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Místicas

Esta noite eu sonhei que eu brigava muito feio com a minha avó. Discutíamos porque não me lembro exatamente bem do motivo, mas ela achava que certa pessoa em determinado acontecimento precisava “aprender uma lição” e para isso precisava ser punida severamente. Eu não acreditava nisso e, por isso, briguei com ela. Gritei com ela, botei o dedo na cara dela, disse que ela estava errada. Fiz pior: tentei humilhá-la mesmo, dizer que ela não era nada nem ninguém, que ela não tinha como julgar ninguém, que ela não podia fazer aquilo de nenhum jeito porque era incapaz, não tinha estudo, não tinha nada. Vovó ficou acuada, me ouvindo. Ela não reagiu, não me xingou de volta nem nada, só não me respondeu nada a altura. Acordei rindo e num primeiro momento não entendi o porquê. Não entendi ao certo do quê, exatamente, eu ria. Eu ainda estava no limiar entre o sonho e o despertar.

Nessa realidade em que estou acordada, minha família tem uma didática de vida mega punitivista, no sentido de que, se alguém não vive a vida como eles acreditam ser a forma correta, a pessoa precisa “aprender uma lição”, geralmente sendo punida severamente. Desde que me conheço por gente, sempre fui contra isso. Sempre me posicionei contra isso, sempre. Não tanto pela via do discurso, mas mais pela via do fazer mesmo, das coisas concretas: eu enfrentava, respondia, gritava, esperneava. Que nem criança, que não sabe se expressar de forma adequada e se expressa como consegue. Acordei rindo porque achei a minha reação no sonho inadequada, exagerada. Não ri da minha avó, que ficou acuada. Ri de mim mesma, da minha falta de postura, da minha atitude infantil. Eu não queria gritar, nem espernear, nem enfrentar a minha avó. Eu só queria dizer alguma coisas pra ela. Então eu irei dizê-las.

Punitivismo é temporário, compaixão é para sempre.

Acredite: eu queria muito mesmo que punições severas resolvessem todos os problemas do mundo. Mas a verdade é que não resolvem. Sinto muito: não resolvem. Se resolvessem de verdade, grupos de pessoas que a princípio foram dizimados por serem quem são – bruxas, judeus, indígenas, negros –  não existiriam mais. Se o punitivismo da carne e do sangue fosse realmente eficiente, estupradores, assassinos ou criminosos do colarinho branco, que exploram por gerações quem nunca teve nada – também não existiriam mais. Já houveram massacres, já houveram punições o suficiente por aqui, das formas mais atrozes e inimagináveis possíveis. E cá estamos. Chegamos até aqui. Muitas chaves ainda precisarão abrir muitas portas, muitos despertares ainda precisarão acontecer, repetidamente. Por algum tempo, pagamos por todas as coisas com sangue. Evoluímos um pouquinho e, hoje, pagamos pelas coisas com trabalho (muitas vezes sem sentido). Mas como ainda estamos em transição, acreditamos que precisamos derramar ainda mais sangue e extrairmos ainda mais sofrimento pra pagar algumas coisas. Dica: não precisamos. Estamos em outra época, quer queiram, quer não.   

E eu entendo que é realmente muito difícil transicionar da irracionalidade, do feral, do bestial pra algo superior. Difícil demais. E sei que nem todo mundo trilha o mesmo caminho, tem a mesma responsabilidade, carrega a exata mesma ancestralidade. Mas aparentemente esse vai ser o trabalho da minha vida. O trabalho de uma vida inteira, de uma vida inteira tentando ser cada vez mais gente, mais humana. Reconhecendo, adaptando e controlando o que é feral e primitivo em mim. Reconheço e honro a minha ancestralidade, mas tenho soberania sobre mim mesma para decidir e escolher o que devo carregar comigo e o que devo deixar para trás. E faço isso com diligência e compaixão. Para mim, a única saída parece realizar de fato o que muitas divindades repetem através dos séculos: amarmos uns aos outros. Por mais impossível que isso pareça.

E convenhamos: evoluir do sangue e da carne pro tempo e pro papel já foi um salto e tanto.

E digo mais: podemos fazer melhor. Podemos ser melhores. Mesmo com quem comete atrocidades.

Principalmente com quem comete atrocidades.

Nós podemos ser infinitos.

Desculpe, vovó.

Resolvi fazer novamente a promessa para São José, só que desta vez com um pedido diferente. Primeiro selecionei 35 frutas, por conta da minha idade. Fui sortear e aí que o problema começou. A primeira fruta que saiu foi Açaí. Achei irrelevante, pois eu nem como tanto açaí assim. A segunda foi amêndoas. Indiferente também. A terceira: vagem. Achei tudo muito fácil, me irritei um pouco e resolvi reduzir de 35 para 14 frutas, colocando somente as que realmente fariam muita falta pra mim em vários sentidos. Eu sou pisciana né? Adoro o bom martírio.

No sorteio das 14 frutas, a primeira que saiu foi: tangerina. Eu me revoltei e pensei “mas não é possível!”. Ok. Eu até que gosto de tangerina, mexerica, pocãn… Mas sinto que não me faria tanta falta assim. E essa é uma fruta que também não tem muitos derivados. Antes de sortear outras, fui falar com uma amiga que também fez a promessa e contar sobre essa minha frustração. Ela me falou “Dora, você já fez academia?” e eu respondi que sim. Ela falou “Então… Ficando um ano sem uva em 2018-2019 você já pegou o peso pesado então agora tudo vai parecer mais fácil. Aceite a tangerina porque é essa a restrição com a qual você vai precisar lidar desta vez”.

De início, eu não quis aceitar de jeito nenhum. Na minha lista havia: cacau, tomate, café, guaraná… até uva novamente. Me irritou bastante o fato de só sair algo relativamente fácil como a tangerina. “São José escolheu a tangerina. Vai fazer sentido em algum tempo. Confia”. Eu só tinha uma certeza: não sairia uva novamente. Estava bem tranquila quanto a isso e se saísse, eu não ia pirar muito também não. Tangerina me remete muito a minha família, é coisa de gaúcho comer tangerina no inverno. Gosto do suco e gosto de picolé. E é isso. Enfim… Pedi por propósito e entendo que este não é um pedido trivial. Mas depois pensei um pouco mais sobre isso e acabei entendendo algumas coisas.

