arquivo

Lifestreaming

Anos atrás me disseram que hoje era uma bobagem. Anos atrás fui tomada de assalto, nessa mesma data, pra não esquecer. A gente tenta deixar pra trás, fingir que não vale a pena, tenta esquecer. Isso, sim, é bobagem. A maior delas. Algumas coisas importam. Na verdade, só o que importa, importa. O resto é meio irrelevante mesmo.

A pior coisa que já fiz num desses dias foi pedir pra você me escrever alguma coisa. Meu Deus, foi tudo muito horrível. Tudo foi absolutamente sem espontaneidade: o pedido e o que você escreveu. Tudo muito errado, muito triste, muito sofrido. Hoje lembro disso rindo, mas na época sofri muito por não ter sido correspondida da forma que eu imaginava. Aquela foi a epítome de uma situação criada artificialmente, por ambas as partes. Tudo muito falso, tudo muito ridículo mesmo, na verdade. Sofri horrores, você não me ama de verdade, você só quer meu corpo, você só pensa em sexo… Justo quem dizendo isso, não? Enfim. Passou. É até divertido lembrar hoje, porque parece que não foi comigo de tão bizarro.

Reli um texto que escrevi há dois anos atrás, sobre como me sentia em relação a relacionamentos. Mesmo escrito em 2016, ainda reflete um pouco – muito pouco – do que vivo e do que sinto por aqui. Das necessidades que tenho. Mas muita coisa mudou, muita ponte foi queimada, muito comportamento foi revisto e alterado – mesmo que lentamente. Não sou mais a mesma pessoa, praticamente. Minhas expectativas e sentimentos são outros. Me relaciono com – e sinto, e quero, e desejo – o outro de formas drasticamente diferentes. E isso requer sempre muito trabalho interno e lutas diárias pra lidar com todas as minhas sombras. Pra lidar com cada uma delas. Nem sempre é possível né, mas na maior parte do tempo a gente tenta sim. Toda tentativa é válida, absolutamente.

Em 2016 já tinha dado uma certa guinada rumando pra auto-consciência e outros estudos de auto-conhecimento, mas ainda não tinha aceitado muito bem esse meu caminho de construção de identidade. Sim, parece bobo, parece raso, mas não é – eu só não quero e não vou ficar falando muito disso porque nem eu mesma sei ainda do que se trata direito, estou descobrindo. E tudo o que faço e descubro é extremamente pragmático, só diz respeito a mim, ao que eu vivo e como eu vivo. Não sirvo de exemplo pra ninguém, não. Só sei que estou nesse chão que estou pisando e que está se fazendo sob meus pés desde 2016 e só agora as coisas parecem estar ficando mais claras por aqui.

Não me privo de nada, no entanto: sinto atração constantemente, flerto, descubro cada vez mais coisas sobre minha própria feminilidade, adormecida por tantos anos, me apaixono profundamente por homens que me parecem muito interessantes, me declaro, observo cada um de meus ciclos e suas variáveis, me desapaixono aos poucos, sem perder a admiração, sem me perder demais no desgostar, simplesmente porque ele não me interessa e não vale mais a pena. Eu estou aqui, mas não sou mais daqui. Demoro muito pra gostar de verdade de alguém, então nada mais natural que demorar pra desgostar também. Tenho tentado ser menos volátil, mas nem por isso menos mutável. Todo o meu esforço tem sido para tentar ser menos reativa e muito mais contemplativa, do meu próprio corpo, do que sinto, do porquê sinto, das minhas emoções. Em enxergar o outro de verdade e evitar julgá-lo, principalmente sem fazer ideia do que a pessoa passou. Tudo ainda é um grande mistério e cada vez mais. Cada vez mais.

Mas me parece que nos próximos anos eu devo permanecer sozinha mesmo e em busca de descobrir mais algumas coisas por aqui e devo focar minhas energias exclusivamente nisso: pra me trazer cada vez mais ao mundo. Cada vez mais pra essa existência aqui e agora. Me abrir mais pra tudo isso o que existe. Pra descobrir minha verdadeira vontade. Pra fazer com que minha existência tenha propósito (mesmo que breve e irrelevante, etc.). Mas para que tudo seja eu e para que tudo seja meu, do começo ao fim. É bizarro isso porque eu já me acho absurdamente auto-suficiente, mas tudo o que me aparece me diz pra eu me tornar ainda mais independente. Talvez seja em outros níveis, em níveis que ainda não enxergo ou ainda desconheço. É bastante solitário sim, bastante triste… Mas é um caminho que eu sinto que deve ser tomado e eu estou tomando. E o mais importante: eu quero essas coisas mais do que qualquer outra coisa. Relacionamentos são legais sim, mas agora talvez não seja o momento pra mim – quem sabe talvez quando eu for mais velha, quando estiver mais madura pra caminhar com um outro alguém. Ou quem sabe talvez nem aconteça, enfim. Isso não é mais exatamente a coisa mais relevante da vida agora pra mim.

