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Arquivo da tag: Cuspindo Fogo

Há alguns dias já uma frase tem me assombrado. Ela foi escrita por uma ex-colega de ensino médio no instagram, com quem nem tenho mais contato direito. Sabe aquelas pessoas que você nem lembra mais que existe e reaparecem do nada e você aceita por educação, mesmo porque vocês não tem mais NADA em comum hoje em dia? Então. Ela cresceu, casou, leva uma vida pacada, bancária, casinha, maridinho, vidinha, etc., um tédio, tudo como manda o figurino. No instagram dela, várias fotos de viagens pela Europa. Que bom, né? Sei lá. Aquelas fotos não me diziam muita coisa sobre ela. Em uma das fotos, que parecia mais simples, uma selfie em casa ou qualquer coisa do tipo, a frase: “todo mundo vê as foto que eu tiro na Europa, mas ninguém vê as marmita que eu como”. A frase me chocou um pouco e, a longo prazo, me deixou com raiva. Com muita raiva.

Achei que pudesse ser inveja – porque nunca estive na Europa e este é um dos meus sonhos mais antigos de todos – mas a verdade é que eu tenho vários amigos próximos que vivem viajando e vivem tirando fotos por lá e não sinto inveja deles, então descartei isso. O que me inquietava e continuava me incomodando era outra coisa. Pensei muito nessa frase até que me veio uma resposta: “filha, ninguém tá te impedindo de tirar foto das suas marmita… pode tirar foto delas também, sabe? tá liberado”. Tem aquela coisa também de dizerem que tudo o que te incomoda nos outros é o que te incomoda, na verdade, em você mesmo. E isso é verdade. Bem verdade. Quando eu era mais nova, com uma resposta como essa eu já daria “o problema como resolvido”. Mas a verdade é que não é bem assim que algumas coisas funcionam. Algumas coisas só se simplificam ficando ainda mais complexas, por mais contraditório que isso pareça.

Tudo bem dizer que é um fudido. Muita gente é. Mas porque que a gente não fala do quanto é fudido diariamente? Tipo: o tempo todo? Ok, na verdade existem pessoas que fazem isso de fato e suas vidas são verdadeiros e imponentes muros das lamentações… Algumas pessoas realmente gostam de se vangloriar do quanto são miseráveis (eu mesma inclusa, já fiz muito disso e hoje me esforço para não fazer mais). E eu tenho uma teoria de que isso se trata pura e simplesmente de vaidade, carência e um profundo egocentrismo. Sinceramente não sei como essas pessoas não enjoam de si mesmas em algum momento, porque né… Enfim. Mas nós não costumamos falar destas coisas porque não produz efeito algum ficar falando só de privações, de tudo o que é difícil. Ninguém quer falar muito disso, ninguém gosta de mensurar o tamanho da merda toda, de expôr suas limitações genuínas – e não só por vaidade e atenção.

Privação e sacrifício geralmente são facas de dois gumes: todo mundo acha FODA quem se priva e se sacrifica em prol de alguma coisa ou algo maior, mas absolutamente NINGUÉM quer falar sobre isso quando efetivamente faz isso – ou porque não o faz nunca e acha ok ser medíocre ou porque sente vergonha nisso. E a princípio não é muito claro o porquê disso ser uma vergonha, mas eu vou chegar lá nos próximos parágrafos. Privação e sacrifício são sempre um orgulho quando se tratam do outro (que obviamente está tomando no cu) e uma vergonha absurda quando é com a gente (porque, enfim, sabemos que estamos tomando muito no cu). E todo mundo passa por isso em algum momento da vida. Todo mundo. A diferença é que algumas pessoas escondem bem e outras não fazem tanta questão assim de esconder e não há julgamento moral aqui: ninguém é melhor ou pior por mostrar ou esconder qualquer coisa, todo mundo sabe onde aperta o próprio calo.