Trabalho e propósito sempre foram muito importantes pra mim e não é de hoje. Sempre foram desde que eu me conheço por gente. E nesse sentido eu já tenho meio caminho andado: fiz cursos que gostei, tive uma formação que me realizou, gosto e tenho orgulho de tudo o que alcancei sozinha. Tenho o privilégio de nunca ter odiado meu trabalho. Sou muito bem encaminhada, meu trabalho não é excruciante, nunca foi: gosto do que faço. Sempre gostei. Sempre me esforcei muito pelo meu trabalho, mas ele nunca foi um martírio pra mim. Nunca foi algo que veio com dificuldade, nem a duras penas. Sempre fluiu. Então faz sentido sair uma sequencia de frutas que não é exatamente muito desafiante: é porque, desta vez, não precisa ser.

Eu só sei que dá pra ser melhor. E dá mesmo. Com mais propósito. Mais bem encaminhada, mais alinhada com quem eu sou e com quem estou me tornando. E de fato: isso nem vai precisar ser um puta sacrifício. Eu só vou precisar prestar um pouco mais de atenção mesmo e tentar perceber as lacunas sutis que existem por aqui. Vai dar trabalho, sim – trabalho dá trabalho. Mas não vai precisar ser excruciante. Nunca precisou.

Baco de boas tirando 01 naninha.

O que é?

  • Ano passado, dia 19 de março (dia de São José), durante o meu expediente de trabalho eu fiquei sabendo de uma tal de promessa para São José, que se fazia com frutas.
  • Na hora pensei “frutas? ah, moleza!” e resolvi fazer.
  • Eu já sabia que frutas tinham um papel importante na minha vida, mas não sabia dimensionar bem o quanto.
  • Para quem não come frutas parece que pode fazer de doces também, pois o que vale é o esforço e o foco direcionado mesmo.

Como funciona?

  • Diziam que podia pedir duas coisas: ou um bom relacionamento (bom mesmo, duradouro, sério) OU um bom emprego. Disseram também que, para casamento, bom mesmo é São José, pois Santo Antônio só traz tranqueira. Pro Santo Antônio é melhor pedir prosperidade.
  • Depois também fiquei sabendo que para São José róla pedir qualquer outra coisa além dessas duas aí que mencionei. Mas resolvi ser mais tradicional mesmo e minha promessa foi uma das duas primeiras.
  • Como eu como frutas regularmente, não só coloquei todas as minhas fruta que mais gosto, como também fui um tanto quanto OUSADA e coloquei inclusive TOMATE com a possibilidade de me fuder por um ano sem nada de tomate (pizza, molho, cachorro-quente, massa, etc.);
  • Mas no meu caso acabou saindo UVA, o que também foi bastante triste mas né, vâmo lá porque a intenção é essa mesmo.

Isso mesmo: não é só a fruta, mas todos os seus derivados

Um ano sem uva. Um ano sem (por ordem de importância e deliciosidade para mim):

  • Suco de uva preta com água de côco (meu suco favorito)
  • Suco integral de uva branca ou preta;
  • Uvas frescas sem semente;
  • Sorvete de passas ao rum;
  • Sorvete de uva;
  • Picolé de uva;
  • Vinho;

Essas foram as coisas pelas quais eu SOFRI, mesmo. Mas tinha outras que eu também não podia mas não senti tanta falta, tipo uva passa que não ligo muito, champagne e essas coisas.

Quebra da Promessa?

Inclusive ao longo de um ano eu passei por algumas situações que me fizeram achar que eu tinha quebrado a promessa e fiquei bolada algumas vezes. Meus amigos e amigas das místicas dizem que NÃO, mas eu desconfiei que quebrei a promessa pelo menos três vezes ano passado:

  • Uma numa vez no final de maio, que fui num ritual pra Hécate e bebi uma dose pequena de vinho, pois isso fazia especificamente parte do ritual;
  • Outra vez no final de julho numa festa de 50 anos de casamento dos meus padrinhos, eu bebi champagne, que contém uva. Mas na hora nem me liguei disso;
  • Outra vez, mesma situação, no final de novembro, numa comemoração de casamento de um casal de amigos, bebi champagne para brindar com todo mundo;

Mesmo passando por esses acontecimentos, não abandonei a promessa e continuei evitando uva de qualquer modo. Sei lá, senti que precisava persistir no negócio. E outra: eu não tomei essas coisas de forma consciente. E a ingestão ocorreu mais por contexto que por gosto propriamente dito. Então para mim eu não tinha quebrado nada. Só acho chato ficar sem, mas é bastante tolerável ficar sem vinho e sem champagne. Basicamente, eu só gosto mesmo de duas coisas com uva: suco de uva com água de côco e suco integral de uva. Por essas coisas sim eu sofri.

Tempo da Promessa

  • De março até meados de junho eu estava levando a promessa numa boa, nem lembrava muito, só levava na flauta;
  • No mês de JULHO, eu sonhei uma noite que eu me banhava com uma garrafa de suco integral de uva e acordei deprimida de vontade;
  • Foi nesse mês que pra mim a promessa começou a valer mesmo e até então eu não tinha recebido a graça ainda;
  • De julho a dezembro sofri bem, várias pessoas comendo e pedindo coisas de uva na minha frente e era isso né? Fazer o quê.
  • Em janeiro eu já tinha sofrido tanto, que comecei a fazer graça de tudo, porque o sofrimento ficou tão caricato que eu tinha me cansado já e só me restava rir da porra toda mesmo.

