Padrão auto-destrutivo

Chega um momento que a gente cansa dos comportamentos auto-destrutivos. Se a gente não cansa é porque ainda não chegamos no limite. A gente acha que não, mas tem sempre um limite sim. Só que cada pessoa tem o seu, eles são meio infinitos em toda sua variedade. Tive dois limites que me lembro. Em 2007 eu quase morri engasgada no meu próprio vômito enquanto dormia bêbada. Por sorte, acordei a tempo de vomitar na minha kitinete inteira e depois voltar a dormir, chorando e com a garganta rançosa, doendo muito. Alguns anos, uma vesícula e boa parte do estômago depois eu decidi parar de beber. Não foi algo sofrido, não foi sequer uma punição. Foi apenas um reconhecimento de que isso não dá mais pra mim, em nenhuma circunstância. Já tive o suficiente, estou cansada e tenho outras prioridades agora. E em 2012 quando quase botei fogo em casa, pois dormi (cochilei) enquanto tinha botado uma água no fogão. Eu estava bastante exausta da minha rotina, fui fazer um chá e apaguei, acordei com o cheiro de fumaça em casa. Esses foram os dois dias em que me senti um fracasso como ser humano. Fiquei pensando “como posso cuidar de mim mesma deste jeito? isso não é certo”. Foi bem horrível como um todo. Mas estes acontecimentos foram úteis pois me sinalizaram um limite. Me vi forçada a repensar tudo o que rolava na minha vida nessa época. Isso porque nem vou entrar no quesito relacionamentos que enfatizam nossos comportamentos auto-destrutivos, porque aconteceu também e, na verdade, isso é bem mais complexo do que parece. Mas existe e é possível sim, por mais que a gente não acredite. Há algum tempo tenho tentado me responsabilizar pelas coisas, por todas essas coisas então enfim… Só posso assumir o que fiz de mal pra mim mesma e o que por algum motivo permiti que acontecesse. Fora isso, basicamente é cair e levantar – se você puder se dar ao luxo de viver uma vida na qual você pode aceitar romper um padrão auto-destrutivo. Porque mais importante do que só cair é principalmente reconhecer a queda. E decidir o que fazer a partir disso. O resto é só passado, lembrança, memória. Ficção.

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