Toques

Eu estava escorada no balcão do bar, não lembro bem no que estava pensando, quando de repente tenho uma sensação quente na parte de trás do meu braço esquerdo. Tirei o meu braço rapidamente, assustada. Não vi que era o seu braço encostando no meu, entregando coisas pra algum outro alguém atrás de mim. “Desculpe!” você me falou, por me tocar sem querer. Eu já estava alcoolizada e provavelmente respondi “ah, não foi nada” com a voz alcoólica mais macia que consegui fazer. Não nos tocamos com frequência. Das duas vezes que estive no bar, estendi minha mão direita e te cumprimentei com a voz mais firme que consegui fazer. O lugar estava cheio, minha presença precisa ser notada e eu não gosto de ficar com a garganta seca por muito tempo. Gosto do som da sua voz, da curva de cada uma das suas letras que caem no meu ouvido.

Passei meses sem perceber isso, final do ano percebi, despercebi e no início do ano percebi novamente. Eu me confundo, me distraio. Mas as coisas se encaixaram. E no início é sempre tudo muito estranho. Não me constranjo mais, não sou uma menina. Acho que nunca fui, só que sempre pelos motivos errados. Em um dos passeios, assim que cheguei, fui reta e direta te cumprimentar, sem medo algum. Eu estava com um batom escuro, você me olhou com olhos arregalados, pois achava que eu fosse te ignorar. Mas naquele dia eu já sabia. Te cumprimentei, com abraço e beijo mas foi isso. Eu não tinha nada a oferecer naquele momento que não fosse um desejo cego, vazio. Não tinha te aprendido ainda. E ainda não haviam todas as coisas que existem agora, hoje. Eu não as carregava em mim.

Agora entendo que não preciso ter medo. E que também não quero programar nada, planejar ou pensar em nada. No momento, eu só quero sentir. Só sentir. Estar aberta pra isso, de fato: pro sim, pro não, pro que vier. Eu só quero estar ali. Sei que tenho um longo caminho pela frente. E quero isso.

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