Estratégia para lidar com as dificuldades da Promessa

  • Toda vez que você estiver sofrendo por não poder comer a fruta que quer, pense com muito carinho mesmo no pedido que você fez e direcione todo o seu fluxo de energia para isso, sempre;
  • Pense nesse pedido cada vez mais. Cada vez com mais detalhes, cada vez mais profundamente. Até ele aparecer, até ele se materializar; Até ele não ter outra alternativa que não seja existir pra você;
  • Equilibre-se entre pensar muito no pedido e soltá-lo para o universo ao mesmo tempo; É um exercício de lembrar e esquecer-se; Só que não pode virar obsessão e também não pode ficar no esquecimento completo;
  • Alimente a egrégora: fale pra TODO MUNDO do seu convívio que você está fazendo essa promessa. Fiz isso pois pra mim sofrer sozinha era pior (eu acho);

Aspectos de Vida

  • Estava bem cética, desde o início; Achava que não ia rolar pra mim; Me achava um caso perdido. Tive que trabalhar bem & bastante esse sentimento de não merecimento aí; Haja orações, N tipos de curas, Thetahealing, energizações, auto-cuidado e auto-responsabilidade;
  • Algumas coisas precisaram acontecer na minha vida ANTES (aconteceram em setembro), para que meus caminhos se abrissem; Foi um ano de aprendizados IMENSOS pra mim; Em mais de um sentido; Em alguns sentidos não tinham nada a ver com a promessa em si, mas fizeram parte do caminho de maneiras completamente inesperadas mesmo; Sou grata a todos os ensinamentos;
  • Percebi também eu tive que fazer a minha parte, em vários sentidos; Tive que manter uma vibração alta, ter o pensamento focado no que eu queria todas as vezes e também, no momento certo, tive que “dar meus pulos” e ir atrás do que eu queria, procurar mesmo; Dar a cara a tapa. Confiar. Acreditar, mesmo. Se eu ficasse em casa só esperando a graça cair diretamente dos céus ou se eu fosse cética demais da conta, talvez não sei se rolasse.

A graça

  • Rolou em novembro de 2018, mas eu só fui perceber meses depois mesmo porque a parada não é imediata; Não funciona assim;
  • Esperei passar alguns meses e a parada foi se tornando cada vez mais real, até ser de verdade mesmo; Fiquei bastante impressionada com o resultado; Não só me sinto feliz com o resultado, mas sinto que ganhei várias outras coisas no caminho também;
  • E sim, São José é firmeza demais da conta e ele não brinca em serviço; Então você também não deve brincar. Saiba pedir, mas mais ainda: saiba receber.

Faria de novo?

  • Largada. Faria tudo de novo sim.
  • Vou fazer hoje de 2019-2020, mas vou mudar o pedido;
  • Vamos ver que fruta vai sair hoje a noite. Por hora, estou tal qual baco na imagem deste post.

 

Houve uma vez um rei que disse aos sábios de sua corte:

– Estou fazendo um lindo anel. Tenho um dos melhores diamantes possíveis. Quero manter escondida dentro do anel alguma mensagem que possa me ajudar em momentos de total desespero e que ajudará meus herdeiros e aos herdeiros de meus herdeiros para sempre. Deve ser uma pequena mensagem para que ela caiba no anel de diamante.

Todos os que ouviram ao rei eram sábios, grandes eruditos. Eles poderiam ter escrito grandes tratados, mas deveriam que escrever uma mensagem de não mais do que duas ou três palavras que o ajudasse em momentos de desespero total. Eles pensaram, procuraram em seus livros, mas não conseguiram encontrar nada. O rei tinha um servo idoso que também fora servo de seu pai. A mãe do rei morreu cedo e este servo cuidou dele, portanto, ele o tratava como se pertencesse à família. O rei sentia um imenso respeito pelo velhinho, então ele também o consultou. E o velho senhor disse:

– Não sou sábio, nem erudito, nem acadêmico, mas conheço uma mensagem. Durante a minha longa vida no palácio, conheci todo tipo de pessoas e uma vez conheci um místico. Eu era o convidado de seu pai e estava a seu serviço. Quando ele saiu, como um gesto de agradecimento, ele me deu esta mensagem – o velho escreveu em um pequeno pedaço de papel, dobrou e deu para o rei. Mas não leia, ele disse, “mantenha-na escondida no anel. Abra-a somente quando você sentir que tudo deu errado e quando não encontrar saída para sua situação”.

Esse momento não demorou muito para chegar. O país foi invadido e o rei perdeu o reino. Ele estava fugindo em seu cavalo para salvar sua vida e seus inimigos estavam perseguindo ele. Ele estava sozinho e os perseguidores eram numerosos. Chegou a um lugar onde a estrada terminava, não havia saída: na frente havia um precipício e um vale profundo. Mais um passo e seria o fim. E ele não podia voltar porque o inimigo estava bloqueando seu caminho. Ele já podia ouvir os cavalos trotando. Ele não podia seguir em frente e não havia outro jeito…

De repente, ele se lembrou do anel. Abriu-o, tirou o papel e lá encontrou uma pequena mensagem tremendamente valiosa: “isto também passará“.

Enquanto lia “isso também passará” ele sentiu um grande silêncio pairando sobre ele. Os inimigos que o perseguiam devem ter se perdido na floresta, ou deviam estar errados, mas a verdade é que pouco a pouco ele parou de ouvir o trote dos cavalos.

O rei se sentiu profundamente grato ao servo e ao desconhecido místico. Essas palavras foram milagrosas. Ele dobrou o papel, colocou de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou o reino.

E no dia em que ele entrou vitorioso novamente na capital houve uma grande festa com música e danças. E ele estava muito orgulhoso de si mesmo. O velho estava ao seu lado no carro e disse:

– Este momento também é apropriado: olhe novamente para a mensagem.

– Que queres dizer? O rei perguntou. Agora sou vitorioso, as pessoas celebram meu retorno, não estou desesperado, não estou em situação sem saída.

