Bem vindo, novembro

Acho que está rolando uma certa ansiedade, por aqui. Acho que eu estou ansiosa desde o final de agosto, na verdade. Setembro e outubro fiquei com a sensação de que algo grande estava para acontecer. Não aconteceu. Ou aconteceu e eu não tive os olhos pra enxergar. Hoje é primeiro de novembro e a sensação persiste, a sensação de reviravolta, de grandiosidade prestes a acontecer, como uma chuva que se forma ao longe, quase caindo por aqui. Acho que na verdade a sensação se intensifica mais por conta da vibe “fim de festa” de final de ano. Não há mais muito a ser feito. As coisas estão de fato acabando, mudando e se modificando. E me sinto pronta pra todas essas mudanças. Olho o calendário desse mês e sei exatamente o que vai acontecer e o do próximo também. Meus pais vão embora, passear longe. A família da minha irmã irá pro sul, passar natal e ano novo lá. Diferentemente do ano passado, esse ano eu vou optar pelo isolamento, total, completo, irrestrito. Não quero estar com ninguém, nem passar com ninguém, nem fazer absolutamente nada a não ser estar sozinha, na minha casa, com as minhas gatas e em silêncio. Não quero outra vida além dessa, no natal e no ano novo. Passarei natal e ano novo, sozinha, reclusa, meditando, cuidando de mim mesma como jamais fiz, cuidando deste corpo e desta vida que me é concedida diariamente, trabalhando que nem uma filha da puta, com todas as coisas que eu gosto, que quero, que tive o privilégio de poder escolher pra mim, ajudando pessoas, criando uma série de coisas, todas minhas, coisas que me definem e definem a minha essência, coisas com as quais, no final das contas, eu não poderia me importar menos. Tudo o que preciso que terminar. Tudo o que preciso trazer à vida, botar no mundo e criar – seguindo tudo de acordo com a lunação e a minha própria e sagrada natureza cíclica, o eterno retorno, a minha própria morte e ressurreição mensal… Tudo se renova, sempre, potencializado. Tudo o que eu quero e preciso conquistar, pra viver melhor, pra ser alguém melhor pra mim mesma. E nesse começo de mês isso me dá mais excitação que cansaço. É uma ansiedade positiva, por assim dizer? Pode ser. Tenho feito por onde, tenho focalizado toda essa energia pra onde ela irá de fato me trazer mais retorno e tenho sucedido nisso. E isso é complicado, pois dou o ano por acabado sem dar lá muito espaço para improvisações ou situações diferentes. Mesmo porque eu acredito que elas não irão acontecer. Mas e essa sensação que persiste? Talvez ela esteja acontecendo, só que lentamente. De forma tão lenta, que eu não perceba. De forma tão lenta, que está acontecendo desde agosto – em micromomentos – e eu não esteja me dando conta. Talvez eu não tenha os olhos pra enxergar. De qualquer modo, eu estou animada. E de peito aberto pra tudo o que está por vir. Seja o que for. Eu estou aqui. Só vem.

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