Anatomia de um crush

Ao menor vislumbre da pessoa que eu estou a fim, meu corpo inteiro dá um piso em falso e sinto meu coração em disparada. É sempre vertiginoso. Não sei sentir as coisas de forma menos branda, é sempre assim, com o corpo todo, com todo o meu peso e toda a minha carne. Logo após isto, vem o primeiro grande suspiro, geralmente profundo e seguido de um murmúrio que vai desde “benzadeos” até um sinuoso e sussurrado “ai se sêsse”. Depois disso, depois da pessoa em questão ter interagido de qualquer modo com você e estiver brevemente atentando para algum outro lado para alguma outra coisa, algo esfria na região alta do estômago enquanto suas mãos suam de forma tímida. Essa resfriação pode reverberar na espinha e subir até a cabeça te dando uma sensação meio aérea, ao mesmo tempo em que lentamente desce, se aquecendo, até a região do ventre e serpenteia por entre as suas pernas, te fazendo estremecer discretamente. A sensação é sempre a de um repuxo que você tenta inutilmente conter. Você tenta respirar, mas é difícil. Você observa o outro e esquece de si por alguns segundos. Nada mais importa, o mundo fica em suspenso e só existe o outro, o objeto. Ao final de tudo, fica o coração, pontiagudo, como se batesse repetidamente a mesma tecla. E o nome. Ah, o nome…

Não é a toa que o nome atual disso tudo seja crush. Mesmo.

Esses sintomas permanecem por um tempo indeterminado, até se dissiparem, aos poucos. Até a pessoa ir embora. Até o próximo encontro e próxima interação, mínima que seja. Ah, e é pré requisito fundamental que toda a situação seja essencialmente platônica.

Isso não é algo que eu considero bom de se sentir porque trata-se de uma momentânea e involuntária perda de controle. E eu não gosto de perder o controle. Enfim… Quanto mais involuntária a sua reação, mais na merda você está. Isso é certeza.

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