Os últimos dois anos tem sido o de uma luta, diária, pra ser menos amarga e pra não me tornar um poço de cinismo, por mais que o mundo e as pessoas me forcem a isso às vezes. Já fui isso por muito tempo nessa vida e agora isso não me serve mais. Não combina mais comigo, nem com quem eu sou hoje. Tomo muito cuidado com algumas armadilhas do feminismo que, por mais que nos façam acreditar que tenhamos motivos de sobra pra misandria, não quero odiar a todos os homens indistintamente. Não acho isso saudável, prefiro conviver. Nos últimos tempos tive a sorte de conhecer muitos caras que não são completos babacas e também tive a oportunidade de mudar o meu comportamento em relação aos homens. Aprendi que posso sentir afeto por eles, sem precisar me embrenhar num joguinho odioso e que só traz sofrimento e uma sensação terrível de segregação e inadequação. Não é eu e eles: sinto que posso fazer parte, de fato. Aprendi a lidar com as ilusões que a minha mente e o meu corpo projetam em mim, estudando sobre os mistérios do meu próprio ciclo e também da lunação. Enfim… Existem outras coisas em jogo, agora. Existem MUITAS coisas em jogo, agora.

E eu também descobri que não é força, é jeito.

É preciso muito jeito, pra transformar solidão em solitude. É quase uma alquimia, na verdade. E não só fazer isso, como fazer isso com graciosidade. É preciso um senso absurdo de persistência pra fazer com que todo o auto-abandono que sentimos seja sempre preterido. E que todo o cuidado consigo mesma seja feito diligentemente e de forma diária e constante. Ainda peco muito nisso, mas persisto. É preciso atenção para não aceitar nada menos do que eu acredito que mereço em termos de afeto, pra passar pelos desencontros com sorrisos e com o coração tranquilo e não reclamar muito do tempo, mas fazer com que ele trabalhe ao meu favor, ao meu próprio aperfeiçoamento, a mim mesma, quem eu sou, o que faço, o que penso, etc. Ainda terei muito tempo para passar comigo mesma e, bem, eu só estou no começo da jornada. Na escolha que volta e meia preciso fazer entre o medo e o amor, estou aprendendo cada vez mais a escolher o amor. Uma situação de vida por vez. Ainda acho que o amor é uma ideia sim e um ideal também. E relacionamentos até que fazem parte disso, mas são só uma parte. Mas eu amo mais é essa ideia, mesmo. Esse ideal. Acredito que essa seja a chave pro desdobramento de várias outras coisas.

O desafio não é mais tanto ter cada vez mais amor, mas ser.

E não parar.

Eu estava escorada no balcão do bar, não lembro bem no que estava pensando, quando de repente tenho uma sensação quente na parte de trás do meu braço esquerdo. Tirei o meu braço rapidamente, assustada. Não vi que era o seu braço encostando no meu, entregando coisas pra algum outro alguém atrás de mim. “Desculpe!” você me falou, por me tocar sem querer. Eu já estava alcoolizada e provavelmente respondi “ah, não foi nada” com a voz alcoólica mais macia que consegui fazer. Não nos tocamos com frequência. Das duas vezes que estive no bar, estendi minha mão direita e te cumprimentei com a voz mais firme que consegui fazer. O lugar estava cheio, minha presença precisa ser notada e eu não gosto de ficar com a garganta seca por muito tempo. Gosto do som da sua voz, da curva de cada uma das suas letras que caem no meu ouvido.

Passei meses sem perceber isso, final do ano percebi, despercebi e no início do ano percebi novamente. Eu me confundo, me distraio. Mas as coisas se encaixaram. E no início é sempre tudo muito estranho. Não me constranjo mais, não sou uma menina. Acho que nunca fui, só que sempre pelos motivos errados. Em um dos passeios, assim que cheguei, fui reta e direta te cumprimentar, sem medo algum. Eu estava com um batom escuro, você me olhou com olhos arregalados, pois achava que eu fosse te ignorar. Mas naquele dia eu já sabia. Te cumprimentei, com abraço e beijo mas foi isso. Eu não tinha nada a oferecer naquele momento que não fosse um desejo cego, vazio. Não tinha te aprendido ainda. E ainda não haviam todas as coisas que existem agora, hoje. Eu não as carregava em mim.

Agora entendo que não preciso ter medo. E que também não quero programar nada, planejar ou pensar em nada. No momento, eu só quero sentir. Só sentir. Estar aberta pra isso, de fato: pro sim, pro não, pro que vier. Eu só quero estar ali. Sei que tenho um longo caminho pela frente. E quero isso.

