Pare de se comparar com os outros

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Viver uma vida de atenção plena e gratidão requere que você pare de se comparar com os outros. O problema com essas comparações é que elas assumem um tipo de sobreposição de experiências de vida. É difícil incorporar verdadeiramente a perspectiva de outra pessoa. Cada vida é tão extraordinariamente diferente, até mesmo entre amigos próximos e familiares. As pessoas compartilham muitas motivações e experiências mas isso não faz com que se torne mais fácil compreender de forma precisa a vida de outra pessoa. Ter pena é ser paternalista. Idolatrar é desumanizar.

E você desumaniza quem quer que seja com quem você tenha se comparado. A idolatria funciona do mesmo modo. Quando as pessoas idealizam celebridades, pessoas ricas ou “de sucesso”, elas removem a humanidade delas. As colocam simplesmente dentro do reino do idealismo subjetivo. As pessoas sujeitam-se constantemente ao ridículo, à inveja e amargura baseadas em falsas ideias de prerrogativas quando elas nunca sabem de verdade o que se passa na cabeça do “outro”. É por isso que todas as ideologias políticas que escolhem um inimigo comum se tornam perigosas e desumanizam.

Um exemplo simples: você acredita que a sua felicidade seja causada por falta de recursos. Você vê uma imagem de uma pessoa rica na beira do mar, aproveitando um drink e pensa “Ah, se fosse eu. Eu seria tão feliz”. Mas você pode de verdade entrar na cabeça daquela pessoa? Você saberia dizer se eles curtem passear nessa praia o tanto quanto você curtiria passear em qualquer outro lugar? Na verdade você não sabe. Se existe uma verdade sobre os seres humanos é que nós nascemos para nos adaptar. Se você não é feliz sendo pobre, você não vai melhorar sendo rico. Se você não consegue ficar bem sozinho, você não vai conseguir ficar bem quando achar alguém. Entendeu a ideia? O poder está dentro de você, não no mundo externo. A vida espiritual é um grande nivelador. Está acessível a qualquer um que queira trabalhá-la. Não importa quem você é ou o que você tenha. A força que precisa está dentro de você.

O ponto mais importante disto tudo é que quando você se compara aos outros, você desumaniza a si mesmo. Você erra a sua interpretação dos outros, mas acima disso acredita que julgar a si mesmo contra esta interpretação incorreta seja uma boa ideia. Ambos são mentiras. O caminho em direção a atenção plena é reconhecer a si mesmo como você é e agir da forma mais diligente possível diariamente. Comparações sem sentido e ficar olhando “a grama verde do vizinho” apenas perpetuam o ciclo de apego ilusório à coisas e ideais externos.

Todas as noções de paraíso são nefastas porque elas pressupõem que o paraíso jamais poderia estar/ser aqui. O ponto da questão é que aqui e agora mesmo é tudo o que temos. O constante desdobramento do momento presente é tudo o que há. Fantasiar sobre o que “há por aí” só te trará dor de cabeça.

 

Texto por Charlie Ambler, do Daily Zen. 

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