E toda a questão de mérito é uma palhaçada pois está necessariamente (perversamente, talvez) vinculado a privações e sacrifícios. A Patrulha da Virtude™ sempre se apressa pra me dizer “você é guerreira”, “você é foda”, “você é esforçada” como se essas coisas fossem elogios quando na verdade mesmo, não são. Isso tudo só corrobora com tudo de violento que eu sofro pra apenas ser. Claro: eu tenho mérito porque eu pago o preço de TUDO o que quero com SANGUE porque eu simplesmente não tenho outra alternativa. Eu não tenho opção. Eu não posso me dar ao luxo de escolher e isso é a minha vida. “Viu só? Você conseguiu!”. Consegui a que custo, cara-pálida? De quais coisas tive que abrir mão, mesmo que temporariamente? O quanto de energia tive que gastar, quantas noites não tive que dormir, o que que eu tive que sacrificar? Não se fala disso. Ninguém quer falar disso.

Eu sinto muita raiva pois eu frequentemente tenho a impressão de que a Patrulha da Virtude™: 1. acha que é fácil ou é vantagem quando totalmente não é; 2. quer me usar de exemplo pra outros “como eu” ou “parecidos comigo”; 3. quer, de forma bastante sutil, tirar uma da minha cara pois eles mesmos nunca ou jamais se prestaram a sacrifício real algum.

“Mas, Dora, as pessoas não falam isso por mal”. Não, não falam por mal. Porque o mal já está naturalizado, nesse sentido. A errada sou eu por questionar isso tudo. Claro.

É que até hoje eu nunca tinha experimentado a sensação de ser invejada por ser uma fudida. Mas ela existe e eu não sinto absolutamente orgulho nenhum disso. Eu me recuso, terminantemente, a honrar qualquer mérito. Estou numa cidade de proporções bizarras e não tenho como me deslocar por aqui sem depender completamente de transporte público. Semana que vem entrarei numa maratona de duas semanas acordando às 4 da manhã, passando 5 horas diárias no trânsito, trabalhando 10 horas por dia e tendo, todos os dias, 3 horas de aula à noite. Não sei quando, como e nem se vou dormir direito, vou tentar fazer isso nas horas que sobrarem. E aí está, se você acha que algum dia eu vou colher louros, ou que vou ter vantagem alguma sobre qualquer coisa: esta é a minha marmita.

E me fode a vida inteira vir gente falando “nossa, como vc é guerreira”… Meu foda-se eu ser guerreira, sabe? Essa não é a questão. Ou ao menos não deveria ser, mais. Eu só tomo no cu nessa porra pra conseguir sobreviver. Então enfia o mérito e os “elogios” no cu, com fritas. Não quero ele, não. Valeu. O meu nível de desgraçamento mental já tá bem alto por aqui. Grande bosta eu ter passado num mestrado se a minha estrutura pra realizar isso é completamente precária e absurda. Grande bosta eu conseguir coisas boas se pra desfrutá-las eu sou obrigada a viver em uma existência que é naturalmente violenta e abusiva – e, agora, cada vez mais. E eu me submeto a isso e resisto a isso por n motivos e n variáveis: por sobrevivência, por querer ver beleza, verdade e significado nas coisas, por construção de identidade, mas principalmente e infelizmente por afeto. Afeto, sim.

Eu sou uma fudida. Todos somos. E não é mérito algum ser uma fudida. Também não tenho orgulho nenhum em ser uma. E nem das coisas que aparentemente “ganho” no processo todo.

 

Eu ia escrever sobre amor e sobre as coisas que aconteceram essa semana, mas não vou não. Estou com preguiça e não tenho tempo. Só vou fazer questão de deixar registrado algumas coisas que me lembrei esses dias, enquanto discutia sobre isso.

Quando eu disse pra ele que o amor não existia e que o que existiam na realidade eram interesses (sexuais, afetivos, fraternais, etc.), a expressão que ele fez com o seu rosto foi a mesma como se eu tivesse descoberto um segredo que ele guardava, a muito custo, a sete chaves. Nessa época, o que restava do que já tínhamos sido sorria para nós como um câncer terminal.

Enquanto bom ilusionista que era, o amor era uma de suas atuações preferidas.

Ele nunca precisava me dizer nada diretamente. Jamais precisou. Lê-lo nunca foi tão fácil assim, mas ele se esforçava pra ser imprevisível (o que era bastante previsível) e, com o tempo, ler as nano-expressões de seu rosto tornou-se mero hábito. Como se ele fosse um quebra-cabeças a ser desvendado, porque, obviamente, uma porção de coisas eram escondidas de mim.

De algumas, desconfiava (e acabaram se confirmando depois). Outras, por falta de maiores provas, tenho como convicção até hoje. Não o absolvo de nada por pura falta de merecimento, mesmo. Também não condeno minha lentidão para perceber as coisas antigamente, nem minha falta de ação. Existiam uma série de sentimentos, sensações, vontades e angústias que perturbavam as águas da minha percepção.

Hoje, com a água calma, enxergo mais claramente do que nunca. Só que desta vez, no mundo.

Ele fez a mesma exata expressão quando falei que eu tinha plena segurança que conseguiria levantar um bom dinheiro sendo uma prostituta que se dedicasse muito bem ao seu ofício. Eu acreditava que as orelhas empinassem por temas como dinheiro e sexo, mas não era nada disso. Os olhos arregalavam e a boca ficava entreaberta, esganiçada, quase que babando por algo subjacente à tudo isso.

Poder.

Foi um completo assombro, visivelmente. Escondido em vão de forma pobre e meio ressentida. Mais tarde colocado devidamente no rol de todos os meus defeitos e de como aquilo fazia de mim – junto com uma porção de outras coisas – uma das mulheres mais desprezíveis a já ter pisado nessa Terra. Enfim.

Nessa época eu só me sentia confortável o suficiente para chegar a este tipo de constatação, com aquela pessoa. Confiava a este ponto. Ainda sou bastante tola, nesse nível. Talvez jamais deixe de ser.

As pessoas só nos ouvem de verdade quando ousamos falar uma linguagem que elas entendem e se identificam plenamente – por mais que insistam que não. Por mais que insistam que se sentem chocadas, ofendidas. Por mais que tentem, inutilmente, dissimular isso. Não sou tão versada em cinismo quanto gostaria e inclusive, nesses dois casos, o que falei não foi intencional ou proposital.

Acho que a expressão de total assombro mexe com a minha libido de uma forma que tenho certo receio de reconhecer mais profundamente.

Ontem a tarde vim aqui em casa deixar algumas coisas com meu pai e quando fui ver a minha caixa de correio tinha um pedido/aviso, sem data e sem identificação, escrito à mão por um vizinho/a pedindo pra eu falar mais baixo depois das 22h.

Achei estranho.

Não estou no apto. desde o dia 11/07, voltei pra Florianópolis no dia 19/07 e desde então me encontro no norte da ilha, com meus pais. A reclamação, muito provavelmente, foi escrita quando eu estava ausente, ou fora da região. Sinceramente, não faço idéia de que vozes/barulhos altos sejam esses, uma vez que só eu tenho  a chave do meu apto. e ninguém esteve aqui enquanto eu estava fora.

Vim aqui hoje (24/07) por acaso, pois precisava instalar umas coisas novas e excepcionalmente hoje dormirei aqui.

Uma sugestão:

Ao invés de mandar bilhetinhos sem data por que você não cria coragem e reclama imediatamente assim que se sente incomodado/a? Lhe garanto que é mais efetivo e assim você me poupa de acusações sem sentido. Obrigada.

Passar bem.

Isadora
Apto. 202

Aviso que escrevi em papel e colei do lado da caixa de correio pra TODOS os vizinhos lerem. Cansei. É a segunda vez que saio de férias e justamente nesse período reclamam que eu faço barulho. Eu passo o semestre inteiro ouvindo som alto e nego reclama quando eu VOU EMBORA. Isso é RIDÍCULO! Faz 2 anos que eu moro ali. Vou parar com essa palhaçada de gente que se mudou pra lá ontem JÁ!

Pra mim é muito difícil falar sobre elogios. Nunca lidei muito bem com eles. Há alguns anos atrás lembro até que cheguei a responder agressivamente a um elogio. Tinha sido elogiada por um professor, em forma de boa nota, e discordei daquilo pois eu sempre fui auto-crítica demais. Não achava que o meu texto estivesse tão bom e também não achava que merecia aquela nota. Mas isso foi faz tempo.

Hoje ainda me falaram “você deve estar acostumada a receber elogios, não é mesmo?”. Não, não estou. Elogios a minha pessoa são bem, bem raros. E eu ainda não sei o que dizer direito quando me elogiam. Geralmente fico sem graça, mas atualmente estou mais civilizada e digo apenas “obrigada”. Parece o suficiente. Acho modéstia algo muito constrangedor. Não tenho coragem de ser modesta.

Até hoje não entendo elogios (direcionados a minha pessoa) direito. E entendo menos ainda os homens que me elogiam. Um tanto quanto paradoxal isso.. Me elogiam, mas eu ainda continuo sozinha. Acho que o pior de tudo, DE TUDO MESMO, é ter que ouvir você merece uma pessoa muito legal. Sério: nenhum ser vivente deve ouvir isso e se sentir bem. Particularmente, me sinto horrível. Me xingue, me ofenda diretamente, mas não me diga isso.

Ok, entendo, em partes, o lance de eu continuar sozinha. Tenho padrões e tudo o mais, mas geralmente o que acontece é de eu gostar da pessoa e ela não se encantar por mim. É bem simples. E as pessoas com quem eu não me identifico em absolutamente NADA, acabam ‘gostando’ de mim. Ainda existe gente nesse mundo que fica com outras pessoas apenas pra não ficar sozinho/a? Não sou uma dessas pessoas, desculpe.

E eu ainda questiono as criaturas. Questiono mesmo, sou curiosa. “Mas me diga, o que você viu em mim? Eu acho que nem mesmo faço seu tipo..”. E as respostas são sempre as menos convincentes.. Eu sempre tenho a impressão de que os homens mentem e mentem deslavada e descaradamente. Mentem sempre com a intenção de não se queimarem e preservarem algo que é do seu interesse. O homem que diz que gosta da minha bunda por que ela é grande, ao menos não está querendo me enganar.. Mas não vou chegar aí.

Veja bem, elogio é diferente de bajulação. Detesto bajulação, mas nego que simplesmente me ignora também é uma merda.. Tenho dito.

Mas enfim… Sei lá. Suspeito que se eu fosse tão “fantástica, bonita, legal e maravilhosa” como dizem, eu provavelmente já estaria com “uma pessoa muito legal que eu mereço” e não estaria terminalmente solteira. Ou seja, existe algo de muito errado aí. Ok, tudo bem, existem mesmo “muitas pessoas que gostam de mim” e etc, mas isso não é o suficiente, hoje, pra mim. Digo que não é o suficiente por que na minha vida me falta um certo tipo de companheirismo, do qual confesso sentir falta.

Não é carência, não é falta de amigos, não é solidão extrema, não é nada disso. Se fosse, eu já estaria com o primeiro otário que não tivesse nada a ver comigo, só por que ele disse que gosta de mim. As coisas não funcionam assim. É alguém pra fazer coisas comigo, cozinhar, sair, ver filme, mas alguém que preste (é tão difícil assim, meu deus?). Alguém pra me contar seus problemas, pelo que anda passando ou simplesmente pra ficar comigo fazendo nada mesmo. Alguém ali.

Ou vai ver eu to sozinha mesmo por que além de ter padrões escrotos eu tenho muito, mas MUITO azar mesmo viu?

Só pode.

Eu não sei exatamente o segredo, mas TPM ajuda. E deixar uma mulher esperando também ajuda. Deixar uma mulher, de TPM, esperando… You do the math, buddy. E se o cara for meio alcoólatra/inconsequente, a situação não tende a melhorar. Independente do que for, não vou me privar de esculhambar quem eu quiser, quando eu quiser quando estou na TPM.

Ainda mais se eu tenho motivos fortes o suficiente pra isso.

Eu não me privo de ser estúpida com as pessoas só por que talvez elas possam se sentir ofendidas. Quem toma como ofensa as besteiras que eu digo vez e outra, não deve mesmo ser digno de andar/conviver comigo. E eu realmente não entendo qual é o problema de algumas pessoas que acham que são diferentes, que se consideram muito especiais.

“Ela não faria isso comigo”.

Por que não? O que você tem de diferente pra que eu te trate diferente?

Algumas pessoas acham que podem jogar o mesmo jogo com pessoas diferentes… E isso é um raciocínio que eu juro que não consigo entender. Comigo isso não funciona. Quando me irritam, não fico pisando em ovos pra ser rude não. Eu não uso metáforas, eu esculhambo na lata. Não consigo mascarar a minha raiva.

Nunca fiz isso, nunca farei, não gosto de ser falsa com meus próprios sentimentos.

“Por que ela está fazendo isso comigo?”

Pense de novo, garoto. Sempre há um detalhe a ser esquecido (quando se é jovem demais, quando se bebe demais, quando não se tem mais certeza  e nem controle de coisa nenhuma). Sempre tem aquele detalhezinho que você varreu pra debaixo do tapete como se não fosse nada demais, mas que na verdade acabou EMPUTECENDO alguém sem querer. Você só não enxerga isso se não quiser.

E só não coloca em pratos limpos, se não quiser também.

A vida toda é muito simples. Só complicam ela por que querem.

não gosto de observar pessoas. é algo que faço involuntariamente quase sempre. pior do que observar é reparar na pessoa. são coisas bem diferentes. acho que pior ainda que reparar é você se pegar “pensando mal” da pessoa. mas não mal no sentido de desejar maldade, mas mal no sentido de “ok isso não pode estar certo”, quase que como um tipo de CRÍTICA ao outro mesmo. e eu critico tudo na minha cabeça, desde comportamento, personalidade até mesmo o estilo da pessoa. fútil eu sei, mas acontece.

é uma tentativa imbecil de querer que todo mundo seja mais ou menos como eu queria que fosse.. enfim. na verdade até acho isso chato, quase errado, mas como eu já disse antes, é inevitável. quando eu vejo já estou pensando muita bobagem. e esses pensamentos me torram a paciência às vezes.  esses dias eu e um colega conversávamos sobre as “pessoas falsificadas” ou pessoas fabricadas, que existem por aí. estilos, tatuagens, cabelos coloridos, preferências… não chegamos a uma conclusão muito precisa mas enfim…

não tenho nada contra a FANTASIA em si. mesmo. acho bacana ela fazer parte da nossa vida. POR UM TEMPO. por um dia. num final de semana. etc. é legal você fazer parte de tribo X, Y, Z, mas acho que uma hora, eventualmente, no dia a dia, a gente ‘precisa crescer’. ou ao menos desvincular-se, um pouco, disso tudo. de alguma forma. você não vai poder SER X coisa 24/7 pro resto da sua vida, por que senão isso acaba se tornando muito estranho. mesmo. pérolas aos porcos. enfim…

vai ver mesmo sou eu quem sou muito idiota, mas ao menos prefiro fazer com que algumas coisas não façam TANTA parte da minha personalidade a ponto de eu não conseguir VIVER/SOBREVIVER sem elas, ao ponto de eu não conseguir me desvencilhar delas, nunca. eu sei que pode até ter uma pontinha de niilismo aí, mas enfim… essa sou eu. consigo fazer isso por que eu sempre me sinto preparada a perder tudo. acho que chega uma hora que é preciso ter um pouco que seja de maturidade ao menos.  não estou conseguindo me expressar direito… acho que não é bem maturidade a palavra. é outra, mas agora não está vindo.

sei lá, pra mim é uma questão de sobrevivência até isso tudo. pessoalmente acho muito feio perceber que alguém SE RECUSA a crescer. tá. tudo bem. uma coisa é a pessoa SE DECIDIR por isso e ser assim mesmo e não ter jeito. aí, é claro, a pessoa vai TRILHAR e BUSCAR por isso e ser assim mesmo e pronto. outra é ver que a vida da pessoa rumar pra um lado e a pessoa querendo ir pra outro nada a ver. é muito horrível. angustiante. ainda mais quando são pessoas muito próximas. não gosto nem de ficar sabendo.

e às vezes não é nem crescer a palavra. mudar apenas, talvez…? não sei.

eu sempre fui do tipo que gosta das coisas perenes, apesar de parecer que não. mas ora pois, estamos falando de superficialidades, de roupas, de estilo. ainda assim, me considero relativamente perene. não faço estilo clássico, nem nada, na verdade, não faço estilo algum e faço todos ao mesmo tempo. o que revela a minha suposta perenidade são as tatuagens, que não sairão dali nunca, a não ser que eu faça outros desenhos por cima.. mas ainda assim, serão tatuagens. pois bem. quando eu envelhecer vou ficar ok com isso por que já faz parte de mim. as coisas (e pessoas) que não faziam parte de mim foram embora e hoje só sobrou isso que sou.

posso dizer que, hoje, estou feliz até. nunca me senti tão bem, tão pura, tão eu mesma. o que me entristece e aborrece na maior parte do tempo são os outros mesmo. e o mais ridículo é que nem são pessoas do meu convívio. geralmente são aleatórios mesmo. ô povinho que gosta de forçar uma barra… sei lá… ao contrário deles, eu pelo menos não me sinto obrigada a nada.

obrigada a seguir um estilo de vida. obrigada a fazer cara feia pros outros, ou cara de indiferente ou qualquer cara que defina algum grupo em nome de qualquer coisa, sei lá. se não quiser não bebo, se não quiser não fumo. não faço coisas idiotas pra me enturmar (nunca entendi isso, sempre fiz, assumo). acho que a minha idade e as coisas que me aconteceram me fizeram ver a vida de uma forma diferente.

hoje simplesmente vejo que algumas pessoas “se estragam” por opção própria, e não há nada que impeça isso. são pessoas profundamente infelizes (ou, às vezes, até que não são), que buscam felicidade nas coisas rasas e erradas (às vezes até SABENDO disso) e tem o verdadeiro DOM de procrastinar uma vida inteira que poderia ter muito mais possibilidades se elas apenas cultivassem hábitos diferentes. ou se apenas fossem mais honestas consigo mesmas, ao menos.

não dá pra querer negociar, conversar com gente assim, fazer com que a pessoa entenda. ninguém que é assim quer ser ajudado. ou ainda, ninguém que é assim acha que precisa ser ajudado. ou são uns saudosistas nojentos ou futuristas sem noção, e não percebem que “o importante é o agora minha gente”. isso pode parecer insensível da minha parte, mas é verdade e ninguém enxerga.

a FEIÚRA é uma coisa que me deprime muito. mas não a feiúra física… mas aquela da alma, dos ciclos viciosos, das pessoas viciadas, das pessoas de uma tristeza profunda, que só existe por opção delas mesmas… odeio me deprimir por tabela por esses tipos. não mereço isso. tenho que me policiar com essas coisas.

a única coisa que me alegra são os meus sonhos sádicos internos de ver esse povo envelhecendo mal e APODRECENDO. pois hoje eles ainda contam vantagem das coisas que não fizeram, das promessas que não cumpriram. se acham velhos sendo jovens. ou acham que serão jovens pra sempre. ou associam ‘inteligência’ às coisas erradas. acham que terão cabelos coloridos/compridos pra sempre. acham que não enjoarão nunca das tatuagens que escolheram num catálogo qualquer por aí. e ignoram solenemente seus defeitos, como se eles não existissem apesar de, evidentemente, esses mesmos defeitos modificarem suas vidas como um todo. pra pior, é claro. é tudo muito triste, e tudo muito feio. me dão náuseas, NÁUSEAS!

preciso PARAR de observar gente assim. urgentemente.

e sim, eu realmente não pareço ser quem sou.

nasci pra subverter. só pode.

Tenho mantido distância de auto-sabotadores. Sei como eles pensam e agem por que já fui uma. Quem se auto-sabota, pode sabotar qualquer um. Não gosto deles. Nem um pouco. Pessoas que fazem mal a si mesmas geralmente me fazem mal pois despertam em mim sentimentos que são pesados demais pra eu ficar carregando. Não gosto. Não gosto mesmo. Mantenho distância.

Mas não falo daquelas pessoas que fazem mal a si mesmas no sentido físico. Por exemplo: todos sabemos que beber e fumar faz mal. Não tenho problema com pessoas que fazem isso normalmente, que são viciadas e se assumem (desde que não façam nada contra a lei, exemplo: beber e dirigir). Meu problema é com as pessoas que são viciadas e RECLAMAM, continuamente, sobre os efeitos negativos que as drogas estão causando em seu organismo. Elas sabem o que precisam fazer. Eu também sei. É perda de tempo ficar do lado de gente assim. É desgastante, não preciso disso.

Esse é apenas um dos exemplos de coisas que não gosto nos outros. Existem coisas muito piores. Não gosto de pessoas que têm a convicção de que todo mundo gosta das suas piadinhas infames, preconceituosas e completamente sem-graça. Na verdade isso é algo que me irrita muitíssimo.

Você se acha muito engraçado, mas poucas pessoas dizem, de fato, que você é engraçado. E pra mim, particularmente, nada do que você diga tem graça ou seriedade o suficiente alguma.

Você é um chato, intragável, insuportável. As pessoas não convivem com você, elas simplesmente te aturam por que são obrigadas. E eu, infelizmente, às vezes, sou uma dessas pessoas.

Você subestima a inteligência de pessoas que são, óbviamente, mais inteligentes que você. E ainda assim não se acha incompetente no que faz, mesmo tendo provas irrefutáveis disso.

Demonstra imaturidade e infantilidade num determinado momento e em outro quer ser tratado “com respeito” e seriedade (seja por causa da idade, ou do que for). Quer que lhe dêem a devida credibilidade, atenção e apoio, mesmo não fazendo por merecer.

Você curte “dar um jeitinho” pra absolutamente todas as coisas.
Não culpo a sua nacionalidade, culpo VOCÊ, seu escroto.

Você não é honesto, nem consigo mesmo, muito menos com os outros. Acha que a vida é uma coisa “muito engraçada mesmo” e pensa que pode passar todo mundo pra trás, na brincadeira.

Você gosta do que é ilícito. Aliás, você não só gosta, mas de certa forma SE VANGLORIA de seus vícios ilícitos. Se vangloria aliás de várias coisas também, do seu sofrimento, das suas penitências, que aliás, não reconhece como penitências. Quer ser um mártir, um pobre-coitado para que as pessoas tenham pena de você, e para que assim obtenha uma justificativa razoável para “ser quem você é” e “fazer o que quiser”.

Saiba de uma coisa: a mim, você não engana.

Geralmente quando você é confrontado por REGRAS, ou ainda, por pessoas direitas e de bem, se faz de vítima. Você não gosta de jogos, você não gosta de nada na verdade, não tem padrões, não tem decência.

Você força situações causando desconforto em todas as pessoas com quem você se relaciona.

Você não tem culhão o suficiente (mesmo que você seja mulher) pra se assumir, assumir seus desejos, suas vontades, SUA VIDA.

Saiba desde então: se eu te ignoro solenemente (ou boa parte das vezes) é por que eu não gosto de você. Vou me posicionar contra você, sempre que possível, sempre que me for permitido. Eu não vou com a sua cara. Repetindo: eu não gosto de você.

E você sabe exatamente quem você é.

Conhecem aquele filme pop, o tal do “Jogos Mortais”? Uma merda de filme, claro, mas o que é pior ainda é o vilão politicamente correto. “Você não dá valor à sua vida então eu vou te matar por isso”. Pro inferno com isso. A coisa mais ridícula do universo. Vilão não tem que ser moralista, não tem que ter caráter, vilões assim (ao meu ver) são chatos, chatérrimos. Eu ainda não sei lidar com o ódio direito, mas entendo que ele é irracional e quase que inexplicável. Sentimos ódio por que ele se sustenta em cada pessoa de forma diferente. Pessoas agem de formas diferentes em relação a isso. Umas ficam ressentidas pela eternidade (meu caso). Outras são vingativas e/ou “fazem justiça com as próprias mãos” o que sempre achei uma babaquice. Os vilões dos filmes e os grandes mafiosos da vida real, torturam e matam mesmo, sem ficar pensando muito. Enfim, variadas reações.

Eu não sei lidar com ódio. Tenho certeza que já fui muito odiada, mas felizmente nunca apanhei de ninguém, nem por algum motivo específico e nem “de graça”. Mas pessoalmente, não sei lidar com esse sentimento justamente pelo fato de ser incapaz de perdoar. Ok. Digamos que eu até perdoe alguns desentendidos e desentendimentos, mas nunca é espontâneamente. Sempre é depois de alguma conversa, quando se chega a um senso comum e há um “mea culpa” de ambas as partes, o que é relativamente justo ao meu ver. Pelo que me recordo, até hoje só consegui perdoar (genuinamente, verdadeiramente) uma pessoa na minha vida. Bastante até, mas enfim… Não estou escrevendo esse post pra justificar o meu ódio, mesmo por que acho que esse sentimento não é passível de justificação. Ele simplesmente acontece. Motivos, existem. Tem gente que acha que meus motivos são insuficientes… Eu já não acho isso. Bem,… Paciência.

Escrevo esse post por que hoje sonhei que ela vinha com aquela cara se SONSA de sempre, com a maior cara lavada do mundo conversar comigo, me pedir desculpas ou algo do tipo. Geralmente nos meus sonhos a personagem do sonho (que também sou eu) tem sensações diferentes de mim (a mulher que sonha) mas dessa vez o que sentimos foi a mesma coisa: ódio. Profundo, puro, instantâneo. Aquele ódio de arrepiar a espinha, afiar as unhas e fazer rosnar os dentes. Fiquei impressionada. Acreditam que até no sonho eu tive vontade de arrastar aquela cara de sonsa dela no asfalto quente? Quis. Quis muito. Mas só houve a vontade, não houve a ação, como sempre. Freud explica: é desejo latente, acho. Ainda tenho essa vontade, só que ela não é explícita. Mas existe, está lá na parte de trás do meu cérebro, onde eu ainda sou primata. Eu sei que existe. É lógico que eu nunca vou fazer isso. É lógico que eu vou passar o resto da minha vida evitando que cenas como essas aconteçam de fato.

Não quero ser presa, nem processada, no entanto, me reservo o direito de sentir ódio da forma que bem quiser e entender. Não acho errado odiar: errado é se comportar de forma errada. Não tenho nada contra vilões, nem contra gente filha da puta. Esses dias mesmo falei pra uma amiga minha: “não tenho nada contra gente filha da puta desde que assumam a filha da putice”. Que chegue pra mim e cuspa na minha cara e diga “fiz mesmo, sou eu mesmo, e aí, qual é?”. Provavelmente eu não faria nada. Ou deixaria por isso mesmo. Eu não gosto de briga, eu não gosto de brigar. Deixo que o mundo seja deles e querendo ou não, tenho mais respeito por quem assume ser desgraçado(a), como por exemplo, minha irmã mais nova, que sempre se assumiu, mesmo que não diretamente. Mas enfim… Acordei com uma ânsia de vômito brutal e com um ódio mortal daquela cara lavada dela. Cara de quem se faz de coitada, bem como foram das últimas vezes. Por que de coitada, na história toda, ela não teve nada.

Que ódio. Mil vezes que ódio.

E será que palavras machucam o suficiente? Talvez nem tanto quanto as ações dela me fizeram sofrer. E será mesmo que praga de Isadora pega? Não sei, mas em todo caso, que morra. Não tenho mais nada a perder nesse sentido mesmo. Que tenha uma doença escrota. Que aconteça alguma desgraça terrível. Que queime no fogo do inferno (mesmo que eu não acredite inferno). Que tudo o que eu sofri (a perda de um amor e de uma amizade), você eventualmente sofra três vezes pior e com mais intensidade. Não vou xingar mesmo por que todos os xingamentos do mundo não parecem suficientes pra demonstrar o quanto eu te odeio. Te odeio do fundo de todas as minhas vísceras, meu sistema nervoso central inteiro te odeia, em uníssono. Eu espero, sinceramente, que você morra mesmo, de forma lenta e dolorosa. Que a sua vida seja infelicidade atrás de infelicidade. Que você e toda a geração que tiver o azar de carregar os seus genes podres, sofram muito também.

Morra. Sofra.

O mundo não precisa de seres desprezíveis como você.

Eu simplesmente ODEIO pessoas cujos olhos são, supostamente, sensíveis. Que poder (e/ou conhecimento) eles têm pra julgar isso? Eles já estiveram nos meus olhos pra saber? Dói quando recebem mensagenzinha escrito em verde fosforescente no fundo amarelo? Oh! Me perdoe! É que eu sou ignorante. Acho que vou ali enfiar um lápis no meu olho e já volto. Porque a final, o SEU olho é sensível, o meu não. O meu é vulgar. O meu não dói. O meu é preto e sem graça. Você é especial. Você tem olho SENSÍVEL! O SEU olho é mais importante que o meu. Que insensibilidade a minha escrever em VERDE FOSFORESCENTE E AMARELO, hein? Me sinto muito culpada. Realmente eu sou doente. Me desculpe. Como eu já disse, vou ali enfiar um lápis no meu olho. Não se preocupe. Não vai doer.

05/12/2002 – 01:22:00

[Post perfeito pra “época de ouro do mIRC”. Ninguém podia escrever em magenta, ciano, amarelo ou verde água. Alguns canais até baniam ou proibiam,.. Coisas ridículas do tipo. Tá certo que tem cores que não combinam e não dá pra enxergar o texto direito, mas… Daí a dizer que tem “olhos sensíveis”? Faça-me o favor… Vá pra pqp!]

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