Traduzido e adaptado do original:
https://www.boredpanda.com/bitter-wisdom-truth-potato/

1 A vida que você está vivendo hoje é o sonho de muita gente.
2 Comparar o seu Capítulo 1 com o Capítulo 9 de outra pessoa é puramente burrice.
3 Algumas pessoas não devem permanecer na sua vida, não importa o quanto você queira isso.
4 As pessoas vão te odiar por nenhum motivo.
5 O mundo está cheio de idiotas que se acham gênios.
6 A maioria das pessoas não sabe dizer “não”.
7 A vida dos outros vai continuar sem você.
8 Você vai conhecer muitas pessoas juntas, que não se amam. Você vai encontrar muitas pessoas que se amam e não estão juntas.
9 Ninguém na verdade está ocupado demais pra não te responder.
10 Dinheiro compra felicidade sim.
11 A vida é uma viagem solitária com muitos visitantes.
12 Só porque você está ocupado, isso não significa que você esteja de fato realizando algo.
13 O mundo não te deve absolutamente nada.
14 As pessoas nem sempre serão legais com você.
15 Suas ações te definem, não seus pensamentos.
16 Investir em si mesmo não é egoísmo.
17 Ninguém se importa com o quão difícil é a sua vida.
18 O que os outros pensam de você realmente não importa.
19 Passamos tempo nos preocupando com as perdas e não com os ganhos que temos.
20 Você não precisa agradar todo mundo.
21 Você é a única pessoa que está se impedindo de fazer qualquer coisa.
22 Você é único. Assim como todas as outras pessoas.
23 Você não precisa esperar por uma desculpa para perdoar o outro.
24 A vida não vai ser perfeita.
25 Quase ninguém faz o que prega.
26 Há um outro caminho. Sempre há.
27 As pessoas irão embora.
28 Um dia tudo vai acabar.
29 Um fracasso é uma chance de recomeçar.
30 Seguir as regras nem sempre é garantia de sucesso.
31 Seus amigos vão falar de você pelas costas às vezes.
32 A mudança é a única constante.
33 Todo mundo é tendencioso para com algo ou alguém.
34 Mesmo se não custa nada, não é de graça.
35 Nem todo mundo tem uma alma gêmea.
36 Somos todos hipócritas.
37 As coisas que fazemos uns aos outros são horríveis.
38 Às vezes, merda simplesmente acontece.
39 As pessoas nem sempre vão te enxergar por quem você realmente é.
40 O tempo é mais precioso do que qualquer coisa.
41 Lutar por perfeição vai apenas te desmoralizar.
42 O passado já está escrito.
43 O prazer é temporário.
44 As memórias não morrem rápido.
45 “Para sempre” é superestimado.
46 Você geralmente tem duas opções: ficar ou ousar.
47 Somos apenas histórias.
48 Não temos muito controle sobre nada.
49 Nem sempre performances de pico resolvem. Descanso também é treino.
50 Não fica mais fácil. Ao menos não da forma que você imagina.
51 As pessoas só te trapaceiam se você der a elas a oportunidade de fazer isso.

I Início

Sempre quis ter moto. Tirei carteira com 18 anos, quis tirar AB, papai não deixou. Não por machismo, nem nada, mas por querer proteger sua filha de si mesma. Papai é um homem sábio. Hoje eu entendo: eu era absolutamente inconsequente mesmo, quando era mais nova.

Dirigi carro por algum tempo em Campo Grande quando morei lá, mas desde que saí de casa nunca mais dirigi. Em Floripa tudo era perto nunca precisei de nada nesse sentido. Aí vim pra Sampa e demorei uns 2 anos pra dimensionar o que era realmente a Grande São Paulo (acho que ainda não dimensionei direito, só sei que é muito grande mesmo). Trabalhei em alguns lugares, peguei muito ônibus, metrô, andei muito a pé até que isso começou a me roubar vida. Meu dia tinha 20 horas: 8 no trabalho, 8 dormindo, de 4 a 5 em trânsito e sobravam só 4 horas pro “resto”. Entendo que existem realidades muito mais duras que essa minha, mas pra mim isso foi ficando *realmente* muito difícil de naturalizar.

Sendo mulher e sozinha, pra mim não só era inviável como era até meio irresponsável ter um carro: um trambolho enorme, com quatro lugares (eu sou uma só!), enfiar mais um carro no trânsito imenso que é essa cidade, mais poluição, sem falar nos gastos que, sinceramente, não tenho grana pra bancar. Não queria isso. E também não via outra alternativa a não ser continuar pegando transporte público, me entalando tal qual sardinha, aturando sarrada de desconhecido, tolerando falta de educação, tudo o que auxilia, em muito, na impaciência, na tristeza, no desequilíbrio mental. E isso era diário. E já estava enchendo o saco.

