Oh, Fortuna

O fortuna
Velut luna
Statu variabilis,
Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
Dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
Et inanis,
Rota tu volubilis,
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris;
Nunc per ludum
Dorsum nudum
Fero tui sceleris.

Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria,
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem
Sternit fortem,
Mecum omnes plangite!

Fortune plango vulnera
Stillantibus ocellis
Quod sua michi munera
Subtrahit rebellis.
Verum est, quod legitur,
Fronte capillata,
Sed plerumque sequitur
Occasio calvata.

In fortune solio
Sederam elatus,
Prosperitatis vario
Flore coronatus;
Quicquid enim florui
Felix et beatus,
Nunc a summo corrui
Gloria privatus.

Fortune rota volvitur:
Descendo minoratus;
Alter in altum tollitur;
Nimis exaltatus
Rex sedet in vertice
Caveat ruinam!
Nam sub axe legimus
Hecubam reginam.

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Depois de um 2016 ano regido pelo arcano “O Eremita”, em que as coisas custaram a acontecer devido à lentidão e aos equívocos de toda ordem, os projetos agora podem desemperrar. Será possível, ao longo de 2017, reanimar ideias, planos e atitudes que tendem a surtir efeitos em curto ou médio prazo.

Mas, mesmo a mobilidade e a agitação projetam sombras. Uma associação direta à rapidez do tempo marcada pela carta traz como consequência a correria, a impaciência e também a superficialidade com que as coisas podem ser iniciadas, executadas ou finalizadas. É como se o improviso ou o acaso fizessem mais do que o planejamento sensato ou a dedicação frequente, culminando em situações marcadas pela falta de capricho, pobreza de detalhes e ausência de profundidade.

Há de se ter cuidado, em 2017, em querer correr contra o tempo e acabar perdendo a chance de fazer algo bem feito. Deixar a desejar pode ser uma constante neste ano de atribulações e compromissos firmados na pressa.

(…)

Quando estamos embaixo, é crucial se questionar sobre o motivo de estar sofrendo. Quando estamos subindo, devemos medir nossas expectativas de modo sensato para saber aonde (e como) queremos chegar. Quando estivermos no topo, é importante ver toda a vida por um panorama de sucessivas experiências: gente nascendo e gente morrendo, gente reclamando ou desperdiçando tempo e gente aproveitando o que há de melhor. E quando estivermos em declínio – devido a alguma frustração, substituição, demissão ou mesmo abandono – é crucial perceber que é um momento difícil, sim, mas não o fim derradeiro. Não é a primeira e nem a última queda, mas é a dádiva de aprender com as situações e se tornar mais forte diante de qualquer dificuldade que se apresente. Porque dias melhores já vieram e sempre virão.

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