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Arquivo da tag: Auto-Confiança

Há muito, muito tempo atrás, não me lembro exatamente em qual ocasião, devíamos estar passeando e conversando sobre suas viagens, quando eu devo ter falado de forma muito tímida que gostaria de morar fora. Isso foi há cerca de 10 anos. Ele não me conhecia. Eu mesma não me conhecia. E no mesmo momento me falou displicentemente “acho isso perfeitamente possível e acho que você deveria ir”. Nunca esqueci essa frase. Ele sequer deve recordar disso. Olhei incrédula, pois achei que estivesse tirando sarro de mim – era este o tratamento ao qual sempre estive acostumada. Mas não estava. Também não falava de forma séria, inteiramente sisuda, como se aquilo fosse o ápice, a coisa mais importante que eu pudesse alcançar na vida. Mas ele sorria com os olhos e tinha uma expressão de que genuinamente confiava em mim para aquilo. O olhar dele me dizia que ele não acreditava naquilo como um sonho, como algo completamente inatingível, mas como uma possibilidade concretizável, mesmo. Viável. O olhar dele me dizia “eu sei que você pode“. Me senti capaz. Me sinto, até hoje, ao me lembrar dele, disso. Ninguém hoje em dia diz pra mim que confia em mim, de forma direta. As pessoas dizem isso de formas sutis, da forma que podem, que conseguem. É sempre bom me aperceber destes detalhes e é sempre um desafio me convencê-los deles.

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If I get there early, will it be the right time?
Our heaven is just waiting so put your hand into mine
If I get too surly, will you take that in stride?
Our boat is just there waiting so put that little hand in mine

And speak when you’re spoken of
Catch up on your sleep, girl
When you wear that body glove

You’re acting on initiative
You’re spelling out your love
You shouldn’t be alone in there
You could be above ground

All I want is to be the very best for you
And all I want is to be the very best for you
Oh, this time, there’ll be no life of crime

Não é incomum eu ser assertiva além da conta quando estou em conversas sobre “o futuro”, ou sobre que eu quero fazer da vida. Vejam bem, não falo nem mais de “futuro profissional”, falo do que eu realmente gosto e quero fazer (e me vejo fazendo repetidamente e muitas vezes) algum dia [sim, seu futuro profissional nem sempre tem a ver com o que você gosta de fazer – ainda mais hoje em dia..]. Acho que sou assertiva mais por ser empolgada do que por qualquer outra coisa, na verdade. Tenho dias de ânimo e desanimo, mas no grande plano geral, gosto pra caralho do que faço. E acho isso bom.

Mas vez e outra fica parecendo que eu tenho respostas pra tudo (smartass bitch!)… Respostas essas que a maioria das pessoas que conheço não tem pra si mesmas. Respostas pra perguntas tipo “Qual seu tema de TCC?”, “o que, exatamente, você vai fazer?”, “o que você vai fazer depois que se formar?”, “e se isso não der certo, você tem um Plano B?” etc.

Eu não sei mais dizer “não sei”… “na hora eu vejo”, “penso depois”, “ah, vou vendo aí no que dá né…”, “deixa a vida me levar, vida leva eu”. E as respostas pra essas perguntas meio que apavoram qualquer pessoa… E acho que tenho as respostas por que quero me sentir segura e acabo, querendo ou não, transmitindo essa “segurança” a quem ouve. Está sendo recorrente eu ouvir a frase:

“Nossa, te invejo, você já sabe o que quer da vida, já sabe o que vai fazer, etc”.

Tenho me sentido cada vez mais nauseada ao ouvir isso. Desconfio, muitíssimo, de que eu seja tão segura assim.

Sinceramente? Se vocês soubessem a quantidade de pressão que eu ponho sobre mim mesma ao tomar algumas decisões pra minha vida, talvez não me ‘invejassem’ tanto.

Isso não é mais sobre o que eu quero fazer, exatamente.

Segurança & Controle. That’s what’s all about.

A partir do momento que eu me proponho a fazer determinada coisa e me comprometo com isso, pronto, ferrou. I’m just so f-cking hopeless..

Claro que é muito mais confortável não ter a mínima idéia do que se quer fazer e estar tranquila quanto a isso. Também é confortável deixar a vida te levar e você “ir se descobrindo” pelos caminhos que for tomando. Mas a idéia de “ficar solta” me parece estranha e também não me agrada. E eu realmente gostaria que isso fosse possível, em primeiro lugar. E eu não vejo isso como sendo possível, de nenhum modo, pra mim. E vejo essa possibilidade em casos isolados também, ocorrendo com poucas pessoas.. Ou seja, não é todo mundo que tem essa… ‘sorte’, digamos.

Na verdade, acho mesmo é que estou tão perdida quanto todos vocês e minhas respostas (rápidas e prontas, quase impensadas) só servem pra satisfazer uma necessidade de segurança (e controle [neurose!]) que tenho. Não sou “segura de si”, não sou foda… Sou neurótica e reconheço que isso precisa ser trabalhado (que jogue a primeira pedra quem for “normal” aí). Posso muito bem chegar um dia e ver que “putz, nada a ver eu estar fazendo isso aqui, acho que vou virar taxista ou abrir uma floricultura e ser feliz!”. Mas enquanto esse dia não chega… Eu vou fazendo essas coisas que gosto de fazer e planejando em cima delas,  apaixon… cof, cof, quer dizer, obsessivamente, neuroticamente, etc. e tal.

Pois é. Mais uma coisa a se desconfiar.

Ter ‘plena’ certeza do que eu quero e vou fazer é simplesmente errado. E perigoso, pois posso muito bem estar completamente enganada sobre o que eu quero. Ou seja, não tenho certeza, apenas falo como se tivesse – é diferente. Mas no fundo mesmo… Eu não sei. E talvez – note o talvez – seja meio que tarde demais pra saber, a essa altura do campeonato. Por isso quando me confronto com isso nos meus pensamentos, me angustio. E evitar de pensar nisso não vai melhorar nada também.. Eu preciso tocar na ferida.. E mais que isso, preciso saber como tocar nessa ferida, com jeito e não de qualquer jeito. As coisas demoram pra se resolver… Anos às vezes. Coisa pra se pensar a muito longo prazo.. E ver o que acontece.

Queria muito mesmo poder me permitir mais pensar fora da casinha e não ficar tendo esse comportamento que é quase que um espasmo pavloviano de querer ter segurança (controle?) a todo custo sobre certas coisas na minha vida o tempo todo. Preciso quebrar essa casca. E eu queria mesmo fazer isso, mas por hora, não consigo. E não vou forçar isso, mas apenas pensar mais vezes e ver como isso pode ser arranjado. Não tô a fim de ficar caminhando contra o vento, sem lenço sem documento por que sei lá, eu não faço isso, não é bem a minha praia. Essa sensação de que ‘estou a deus dará’ também nunca me agradou e não acredito que isso vá mudar assim, da noite pro dia.

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