II Inspiração

Aí saiu o filme do Mad Max em 2015. Eu conhecia os filmes antigos e fui despretensiosamente ver o Fury Road no cinema. Na tela grande eu vi as Vuvalini (as Many Mothers) pilotando no deserto e aquilo ressoou em mim com uma intensidade absolutamente fulminante. Um grupo de senhoras pilotando motos no deserto, protegendo umas as outras. No dia que eu vi aquilo, não me dei conta do quanto essas cenas tinham me impactado. Mas depois do filme comecei a pensar em uma moto como uma possibilidade de deslocamento, de libertação, de vida mesmo. Até então, eu achava que eu “não tinha mais idade” pra ter moto. Que era um devaneio juvenil meu. Eu ria de mim mesma quando pensava em incluir a categoria A na minha carteira. Me achava muito ridícula por simplesmente querer isso e essa parecia ser uma barreira intransponível. Piores que as barreiras do mundo, só as nossas. Tive que vencer algumas boas quedas de braço dentro de mim mesma, com meus próprios preconceitos, pra poder fazer esse desejo existir e vir a tona. Até que comecei a desejar isso com muita força e agi: me organizei e me planejei, meticulosa e sistematicamente, como boa parte das coisas que eu faço.

III Medos

Eu não tinha absolutamente nada: minha CNH não tava transferida pra SP ainda, não tinha carteira A, nem moto, nem nada. Tive que ir atrás, do zero. Com 33 anos, eu só avisei meus pais que tiraria carteira de moto. Não pedi autorização. Eles não disseram nada, mas por dentro acho que eles silenciosamente só esperavam (esperam, acredito) que nada de muito ruim acontecesse comigo. E de acordo com o que eles vêem na TV, “todo mundo” já sabe como é o trânsito em São Paulo: violento, caótico, hostil, etc. Tive que conviver com o medo, mas cheguei a conclusão que ele era um amigo antigo e que, com moto ou não, ele apenas permaneceria sendo meu amigo mesmo. Ter medo pode ser bom, não há nada de errado em ter medo. Precisei lidar não só com o medo de si, mas também com o medo dos outros. Foi um passo de cada vez.

Incluí a categoria A na minha CNH no final de março de 2017 e dia 5 de abril comprei a moto de uma mulher, da Tathy. Descobri que além do capacete obrigatório, também poderia ser interessante usar algumas coisas – pra me manter viva – tais como jaqueta, botas, luvas, equipamentos de proteção em geral. Foi aí que comecei a entender que parece que não é só uma moto, tem todo um contexto mais amplo, todo um universo. No primeiríssimo dia que saí de moto de casa pro trânsito, peguei a Rebouças de primeira, pra ir pra faculdade. Eu tremia, suava, coração disparado. “Você não tem medo?”. Tenho. O tempo todo. Mas aos poucos o medo foi se aquietando e se acomodando dentro de mim. Uma queda aqui, outra ali, aprendendo a cair 7 vezes e levantar 8, a voz do medo foi ficando cada vez mais quietinha, embora sempre presente. Hoje, mesmo sendo um sussurro, é ele que me faz prestar atenção, me deixa focada e evita muita coisa.

IV Entusiasmo

Me surpreendi positivamente com o trânsito em São Paulo porque ele nem sempre é o que a mídia diz que é. Nem de longe. Na grande maioria das vezes, o trânsito é ok (pelo menos nas áreas onde eu transito, centro, etc) e em um ano nunca presenciei nenhum desentendimento, nem nada de muito horrível. Em absolutamente TODAS as vezes que eu caí no trânsito, as pessoas pararam e foram solícitas, me ajudaram a levantar, a levantar a moto, perguntavam se eu estava bem, se precisava de algo, etc. Nunca houve indiferença, nunca senti isso. Tudo muito diferente mesmo do caos e da desumanização que pintam na TV e que fetichizam no imaginário. Ou talvez eu tenha “sorte”. Também, não é por menos: peço proteção pra três guias todos os dias antes de sair de casa e os carrego comigo, pra onde quer que eu vá. Por algum tempo, pedi proteção só pra mim. Depois que isso se fortaleceu, hoje peço por mim e pra todos os veículos e pedestres que estejam ao meu redor. Se percebo que o dia está muito pesado, faço a oração de São Jorge antes de sair. Nunca imaginei que o fato de ter uma moto fosse se misturar com o desenvolvimento da minha própria espiritualidade, mas isso acontece sim, também.

