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Eu queria gostar mais de budismo, mas acho que não consigo. Semana passada fui num templo zazen que tem aqui do lado de casa, há uns 200m daqui. Foi interessante a experiência, gostei do ambiente, do ritual, da meditação. Mas de modo geral, não me identifico com aquilo. Acredito que não me adequaria totalmente na disciplina mega estrita deles. Além de ter medo de entrar numa paranóia ainda maior de controfreakness por conta da exatidão dos rituais, eu não me identifico com toda a austeridade que o ambiente impõe à quem se dispõe à prática. Mas embora eu não curta essa sensação, sou capaz de refleti-la perfeitamente (pois sou esponjosa). Depois da prática, quando voltei pra casa me toquei de algo que aconteceu que denuncia essa minha esponjosidade em tempo recorde.

Normalmente, na minha vida, toda vez que vejo alguém cair ou se acidentar na rua, eu fico rindo ao invés de ajudar a pessoa. Fico rindo, não ajudo, não consigo me controlar. Enfim, sou uma idiota. O ambiente para a meditação zazen é uma sala à meia luz, quase escura. Existe todo um ritual de reverência e posicionamento e no total são duas seções hardcore de meditação de 40 minutos. Durante a meditação, minha perna direita dormiu completamente. Me desconcentrei e enfim, foi uma empreitada. Mas teve um exercício entre as duas seções. Quando o monge falou para levantarmos para o exercício pensei “eu vou cair aqui, minha perna tá dormente, vou cair e estragar tudo”. Levantei o mais lentamente que pude, estiquei a minha perna direita para melhorar a dormência e felizmente não caí.

No entanto, uma mulher que estava na minha frente caiu e eu automaticamente estiquei o braço para ajudá-la a se levantar, em silêncio. Na hora não pensei no protocolo, nem no ritual, mas na verdade não foi bem isso o que me causou estranhamento. Horas depois, já em casa, me liguei que eu não ri da mulher na hora em que ela caiu. Nem em pensamento. Nem de modo algum. Só aí me dei conta do quão rapidamente consegui incorporar e refletir de volta um ambiente extremamente austero. Eu só consegui rir de tudo em casa, depois, quando me tornei consciente do que aconteceu. Acho que realmente não sirvo para o budismo, embora tudo me encante na ritualística deles e eu considere a meditação algo importante pra mim desde já. Mas posso voltar ali outras vezes né, por que não?

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