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Arquivo da tag: Desilusão

“Rasguei minhas roupas na saída…

Nada mais queria levar.

Nem a dor da perda, esta, já não era minha.

Sinto que, no final, a dor deve ser maior para quem fica.

No meio das lembranças, dos objetos, dos móveis, de tudo que lembrava que aquilo que em algum momento tinha sido meu lar…

Rasguei minhas roupas, como rasguei-me em mil pedaços até conseguir me livrar da dor, do drama.

Me abandonei para que a coragem fizesse-me crer que era possível…

E foi, consegui.

Deixei pra trás os restos de uma vida, que de tão sofrida, nunca vai deixar saudades…

Consegui, me desnudei… E parti.”

Passei a vida tentando e me esforçando para ser suficiente para as pessoas que amei. Nunca consegui. Sempre faltou algo. Nunca fui perfeita, nunca fui exatamente como elas queriam que eu fosse. Isso dificultou sempre a criação da minha própria identidade, os outros, essas pessoas, que eu amei. Esperei muito delas, esperei mais ainda de mim mesma. Esperei demais por coisas que nunca vieram, que jamais chegaram a ser. Hoje me vejo tendo que ser o suficiente para mim mesma. Em alguns aspectos tenho me sentido satisfeita. Bastante satisfeita. Mas isso é sempre transitório. A minha satisfação nunca é plena. Continuo querendo mais coisas. Continuo querendo coisas as quais penso que não posso alcançar. E é essa continuidade que me dá a impressão de que eu não me basto, nunca. De que não sou o suficiente, nem para mim mesma. Percorro um caminho e, na verdade, eu não tenho onde chegar. Essa chegada, para mim, não existe. E então eu começo a pensar que talvez o topo não exista. E que talvez o suficiente seja uma miragem que insistimos dizer enxergar. Algo que está a passos de distância, mas nunca chega, nunca se completa, nunca se sacia, pois saciar-se seria um tipo específico de morte. Eu não basto. Eu jamais irei bastar. Para mim mesma. Para quem quer que seja.

I thought that you knew it all
Well you’ve seen it ten times before
I thought that you had it down
With both your feet on the ground
I love slow… slow but deep
Feigned affections wash over me
Dream on my dear
And renounce temporal obligations
Dream on my dear
It’s a sleep from which you may not awaken

You build me up then you knock me down
You play the fool while I play the clown
We keep time to the beat of an old slave drum
You raise my hopes then you raise the odds
You tell me that I dream too much
Now I’m serving time in disillusionment

I don’t believe you anymore… I don’t believe you.

I thought that I knew it all
I’d seen all the signs before
I thought that you were the one
In darkness my heart was won

You build me up then you knock me down
You play the fool while I play the clown
We keep time to the beat of an old slave drum
You raise my hopes then you raise the odds
You tell me that I dream too much
Now I’m serving time in a domestic graveyard

I don’t believe you anymore…I don’t believe you.

Never let it be said I was untrue
I never found a home inside of you
Never let it be said I was untrue
I gave you all my time

icarus23danhillier

Ela: Sabe uma coisa que eu descobri?
Dora: Diz.
Ela: Eu não sou uma pessoa “datable”. Só fui em 2 ou 3 dates na vida e o último me fez ver que eu não nasci praquilo..
Dora: Ah.. talvez. Eu também estou no meio de um rolo que me fez compreender que não nasci pra isso também. Normal. Acho que a gente descobre a vocação pra solidão de maneiras maneiras diferentes..
Ela: Esse negócio de “conhecer alguém”… De smalltalk, contar coisas da vida.. Sei lá, isso fode com a minha paciência. Eu gosto de quem eu já conheço e se eu não conheço, não quero conhecer.
Dora: É… Acho que estou chegando muito, mas muito perto disso também…

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