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Schadenfreude

I never dreamt I’d meet someone like you
All unwanted features build the unity of you
But I like you

You see the overall of what we are
Is it a sad, sad sight viewed from afar?
Why don’t you call?

Whatever made you into clump like you
The icing cold there leaks out the cracks of you
Makes us as new

Whatever made you seem so very small
Are you tiny in real life but large in thought
Who’s standing tall?
Cannot wait until I get my hands on you
We can do the things we said we would

You never had a true friend like I
Someone to pick you up when you needed to
Be carried through

If my hands weren’t so very sharp
This broken glass that surrounds wherever we are
Wouldn’t do us part
Part, oh!

Whatever made you into clump like you
The fiery warmth that reeks out from miles of you
Is burning through

Whatever made you seem so very small
Are you in real life but large in thought
Come stand up tall

Cannot wait until I get my hands on you
We can do the things we said we would

Cannot wait until I see your smiling faces
And our love will be misunderstood

Em algum momento da minha vida, me tornei uma contenção de danos para alguém. Imagino que isso tenha ocorrido mais de uma vez, inclusive. É bom saber disso, de certa forma, embora qualquer intenção de proteção sempre tenha sido considerada por mim completamente desnecessária. Na minha memória restam resquícios de comunicação não-verbal em sua maioria. Esse tipo de comunicação era a única forma que eu tinha de extrair qualquer verdade de qualquer situação que fosse. As palavras, sempre superestimadas, jamais me bastaram, tampouco me soavam verdadeiras. Todo tipo de comunicação que precisasse ser pensada para então ser emulada era como uma fraude pra mim. E eu sabia disso. E eu me petrificava com toda reaproximação. Me sentia a pior pessoa do universo. Para mim mesma. Para o outro.

“Suas mãos estão ásperas. Suas mãos não eram ásperas deste jeito”. Houveram infinitas formas sutis de me comparar – descaradamente – com outras pessoas. Outro modo com que isso ficava totalmente claro era quando eu o tocava e absolutamente nenhum som era emitido. Eu observava, na opacidade daquele olhar, que ele estava comigo mas que não estava mais ali há muito tempo. Que por aquela pele já haviam sido traçados outros caminhos, outros desejos realizados, outras vontades escondidas. Os olhos semicerrados me olhavam e não me diziam nada, não me enxergavam. Eu já sabia que não fazia mais diferença alguma nesse momento. Ainda tive que ouvir a frase: “você deveria assistir mais pornografia… vá ver bundas, tetas e pirocas gigantes”. Um pouco mais de sutileza da parte dele e certamente eu ouviria “vá gozar sozinha, não dependa de mim pra isso”.

Como se eu dependesse. Como se eu quisesse depender.

Todas as vezes que havia um hiato, o retorno existia apenas para efeito de demarcação de território – caso alguma outra pessoa me desse algum certo tipo de atenção que jamais poderia me ser dispensada da mesma forma. O sorriso era sempre difícil. O olhar era sempre para baixo enquanto pensava cuidadosamente nas palavras que usaria pra me machucar. Acho que esta foi a primeira pessoa que me odiou tão plenamente ao ponto de escolher, cuidadosamente, palavras que me machucassem, para que eu as aprendesse. E para que eu jamais as esquecesse. E eu jamais resistia àquele hálito. Havia alguns quês de umidade e poeira em tudo o que era seu. O modo como sorria, com os lábios ou com os olhos, toda vez que falava algo que me fazia sentir péssima sobre mim mesma. Ser ditada em relação ao que eu deveria fazer e ao que eu deveria sentir. E em como eu deveria fruir qualquer coisa.

As mentiras que, embora descaradas, eram obrigadas a serem aceitas como verdades. Não existiam acordos, não existiam conversas. Havia uma irritação total com o meu conteúdo (ou a ausência dele), mas em contrapartida sentia uma ofensa profunda caso eu apontasse qualquer mínimo defeito nas suas formas. Sempre havia uma tentativa, pífia, de “me ensinar” alguma coisa e isso geralmente era feito de uma maneira completamente empobrecida, me ignorando, me maltratando, com descaso. Toda e qualquer agressão que eu sofria eu havia “feito por merecer”, independe do que fosse. A força de toda a agressão, como era típico, vinha da ambiguidade, do quase. Do eu quase te odeio, eu quase fiz, quase quebrei qualquer coisa. E como esse quase não se concretizava, jamais existia um problema. O problema na verdade, caso houvesse, era todo o meu. Desde o início. Desde sempre.