“Ouça”, disse o velho, “esta mensagem não é apenas para situações desesperadas. É também para situações agradáveis. Não é só quando você é derrotado. É também para quando você se sente vitorioso. Não é só para quando você é o último. É também para quando você é o primeiro. O rei abriu o anel e leu a mensagem: “Isto também passará” e novamente sentiu a mesma paz, o mesmo silêncio, em meio à multidão comemorando e dançando, mas o orgulho, o ego, tinha desaparecido. O rei poderia terminar de entender a mensagem.

Então o velho disse-lhe:

– Lembre-se que tudo passa. Nada ou nenhuma emoção é permanente. Como dia e noite, existem momentos de alegria e momentos de tristeza. Aceite-os como parte da dualidade da natureza porque eles são a própria natureza das coisas. Lembre-se de que tudo o que é circunstancial, passa. Seja porque fica para trás ou porque você se acostuma – lembrou o velho criado – Só fica você, que permanece para sempre.

Repassando um texto que a Nadiajda Ferreira postou no stories do instagram dela, pois considero o conteúdo pertinente demais pra mensagem ficar só por lá e gostaria de fazer coro e endossar tudo o que ela escreveu. Quem curtir, pode segui-la no instagram onde ela muito frequentemente posta coisas incríveis e engraçadas: https://www.instagram.com/shibbolethv/

“Estamos passando por um momento delicado que, direta ou indiretamente, influencia toda a população etc vocês sabem. Mesmo que você more dentro de uma caverna (e se você mora numa caverna me convide para ir na sua casa), a VIBE do país está te pegando nesse momento. Infelizmente, D’us que me perdoe, mas eu vou cometer um textão de stories. #namastreta

A vibe está ruim. De todos os lados. Vibe de guerra, pegajosa, raiva, ódio, tristeza, disputa de poder, dúvida sobre a sobrevivência e a dignidade. A vibe influencia tudo que acontece. E tem gente que sabe se beneficiar da vibe e inflar a vibe.

Aí fica simples né: qual vibe você vai alimentar?
A vibe de esperança ou a vibe de medo?

Não é simples assim e eu não gosto de explicação rasteira, mas aqui, agora, especificamente e sem espaço para justificativas, tem lado certo sim. E tem um lado para quem toda a desgraça que vier é pouca. Tem gente desse lado. Gente boa, gente que não é louca nem nada. Mas estão fazendo uma escolha. Beleza, deixa lá que não é problema seu.

1. Você não vai salvar o mundo. Não encha o saco, não teste, fale o que sentir necessidade de falar pra marcar sua posição mas não avance e nem morda. Atacando frontalmente, você perde energia e essa energia zangada, melequenta, entra no caixa do lado de lá.

2. Preste atenção no seu estado mental e emocional. Não entregue os pontos, não diga que fudeu, preste atenção no que você diz e mentaliza. Sim, isso importa. Abracadabra, eu crio enquanto falo. Magia é mental, eu fortaleço as construções mentais as quais retorno, sempre.

3. Reze. Medite. Fique quieto. Fique calmo. Fale sozinho em voz alta. Converse com seus bichos. Converse com suas plantas, com seus cristais, com suas crianças e com seus amigos. Converse com o que habitualmente não te responde e se treine a ouvir a resposta. Tudo te responde, você que não ouve. Tudo te responde, cuidado com a sua voz, cuidado com o que sai da sua boca!

4. Silencie. Se organize. Se planeje. Se acalme.

5. Você tem um corpo que é animado por um lance que vamos chamar de energia. Essa energia pode estar vibrando alto, e aí você está animado, com a mente afiada, disposto etc; ou pode estar vibrando baixo, e aí você está de bad, sem vontade de nada, irritadiço e triste. É importante tentar manter uma higiene mental e emocional pra ser possível se alinhar com uma vibração mais alta. Isso não quer dizer que está proibida a bad ou a raiva. Quer dizer que você vive a bad, a raiva e depois sai de dentro delas e dá restart — não se alimenta delas e nem permite que elas se alimentem de você. Dentro da sua mente, você é soberano. Cuide do seu espaço mental e das suas atitudes emocionais nesse momento. É necessário estar atento. Não se alimente de nada, não deixe nada se alimentar de você. Se for de reza, reze; se for de meditação, medite; se não for de nada, faça algo que te relaxe e te leve pro seu centro. Encontre seu centro. Ajude as pessoas a encontrarem os centros delas. Ajude quem pedir ajuda, não ataque, não confronte. Você tem duas armas: o silêncio e a atenção. Use seu silêncio de maneira sábia, preste atenção aonde investe sua energia.

6. E então aja. Com amor, compaixão, calma, atenção e maestria. Preste atenção em cada pequeno gesto e não deixe o medo comandar suas ações. Aja pela sua própria vontade, não permita que nada contamine sua vontade.

7. E cuidado.
Não terminou ainda.
Não se desespere, você tem que agir.
Mas primeiro você precisa tomar as rédeas de si mesmo.

“Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.”

[Invictus, William E. Henley]

– Sério, percebo uma mudança de atitude em você. Acho que você está mais tranquila e confiante do que das outras vezes que vi você falar de relacionamentos.

– Sim… Eu baixei a guarda. Estou vulnerável. Não estou forçando nada e também abri mão de querer controlar a parada. E o paradoxo dessa posição é que ao mesmo tempo que ela é extremamente frágil, também é incrivelmente poderosa.

– Na verdade é porque no contexto todo não existe poder de verdade. O que existe é o fluxo. Quando você tenta reter o fluxo, você “perde”. Quando você segue o fluxo, você “ganha”… Mas ainda assim “perder” e “ganhar” não são expressões muito adequadas. Mas enfim… Acredito que você saiba dessas coisas mais do que eu.

– Sim. As palavras são ruins, né?

– São porque trazem juízo de valor.

Título Original “7 Phases of a Woman’s Becoming – The Heroines Journey Home“, por Lauren Wallett, publicado originalmente no site Witch, de Carolyn Elliott

Cara prezada, nascida para superar, descobrir e recuperar.
Rebella, linda rebelde, em sua jornada de retorno…
Aqui estão as 7 fases do tornar-se heroína.

(Onde quer que você esteja, olá, da escuridão das fases II e III…)

I O início

Fase um: Ela

“Controle: um truquezinho perverso. Funciona pra você, enquanto você em retorno, trabalha para ele.”

A menina auto-aprisionada. Mantida em segurança pela cela de segurança que escolheu. Seu transtorno alimentar, relacionamento abusivo, casamento, vício.

Qualquer um desses / todos tem o mesmo resultado, um sentimento impotente de desgraça iminente. Um sentimento de “não é isto”.

Junto a isso tem a descrença de que qualquer outra coisa além disso seja possível. A não ser que ela mesma se dê a permissão para afastar-se de sua escolha por controle.

Quando ela alcança o ‘Talvez se…’ ela já esteja no caminho para o buraco do coelho.

‘Ela’ rende-se à possibilidade a algo além de…

Fase Dois: Tornar-se

Sua crisálide. Perdida no desconhecido, sua transformação começou. Ela trocou de pele várias e repetidas vezes.

Abandonou personas, personalidades e princípios. Tudo o que não serve mais em seu processo de tornar-se. Frágil e ferina, ela está no meio do caminho para o renascimento.

Bem vinda ao bagunçado e enlamaçado meio do caminho… A coisa está esquentando.

II A queima

Fase Três: Eva

“Mordi a maçã”

É hora do seu êxodo do jardim do Éden.

Ao render-se ao seu falso senso de controle, ela provou a possibilidade da verdadeira liberdade. O estágio um a preparou para abandonar o jardim.

Revisitamos nossa fase de Eva quando não mais conseguimos ignorar que sabemos que há mais para nós. Ela provou da verdade e agora tem sede dela.

Abandonando sua zona de conforto, ela diz adeus ao Adão metafórico ou literal. E segue em direção ao desconhecido mais uma vez.

Fase Quatro: Lilith

Aviso: não é para as fracas de coração. Quando você dá as boas vindas a Lilith, a realidade como você conhece se dissolverá. Lillith engole a tudo. Bem vinda a raiva, a dor e a rebelião selvagem.

Acabou a menina boazinha.

Agora toda mulher consegue o que quer sem se preocupar com as consequências.

Quando a Lillith está presente, Kali está por perto. Mudanças radicais acontecem e te jogam numa onda profunda de emoção raivosa.

Você está no olho do furacão e um tornado de caos está a sua volta. Perspectivas mudam e a realidade como você conhece entra em pane. Segure-se em meio a tempestade, pois isso durará por algum tempo.

Enquanto as chamas te devoram, entregue-se a elas. Você não pode mais postergar a queima. Sua vida está em chamas… Dance no fogo.

Fase Cinco: Bruxa

O maior ícone feminista de todos: a bruxa.

Sozinha nas matas, fazendo poções mágicas e se juntando em covens. Deixe que julguem. “Odiadora de homens!” vão dizer se acovardando com medo do fogo – um resquício permanente no brilho dos seus olhos.

Você viu coisas, você sabe de coisas agora. E existe poder nessa sua “sabedoria”. A intuição formada pela tempestade é afiada nas difíceis pedras de um passado doloroso e inevitável.

Você tem se preparado toda sua vida. Uma bruxa guerreira mágica, que é capaz de manipular o tempo e mudar de forma física, que transmutou sua dor em poder. 

Um elixir interno que produz manifestações externas intencionais. Agora sob a luz da lua, nos juntamos às outras para brincar…

E aqui somos recompensadas com uma lembrança: nós nunca estivemos sozinhas.

 

III O nascimento

Fase Seis: Deusa

Deusa gloriosa, majestosa em seu patrimônio. Ela se mantém em uma postura alta, a cabeça inclinada para cima, com as palmas das mãos voltadas para cima, com espírito canalizador, a serviço dos outros.

Limpa após o fogo, com a pureza da paz em sua volta.

Ela partilha suas dádivas com o mundo. Em um estado de graça de plena abundância, ela inspira gratidão e expira possibilidades. Em seus momentos de verdade maior, ela reflete a melhor versão de nós.

Sua vibração está emanando luz branca. A culminação de suas cores caleidoscópicas, o tecido entrelaçado de sua maquiagem. Sua frequência é sempre presente. Transcendência.

Ela é a melhor dádiva do estado de alegria de ‘aqui e agora’. Seus desejos estão em harmonia com sua realidade co-criada.

Com o mundo em suas mãos, a glória em ser a Deusa.

Fase Sete: Eu

“Eu sou”

Eu é Ela que se tornou ela mesma. Ela alcançou a si mesma.

Lembrou-se de quem ela sempre foi e revelou sua própria natureza ao mundo. É o ponto de retorno.

O sempre, todas as fases em perpetuação circular. Empoderada ao invés de subjugada por suas emoções, tudo flui através dela, o que quer que seja. ‘Eu’ é ‘Ela’ que reivindicou seu corpo como seu. Redefiniu sua contribuição ao mundo.

A partir de um ato corajoso de rebeldia selvagem, para uma revolução sustentável, criativa e auto-regenerativa. O ‘Eu’ verdadeiro é a culminação. Complexo e mais interessante do que qualquer um dos ‘elas’ separados que lutaram pela primeira posição na performance da vida em encaixar-se em padrões.

E, que sempre fui e sempre sou, por baixo da superfície, além dos mares de tristeza e dos fogos de raiva. Silenciosamente apenas eu, ‘Eu sou’.

A inversão

O segredo para desbloquear as fases dos estágios é a Inversão. De cabeça pra baixo. Apontando para uma direção: para dentro. O divino feminino, a Yoni assustada, o ponto de entrada.

A ferida profunda interna que nos mantém trancafiadas, engarrafadas, nos escondendo ao invés de nos revelar. Castradas ao invés de liberadas.

Nosso medo, unificando coletivamente mas isolando vergonhosamente. Isso nos mantém escondidas.

A parte que consideramos pecadora. Nossa ‘maluca’ da camisa de força. O algo que nos impede.

