada teria o mínimo de importância e gostava de tudo que era efêmero. Ainda gosto, mas não mais da mesma forma. O que a gente faz é pra sempre, mesmo que seja efêmero, mesmo que se transforme, mas ainda continua lá.

Acho imbecil e sempre acharei a maldita frase do Antoine de Saint-Exupèry “Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativa”. Frase imbecil, pensamento imbecil, mentalidade IMBECIL. Essa frase carrega uma quantidade de BUNDAMOLICE quase que insuperável. E as pessoas sonhadoras que a apóiam deveriam trocar essa frase por outra tipo: “o homem é responsável por aquilo que é” ou ainda “estamos eternamente condenados a sermos livres”. ISSO é ter culhões e não ficar jogando a RESPONSABILIDADE por quem você é e pelo que você sente, a outras pessoas. Não respeito filhos da puta, mas RESPEITO quem se ASSUME filho da puta. Ter culhão também é dizer que sente medo, que não tem coragem e que não faria algo por que não quer, ou por que não acha justo ou certo. Ter culhões é dizer que não concorda com casamento homossexual e ainda assim SER MISS, independente de qualquer coisa.

Ter culhão é pedir desculpas e assumir um erro. É ser “metamorfose ambulante” e se assumir assim. É criar algo sabendo que esse algo vai ter fim. Ou ainda: destruindo esse algo por conta própria. E criando outros, talvez. É julgar e ser julgado por que O MUNDO e a EXISTÊNCIA é feita de julgamentos e você não tem como impedir isso. Ter culhão é saber dizer NÃO quando tudo o que você mais quer é dizer SIM (pros outros e pra si mesma). É ser promíscua e assumir a promíscuidade e suas conseqüências (SIM, EXISTEM consequencias apesar de ainda ter gente que pensa que não vive numa sociedade MACHISTA pra caralho). É assumir seus gostos, suas vontades e sua(s) personalidade(s), independente de certo ou errado, independente de tudo ou de todos. É simplesmente SER e SE DEIXAR SER. Sem amarras, sem constrangimentos, sem PIEDADE.

Falta muita gente com culhão nesse mundo viu?

Vou te contar..

A dor faz parte da coisa toda… O negócio é ter paciência, senão você acaba se tornando algo que você não é. Bem como no livro do Kafka, ‘A metamorfose’. As pessoas me parecem tão desesperadas com o profundo tédio, vazio e falta de significado que existe em suas vidas, que agora elas aceitam tudo o que acham que parece bom: veganismo, ioga, alcoólatras anônimos, academias de boçais, whatever… Tem gente que acredita mesmo que, desistir de tudo, de todos os vícios, de toda  sua a vida/personalidade pode “melhorar a vida” de alguma forma. Eu não acredito nisso.

Não acho necessário abrir mão de todas as coisas em nome de um “bem” maior que não existe, é ilusório. Mudar radicalmente seu comportamento perante algumas coisas não vai fazer com que seus problemas (e vícios cultivados por anos e anos) simplesmente desapareçam. E também, certamente, não vai te fazer uma pessoa mais feliz, em nenhum sentido. Algumas coisas não mudam e não têm solução e as pessoas têm muita dificuldade em aceitar isso. Se a sua vida é estragada desde o começo, as coisas se tornam ainda mais difíceis.

E mesmo que você mude, às vezes o máximo que você vai conseguir é uma forma diferente de vida. Só isso. As suas  fraquezas, covardias, medos… Continuarão os mesmos. A sua condição, humana, também… Ou seja… Isso é palhaçada. É preciso ter fé e acreditar, nas coisas certas. É preciso ter foco no que é tangente. É preciso ater-se ao que é real. Todas as coisas são construídas por nós, mas algumas são mais acessíveis e sensatas. De qualquer forma, o mundo seria um lugar muito chato e tedioso se todo mundo fosse sensato. Mas é bom furar a bolha das pessoas vez e outra.

Ele me disse, no msn: “Os fatos todos pertencem ao problema a ser resolvido e não à sua solução” (Witt, minha frase favorita). E tem o complemento: “A solução do problema da vida nós a percebemos em seu desaparecimento”, em miúdos: a gente sai dessas condições que estão aí quando a gente morre e só”.

não gosto de observar pessoas. é algo que faço involuntariamente quase sempre. pior do que observar é reparar na pessoa. são coisas bem diferentes. acho que pior ainda que reparar é você se pegar “pensando mal” da pessoa. mas não mal no sentido de desejar maldade, mas mal no sentido de “ok isso não pode estar certo”, quase que como um tipo de CRÍTICA ao outro mesmo. e eu critico tudo na minha cabeça, desde comportamento, personalidade até mesmo o estilo da pessoa. fútil eu sei, mas acontece.

é uma tentativa imbecil de querer que todo mundo seja mais ou menos como eu queria que fosse.. enfim. na verdade até acho isso chato, quase errado, mas como eu já disse antes, é inevitável. quando eu vejo já estou pensando muita bobagem. e esses pensamentos me torram a paciência às vezes.  esses dias eu e um colega conversávamos sobre as “pessoas falsificadas” ou pessoas fabricadas, que existem por aí. estilos, tatuagens, cabelos coloridos, preferências… não chegamos a uma conclusão muito precisa mas enfim…

não tenho nada contra a FANTASIA em si. mesmo. acho bacana ela fazer parte da nossa vida. POR UM TEMPO. por um dia. num final de semana. etc. é legal você fazer parte de tribo X, Y, Z, mas acho que uma hora, eventualmente, no dia a dia, a gente ‘precisa crescer’. ou ao menos desvincular-se, um pouco, disso tudo. de alguma forma. você não vai poder SER X coisa 24/7 pro resto da sua vida, por que senão isso acaba se tornando muito estranho. mesmo. pérolas aos porcos. enfim…

vai ver mesmo sou eu quem sou muito idiota, mas ao menos prefiro fazer com que algumas coisas não façam TANTA parte da minha personalidade a ponto de eu não conseguir VIVER/SOBREVIVER sem elas, ao ponto de eu não conseguir me desvencilhar delas, nunca. eu sei que pode até ter uma pontinha de niilismo aí, mas enfim… essa sou eu. consigo fazer isso por que eu sempre me sinto preparada a perder tudo. acho que chega uma hora que é preciso ter um pouco que seja de maturidade ao menos.  não estou conseguindo me expressar direito… acho que não é bem maturidade a palavra. é outra, mas agora não está vindo.

sei lá, pra mim é uma questão de sobrevivência até isso tudo. pessoalmente acho muito feio perceber que alguém SE RECUSA a crescer. tá. tudo bem. uma coisa é a pessoa SE DECIDIR por isso e ser assim mesmo e não ter jeito. aí, é claro, a pessoa vai TRILHAR e BUSCAR por isso e ser assim mesmo e pronto. outra é ver que a vida da pessoa rumar pra um lado e a pessoa querendo ir pra outro nada a ver. é muito horrível. angustiante. ainda mais quando são pessoas muito próximas. não gosto nem de ficar sabendo.

e às vezes não é nem crescer a palavra. mudar apenas, talvez…? não sei.

eu sempre fui do tipo que gosta das coisas perenes, apesar de parecer que não. mas ora pois, estamos falando de superficialidades, de roupas, de estilo. ainda assim, me considero relativamente perene. não faço estilo clássico, nem nada, na verdade, não faço estilo algum e faço todos ao mesmo tempo. o que revela a minha suposta perenidade são as tatuagens, que não sairão dali nunca, a não ser que eu faça outros desenhos por cima.. mas ainda assim, serão tatuagens. pois bem. quando eu envelhecer vou ficar ok com isso por que já faz parte de mim. as coisas (e pessoas) que não faziam parte de mim foram embora e hoje só sobrou isso que sou.

posso dizer que, hoje, estou feliz até. nunca me senti tão bem, tão pura, tão eu mesma. o que me entristece e aborrece na maior parte do tempo são os outros mesmo. e o mais ridículo é que nem são pessoas do meu convívio. geralmente são aleatórios mesmo. ô povinho que gosta de forçar uma barra… sei lá… ao contrário deles, eu pelo menos não me sinto obrigada a nada.

obrigada a seguir um estilo de vida. obrigada a fazer cara feia pros outros, ou cara de indiferente ou qualquer cara que defina algum grupo em nome de qualquer coisa, sei lá. se não quiser não bebo, se não quiser não fumo. não faço coisas idiotas pra me enturmar (nunca entendi isso, sempre fiz, assumo). acho que a minha idade e as coisas que me aconteceram me fizeram ver a vida de uma forma diferente.

hoje simplesmente vejo que algumas pessoas “se estragam” por opção própria, e não há nada que impeça isso. são pessoas profundamente infelizes (ou, às vezes, até que não são), que buscam felicidade nas coisas rasas e erradas (às vezes até SABENDO disso) e tem o verdadeiro DOM de procrastinar uma vida inteira que poderia ter muito mais possibilidades se elas apenas cultivassem hábitos diferentes. ou se apenas fossem mais honestas consigo mesmas, ao menos.

não dá pra querer negociar, conversar com gente assim, fazer com que a pessoa entenda. ninguém que é assim quer ser ajudado. ou ainda, ninguém que é assim acha que precisa ser ajudado. ou são uns saudosistas nojentos ou futuristas sem noção, e não percebem que “o importante é o agora minha gente”. isso pode parecer insensível da minha parte, mas é verdade e ninguém enxerga.

a FEIÚRA é uma coisa que me deprime muito. mas não a feiúra física… mas aquela da alma, dos ciclos viciosos, das pessoas viciadas, das pessoas de uma tristeza profunda, que só existe por opção delas mesmas… odeio me deprimir por tabela por esses tipos. não mereço isso. tenho que me policiar com essas coisas.

a única coisa que me alegra são os meus sonhos sádicos internos de ver esse povo envelhecendo mal e APODRECENDO. pois hoje eles ainda contam vantagem das coisas que não fizeram, das promessas que não cumpriram. se acham velhos sendo jovens. ou acham que serão jovens pra sempre. ou associam ‘inteligência’ às coisas erradas. acham que terão cabelos coloridos/compridos pra sempre. acham que não enjoarão nunca das tatuagens que escolheram num catálogo qualquer por aí. e ignoram solenemente seus defeitos, como se eles não existissem apesar de, evidentemente, esses mesmos defeitos modificarem suas vidas como um todo. pra pior, é claro. é tudo muito triste, e tudo muito feio. me dão náuseas, NÁUSEAS!

preciso PARAR de observar gente assim. urgentemente.

e sim, eu realmente não pareço ser quem sou.

nasci pra subverter. só pode.

Meu pai está organizando um envelope onde vai ter mensagens dele, da minha irmã e minha, pra que minha mãe leia quando estiver na metade da viagem. Não sei se ela vai entender o que eu escrevi, mas enfim… Boa intenção eu tive.

Oi mãe!!!

Como estão as coisas por aí? Espero que bem. Não imagino como possa estar sendo essa sua “empreitada” aí no interior da Espanha. Espero que você aprenda muitas coisas. Sei que você é forte e conseguirá terminar o caminho numa boa, mas ainda mais e melhor do que isso, espero que volte mais relaxada, mais tranquila e principalmente com uma outra visão de mundo. O mundo é muito grande mesmo, existem muitas coisas que duvidamos que existam e existe muita, mas muita gente diferente por aí, com hábitos diferentes… etc.

Quando a gente enxerga o mundo de verdade, como ele é, paramos de nos preocupar com as coisas pequenas, que não nos adicionam nada na vida pois percebemos que isso é perda de tempo útil, onde poderíamos estar nos preocupando com outras coisas, produzindo, melhorando a nós mesmos. Paramos de nos preocupar com as superficialidades, nos desgastamos menos e encontramos formas melhores de aproveitar o nosso tempo de vida (que é curto, curtíssimo) o melhor que pudermos. Enxergamos as pessoas pelo que elas são de verdade, por dentro e não pelo que elas têm, nem as julgamos pelos seus possíveis defeitos, pois nós, também, muitas vezes erramos.

E isso tudo, mãe, não é uma questão de “fé”. E também não é uma questão de “humildade”. Nada disso. É pura e simples reconhecimento e aceitação da existência como um todo e de como ela funciona. Não é algo que podemos ter controle sobre. É algo que é, que existe (independente da nossa vontade) e que devemos lidar da melhor forma possível. Não devemos carregar nunca o que não é, nunca foi e nunca vai ser, nosso. A vida foi feita pra ser vivida com leveza, sem angústias, sem martírizações desnecessárias. Ainda mais quando não precisamos disso.

Enfim.. Aprenda o máximo que puder com o interior da Espanha e depois volte pra me contar como foi. Tenho certeza de que será uma experiência única. Espero que essa viagem te esclaresça em vários sentidos. Às vezes algumas viagens nos proporcionam isso… Minha viagem ano passado pra Porto Alegre abriu meus olhos pra muitas coisas e, olha só, eu nem precisei ir muito longe.

Te amo! Um beijo!
Sua filha,
Dora.

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