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Leituras

[32:48] Most of us think we’re really free when we break out of forms, but as long as you’re in an incarnation there’s no way out of form. You are in form. The question is: can you be free in form? For a lot of us we thought freedom was being able to, not work, for example. Freedom had to do with external freedom. It had to do with political systems, it had to do with economics, it had to do with how do you spent your time. But if you’re around affluent people at all you begin to see that that kind of freedom is not free. That those people are as trapped in their minds as people who have very considerable economic hardships. And that when we’re talking about real freedom, we’re talking about the freedom of awareness from identification with thought. That’s the deepest kind of freedom that Buddha talks about. And so the exercise becomes “How do you live in form, how do you live your life and do everything you do every day without getting lost in it? So that you are in it but not of it?”, so that there is all the feelings, and emotions and the play but it has the quality of play, or is as like Herman Hesse talks about: as a game. Or a dance, as it is talked about in the world of Shiva. The dance of life. The play or the dance. And how do you live your life in such a way that it is dance or play or sweet life? Rather than its all so heavy and serious and “I’m so important” and “whether I live or die is very relevant”.

Essa criança não tem limites!, dizem. Tem que aprender a respeitar. É para isso que serve a educação. É má, a educação, eu digo. E não sei muito bem do que estou falando, e não posso me impedir de falar, e não tenho como provar. Mas é má. A educação. Eu quase grito. Ela dói em algum lugar que não posso apontar.
Então a menina da cidade, que não tem limites, que não sabe respeitar, entra no mar.
Assim que os pés tocam a água, ela cai num silêncio. Até os olhos ficam em silêncio, dá pra ver o silêncio nos olhos da menina. O espanto de ter um longe adiante. O olhar se joga de um jeito, e o corpo… se estende com ele. Parece se ajustar enfim ao seu próprio tamanho. Infinito.
Ao mesmo tempo que a água fresca e também elástica, infinita, suave, lambe as canelas. Antes tão duras contra as quinas da mesinha de centro da sala-de-estar, agora as canelas amolecem e se misturam com as ondas ritmadas.
O passo adentro e para fora de si, continua. Vai. Quando se pode ir tanto assim? Quando se pode ir longe demais?
O corpo vacila com a onda maior. Equilibra-se de novo, e uma nova oscilação chega com ritmo. Dança do corpo que vai, com o olhar, arregalando-se. Tantas direções. E silêncio.
A força da menina, que não podia se conter num corpo tão pequeno, encontra-se na força do mar. Encontra seu tamanho. Tinha que experimentar o seu tamanho.
Vai encarar? O mar a gente não desafia, ninguém precisa falar. O corpo sabe. O encontro é sempre o encontro entre forças infinitas que precisam dançar.
A onda maior está vindo. Ela tem um jeito macio antes de arrebentar. Se toca a menina ali, é como um ninar no colo do mar. Mas se a onda arrebenta nela, atropela. Grita nos ouvidos, bate. Se não dançar, ou mais longe ou mais fundo, vai apanhar.
Limite e respeito, menina, você aprende é com o mar.

 

(Carla Ferro)

“There is a crack in everything. That’s how the light gets in.”
“Well, once there was only dark. If you ask me, light’s winning.

“Nosso mundo está ferido, fraturado, quebrado e queimado. Nós somos produtos deste lugar e é nosso trabalho curar o mundo através da cura de nós mesmos. Às vezes, isso parece como um esforço sem fim. Às vezes parece demais para suportarmos.

E, no entanto, as feridas que circundam à nossa volta são, de certo modo, um território sagrado. Sagrado, porque tocam o núcleo de nossas vidas. São nossas. Fazem parte da nossa viagem. Eles são parte da grande história de amor que é nossa experiência aqui na Terra.

Nós não somos o nosso sofrimento, mas com o que sofremos nos informa da nossa capacidade de manter nossas vidas com grande ternura, em todas as suas pontas e complexidades. Nós não somos o que temos sofrido ao longo do tempo, mas por convivermos com isso, somos transformados.

Profanamos nossas almas quando nos recusamos esse rito de passagem. Abandonamos nosso próprio crescimento, quando nos abandonamos ao longo da estrada que a dor pavimenta através de nossas vidas. Transformamos nossas vidas em terrenos baldios quando fingimos que aprendemos as lições da vida.”

Publicado originalmente no site Chani Nicholas, 14/09/2016, título original: Sacred Territory: The Lunar Eclipse in Pisces.

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