Véus

Chateada porque uma artista que admiro muito resolveu se afastar do instagram e listou os motivos. Basicamente disse que não estava conseguindo segurar a onda da ansiedade e de se comparar com outras pessoas o tempo todo e que ficava constantemente mal por isso. Ela é incrível, foda, linda de viver e absolutamente talentosa. Fiquei chateada mas compreendi e até me identifiquei, pois eu mesma me afastei de uma rede recentemente.

A pior cobrança nunca é a dos outros: sempre é a que vem de nós mesmos. Comparamos belezas, roupas, felicidades, comidas e bebidas, amores e sucessos. Somos obrigadas a estarmos sempre lindas. Sermos sempre pessoas muito legais. Produtivas. Felizes. E eu não vou nem começar a falar aqui sobre o quanto isso recai muito mais pesadamente sobre as mulheres porque este post não é sobre isso.

Nos tornamos, todos, pessoas ansiosas e depressivas. Sentimos raiva e fingimos que não, ou ainda, externalizamos essa raiva de forma obsessiva e constante – o que também não é muito melhor que negação. Nos tornamos hostis. Inversamente proporcional a isso, nos apaixonamos. De verdade. Veja bem: por ilusões que são a edição do recorte de uma vida. Por algo que está num monitor… É um tanto quanto patético, mesmo.

É realmente fascinante o poder que as redes exercem sobre nós, para o bem e para o mal. Sempre importante lembrar que tudo o que acontece online são recortes do recorte do recorte que é editado e, ainda assim, insistimos em acreditar em tudo por aqui. Na verdade quanto mais incrível é a ilusão, mais a idolatramos… E por mais que pareça, isso tudo não é tão banal nem fútil assim quando sentimos na pele os efeitos dessa armadilha que hoje permeia nossa vida…

E é uma dor bastante palpável, sim. Diária. Constante.

Acho interessante e extremamente motivador vivermos numa época em que ninguém mais sabe direito o que é real ou não. Acho divertido, de verdade. Tudo o que comparamos por aqui nada mais são que ilusões auto-impostas, para dizer o mínimo. E é isso divertido justamente porque nos força a nos questionarmos e a buscarmos o que é real, o que tem significado e o que é realmente importante, de verdade, pra nós. O resto, é perfumaria. Mesmo. De verdade. E é claro que falar é muito mais fácil que fazer. Mas ninguém nunca me prometeu que seria fácil, então estamos aqui pra isso.

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