Nossa vergonha sexual. Nosso trauma. O que quer que seja.

Abordamos nossa vergonha sexual: o trauma, o abuso, o poder mal utilizado. Os segredos que nos mantiveram doentes por dentro. Aquele machucado no centro da tristeza.

Algo tão escuro e aterrorizante, que faríamos qualquer coisa para não olhar, nos distraindo disso.

Só então nós desbloqueamos e começamos a descobrir. A superar. Nosso processo de recuperação inicia aqui. Nossa reinvindicação é nossa maior rebelião.

Todo progresso é através do processamento. Imersão na inversão. E depois do triunfo de nossa jornada, nossa celebração através de nossa revolução criativa, nossa vida de trabalho… Então nos permitimos a chegar, em casa.

 

Ouçam meu conselho

Não se vendam barato por acreditar que você é só o seu corpo ou sua personalidade, não importando o quão intrigantes e dramáticos eles possam ser. Porque por trás deles existe uma parte mais profunda do seu verdadeiro eu. Chame de ‘espiritual’ ou chame de ‘consciência superior’… Chame do que quiser, mas… Chame!

Um dos portais para este eu superior é através da cultivação de sua sabedoria intuitiva. Uma vez que você aprende a ouvir e a confiar na sua intuição, você encontrará um lugar silencioso no coração do seu ser que é sábio e poderá guiar suas ações. Uma das coisas que isso irá te lembrar é da sua interconexão com todas as coisas. E a partir desse entendimento a compaixão por todos aqueles que sofrem surgirá espontaneamente; pela terra e por todos os seres viventes.

Quando isso acontecer, não se sinta sobrecarregado por todo sofrimento que você verá, pela escuridão que existe na condição humana, é verdade, existe muito disso. Mas também existe muito cuidado e compaixão no mundo. Mahatma Gandhi disse ‘o que você faz pode parecer insignificante, mas é muito importante que você o faça’. É importante para você mesmo, bem como é importante para os equilíbrios no mundo. Uma vez que você deixa a sua compaixão te guiar na ação de ajudar a curar a terra e aqueles que sofrem, seus próprios atos irão alimentar o seu próprio coração compassivo e, fazendo isso, abrirá os portais interiores para conhecer o seu próprio eu superior.

Eu te prometo que canalizar as profundezas do seu ser é uma aventura sem igual. Desejo-lhe uma boa jornada.

Em amor,
Ram Dass

[…]

Recentemente descobri esta carta nos arquivos do Ram Dass (sim, escrita na máquina de escrever!) e eu acho que é a afirmação perfeita para hoje e para todos os dias – algo que precisa ser lido, algo para uma sociedade que está tão emperrada em separação que muito frequentemente falhamos em reconhecer nossa humanidade compartilhada, nosso ar compartilhado, nossa água compartilhada e nosso ecossistema compartilhado.

Espero que você encontre conforto e cura nessas palavras, como encontrei. Uma vez que você consegue olhar para além do véu do medo e da divisão, você nunca mais consegue voltar a dormir.

Em amor,
Rachael
Diretora de Desenvolvimento da Love Serve Remember Foundation

Vamos falar um pouquinho sobre experiências de rendição ritualizada. Psicólogos nos dizem direto que é no ato de largar mão das coisas que você descobre quem você é. Mas ter em mente a morte do Ego, no entanto, ter em mente qualquer tipo de rendição ritualizada parece muito com morrer, mas apenas para aqueles que resistem a isso. Aqueles que eventualmente percebem que a morte não existe, ao menos, que a morte psicológica não é nada além de uma ilusão, O último “Viva!”, a última resistência antes que você se atire ao abismo e perceba que ele é uma cama de penas. Terence McKenna falou sobre isso, ele disse: “esse é o segredo, isso é o que todos os xamãs, professores e sábios compreenderam. Esse é o objetivo alquímico. É assim que magia é feita. Você se atira no abismo e percebe que é uma cama de penas”.

Nossa sociedade hoje é construída, sabemos, de forma que muitas pessoas são afligidas com uma quantidade patológica de ansiedade e depressão. É o que Jamie Wheal chama de “século 21 normal” – esse estado fibrosante de um ego superativo que surge de uma falha na ignição de um modo de rede padrão que é a mente autobiográfica que é, essencialmente, tornado em uma doença que é algo tipo uma desordem autoimune do eu e a ruminação excessiva e a auto-consciência que caracteriza depressão e ansiedade ambas vem de uma mente que se tornou muito ordeira, muito rígida, muito hiper-vigilante. É como se todos estivéssemos vivendo com uma micro síndrome de stress pós-traumático perpétua. E o que as pesquisas nos mostram, e isso me auxiliou tanto na minha vida criativa, é que em containeres seguros e com as precauções adequadas utilizadas, a experiência de rendição em êxtase, a experiência de morte do ego, o que Jamie Wheal chama de “o êxtase da crucificação” é na verdade onde toda a cura é feita. É quando você morre no momento que você percebe que todos os seus medos são infundados. Você percebe que tudo o que você quer está no outro lado do medo. É como o filme “O Jogo” do David Fincher nos revela naquela frase que cita a bíblia, João, capítulo 12, algum versículo: “Considerando que uma vez eu estava cego, agora eu posso ver”.