V Mulher de moto

Algumas mulheres tem isso de pilotar “tão bem quanto homem” ou “pilotarem como homens”, mas pra mim essa é uma comparação descabida. Competição também é algo que não me apetece, nem nunca apeteceu. Eu não estou competindo com nada, nem ninguém. Não sou homem, nem quero ser e eu piloto como mulher mesmo. E é um estilo de pilotar, ao meu ver, completamente diferente: temos uma postura diferente, temos mais cuidado, nossas preocupações muitas vezes são outras. E isso é ok. Também observo diariamente no trânsito o machismo trabalhar ao meu favor: bastam ver que é “uma mulher na moto” que os espaços se abrem, os sorrisos, os “bom dia”. Já me chamaram de corajosa. Talvez eu seja, sei lá, isso nunca me interessou. Nunca fui assediada no trânsito, talvez porque já seja velha demais pra isso. Bom, tanto melhor, menos desconforto. E também nunca me privo de nada: piloto de vestido, de short, de saia e é sempre muito libertador.

VI Moto é perigoso

A real REAL mesmo, de coisas que eu vi e vivenciei em 1 ano andando de moto em São Paulo: 1. carros são lentos, mas nem por isso devemos subestimar o estrago que eles podem fazer; 2. a grande maioria dos motociclistas são kamikazes mesmo, por N motivos. Às vezes tenho a impressão de que muitos acham que estão andando de bicicleta – isso porque até pra bicicleta hoje em dia tem regras! – mas digo isso porque eles ignoram absolutamente toda e qualquer regra de trânsito e muitas vezes colocando a própria vida e a dos outros em risco. Róla muita coisa desnecessária, se arriscam de maneiras completamente intransigentes aí acidentes e mortes acontecem e: “moto é perigoso”. Bom: nem sempre. Só digo isso.

A frase “você não é todo mundo”, ouvida mil vezes durante a infância, sempre vem na minha cabeça quando estou no trânsito, vejo motociclistas fazendo merda e sinto um breve ímpeto de seguir a manada. Sempre me repreendo e nunca me arrependo. E muitas vezes acho que só sobrevivi por aqui e evitei muita coisa justamente por não entrar nessa onda de neurose e ansiedade que a cidade impõe sobre a gente. O desafio nunca é chegar primeiro ou mais rápido: o desafio sempre vai ser chegar viva e sem ter matado ninguém nem nada no percurso. Novamente: eu não estou competindo. Se eu atrasar, eu atrasei: minha vida e a segurança de todos veículos, pedestres e quem mais tiver ao meu redor pra mim são mais importantes do que quinze minutos. É sempre uma questão de prioridade, acho.

VII Cultura

A moto não é só uma moto. Conheci muita gente, fiz muitos amigos, meu dia voltou a ter 24 horas (que ainda são poucas, mas é o que tem pra hoje), chego rápido (mesmo sem ter pressa) no trabalho e na faculdade, volta e meia vou em passeios maravilhosos como o de ontem do Free Spirit Night Race, até agora fiz 3 viagens bem curtinhas mas que me ensinaram uma coisa e outra. Claro que tem o lifestyle e muita gente prefere focar nisso, mas entendo essa parte mais como um efeito colateral mesmo, de ter de se adaptar ao fato de ter uma moto: mudanças de roupa, mas também de corpo e de noção de espaço e principalmente de enxergar, de verdade, o outro. A caveirinha é sempre o símbolo mais óbvio e clichê por isso: porque por debaixo de tudo o que existe, no final mesmo, é isso o que somos. E é bom se lembrar disso, diariamente. Pra mim, é um privilégio poder reconhecer que andar de moto é um dos mais importantes exercícios de alteridade que já fiz na vida. Me obrigo a enxergar o outro independente de qualquer coisa e a estar atenta sempre. E ao mesmo tempo isso já é uma parte de mim, uma parte de quem eu tento ser. É uma paixão que não tem muita explicação, como toda paixão deve ser.

“Take it all back. Life is boring, except for flowers, sunshine, your perfect legs. A glass of cold water when you are really thirsty. The way bodies fit together. Fresh and young and sweet. Coffee in the morning. These are just moments. I struggle with the in-betweens. I just want to never stop loving like there is nothing else to do, because what else is there to do?” — ~ Pablo Neruda (sent on 08/07/2014, 14:20)

30/3

7h da manhã a campainha tocou. Abri a porta, voltei a dormir. Não consegui dormir. Acordei e comecei a fazer o bacalhau. Almocei e dormi, profundamente. Eu estava cansada da semana. Choveu enquanto eu dormia. Eu esperava não dormir demais mas ainda estava desregulada da semana e da falta de remédios. Acordei 18h pra um compromisso às 18h, com gente perguntando se eu ia mesmo ou não. Ia. Vou. Estou indo, mas devagar, porque não quero correr na chuva. Cheguei para uma pequena seção do filme do Doutor Estranho. O filme ainda estava relativamente no começo. [Spoilers adiante]. No final do filme, o Doutor Estranho vai até o antagonista e entra em um loop temporal onde diz, eternamente, “vim para negociar”. E chega em um acordo a partir de uma persistência que pode ter sido quase eterna. Guardei essa cena com carinho em algum espaço da minha mente. Não costumo negociar, não sou boa negociadora e, principalmente, não negocio com terroristas. Mas acredito que essa minha perspectiva talvez caia por terra em algum momento um pouco mais adiante.

