Deusas, desçam de seus cavalos narcisísticos e escutem: o Sagrado Masculino está chamando

Por Odette Gibbs, para a Rebelle Society

{Créditos da imagem: Android Jones}

Irmãs, não é tudo sobre nós. Vamos descer de nossos cavalos de Deusas narcisistas e ouvir. O Sagrado Masculino está chamando.

Irmãs, eu sei. Nós fomos oprimidas. O patriarcado cortou nossas asas e silenciou os chamados de bruxas de nossas vozes revolucionárias por séculos.

Irmãs, eu sei. Lutamos com unhas e dentes, machucadas, mergulhando profundamente nos poços de nossos úteros, expurgando nossa dor e a dor de nossas ancestrais, primeiramente com os ousados movimentos feministas de nossas mães e, mais recentemente, por meio do acervo de práticas femininas espirituais conscientes que têm meio-desabrochado e meio-entrado em erupção vulcânica nesta nova consciência que emerge da terra.

Diariamente, de hora em hora, momento por momento consciente, nós nos devotamos ao re-despertar do Divino Feminino, por dentro e por fora. Nós doamos tudo, desenlaçamos os nós, cortamos as crenças depreciativas, nutrimos as sementes da autoestima, desencadeamos o surgimento do fenômeno tal qual Fênix dos círculos da irmandade sagrada, para recuperar o que foi suprimido, perdido, negado.

Irmãs, nós nos chamamos de Deusas. E deveríamos. Mas não esqueçamos que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.

E me ouçam agora. O Patriarcado não equivale à Masculinidade. Não estamos lutando contra homens, Irmãs. Talvez vocês pensem que sabem disso. Mas sabem realmente? Se vocês sabem, deixe que isso seja visível em suas ações. Abaixem suas adagas, abaixem suas lanças contra o Masculino. Depois de soltar sua justa raiva (e sim, eu acredito que vocês devam soltá-la), há trabalho a ser feito. A raiva sem fim não é a solução, Irmãs. Parem!

Parem de brandir facas em volta de suas auras e manter distantes os bons homens com quem vocês ansiosamente esperam se unir. Parem de oferecer indignamente a um falso altar os corações de Amantes, Reis, Magos e Guerreiros como os injustos e sangrentos sacrifícios pelos erros históricos de todos nós.

O patriarcado é um paradigma, minhas Irmãs. Um paradigma que tanto homens quanto mulheres permitiram que fosse. Por tempo demais, cada lado da moeda de gênero esqueceu de si mesma, esqueceu de seu poder e de sua sacralidade. O paradigma patriarcal é uma co-criação. A misoginia é uma co-criação. Negar isso é negar o nosso próprio poder, é lançar-se em um espaço de vitimização que está ficando velho, Irmãs. Muito velho. Não podemos e não iremos ser ao mesmo tempo vítimas e Deusas.

Nós devemos escolher o caminho da maior e mais profunda verdade.

A guerra contra o Sagrado Masculino deve terminar, Irmãs. Despertem seus poderes de escuta e compaixão que são sábios além de qualquer medida. Séculos de opressão patriarcal não requerem séculos de penitência, Irmãs. Sintam isso. Vocês sabem que a sua essência é um bálsamo sagrado, curativo e completamente abrangente? Nós não podemos estar em nossa plenitude se não entendemos isso.

Escutem, Irmãs, escutem. Vocês não conseguem ouvir o Sagrado Masculino chamando? A essência dele está em volta de todas vocês. Ele está machucado, Irmãs. Vocês não são as únicas. O patriarcado separou a sua bondade e a sua ousadia da única coisa pela qual vale a pena lutar. Vocês. Nós. Espírito. O Todo Sagrado.

Desçam de seus cavalos narcisísticos de Deusas e ouçam. Vocês dizem que vocês querem um Guerreiro. Vocês dizem que vocês querem um Shiva para suas Shaktis. Então tragam ele até vocês. Ele está esperando por vocês, ele sente sua falta dolorosamente, tão crua e selvagemente quanto vocês sentem a falta dele — com um ardor e devoção assombrosos que desconhecem limites.

Ele quer nada mais do que oferecer a vocês o seu todo. Ele anseia dar universos a vocês, Irmãs. Como ele pode fazer isso quando vocês brandam seus machados de guerra contra eles? Vocês sequer estão escutando. Você sabia que o bálsamo de suas essências é o néctar da alma dele? Que a graça de nossa atenção amorosa é o nutriente que fagulha milhares de raios de sol em seu coração? Ele daria sua vida pelo seu amor genuíno.

Parem de perder tempo, Irmãs. Tanto o de vocês quanto o deles. Se vocês não podem organicamente dar ao homem diante de vocês a honra de sua plenitude, tenham o coração de transformarem-se em alguém que pode. Mesmo que isso signifique ficarem sozinhas por um tempo e esperando em uma expectativa radiante pela pessoa certa. Não peçam aos homens bonitos diante de vocês para pagarem penitência aos seus pés pelos erros cometidos pelos seus avôs e pelas suas avós. Parem com o jogo de culpa.

A dança entre os Divinos Masculino e Feminino não é uma transação. Não pode ser olho por olho, dente por dente. Parem de pedir para que seus homens preencham um copo sem fundo.

Vocês são a Grande Mãe. Vocês podem imaginar a contração que causam quando lançam seus filhos ao papel de Pecador? De que forma ele poderá alcançá-las quando vocês o condenaram ao purgatório?

Em vez disso, abram-se, Irmãs. Permitam que os homens à sua volta sejam dignos. Vejam o seu valor radiante. Muitas perguntam, Onde estão todos os homens bons? Muitas pensam que homens não são evoluídos o suficiente. Vocês pensam que eles não conseguem lidar com tudo de vocês? Que vocês são mulheres demais para eles? Eu chamo isso de papo furado, Irmãs. Isso diz mais sobre a cegueira de vocês do que sobre as faltas deles.

O Sagrado Masculino está em todos os lugares, Irmãs, esperando ser bem-vindo em suas lareiras, ser calorosamente abraçado na divindade intoxicante de sua pureza de seda. Deixem as desculpas para trás. Deem a ele um porto seguro. Deem a ele a sua graça. Abram seus braços. Vejam ele. Vocês não tem nada a provar e tudo a oferecer.

Por baixo disso tudo, por baixo de séculos de guerra, lutas e separação, tudo o que ele quer é o que vocês também querem. O hieros gamos — o casamento divino de opostos. Sua dissolução em seus braços e as suas nos dele. Ele quer ser o herói na história, Irmãs. Ele quer ser o seu Cavaleiro Branco. Mas ele não pode fazer isso enquanto vocês estão cegas com ódio e medo. Abram seus olhos.

Agraciem-no com a presença, o amor e a afeição que irão exaltá-lo a essa grandeza. Ele não falhará com vocês. Ele está apenas centímetros de distância de vocês cada segundo de cada dia. Ele está atrás de vocês. Ele está ao seu lado. Ele tem te protegido de modos que você nunca saberá ou apreciará. Ele ofereceu a vocês sua essência de vida. Dêem as boas vindas a ele em vocês, Irmãs.

Boadicea, Joana d’Arc, removam suas armaduras.

Kali, abaixe sua foice. A batalha acabou.

O amor venceu.

Tradução: Dora Steimer.

Revisão: Taty Guedes.

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