É difícil transcrever em linguagem essas instâncias de rendição em êxtase. Atirar-se no abismo e perceber que é uma cama de penas vem para você como um domínio que existe fora do tempo. O eu experiencia isso como uma liberação do incessante diálogo interior. Somos livres para sermos nós mesmos. Nos tornamos infinitos, é o que parece. Momentos encantados transitórios nos quais prendemos a respiração, compelidos a contemplações estéticas que sequer compreendemos ou talvez nem mesmo desejemos. Cara a cara com algo proporcional a nossa capacidade por maravilhamento. Nós experimentamos de novo o êxtase dificilmente suportável da energia direta que explode em nossas terminações nervosas. Recontextualizamos o eu como um condutor maravilhoso em um buraco atemporal do qual moléculas e significados fluem de neurons para nébulas e vice-versa. Vemos o mundo em um grão de areia e vemos o paraíso em uma flor selvagem. Seguramos o infinito nas palmas das nossas mãos e seguramos a eternidade em uma hora. E aí o momento passa. E todas as contradições são reconciliadas. Homens e mulheres superaram os deuses. E o que encontramos depois desses momentos encantados? O que encontramos depois desses momentos opiantes adjacentes quando nos derramamos, quando transbordamos, quando nos rachamos ao meio que a luz entre? Descobrimos que pessoas reportam sentimentos de bem estar em seu dia a dia – sentimentos aumentados de compaixão, criatividade, alegria e uma sensação de ter vislumbrado a verdade noética, uma sensação de ter encostado no infinito, um sentimento de comunhão com o cosmos, um despertar ontológico, uma experiência espiritual de avaliação contundente com o que é, uma integração do espaço e tempo através do nervo óptico. Nós nos tornamos o que contemplamos e contemplamos o infinito. Miguel de Unamuro escreveu: “No sentido trágico da vida, eternidade, eternidade. Nada que não seja eterno é real”.

Então a questão permanece. Nós sabemos o que fazer. Nós sabemos o caminho. Sabemos o que precisamos fazer para nos curar. Como transformarmos nossas iluminações passageiras em uma luz permanente? Como tornamos nossos auto-sistemas de baldes furados e peneiras para cálices? Jamie Wheal disse: “Como podemos nos tornar inteiros? Como podemos nos tornar sagrados?”. Essa se tornou a principal preocupação da minha vida.

(Jason Silva)

A verdade é que, eu não posso eliminar a morte e o sofrimento das pessoas quando eu estou trabalhando com a morte e o sofrimento delas. Mas eu posso ser uma presença onde elas podem mudar sua consciência de tal modo que não passem por suas experiências de morte e sofrimento da mesma forma. Mas eu não posso eliminar todo o sofrimento das pessoas. E a habilidade de estar com alguém quando o seu coração está sendo quebrado porque elas estão sofrendo e você não tem o poder de eliminar esse sofrimento, e o sentimento que você tem nessas condições, deve ser algo pelo qual se deve refletir. Você precisa tirar tempo para refletir sobre isso, para que então você possa encontrar paz dentro dessa situação.

Parte dos motivos de eu fazer isso é porque eu cultivei esses planos de consciência – a Alma e a Consciência – onde a natureza do sofrimento que existe no plano físico é parte do mistério do universo. Isto é, dentro do mundo do plano físico, você não sabe a resposta de porquê o sofrimento está acontecendo. Por que uma criança nasceria para uma vida de apenas sofrimento? Por que alguém viveria tanto assim? Por que uma pessoa não sentiria dor alguma enquanto outra pessoa sentiria muita dor? O predicamento é que a forma que o sofrimento é disperso neste mundo não é razoável. Talvez seja cármico, mas não é razoável, o que é uma ideia bem interessante porque karma e razão não são a mesma coisa. Então você encara apenas o não saber.

Minhas experiências tem sido as de que o meu próprio sofrimento acabou se tornando graciosidade e que eu geralmente vejo o sofrimento alheio como graciosidade mesmo que as pessoas não vejam assim, mas eu não digo a elas que “é graciosidade”. Porque para elas é sofrimento então eu faço o que posso para aliviar aquele sofrimento, mas ao mesmo tempo minha compreensão de que elas ganharão sabedoria através do sofrimento não me faz, de nenhum modo denegrir a natureza do sofrimento. Sofrer não é um erro de sistema, e o predicamento é o de que a maioria das pessoas respondam ao sofrimento com sentimentos de que fizeram algo errado, ou alguém fez algo errado e é por isso que isto ocorre. E estas são as coisas psicológicas das quais as pessoas tem medo, é isto.

Sentir dor no seu corpo é ter dor no seu corpo, mas todas as coisas fisiológicas que vão junto com a dor no seu corpo como, “eu mereci,” “não sou bom o suficiente,” “estou fracassando, dah dah dah,” “não comi direito”, “não fiz a coisa certa,” essas coisas são o que vão acabar com você. Essas coisas vão acabar com você.

O que minha própria experiência pessoal tem sido é que, tendo ido de uma identidade com ego para uma identidade com a alma ou com a testemunha, eu encontrei um espaço e uma forma em relação ao mistério do universo que me permite estar com o sofrimento, meu e dos outros, que habita este plano, de forma que não me subjugue. E eu não sou subjugado pela minha impotência de eliminar isso, e eu não preciso desviar o olhar disso, e eu lido com isso na medida em que isso aparece pra mim sem sentir a necessidade de carregar tudo isso comigo.

-Ram Dass, October 1995

Artigo de autoria de Clive Treadwell, publicado originalmente no site Rebelle Society com o título original Transformation: if you’re enjoying it you’re doing it wrong

Transformação é literalmente o progresso de uma forma para outra.

Se você está interessado em crescimento pessoal e usa palavras como transformação e metamorfose, você provavelmente já viu uma grande quantidade de imagens de borboletas, simbolizando o processo e sua pretendida consequência.

Este será você algum dia! Você é uma humilde lagarta mas você está criando asas, querida! Você será capaz de voar! Então você lê todos os livros, você passa por coaching e você vai em todos os seminários com vários outros ingênuos idealistas aspirantes. Tem vários abraços e compartilhamento e auto-congratulação mútuas sobre como vocês estão salvando o mundo juntos.

Abordado deste modo, o processo nada mais é que um esporte ou um hobby, e talvez seja a melhor forma de prevenir que a verdadeira transformação ocorra mesmo. É como se esconder em plena vista. Por conscientemente (e só Deus sabe o quanto você e os seus amigos adoram usar esse termo) assumir a causa da transformação, você a está obstruindo e aqui estão os porquês:

  • A transformação não é algo que você escolhe, ela é quem escolhe você. Considerando o que está envolvido, nenhuma lagarta em sua plena consciência jamais decidiria se tornar uma borboleta.
  • A transformação ocorre sozinha. Com borboletas, acontece dentro de um casulo que as previne de um mundo exterior. Então, sem amigos, sem abraços, sem conversas brilhantes, sem seminários, sem posts inspiradores do Facebook. Se realmente estiver acontecendo, é mais provável que você delete sua conta do Facebook porque se sentirá muito sozinho.
  • A transformação começa dissolvendo o seu antigo eu. Literalmente, uma vez dentro daquele casulo, a primeira coisa que a lagarta faz é dissolver a si mesma em uma substância amorfa de proteína. Existem algumas estruturas básicas que provém continuidade funcional, mas além disso, é um imenso colapso que faz com que não reste nada da identidade da lagarta para que ela possa se apegar. Se a sua identidade está envolvida em ser transformacional, então na melhor das hipóteses o que você está fazendo é se tornar uma lagarta melhor.
  • A transformação é uma merda. Você não quer falar sobre isso, você só quer que isso termine. Porque sua identidade foi dissolvida, você provavelmente não tem muitos amigos e pode se ver com pessoas com quem você não se identifica como parte do processo. Você pode pensar em suicídio com frequência, e isso é natural porque de certo modo você está passando por uma morte em câmera lenta e é razoável querer acelerar esse processo e terminar logo com isso.
  • A transformação é confusa. Uma lagarta não tem nenhum conceito sobre o que significa ser uma borboleta e se você estiver realmente passando por uma transformação, você estará constantemente tendo que perder seu próprio conceito do que isso pode significar. Sua auto-imagem se torna tão batida que é inutilizável. E este é o objetivo e isso leva muito tempo porque você é muito apegado a ela. Mesmo a auto-imagem de alguém que não é apegado a sua auto-imagem é um tipo de apego que precisa ser dissolvido.
  • A transformação é inevitável. Uma lagarta não pode impedir a si mesma de se tornar uma borboleta porque todo o processo já está codificado e instalado em seu DNA. Quando uma lagarta passa pela metamorfose, o que são chamados de discos imaginários já estão em seus lugares para se tornarem novas características tais como assas, pernas e antenas. A única coisa que você pode fazer para ferrar com o processo é tentar impedi-lo.
  • A transformação é maior que você. Isso deveria te animar quando você estiver pra baixo e deixá-lo pra baixo se estiver se sentindo especial porque você decidiu transformar a si mesmo. Se você tiver sorte, você vai ficar tão cansado de si mesmo e sua própria história de ascensão que você vai apenas se render e deixe que ela lide com você.

Então como você se rende ao processo? Cá estão algumas dicas:

  • Comece parando. Considere parar de fazer aquelas coisas que você acha que vão consciente e deliberadamente te levar a uma evolução pessoal, tais como ler livros de auto-ajuda, fazer yoga, cantar mantras, músicas espirituais e ter conversas profundas e significativas com pessoas que pensam como você. Cheque para ver se elas não são parte de um complexo de ego que precisa ser dissolvido.
  • Suspeite do conceito de pessoas que pensam como você. Seja cauteloso ao projetar seus ideais nos outros e ao colocá-los em um pedestal.
  • Suspeite de suas próprias crenças auto-limitantes que te fazem depender dos outros ou em ideias pré-concebidas sobre como as coisas devem ser.
  • Na dúvida, pare o que está fazendo e espere por direções.
  • Vá em direção ao escuro. Se você encontrá-lo por dentro ou por fora, dá no mesmo. Você classificou seus conteúdos psíquicos em pilhas marcadas como boas e ruins. Os bons você reivindicou para si mesmo e os maus você mandou embora para que se virassem sozinhos. Você precisa deles de volta. Dê as boas vindas a eles quando retornarem e peça desculpas por abandoná-los e ser uma pessoa tão egoísta e mesquinha.
  • Comece a usar a palavra interessante ao invés de bom ou ruim. Isso promove uma abordagem imparcial à sua experiência sem criar uma nova persona de alguém que está levando uma perspectiva distanciada de sua experiência.
  • Cuidado com os punheteiros intelectuais. Essas são as pessoas que só falam e não fazem nada e se você está começando, você provavelmente é uma delas. A maioria das pessoas é assim não porque a conversa é fiada, mas é porque é de graça mesmo. Ao mesmo tempo, percebem que esta é uma estratégia perfeitamente compreensível de navegar pela vida, então não seja muito rígido com eles ou consigo mesmo por tentar. Valeu a tentativa.
  • Resista a tentação de compartilhar sua experiência de modo que a formalize e te faça sentir especial. É ok ser incompreendido e levado a mal uma vez que você não entende a si mesmo ou não gosta muito de si mesmo também.
  • Veja a si mesmo como um processo. Mantenha o processo aberto por quanto tempo conseguir antes de parar com isso temporariamente para pedir ajuda ou conceitualizar o que está acontecendo (isso inclui pedidos de ajuda para entidades como anjos ou guias espirituais). Tente se lembrar que você não faz ideia do que está acontecendo ou o que que está envolvido nisso tudo e encontre força em sua própria ignorância. A estrada poderia tomar um caminho diferente de meia volta em qualquer ponto e você vai passar reto por aquela parede na qual você acha que vai bater. Depois de um tempo você pode até passar a curtir isso.
  • Observe a nova ordem que está emergindo na sua experiência. Isso é o que vai te manter interessado e é o que vai te manter nos trilhos. Ao longo do tempo você vai aprender a confiar mais e se basear mais nisso.
  • Preste mais atenção na energia das coisas e das pessoas. É aí que a ação está.
  • Lembre-se que não é pra ser divertido, você sabia que não seria, e se você tivesse que fazer tudo de novo, você faria a mesma escolha porque você é um fodão ou uma fodona cósmica. Você consegue, soldado!
  • Quando tudo mais der errado, fique puto e resmungue. Se você não for acostumado a xingar, aprenda. Não importa muito a forma que fizer isso. Tudo o que importa é que você se mantenha no caminho e siga em frente.
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