Sagrado Feminino

(Escrito em 21 de Outubro de 2017, no Medium)

Esse mês tem sido bem agitado pra mim. Dia 5 teve a Bênção Mundial do Útero, minha primeira Bênção como Moon Mother. Dia 12, dia de Nossa Senhora de Aparecida, foi o dia que ofereci minha primeira Bênção e Cura do Útero individual, para uma colega com quem sempre faço energizações. E no dia 10 uma amiga minha do Twitter estava procurando alguém que se disponibilizasse a falar sobre o Sagrado Feminino para um documentário de faculdade. Vi o tweet e falei que estava disponível.

Perguntei pra mocinha que vai me entrevistar quais seriam as perguntas e ela disse que tudo vai se desenrolar numa conversa mas que seriam basicamente três perguntas:

  1. Como você conheceu o Sagrado Feminino?
  2. Qual foi o impacto do Sagrado Feminino no seu dia a dia?
  3. Qual é sua experiência mais marcante com o Sagrado Feminino?

Vou tentar responder todas por aqui, como se fosse um ensaio pra conversa de amanhã.

  1. Considero que comecei a entrar em contato mais profundamente com o Sagrado Feminino quando comecei a ir nas Bençãos do Útero em 2016. Eu já era consciente do meu ciclo antes disso, mas de uma forma profundamente negativa, focando só na TPM e nos aspectos ruins. Eu era consciente do meu útero como uma maldição, algo que “me faria ir além, caso eu tivesse nascido sem” entre outras atrocidades nas quais eu acreditava. A partir das Bênçãos eu comecei a ser consciente do meu útero de uma forma um pouco mais ampla, até que uma amiga me convidou a fazer o curso de Moon Mother. Num primeiro momento dei risada e achei que aquilo jamais seria pra mim, mas depois me peguei pensando em investir nisso, por mim mesma. Na verdade, nunca achei nem que me identificaria com a Bênção do Útero, mas depois que comecei a participar dos rituais, percebi que eles ressoaram profundamente com várias coisas que eu já sentia e pensava há alguns anos. E de repente foi como se essas coisas simplesmente se materializassem na minha frente, me mostrando outras perspectivas, outras visões, sobre o meu ciclo, sobre mim mesma. Não é tanto uma busca sobre “ser mulher” ou uma busca sobre “ser feminina”. É bem mais profundo que isso: é uma busca sobre a sua verdade interior e uma autenticidade mais refinada. Essas coisas vão muito além da nossa condição e da forma na qual existimos e nos apresentamos para o mundo. Tem a ver com cura não apenas física, mas também com cura de ancestralidade, relacionamentos, coisas que estão além da nossa própria vida, mas acabam interferindo nela de uma certa forma.
  2. Sobre o impacto do Sagrado Feminino no meu dia a dia, vou dar uma resposta resumida e bastante prática, por assim dizer. Foi como se eu tivesse ganhado de presente dois relógios na minha vida pelos quais me guio: o relógio do meu ciclo menstrual mensal e o relógio do ciclo lunar. E o que eu faço é tentar perceber a sincronicidade desses dois relógios de acordo com o ritmo da minha própria vida e das coisas que me acontecem. Se eu quiser adicionar o “terceiro relógio” da astrologia e também levar isso em consideração de forma mais ampla, é possível, basta olhar para o que se apresenta e saber interpretar isso de uma forma bastante única e íntima. Se existe alguma questão que ainda não está clara pra mim, eu costumo jogar tarô pra mim mesma. Sobre as sincronizações das Bençãos do Útero Mundiais, eu entendo que é como se a cada ritual fosse retirado um véu de cima de mim e eu conseguisse enxergar algumas coisas com um pouco mais de clareza — coisas, claro, referentes ao que eu estou vivendo e não como uma regra pra todo mundo. E isso muda muita coisa sim. Mudou a forma que eu me relaciono com as pessoas, a forma que entendo relacionamentos, a forma que eu lido com a minha própria sexualidade. Optar pela disciplina da abstinência sexual tem sido bastante proveitoso e me feito repensar muitas coisas, de verdade, como nunca antes. E não faço isso como um sacrifício, mas sim porque é o que parece mais coerente com a vida que eu tenho levado nos últimos 2 anos, pelo menos.
  3. Sobre a experiência mais marcante com o Sagrado Feminino, eu não consigo entender esse tipo de experiência nesses termos. Não faz muito sentido pra mim porque compara a espiritualidade, que é um todo um processo fluído, a um tipo de “evento especial”. E não se trata disso, ao menos pra mim, não enxergo deste modo. O Sagrado Feminino faz parte da espiritualidade que eu tento exercer. E a espiritualidade, ao menos as experiências que tenho tido em relação a isso nos últimos dois anos, tem a ver com a visão radical de, literalmente, enxergar o sagrado em absolutamente tudo. Nas coisas boas e nas coisas péssimas também, pois elas englobam o Todo. Não é fácil fazer isso, mas é o meu caminho. Mas se for pra oferecer uma resposta prática, ela seria mais ou menos assim: minha experiência mais marcante é quando eu acordo e percebo que nessa existência, eu me identifico como mulher. E faço disso a minha casa, a minha morada, me sinto confortável com isso, com esse corpo, com esses cheiros, com essa possibilidade. Que meu corpo biológico tem determinado formato e é capaz de muitas coisas. É marcante quando tomo banho e lavo meu corpo e, sem pressa, tento amar cada uma das minhas imperfeições. E quando olho pro espelho e tento fazer o mesmo, repetidamente, dia após dia. A forma que eu ando e que deslizo pela existência é marcante, diariamente. A postura que tenho em relação ao mundo, a forma que me coloco. A forma que eu uso o jeito ao invés de força e tudo bem (e que esta é, na verdade, a minha maior força). Quando sinto cólicas e me lembro da corrente da qual faço parte, e espero, do fundo do meu útero, que a cólica momentânea que esteja sentindo hoje e agora, esteja de alguma forma aliviando para alguma mulher que sente dores terríveis, mensalmente. Quando me olho no espelho e não sinto uma dismorfia absurda porque finalmente parte de mim já me aceitou como sou, não como acham que eu devo ser. Essa é a parte mais marcante: o milagre diário, que faz parte de todo um longo processo e que acontece bem diante dos meus olhos, diariamente mesmo. Mas como um amigo (oi Planetas Diários) sempre cita “Os lábios da Sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do Entendimento”…

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