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Arquivo da tag: Autossabotagem

Se você acredita em amor, você acredita em um deus e não sabe.

Queria que me provassem que o amor existe. Até hoje duvido de sua existência. “Mas e o amor de mãe?”. É interesse. Interesse em procriar, em deixar um legado. Em possuir alguém para talvez cuidar de você no futuro. Interesse egoísta em, supostamente, trazer ao mundo o que há de melhor em vocês. O que existe são interesses, apenas.

Interesse afetivo.
Interesse sexual.
Interesse intelectual.

De influência. De necessidade. De segurança. De vontade.
Que às vezes coincidem e sincronizam. Às vezes, não.

O amor é uma farsa que nos repetem (nos vendem, nos ensinam, tudo a mesma coisa) desde pequenos e, pela repetição, acabamos por acreditar que existe de algum modo. Pior ainda: acabamos por acreditar que algum dia exista para nós, conosco. Mas a verdade é que não existe não. É faz de conta. É inclusive o amor é o melhor amigo imaginário de muitas pessoas que eu conheço.

Essas pessoas são felizes, eu acho.

Elas possuem uma habilidade da qual eu
Acredito ser
Completamente desprovida:

Elas amam.

[…]

O amor é um placebo

Que nos enfiam

E nos metem

Goela

Abaixo

E engolimos

Sorrindo

Porque

Não nos resta

Mais

NADA

Além

Disso.

Acho incrível que, como ficar 3 dias sem T3 e T4 já altera minha rotina, meu corpo e meu ânimo de forma estarrecedora. De ontem pra hoje passei em letargia quase que total. Sem ânimo para absolutamente nada. Dormir parecia a única solução possível para qualquer coisa. Dormi hoje o dia todo, praticamente. É como se eu quisesse morrer um pouquinho. Tenho coisas pra fazer e não consigo fazer nada e isso me frustra e me irrita profundamente. Não consigo concretizar nada do que quero, por conta dessa doença. Na verdade, a doença não é a culpada: eu que não tomei os remédios. Eu tenho uma mania, muito estranha e recorrente, de minimizar os problemas, ou ainda: de sequer considerar que eles existam. Isso é muito estranho em mim, mas é recorrente. E preocupante. Às vezes essas autosabotagens ocorrem de modo bastante inconsciente. Mas nesse caso, não. Eu, conscientemente, realmente acredito que, se eu ficar “só 3 diazinhos” sem tomar o remédio, isso não fará diferença alguma no meu organismo. Mas a verdade e a realidade é que faz. Faz diferença pra caralho. Faz bastante diferença, inclusive. Por que será que é tão difícil eu ser consciente disso? E hoje eu me toquei disso. Não me lembro exatamente em que momento eu me perguntei “mas por que diabos estou assim?”. E também não me lembro direito como me recordei que estou há alguns dias já sem tomar o remédio corretamente. Isso tem um impacto muito grande em outras áreas da minha vida também, tenho certeza disso. Na verdade, esta é só a ponta do iceberg. Existe uma série de outras coisas, talvez seríssimas, que eu provavelmente devo deixar “passar batido” na minha vida, pois eu acho que não terá nenhum problema. E o problema sempre vem. Sempre aparece, sorrateiro. Quase que despercebido. Quase.

Acho bastante impressionante as formas com que eu busco me sabotar quase sempre, inconscientemente. Quando se torna consciente eu me assusto tanto e me envergonho tanto, porque é tão óbvio que eu fico sem entender como eu não percebi aquilo antes. Não sou brilhante, mas me considero uma pessoa razoavelmente inteligente. E quando me deparo com certas coisas, fico um tanto quanto desconcertada. Me chateio um pouco por não ter tanta perspicácia, mas enfim. É bobo, é pequeno. Sempre são coisas bobas e pequenas mas que tem interferências grandiosas na minha vida. Eu me saboto demais. Provavelmente o tempo todo.

Tenho pensado em voltar do trabalho a pé pois não quero pegar mais a linha vermelha. Ela está dando muito problema então prefiro evitá-la. Essa semana fiz o percurso do trabalho até em casa, de chinelo. Foi ótimo, mas chinelo é inapropriado pra longas distâncias numa cidade como São Paulo. Mesmo no verão, tudo é muito sujo. Aí pensei “amanhã vou de tênis, blusa e mochila”. E acabei fazendo isso. Troquei a roupa, coloquei o tênis e fui. Andei da M. Deodoro até a praça da República direto. Não andei muito rápido e também não foi um esforço enorme, mas comecei a perceber que meus pés estavam doendo muito, demais mesmo.

Meus pés doíam e era como se minhas pernas pesassem muito mais do que realmente pesam, de forma com que simplesmente caminhar fosse penoso. Desde o começo do ano tenho tentado analisar nisso. Mas eu sempre pensava da seguinte forma “ok, estou desacostumada a andar, vai ver é por isso que está doendo”. Ou algo tipo “ok, estou acima do peso, talvez seja por isso que os meus pés dóem, isso é normal”. E quando eu fazia caminhadas no parque eu pensava na possível solução: “talvez quando eu me acostumar a caminhar todo dia e se eu andar mais e me dedicar mais, esta dor vai passar, com certeza”. Era estranho, mas era assim.

E estes pensamentos todos voltaram de uma vez quando eu finalmente sentei na praça da República, exausta, e tirei meus tênis, com os pés latejando de dor. Me senti meio que um fracasso por ter parado. Tenho essa mania, imbecil, de me orgulhar de começar as coisas e levá-las até o fim. Deixar coisas pela metade significa sempre um fracasso. Mas enfim, eu estava com uma dor intensa e eu não conseguia ignorá-la, então parei a caminhada pra casa. Fiquei uns 15 minutos sentada, pensando nesses meus argumentos de sempre, observando as pessoas, massageando o meu pé. Tentei deixar tudo solto. Eu queria que algo se quebrasse ali.

Eu estava esperando a resposta vir até mim. E aí eu tive uma lembrança bem recente. Lembrei que naquela semana, antes de ter decidido voltar à pé pra casa com roupas adequadas e tênis, eu tinha voltado de chinelo e não senti nenhum tipo de dor e nenhum tipo de cansaço absurdo. Meus pés só ficaram sujos da cidade, mas não tive sequer um momento de exaustão, não precisei parar, nada, fui direto. E me senti bem durante todo o percurso. Aí eu pensei que talvez isso não tivesse realmente nada a ver com o meu peso. E nada a ver com a minha falta de costume ou de gosto em caminhar. Ou nada a ver com nenhum desses pensamentos que eu tinha.

Olhei pro céu sentindo dor, massageei meus pés mais um pouco e de repente olhei um pouco mais demoradamente pros meus tênis. E aí eu percebi o quanto os meus cadarços estavam mega amarrados. Estavam inviavelmente apertados. Senti vontade de chorar, mas não fiz isso. Tenho que criar a disciplina interna de que preciso ser cada vez mais gentil e amável comigo mesma. Chega de ficar se sentindo mal e sentindo pena de mim o tempo todo. Eu não mereço mais isso, não preciso disso. Preciso de agilidade, de movimento, e às vezes isso me imobiliza. Apenas sorri e soltei os cadarços e tentei me deixar o mais confortável possível.

Consegui terminar o percurso sem maiores problemas.

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