31/3

Durante o dia passeamos pela Liberdade, fomos em lojas, comemos lámen. Voltei pra casa. Não me lembro se dormi. Senti as vibrações do arquétipo de mãe, me emocionei, chorei um tanto. Arrumei minhas coisas. A saia, o xale, as baquetas, o tambor, o tarô, as cumbucas, o yoni egg, as velas, perfumes, o livro, a pulseira, o pesto, tentei não esquecer nada, acho que não esqueci. Levei 15 minutos daqui até ali. Me sinto em casa, me sinto bem vinda, me sinto confortável, me sinto querida, principalmente. As pessoas foram chegando aos poucos, mas antes eu fiz um jogo de tarot pra ela. Foi meu primeiro jogo sério que fiz pra outra pessoa, depois de ter consagrado o tarot por duas luas novas, os arcanos maiores e menores. Meu primeiro tarot foi o Wild Unknown, mas depois de um tempo me apaixonei pelo Thoth do Crowley. Ele é meio agressivo, pra dizer o mínimo, mas eu gosto dele justamente por conta da sua complexidade. Ele fornece mais informações. Mesmo sem tanto conhecimento dos contextos, cartas, etc. é mais fácil lê-lo por conta das cores e dos símbolos. Acho que preciso estudar mais também, mas enfim. As cartas falavam sobre uma história que se repete. Pediram pra que ela fosse menos dura, mais branda. Que se abrisse mais, se divertisse mais. As cartas de fogo dançavam com as cartas de água. Enxerguei repetições, recomeços e reprises n’O Louco e no Dois de Ouros. Agradeci o Thoth por não ter sido tão agressivo dessa vez. Talvez ele tenha sido assim porque se tratava de outra pessoa e não de mim, que sou “de casa”. Porque comigo é só violência. Após o ritual e a meditação, fiquei com sono e fui pra casa. Carta para o dia 1/4: a Torre. Ok. Vamos lá. Dormi.

1/4

Sonhei que tinha ido visitá-lo, em uma quitinete pequena, escura, suja e mal iluminada. Ele estava com um semblante bem cadavérico e estava envolto por sombras, não conseguia nem enxergá-lo direito. Senti uma tristeza bem profunda pela cena. Não me sentei em nenhum momento porque era um lugar que eu não queria ficar, na verdade. Fiquei triste por tudo, pelo lugar, por ele, pela forma que ele estava, pela forma que se tratava. Perguntei por ela, ele disse que ela não estava mais. De qualquer modo ela veio até a porta, olhou o que acontecia e foi embora. Tudo muito estranho e triste. Um sonho estranho, um lugar muito escuro, eu me sentindo meio mal por testemunhar aquilo tudo. E ele reagia das formas que geralmente reage com problemas: com ironia, passivo-agressividade, sarcasmo, enfim. Não acordei tão puta ou bolada com esse sonho, só acordei triste mesmo. A irritação só veio depois porque eu achei que isso tivesse acabado em janeiro, mas parece que não. Não sei mais o que fazer. Não quero mais sonhar com isso e a impressão que eu tenho é a de que vou ter que, continuamente, usar de artifícios para me livrar disso. A repetição, novamente. Não sei se isso é algo que está emperrando certas áreas da minha vida, ou se é pra ser assim mesmo, se isso faz parte, queria descobrir. Não que isso esteja inviabilizando minha vida nem nada, mas isso tem me incomodado. É um incômodo, pois é uma coisa que pra mim já estava superada. Pedi ajuda, me falaram pra fazer algo que eu já fiz. Obedecerei. Me disseram que simboliza, com muita força, o que eu tenho sentido pelo masculino, pois se trata do último referencial. Quando preciso elaborar conteúdo afetivo com o masculino (seja qual for), acontecem os sonhos. Há também uma ligação de alma que se mantém, uma frequência que precisará ser mudada. Vênus em peixes, ascendente em capricórnio: crio sempre ligações muito fortes. Não quis pensar nisso ao longo do dia. Fiz brunch, saí no meio da tarde, deixei um presente com uma amiga e fui me encontrar com eles no Sesc Pinheiros, pra um show. Chegamos no horário, sentamos na cadeira, primeira coisa que ouço:

“Eu vou deixar ela ir embora
Chegou a hora
Chegou a hora

Eu não vou mais me fechar pra sempre

Daqui pra frente
Daqui pra frente

O que começa terá seu final
E isso é normal
Isso é normal

A dor do fim vem pra purificar
Recomeçar
Recomeçar”

Bom, só eu sei o quanto eu chorei. Voltei pra casa, parei num lámen antes, deixei minha moto na rua, retornei, minha moto estava com o manete da embreagem quebrado. Deve ter caído e quebrou. A Torre, enfim. Voltei pra casa a pé, era perto. No caminho liguei pro mecânico, marquei pra amanhã, larguei a moto à própria sorte por ali mesmo. Espero que ainda esteja lá amanhã quando eu voltar.

