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Arquivo da tag: Felicidade

Tinha pensado que o ano passado já tinham acontecido mudanças suficientes comigo e para mim. Mudei de nome. Mudei de casa. Mudei no trabalho. Mudei alguns comportamentos. Terminei coisas. Não comecei mais nada. Estava cansada. Só pensava “preciso terminar essas coisas e preciso terminá-las bem”. E cumpri. Pensei “ok, em 2016 agora vai dar uma acalmada nas mudanças e vou ficar bem, vou conseguir descansar”. Aí a minha vida vem hoje pra mim e diz “se você acha que aquilo tudo o que rolou ano passado é mudança é porque você ainda não me conhece direito, mesmo”. Final de fevereiro vai ser um final de ciclo do caralho pra mim. Não estou falando que isso vai ser de todo positivo pra mim, pelo contrário. Mudanças sempre trazem muitas dúvidas. Muitas coisas das quais tinha plena certeza, já não tenho mais. Várias coisas estão em suspenso, pra mim. Vou ter um tempo para descansar sim, mas não vai ser exatamente como eu tinha imaginado. A vida é sorrateira… Ela só nos dá até o limite que aguentamos. Ela sabe os limites e está me sinalizando várias coisas. E estou acatando. Até então, me observei me entregando muito para a vida e vejo que são poucas as vezes que eu tomo, que aceito as coisas dela. Esse ano eu resolvi começar a aceitar, a tomar, a colher sim coisas que são minhas por direito. Eu MEREÇO sim coisas boas. Mereço mais ainda quando é por consequencia de ações minhas. Quando a vida me retorna, em confiança, o que sempre foi meu. O que deve ser meu. Então vou tomar. Vou aceitar. Vou dizer sim. Vou me apropriar do que é meu e do que a vida me oferece sim, sem hesitar. Chega de me sentir culpada. De achar que não mereço. De falsa modéstia, de mesquinharia. Sou abundante: vou aceitar a abundância. Sou generosa: vou aceitar a generosidade. Aceito só o que já é meu. Está tudo muito, muito claro pra mim. A época de ter medo finalmente chegou ao fim.

Comprei um espelho enorme. Acho que nunca tive um espelho tão grande. Consigo me ver inteira. Hoje pela primeira vez passei creme, no corpo inteiro, no espelho (como a minha mãe). Vi cada dobra, cada curva, cada defeito e deixei estar. Ainda tenho uma marca de sol, de queimado, no peito. Ela está se apagando aos poucos, se fundindo com um belo bronzeado de escritório amarelado. Lembrei dos momentos que me fizeram ficar com essa marca de queimado e fiquei feliz imediatamente. Fico pensando que quero mais disso, ainda esse ano. Não sei se será possível. Não sei se vai se repetir. Queria poder entrar no mar dessa vez. Mesmo que fosse um pouco só. Mesmo que eu me irritasse depois. Sinto certa falta. Queria ficar mais queimada, inteira escura, pernas, bunda, costas, rosto. Quero ter mais lembranças. E sempre poder voltar para esses lugares todos.

Copo meio vazio, copo meio cheio, todo mundo conhece. Gosto muito da música “And all that could have been“, sempre gostei. A princípio é uma música bastante melancólica, a letra é bastante triste também. Sempre ouvi essa música com o copo meio vazio. E é bastante fácil ouvi-la desse jeito, as coisas se alinham, sentimos que estamos pisando onde deveríamos pisar e em um terreno absolutamente conhecido… Agora a pouco tive a impressão de estar ouvindo esta música com o copo meio cheio, algo como se eu tivesse feito as pazes com o que ouço. Mas não, não é nada disso…

Não há copo.

Nunca me senti tão preenchida.

Minha infelicidade é patética.

Algumas infelicidades alheias são enervantes (apesar de merecerem).

Mas outras infelicidades alheias, para mim, são extremamente deliciantes.

Adoro.

Gente escrota tem mais é que se fuder mesmo. :)

Estava concentrada na planilha. De repente começo a ouvir um grito. Não dava pra chamar aquilo de pio, era um grito mesmo, um bicho estava chamando alguém, parecia. E estava muito próximo, pois conseguia ouvir perfeitamente, o gritinho. Suspeitei. Parei o que estava fazendo. Levantei, delicada e lentamente a persiana. Do outro lado da janela, gritava um periquito, pequeno, bem verdinho. O bico era amarelo com um detalhe laranjado.  Ele viu que a persiana estava levantada, mas não voou de imediato, assustado. Ele parecia estar mais assustado de estar onde estava, naquela altura. Gritou mais um pouquinho e como viu que não dava resultado, saiu voando, dessa vez mais pra baixo. Sorri. Voltei a me concentrar na planilha.

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