34

Semana que vem faço 34 anos e agora a pouco comecei a pensar em algumas coisas que gostaria de registrar aqui. Nas últimas semanas, depois da dissolução de um dos meus processos internos, algumas coisas começaram a andar e tomar ritmo e forma. Gosto da forma que elas estão se desdobrando pra mim e em mim: aos poucos, diariamente, constantemente. E o que é muito importante: sem perder o vigor e o entusiasmo. Na verdade, a cada dia, a cada descoberta, eu fico querendo mais, fico querendo coisas melhores. Um dos meus maiores defeitos na vida é ser imediatista: quero tudo e tudo de uma vez. Não acredito, por exemplo, que algo possa se desenvolver com o tempo. Sempre acreditei no fogo de palha, no imediato, no aqui e agora, raramente a longo prazo, na continuidade, na longa duração. Mais do que isso: jamais acreditei que algo que não pudesse ser imediatamente consumido, devorado, engolido de uma vez, pudesse ser bom. Isso sempre fez meu prazer de refém. Isso sempre me fez não notar as nuances das coisas, todas. Não aproveitá-las em seu máximo. Mas a verdade é que as coisas boas – genuinamente boas, de verdade – demoram pra acontecer. E demoram muito.

Outro defeito que ainda tenho o de é achar que não posso fazer nada que não demande um esforço absurdo e que não tenha um sacrifício. Como se nada que não fosse obtido via derramamento de sangue fosse válido ou legítimo. Isso não me permite, por exemplo, poder gostar das coisas em um nível mais profundo. Não me permito gostar de nada, imponho barreiras inexistentes a absolutamente tudo. Se eu não posso ser a melhor, simplesmente não serei nada. O quão insano não é esse tipo de pensamento? Isso me impede, por exemplo, de me propôr a fazer qualquer coisa me divertindo. Ou gostando. Ou simplesmente por curiosidade… Ou por inutilidade mesmo. Tudo tem que ser levado muito, muito a sério mesmo. Eu não sei brincar. É um nível de exigência insano e desnecessário. Isso me impede de crescer de fato. Me faz perder uma série de coisas que preciso aprender, que preciso vivenciar pra me desenvolver mesmo. E o mais importante e que por muitos anos também considerei insignificante (e não é, em absoluto): isso não me faz feliz em algum aspecto. Sim, subestimei isso por muito tempo, achei bobo, algo menor. Não era meu, não acho mais isso. Preciso buscar isso, sim, é algo que quero e é algo meu. É parte da minha voz. E essa busca importa mais que o resultado final.

Vou fazer 34 anos. Em algum momento eu vou precisar me soltar mais. Preciso que isso aconteça. Mas isso não vai acontecer da noite pro dia… Depois de anos a fio agindo desses mesmos modos, vai ter que rolar um mínimo de esforço da minha parte pra ser diferente. E esse é mais um grande paradoxo com o qual vou que lidar: vou ter que me esforçar para não me esforçar. Vou ter que me esforçar pra relaxar e finalmente me soltar… E fazer coisas – qualquer coisa. Minha vida é irônica comigo e faz tempo já, mas acho que consigo lidar. Acho que finalmente chegou a hora de brincar. 

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