Desconstruindo a ansiedade

Estou ansiosa por uma série de motivos. Não vou listar todos aqui pois enfim, não sou obrigada. O fato é: estou ansiosa por uma série de motivos. Estou também a uma semana de menstruar e num período mais introspectivo do mês. A TPM pode estar influenciando nessa minha alteração de humor também. E geralmente quando eu fico nesse estágio, sinto uma “fome” que não cabe em mim. E ok, sentir fome é natural, todo mundo sente. Mas o ‘problema’ da minha fome é que os meus desejos nesse sentido são os piores possíveis. Eu não sei o que acontece. Fico com vontade de comer coisas que não são nem boas e nem mesmo gostosas. O que me dá mais raiva é que eu nem gosto dessas coisas, sabe? É absolutamente impulsivo. Não é por gosto, é por impulso, por pura ansiedade, por falta de reflexão. Por não conseguir ficar em paz comigo mesma. E isso me dá raiva.

Começa assim:

    1. Fico ansiosa com algo que geralmente sequer paro direito para analisar o que é. Simplesmente fico ansiosa e entro no piloto automático, foda-se a questão que eu tiver; Solenemente ignoro a questão que eu esteja tendo, na real muitas vezes ela nem se passa pela minha cabeça. Eu só entro em um estado contínuo de ansiedade mesmo e é isso. Pratico muito pouco o questionamento e talvez devesse praticar mais;
    2. Sinto vontade de comer algo claramente RUIM. No meu caso, geralmente miojo ou McDonalds, fast food, essas coisas. Na minha cabeça o ato de comer isso é compreendido como uma recompensa pelo momento que estou passando e como algo bom, com a grande expectativa de que isso vai me deixar feliz no curto prazo. Realidade: não deixa. Nem antes, nem durante e nem depois do processo. Nunca deixa. Não me lembro a última vez que isso foi efetivo ou funcionou de fato;
    3. Vamos supôr que eu ceda ao meu impulso de querer comer pra tapar o buraco da ansiedade e vá até o McDonalds e coma qualquer lanche (pois eu geralmente cedo). O que acontece geralmente está nessa sequência:
      1. Muito frequentemente o lanche não tem gosto de absolutamente NADA. Não é prazeroso, nem bom, nem gostoso. É mecânico e bem ruim;
      2. Eu como, o desejo permanece, a insatisfação também e a ansiedade idem. Nenhum vazio é preenchido. Geralmente, mesmo já tendo me alimentado, eu sigo com fome (?) por incrível que pareça. Continuo com um desejo por apaziguamento que simplesmente não passa (porque não é a comida que irá saciá-lo);
      3. Vejo que meu dinheiro foi jogado fora. Geralmente fico putaráça com isso. Fico putaráça, frustrada, com raiva e com ódio por ter comido algo ruim e que nem tava tão bom assim. A raiva retroalimenta a ansiedade e eu me odeio cada vez mais e isso aumenta a ansiedade e… IT’S THE CIRCLE OF LIIIIIIIIIIIIIIIIIIIFE!!!

Eu deveria parar e agir quando chegar no estágio B. Deveria existir um reconhecimento do que está acontecendo. Eu deveria me questionar mais, questionar mais meus ímpetos, impulsos e desejos. Deveria rolar esse reconhecimento da necessidade de recompensa a curto prazo. Reconhecimento da necessidade de reflexão sobre a minha atual situação e do que me incomoda e que simplesmente não pode ser suprido via alimentação. Entendo que tudo o que quero fazer comigo mesma quando me ligo desse círculo vicioso é me sentir meio burra e me menosprezar, menosprezar meus sentimentos, minhas sensações e quem eu sou. Mas eu quebrei esse padrão a algum tempo atrás e o movimento agora é para me acolher, nas coisas boas e ruins. E tentar ter compaixão comigo mesma e me ajudar sempre que possível a sair de círculos viciosos que não me fazem bem, simplesmente porque eu não mereço passar por isso repetidamente. E eu mereço coisas melhores pra mim. De verdade.

No meu caso, que é extremamente pessoal e específico quando vejo que sinto esse desejo que não é genuíno, tem algumas coisas que eu posso fazer pra me ajudar:

  • Tentar detectar se esse é um desejo genuíno ou se é motivado por ansiedade; Se for genuíno mesmo, bem foda-se, vá lá e coma, divirta-se, seja feliz. Se não for, tenta prestar atenção nos seus sentimentos e emoções, no que eles te dizem. Tenta lidar com o que acontece, ao invés de arrumar uma escapatória que não vai ser nem efetiva e nem vai te fazer feliz a curto prazo;
  • Feito isso, você sabendo o que é e o que sente, é claro que a fome não irá passar. O desejo vai continuar, claramente. É importante se esforçar pra lembrar das experiências ruins – que não tem nada a ver com culpa não – mas de simplesmente não ser gostoso, nem prazeroso. E recordar e trazer pro presente o fato de que isso não é, mesmo, uma recompensa: mas na verdade uma punição;
  • Eu não quero me punir quando já não estou passando por algo muito bom ou muito fácil, não é mesmo? Então o que eu recomendo? Sei lá. Ir lá fora e olhar o sol por uns 10 minutos. Recomendo vários copos de água, bebidos muito lentamente (que certamente não te farão mal). Recomendo se alimentar com comida que você considere boa mesmo: arroz, feijão ou algum prato realmente gostoso, que você goste e te dê prazer de verdade;
  • Observe o ciclo menstrual ou o ciclo lunar e entenda que suas oscilações de humor acontecem de acordo com essas variações (é real isso);
  • Ter compaixão consigo mesmo/a, em primeiro lugar; Esforçar-se para relaxar, se conseguir/puder meditar, tirar algum tempo apenas para respirar livremente; Beber água o mais lentamente possível; Comer coisas que sejam boas e nutritivas, antes de qualquer impulso;

Deixo claro que tudo escrito acima serve para mim e para mim somente. Não sou médica, nem especialista, nem nada: só sei de mim mesma. Vamos conseguir SEMPRE fazer isso? Não, nem sempre. Às vezes vou falhar, sim. Toda tentativa de agir como descrito acima é válida? Sim, absolutamente todas as tentativas são válidas. Hoje eu consegui agir assim. Amanhã vou conseguir? Não sei, talvez não. Mas só de ter consciência disso tudo, já é um avanço e tanto.

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