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Dasein

Hoje deu tudo errado pra mim. E vou ter que abrir mão de alguns sonhos por algum tempo.

(Eu me aproximando de você, a cada passo minha respiração descompassava, o tempo entrava em processo de lentidão. Em câmera lenta o seu abraço não queria soltar. O meu olhar no seu. O seu olhar em mim e silêncio. O silêncio.)

Não havia como ser de outro jeito. Já há algum tempo que não aprendo nada direito, parece.

(Estava frio e passeamos. Não soube como pegar no seu braço, demorei pra isso. Às vezes tenho a impressão de que desaprendi. Você só me faz perceber que apenas não me lembro direito. Me traz pra perto, sem querer.)

E aí fico me perguntando como ser menos dura comigo mesma, mas às vezes não tem muito jeito.

(Você quis fumar e desistiu. Disse que era por minha causa, para não estragar o beijo. Achei aquilo uma bobagem e acabei estragando tudo o quanto antes. Pronto. Pode fumar, agora.)

É provável que eu fique na merda e tenha que adiar alguns planos por no mínimo uns 2 anos por conta de hoje. Bem… Acontece. Vivendo e aprendendo.

(“Eu me sinto tão confortável com você”. Se deitou na minha cama e me puxou para cima de si, como se eu não fosse nada. Se encaixou em mim, como se eu fosse a que restasse. E me deu de presente um ato falho: “meu amor”.)

Eu estou aqui pra aprender.

E aprender significa saber errar.

Abro o calendário e verifico todos os compromissos que existirão em até três semanas. Faço as contas. Espero. Anseio. Faço as contas novamente. Olho outras coisas. Volto para o calendário. Ele aberto é uma ilusão, muito forte, de controle. Não sei o que vai acontecer e é isso o que me aflige. Não é o fato de o tempo passar muito rápido ou devagar demais. Essas coisas na verdade não importam tanto assim. É o desconhecido. É o fato de amanhã acontecer algo que possa mudar tudo de forma inesperada ou abrupta. É o fato de algo acontecer antes ou depois do previsto ou do esperado. É o fato de eu me ver tendo que exercitar, novamente, a minha frustração, a cada minuto, a cada segundo que observo aquela estrutura. Que é apenas isso: uma estrutura de controle. E todo tipo de controle é uma ilusão. Não é a vida, de verdade. Mas eu gosto de me enganar, gosto de um auto-engano. E continuo olhando. E esperando.

I think that what must piss people off the most is the fact that, by watching them from a far, I was never really in an excruciating pain. It is as if I almost never felt anything, really. You see, even more than having proper encounters, I love being a witness of great encounters. I have priorities and also my own agenda. I don’t mind spending my own existence alone, once I’m able to watch things unfold and happen in the right way for everybody else. It never, ever, saddens me in any way. I know it kind of sounds like a sin but yes, I am that selfless – and helpless. Simply knowing how stuff works and watching them happen is enough for me. Actually, when that happens I tend to feel oddly satisfied, in a very particular way. And most people I know won’t ever understand that. Maybe that’s the core of my loneliness.

Termino de secar meu cabelo. Você vem me buscar, em breve. Me olho no espelho, me sinto fora de mim. Estou com fome. Coloco uma roupa, um tênis. Você aparece, poucas perguntas, algumas respostas. Um cigarro entardece em nós dois. Não era pra angústia ter vindo junto, mas ela foi insistente. Não me importo em respirar ao seu lado. Você dirige pra longe e chove. Não me leva pra onde deveria me levar. Desço do carro, num posto, quero pegar um pouco de chuva. Você me espera. Acho que me esperaria pra sempre. Você me busca. Me aninho no seu abraço úmido e então olho nos seus olhos. Seus lábios tocam os meus e eu já não sei mais o que fazer de você. Seu coração pulsa pela jugular, você vai morrer em breve. Não posso evitar e enfim, te envolvo em mim. Você me olha como se uma música terminasse. E voltasse. E terminasse, de novo, em meus braços. Limpo minha boca na manga da jaqueta. Pego as chaves do teu bolso. Dou a partida. Estou satisfeita. Acelero. Preciso voltar pro centro.

Há muito à ser feito.

“Rasguei minhas roupas na saída…

Nada mais queria levar.

Nem a dor da perda, esta, já não era minha.

Sinto que, no final, a dor deve ser maior para quem fica.

No meio das lembranças, dos objetos, dos móveis, de tudo que lembrava que aquilo que em algum momento tinha sido meu lar…

Rasguei minhas roupas, como rasguei-me em mil pedaços até conseguir me livrar da dor, do drama.

Me abandonei para que a coragem fizesse-me crer que era possível…

E foi, consegui.

Deixei pra trás os restos de uma vida, que de tão sofrida, nunca vai deixar saudades…

Consegui, me desnudei… E parti.”

There was a time when one country was overruning another which was buddhist and they were being very fierce with the buddhist monks, disemboweling them and killing them. And there was a particularly fierce commander of the invading army and when he would come into town the monks would all flee into the mountains. And he came into this town and he asks his agent for a report and the report was “all monks had fleed into the mountains but one”. And he got furious about this one monk who defied him. And he walked into the monastery and he pushed open the doors and there was the monk sitting right in the middle of the court and walked up to him and he said:

Don’t you know who I am? I could take my sword and run it into your belly without blinking an eye!

And the monk said:

And don’t you know who I am?

I could have your sword run through my belly without blinking an eye.

O salto. O caminhar. A boca escura. A soberba. O destemor. Não há nada que me cause mais medo que não seja eu mesma. E minhas escolhas impensadas. Sou de fato minha pior inimiga. E agora meu corpo padece. Terrivelmente. E respira.

Você se preparava para partir e me olhava, de cima. Haviam folhas espalhadas sobre a cama, o cheiro de todos os objetos, impregnados, nos lençóis, em tudo o que havia. Um a um, espalhados, ao meu lado. Você, todos. Um a um, você tentou decifrar. “Que porra é essa?”, você me perguntava. Te olhava e não sabia ao certo o que sentir. Nunca soube. Em uma das suas mãos, sempre algum objeto e aquele seu olhar, intrigado, levemente indignado. “O que significa isso?”. Com sua outra mão, você me tocava, como música e falava coisas que pareciam ininteligíveis. Parecia um sonho. Estava entorpecida com seu cheiro, seu movimento, seus questionamentos. E então soei, quase muda, preciso de você e sequer houve um momento de hesitação. E mais uma vez você construiu um monumento, em mim. Que me habita até hoje.

Nunca culpe ninguém na sua vida.

Pessoas boas te trazem felicidade.

Pessoas más te dão experiência.

As piores pessoas te dão uma lição.

E as melhores pessoas te dão lembranças.

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