Ovulo ainda hoje.

A lua começou a minguar.

 

People aren’t books I’ve learned
You can’t bookmark your favorite pieces to return to whenever you’re feeling lonely
When the nights get too cold and you need something familiar to keep you warm,
you can’t reopen their spines and wear out their pages and call that obsession love

I tend to remember fond moments as if they were windows in my memory.
Everytime I open these windows I feel I’m in a warm place again.
And when I come back to the now, this warm place helps to heal the light within.
It’s less an obsession, and more like a dance…

 

“A lua em Peixes nos próximos dias e você ainda mais sensível. Sendo assim, cuide das suas necessidades em primeiro lugar, tome seu tempo. E busque seus sentidos e conexões.”

“You are soaring on the wings of your imagination today, but you must be careful not to fly too high. You could become so enamored with the magic and beauty of your fantasies that you don’t want to bother with the real world. Unfortunately, this strategy only works for short amounts of time, since the practical considerations of life are always pressing. Trusting your intuition now is only the first step on the road to success. Colin Powell wrote, “A dream doesn’t become reality through magic; it takes sweat, determination and hard work.”

This is getting old
And so are you
Everything you know
And never knew
Will run through your fingers
Just like sand

Enjoy it while you can

Like a snake between two stones
It itches in your bones
Take a deep breath and swallow
Your sorrow
Tomorrow

So raise it up and lets propose a toast
To the thing that hurts you most

It’s your last cup of sorrow
What can you say?
Finish it today
It’s your last cup of sorrow
So think of me
And get on your way

It won’t begin
Until you make it end
Until you know the how the where and the when
With a new face you might surprise yourself

Like a snake between two stones
It itches in your bones
Take a deep breath and swallow
Your sorrow
Tomorrow

So raise it up and lets propose a toast
To the thing that hurts you most

It’s your last cup of sorrow
What can you say?
Finish it today
It’s your last cup of sorrow
So think of me
And get on your way!

You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself
You might surprise yourself

Semana que vem faço 34 anos e agora a pouco comecei a pensar em algumas coisas que gostaria de registrar aqui. Nas últimas semanas, depois da dissolução de um dos meus processos internos, algumas coisas começaram a andar e tomar ritmo e forma. Gosto da forma que elas estão se desdobrando pra mim e em mim: aos poucos, diariamente, constantemente. E o que é muito importante: sem perder o vigor e o entusiasmo. Na verdade, a cada dia, a cada descoberta, eu fico querendo mais, fico querendo coisas melhores. Um dos meus maiores defeitos na vida é ser imediatista: quero tudo e tudo de uma vez. Não acredito, por exemplo, que algo possa se desenvolver com o tempo. Sempre acreditei no fogo de palha, no imediato, no aqui e agora, raramente a longo prazo, na continuidade, na longa duração. Mais do que isso: jamais acreditei que algo que não pudesse ser imediatamente consumido, devorado, engolido de uma vez, pudesse ser bom. Isso sempre fez meu prazer de refém. Isso sempre me fez não notar as nuances das coisas, todas. Não aproveitá-las em seu máximo. Mas a verdade é que as coisas boas – genuinamente boas, de verdade – demoram pra acontecer. E demoram muito.

Outro defeito que ainda tenho o de é achar que não posso fazer nada que não demande um esforço absurdo e que não tenha um sacrifício. Como se nada que não fosse obtido via derramamento de sangue fosse válido ou legítimo. Isso não me permite, por exemplo, poder gostar das coisas em um nível mais profundo. Não me permito gostar de nada, imponho barreiras inexistentes a absolutamente tudo. Se eu não posso ser a melhor, simplesmente não serei nada. O quão insano não é esse tipo de pensamento? Isso me impede, por exemplo, de me propôr a fazer qualquer coisa me divertindo. Ou gostando. Ou simplesmente por curiosidade… Ou por inutilidade mesmo. Tudo tem que ser levado muito, muito a sério mesmo. Eu não sei brincar. É um nível de exigência insano e desnecessário. Isso me impede de crescer de fato. Me faz perder uma série de coisas que preciso aprender, que preciso vivenciar pra me desenvolver mesmo. E o mais importante e que por muitos anos também considerei insignificante (e não é, em absoluto): isso não me faz feliz em algum aspecto. Sim, subestimei isso por muito tempo, achei bobo, algo menor. Não era meu, não acho mais isso. Preciso buscar isso, sim, é algo que quero e é algo meu. É parte da minha voz. E essa busca importa mais que o resultado final.