“Eu vou destruir você”. Desliguei o telefone e o ouvi rindo, copiosamente, do meu medo do outro lado da linha. Quis pensar na total falta de hombridade e na profunda covardia. Mas mais uma vez eu abria as portas. Abri as portas até que senti que deveria me auto-destruir, mesmo. Que era impossível conviver e continuar sendo massacrada, sempre que possível, todas as vezes, repetidamente. Tudo o que acontecia era totalmente nocivo pra mim. E não havia sinal, nunca, de que um dia haveria fim. Eu estava cansada. Exausta, na verdade. Estávamos. Eu não aguentava mais, tudo, as partes boas, as partes ruins, as mentiras, o total descaso. Desejei sua morte. E desejar isso – acredite ou não – me matava também. Depois de um tempo então desejei que se apaixonasse perdidamente – o que seria quase a mesma coisa. E o segundo desejo foi mais fácil de se conseguir.

Tendo conseguido esse último desejo, hoje, mesmo sem mais resquício algum de fé, eu rezo para que nossos caminhos nunca mais se cruzem, apesar de sua imagem, borrada e falhada, permear pensamentos e sonhos. Por hora minha vida parece uma eterna esconjuração. Cada vez menos constante, mas ainda assim, persistente. Mas sei que um dia isso será como se nunca tivesse acontecido. Ninguém se sente bem com isso. Mas a verdade é que ninguém, nunca, se sentiu bem com coisa alguma que fosse desde o início. Desde sempre. Sinto tudo isso como um livro que se fecha mil vezes, repetidamente. Uma história que se repete e termina, mil vezes, dentro de mim. Para mim é forte a imagem de um livro fechado. E de quantas vezes isso já se repetiu, para mim, para os outros, no mundo, na existência. Fico me questionando quantas vezes mais isso vai se repetir para mim. Espero que nunca mais.

janelas-praça-da-sé

“O psicólogo italiano Aldo Carotenuto, estudioso do tema, faz interessantes considerações. Ele acredita que está ao alcance de todos a possibilidade de fazer mal ao outro mesmo amando-o. Não é um fenômeno fácil de se explicar; talvez a razão deva ser buscada no fato de que, de qualquer maneira, nós nos sentimos arrebatados e violados; ninguém pode impunemente conquistar a nossa dimensão interna, assim como acontece nessa experiência.”

A imagem de você
se tocando
meio
indignada

Aquele exato instante
em que você percebe
que sua mão está
entre as suas pernas

naquele exato momento
em que você se dá conta
do que está fazendo

e percebe
o que você está fazendo
e hesita
em continuar

Mas continua
E continua.

E nessa breve interrupção você
Você muda.

O ritmo.

E a sua
Contrariedade
Toma forma.

[…]

Eu gosto
Bastante
de você
se tocando

Indignada.

[…]

(Ainda estou com a sua indignação na cabeça. Uma imagem perturbadora, porque nela há irreversibilidade. Veja: você não parou. Você percebeu o que estava fazendo. E continuou. E em cada gesto seu eu quero crer que havia culpa. Uma culpa ancestral. Culpa por estar fazendo exatamente o que não deveria estar fazendo.)

Minha infelicidade é patética.

Algumas infelicidades alheias são enervantes (apesar de merecerem).

Mas outras infelicidades alheias, para mim, são extremamente deliciantes.

Adoro.

Gente escrota tem mais é que se fuder mesmo. :)

Segundo o dicionário Aurélio significa:

estabacar-se: Verbo pronominal.

1. Cair no chão com todo o peso do corpo; escarrapachar-se, estatelar-se.

Agora vamos julgar o verbo no Pretérito Perfeito:

eu estabaquei
tu estabacaste
ela estabacou

nós estabacamos
vós estabacastes
elas estabacaram

.

Estabacar

Sinônimos: esborrachar.
Antônimos: safar.
Palavras relacionadas: tombo, queda, escorregão.

Significado: Cair com forte impacto, sem tempo para reação.

.

Estabacar-se

Verbo, Regionalismo: Rio de Janeiro. pronominal

1 cair redondamente (p. ex., no chão); estatelar-se de modo espetaculoso, pronominal.

2 ir violentamente de encontro (a algo)

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