Fim de ciclo

Tudo o que eu como, desde ontem, está insuportavelmente doce. Acho que todos os meus sentidos estão alterados, de algum modo. E isso não tem nada a ver com TPM, pelo meu calendário que acompanho de perto. É puramente emocional, mesmo. Quando estou emocionalmente mexida de alguma forma, meus sentidos se transformam. É como se eu estivesse me preparando para o que vai acontecer – e, de fato, estou mesmo, de forma cada vez mais consciente. Boto carne na boca e ela parece puro açúcar. É tudo muito horrível, tudo me dá um enjôo, uma náusea muito forte. Sinto vontade de vomitar o mundo. Às vezes tenho a impressão também de que meu corpo está levemente dormente. Meus dedos das mãos, meus braços. Meu rosto. Não consigo sentir mais as coisas, o mundo, direito. É como se eu estivesse temporariamente anulada, mesmo. Em câmera lenta, debaixo d’água, entardecendo. Não enxergo mais as pessoas, derrubo coisas, minha distração fica além do normal. Tudo o que ouço, todas as músicas, ficam como se equalizadas e é como se eu só conseguisse ouvir os sons mais graves, de tudo. Músicas que antes ouvia como se não fossem nada, agora soam completamente diferentes, mais encorpadas, mais profundas, muito, muito mais dramáticas. E isso tudo está na minha cabeça. Dentro da minha cabeça, eu sei. Estou muito cansada e detesto fim de ciclos, mas eles são necessários. Preciso crescer. E crescer sempre dói. Não tenho muita escolha. Vai passar.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: