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Arquivo da tag: Cheap Talk

– Queria te fazer uma pergunta.
– Sim?
– Nas tuas inúmeras leituras por aí que tu me recomendaria sobre o Ted Nelson e o Xanadu?
– Ahaha… “inúmeras leituras”? Você tá falando sério?
– Aaah tu é internacionalmente reconhecida por ser uma mulher culta!
– Que exagero.. Não sou culta. Nem inteligente. Sou só uma garota muito esforçada e determinada na maior parte do tempo, o que não quer dizer muita coisa. Fora isso, sou praticamente uma casca vazia, distraída e muito desatenta, indiferente com o mundo inteiro e com todas as coisas e pessoas ao meu redor. Sou o negativo do que deveria ser alguém. Só isso.

(…)

– Olha só isso: ABSTRACT: “The authors investigated the role of homosexual arousal in exclusively heterosexual men who admitted negative affect toward homosexual individuals. Participants consisted of a group of homophobic men (n = 35) and a group of nonhomophobic men (n = 29); they were assigned to groups on the basis of their scores on the Index of Homophobia (W. W. Hudson & W. A. Ricketts, 1980). The men were exposed to sexually explicit erotic stimuli consisting of heterosexual, male homosexual, and lesbian videotapes, and changes in penile circumference were monitored. They also completed an Aggression Questionnaire (A. H. Buss & M. Perry, 1992). Both groups exhibited increases in penile circumference to the heterosexual and female homosexual videos. ONLY THE HOMOPHOBIC MEN SHOWED AN INCREASE IN PENILE ERECTION TO MALE HOMOSEXUAL STIMULI. The groups did not differ in aggression. Homophobia is apparently associated with homosexual arousal that the homophobic individual is either unaware of or denies”

[Não pensei nisso na hora, mas ódio é incontestavelmente algo extremamente sexual. A excitação que advém do ódio extremo e da violência é um sentimento muito único, perigoso, viciante. Até os termos relacionados são todos ambíguos, a “conquista”, a “dominação”, a “humilhação”, processos que causam excitação extrema. É praticamente como o termo “foda” que culturalmente é designado tanto pra coisas boas quanto, para coisas ruins. O ódio extremo provoca uma excitação fortíssima, inesquecível, irrefreável. Acho que em algum lugar do nosso cérebro deve existir uma linha quase indistinguível entre o ato de violência extrema e o ato sexual, deixando-os intimamente ligados, quase confundindo-os na verdade. Mas né, todo mundo já sabe disso. Claro que devo ter lido sobre isso em algum lugar, mas óbvio que agora não vou lembrar onde.]

(…)

– Tu tem amigas por lá né?
– Conheço algumas pessoas, umas que podem me acolher, outras que são apenas conhecidas, pessoas que fazem parte do networking..
– Planejamento de vida social, adoro a tua objetividade.
– É.. Eu mesma ainda não sei se gosto. Talvez eu devesse ser mais espontânea, deixar as coisas acontecerem com mais naturalidade, mas enfim.. Paciência. Muitas vezes eu sinto que sou uma pessoa completamente ‘forçada’, forjada, falsa mesmo..
– Mas o teu planejamento é espontâneo! O que é ser espontâneo? Chegar no lugar sem conhecer ninguém, começar do zero e quebrar a cara com gente chata e se sentir sozinho até que conheça as pessoas legais (que provavelmente seriam as mesmas que tu teria encontrado planejando antes)? Olha, eu te digo de cadeira que tu não é nada forçada. E digo mais: conheço poucas pessoas que comprariam uma passagem interestadual para uma cidade que nunca foram, para ficar na casa de um cara que conheceram à 3 dias. Tu me ensinou um monte sobre espontaneidade e sobre um monte de outras coisas também. Então, se tu planeja a sua vida, isso não tem nada a ver com ser “forçada” e sim com objetividade, que é a tua espontaneidade.
– Obrigada. Ainda acredito que exista diferença entre espontaneidade e loucura, mas tudo bem. Talvez eu me cobre demais mesmo. Coisas que nem deveria me cobrar tanto assim.
– Claro, a gente sempre tende a esquecer quem a gente realmente é nessas horas. Alguns momentos em que a linha da auto-estima anda em baixa, a gente tende a esquecer do que somos – ou já fomos – capazes.

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