Feriado de Páscoa

30/3

7h da manhã a campainha tocou. Abri a porta, voltei a dormir. Não consegui dormir. Acordei e comecei a fazer o bacalhau. Almocei e dormi, profundamente. Eu estava cansada da semana. Choveu enquanto eu dormia. Eu esperava não dormir demais mas ainda estava desregulada da semana e da falta de remédios. Acordei 18h pra um compromisso às 18h, com gente perguntando se eu ia mesmo ou não. Ia. Vou. Estou indo, mas devagar, porque não quero correr na chuva. Cheguei para uma pequena seção do filme do Doutor Estranho. O filme ainda estava relativamente no começo. [Spoilers adiante]. No final do filme, o Doutor Estranho vai até o antagonista e entra em um loop temporal onde diz, eternamente, “vim para negociar”. E chega em um acordo a partir de uma persistência que pode ter sido quase eterna. Guardei essa cena com carinho em algum espaço da minha mente. Não costumo negociar, não sou boa negociadora e, principalmente, não negocio com terroristas. Mas acredito que essa minha perspectiva talvez caia por terra em algum momento um pouco mais adiante.

31/3

Durante o dia passeamos pela Liberdade, fomos em lojas, comemos lámen. Voltei pra casa. Não me lembro se dormi. Senti as vibrações do arquétipo de mãe, me emocionei, chorei um tanto. Arrumei minhas coisas. A saia, o xale, as baquetas, o tambor, o tarô, as cumbucas, o yoni egg, as velas, perfumes, o livro, a pulseira, o pesto, tentei não esquecer nada, acho que não esqueci. Levei 15 minutos daqui até ali. Me sinto em casa, me sinto bem vinda, me sinto confortável, me sinto querida, principalmente. As pessoas foram chegando aos poucos, mas antes eu fiz um jogo de tarot pra ela. Foi meu primeiro jogo sério que fiz pra outra pessoa, depois de ter consagrado o tarot por duas luas novas, os arcanos maiores e menores. Meu primeiro tarot foi o Wild Unknown, mas depois de um tempo me apaixonei pelo Thoth do Crowley. Ele é meio agressivo, pra dizer o mínimo, mas eu gosto dele justamente por conta da sua complexidade. Ele fornece mais informações. Mesmo sem tanto conhecimento dos contextos, cartas, etc. é mais fácil lê-lo por conta das cores e dos símbolos. Acho que preciso estudar mais também, mas enfim. As cartas falavam sobre uma história que se repete. Pediram pra que ela fosse menos dura, mais branda. Que se abrisse mais, se divertisse mais. As cartas de fogo dançavam com as cartas de água. Enxerguei repetições, recomeços e reprises n’O Louco e no Dois de Ouros. Agradeci o Thoth por não ter sido tão agressivo dessa vez. Talvez ele tenha sido assim porque se tratava de outra pessoa e não de mim, que sou “de casa”. Porque comigo é só violência. Após o ritual e a meditação, fiquei com sono e fui pra casa. Carta para o dia 1/4: a Torre. Ok. Vamos lá. Dormi.

1/4

Sonhei que tinha ido visitá-lo, em uma quitinete pequena, escura, suja e mal iluminada. Ele estava com um semblante bem cadavérico e estava envolto por sombras, não conseguia nem enxergá-lo direito. Senti uma tristeza bem profunda pela cena. Não me sentei em nenhum momento porque era um lugar que eu não queria ficar, na verdade. Fiquei triste por tudo, pelo lugar, por ele, pela forma que ele estava, pela forma que se tratava. Perguntei por ela, ele disse que ela não estava mais. De qualquer modo ela veio até a porta, olhou o que acontecia e foi embora. Tudo muito estranho e triste. Um sonho estranho, um lugar muito escuro, eu me sentindo meio mal por testemunhar aquilo tudo. E ele reagia das formas que geralmente reage com problemas: com ironia, passivo-agressividade, sarcasmo, enfim. Não acordei tão puta ou bolada com esse sonho, só acordei triste mesmo. A irritação só veio depois porque eu achei que isso tivesse acabado em janeiro, mas parece que não. Não sei mais o que fazer. Não quero mais sonhar com isso e a impressão que eu tenho é a de que vou ter que, continuamente, usar de artifícios para me livrar disso. A repetição, novamente. Não sei se isso é algo que está emperrando certas áreas da minha vida, ou se é pra ser assim mesmo, se isso faz parte, queria descobrir. Não que isso esteja inviabilizando minha vida nem nada, mas isso tem me incomodado. É um incômodo, pois é uma coisa que pra mim já estava superada. Pedi ajuda, me falaram pra fazer algo que eu já fiz. Obedecerei. Me disseram que simboliza, com muita força, o que eu tenho sentido pelo masculino, pois se trata do último referencial. Quando preciso elaborar conteúdo afetivo com o masculino (seja qual for), acontecem os sonhos. Há também uma ligação de alma que se mantém, uma frequência que precisará ser mudada. Vênus em peixes, ascendente em capricórnio: crio sempre ligações muito fortes. Não quis pensar nisso ao longo do dia. Fiz brunch, saí no meio da tarde, deixei um presente com uma amiga e fui me encontrar com eles no Sesc Pinheiros, pra um show. Chegamos no horário, sentamos na cadeira, primeira coisa que ouço:

“Eu vou deixar ela ir embora
Chegou a hora
Chegou a hora

Eu não vou mais me fechar pra sempre

Daqui pra frente
Daqui pra frente

O que começa terá seu final
E isso é normal
Isso é normal

A dor do fim vem pra purificar
Recomeçar
Recomeçar”

Bom, só eu sei o quanto eu chorei. Voltei pra casa, parei num lámen antes, deixei minha moto na rua, retornei, minha moto estava com o manete da embreagem quebrado. Deve ter caído e quebrou. A Torre, enfim. Voltei pra casa a pé, era perto. No caminho liguei pro mecânico, marquei pra amanhã, larguei a moto à própria sorte por ali mesmo. Espero que ainda esteja lá amanhã quando eu voltar.

Ovulo ainda hoje.

A lua começou a minguar.

 

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