Vou fazer 34 anos. Em algum momento eu vou precisar me soltar mais. Preciso que isso aconteça. Mas isso não vai acontecer da noite pro dia… Depois de anos a fio agindo desses mesmos modos, vai ter que rolar um mínimo de esforço da minha parte pra ser diferente. E esse é mais um grande paradoxo com o qual vou que lidar: vou ter que me esforçar para não me esforçar. Vou ter que me esforçar pra relaxar e finalmente me soltar… E fazer coisas – qualquer coisa. Minha vida é irônica comigo e faz tempo já, mas acho que consigo lidar. Acho que finalmente chegou a hora de brincar. 

Baratas se escondem nos espelhos de luz da minha casa. Desde o ano passado. Se escondiam na geladeira. É uma espécia pequena, que não cresce muito, que infesta e se enfia em qualquer canto. Se enfiaram na minha caixa de chás. Se meteram em vários cantos desconhecidos ainda da casa, que vou descobrir. Comprei essa caixa de chá ano retrasado, pra levar pro meu antigo local de trabalho, pra tomar chá por lá, pra oferecer chá pras colegas – que não tomavam muito chá. O ano passou, tudo mudou, mudei de emprego, vim pro emprego novo com a antiga caixa de chá e que, agora – mal sabia eu – era casa de baratas. Vim feliz oferecer chás pros novos colegas com a velha caixa e quando a abro: várias baratinhas estão ali, infestadas, aninhadas, vivas, mortas, não sei. Nojo. Claro.

Deixei a caixa na minha mesa, de qualquer modo.

Por meses. Por pelo menos uns três meses.

Não quis limpar a caixa. Não coloquei mais chás.

Apenas deixei ela ali, como se tivesse esquecido. Como se ela não estivesse visível.

Ignorei um peso morto em cima da mesa, que eu não fazia a mínima questão de notar. Ficava ali, só, a caixa de madeira, das baratas, não mais minha, não mais de nada. Mas daquele passado, que já foi e que eu insistia em não notar. Que alguma parte de mim se recusava a desapegar, deixar ir de fato. A gente se apega a coisas que não sabe e nem entende. E não vê. A barata também é um bicho que tem significados particulares no xamanismo tais como aceleração para evitar danos, compreensão de aspectos profundos da própria sombra, mover-se pelo medo, compreender decepções e isso porque eu só estou arranhando a superfície, pois dá pra debulhar bem mais nesse sentido. Enfim.

Ontem a colega do lado perguntou se alguém tinha um chá diferente, porque ela estava enjoada dos dela. As colegas no trabalho novo tomam chás frequentemente, o que me deixa feliz, é algo pra compartilhar com elas. Dei risada e disse “eu tenho chá de barata”. Todos rimos, eu ri. Mas ao longo do dia, aos poucos, fui ficando melancólica até me sentir triste, embora dissesse pra mim mesma que estava tudo bem. “Chá de baratas”, pensei. Ri. Fiquei em um estado que não consigo definir, mas que não era muito bom. De noite meditei, vi pessoas, fiz uma consagração. Estou consagrando arcanos menores do tarô e ontem consagrei a Princesa e o Príncipe de espadas, a terra do ar e o fogo do ar. Overthinking. Meditei, mentalizei, deixei estar. Fiquei exausta. Deixei a química condensar e decantar dentro de mim. Adormeci.

Acordei. Primeiro pensamento do dia: “precisamos trocar aquela caixa de chá que está na sua mesa”.

Não entendi num primeiro momento e ri sozinha. Como assim? Que pensamento é esse? E, de repente, assombro. Um assombro crescente. Um turbilhão de pensamentos, dedos apontados pra mim mesma, julgamento, sentenças, castigos e penitências, ali mesmo. O ego, furioso, por se sentir simplesmente burro, incoerente, inapto. Por não conseguir enxergar o sutil de imediato. Como eu não notei isso antes? Como eu fui capaz de deixar esse pequeno e persistente mal estar durar por meses a fio? Por que não me livrei dessa caixa de imediato? De certo era por isso que muita coisa não estava fluindo na minha mesa. Viu? Se você tivesse feito isso antes, X, Y e Z não teriam acontecido. Como você é mesquinha, por que não comprou uma caixa nova? E assim sucessivamente, etc. etc. etc.

E a gente deixa o macaco falar. A gente deixa o macaco reclamar. É isso o que ele faz: ele racionaliza. É pra isso que ele está aqui e nos ajuda bastante e muitas vezes. Mas a gente não dá mais trela pro macaco do que ele merece.

Se eu notei agora é porque eu tinha que notar agora. E está tudo certo. Um passo de cada vez.

E os olhos, todos, se abrem muito lentamente e um de cada vez.

(Comprei uma caixa nova e chás novos, joguei a caixa antiga no lixo. Segue o baile.)

%d blogueiros gostam disto: