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Lição #1: “Você não precisa da permissão de ninguém para ser forte”. (p. 30-31)

Lição #2: “E existe o fenômeno bastante comum do “complexo do falso cara legal”. O gerente que é um “falso cara legal” se recusa a tomar decisões, dar ordens e cobrar responsabilidades. Diz a si mesmo que age assim porque não quer ser um “cretino” ou porque deseja ser “legal”. Convence a si mesmo de que, por algum motivo, não é bom ser chefe. A autoridade de uma pessoa sobre outra lhe parece algo ofensivo. Esse é outro mal-entendido que nasce do impulso igualitário: todas as pessoas são iguais no Universo, e, portanto, uma pessoa não deveria afirmar sua superioridade sobre outra nem querer sua obediência em nenhum relacionamento. Que lindo.

Será mesmo? Então por que você entra num restaurante e dá ordens ao garçom? Porque você está pagando o restaurante para receber atendimento e comida. O garçom, por sua vez, está sendo pago. Sem ressentimentos. Trata-se de uma relação de troca. Do mesmo modo, sua autoridade como chefe no trabalho não exige que você reclame alguma superioridade ao cosmos. A relação entre chefe e subordinado é de troca, exatamente como a relação com um cliente. Aqueles que você gerencia estão sendo pagos para fazer o trabalho. Essa é a origem da sua autoridade. Sem ressentimentos.” (p. 26)

TULGAN, Bruce. Não tenha medo de ser chefe. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

Picasso, Mulher em frente ao Espelho (1932)

“O que seriam, então, casos genuínos de ilusão? (O fato é que é difícil ver, em qualquer dos exemplos de Ayer, um caso de ilusão, a não ser que forcemos as coisas). Para começar, existem casos muito claros de ilusão ótica – por exemplo, o que mencionamos anteriormente, no qual, de duas linhas de igual comprimento, uma parece mais comprida que a outra. E há, ainda, as ilusões produzidas pelos “ilusionistas” profissionais, os prestidigitadores – por exemplo, a Mulher sem Cabeça no palco, apresentada de modo a parecer que não tem cabeça, ou o boneco do ventríloquo, que dá a impressão de falar. Bastante diferente, e (em geral) não produzido intencionalmente, é o caso das rodas que giram com grande rapidez numa direção, e podem dar a impressão de girar muito lentamente na direção oposta.

As delusões, por sua vez, são coisa muito diferente. Casos típicos são os delírios persecutórios e as manias de grandeza. Trata-se, basicamente, de crenças (e, portanto, talvez também de comportamento) em profundo estado de desequilíbrio, que provavelmente nada tem a ver com a percepção. Mas penso que também se pode dizer que o paciente que vê ratos cor de rosa sofre de delusões – principalmente, sem dúvida, se, como costuma ser o caso, não tem consciência nítida de que os ratos rosados não são reais.

Aqui, as diferenças mais importantes são que a expressão “uma ilusão” (num contexto perceptivo) não sugere que uma coisa totalmente irreal seja produzida por um passe de mágica – pelo contrário, o que ali está é a disposição de linhas e setas na página, a mulher no palco com a cabeça num saco preto, as rodas giratórias; ao passo que o termo “delusão” realmente sugere algo de totalmente irreal, que não está ali de modo algum. (As convicções da pessoa que tem delírios persecutórios podem ser completamente desprovidas de fundamento). Por esse motivo é que as delusões são um caso muito mais grave – algo que está realmente mal, e, o que é pior, mal quanto à pessoa que os tem. Mas, quando tenho uma ilusão ótica, por mais perfeita que seja, nada há de errado comigo pessoalmente, a ilusão não é uma pequena (ou grande) peculiaridade ou idiossincrasia de minha parte; é completamente pública, todos podem ver, e, em muitos casos, podem estabelecer-se procedimentos clássicos para produzi-la.

Além disso, se não queremos nos deixar levar pela ilusão, devemos estar de sobreaviso; de nada adianta, porém, dizer ao que sofre de delusões que esteja de sobreaviso. O que ele precisa é ser curado.”

AUSTIN, J. L. Sentido e Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 34-36

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