Pústula

Noite passada tive um sonho um tanto quanto bizarro. Na verdade, nem foi o sonho inteiro, mas mais para o final do sonho mesmo. Aviso desde já que foi um sonho bastante nojento e repulsivo, um tanto quanto cronenberguiano, então se você não quer ler coisas muito esquisitas, pode parar por aqui mesmo. Sonhei que tinha uma espinha próxima do umbigo. Mas na verdade não era bem uma espinha e sim uma pústula. Quando fui apertá-la para tirar ela dali, percebi que ela era sólida e maior do que eu imaginava. Apertei um pouco mais e ela não parava de sair, então resolvi puxar de uma vez e quando fiz isso veio um “órgão” meu junto cheio do que pareciam artérias. Tudo muito estranho. E a palavra órgão foi em aspas porque na verdade aquilo que estava ensanguentado na minha mão não parecia com nenhum órgão reconhecível logo de cara (estômago, intestino, fígado, etc.). Era apenas um pedaço de carne que já tinha alguns fios (artérias) cortados de um lado e o restante dos fios estavam dependurados ali na minha barriga, umbigo, porque eu tinha tirado e puxado sem querer. Não senti dor nem nada, mas fiquei olhando pra aquilo ensanguentado na minha mão e pensei “Porra, tenho que botar isso pra dentro de mim de novo. Não posso sair com isso pendurado assim na rua, é feio”. O buraco na minha barriga por onde ele tinha saído era pequeno, mas eu estava vendo como ia colocá-lo de novo dentro de mim e quando eu ia fazer isso, eu acordei.

Estou tendo uma série de sonhos bem asquerosos este ano. Esse foi um deles. Conversei com um amigo sobre este sonho e falamos algumas coisas bem importantes. Falamos mais sobre essa questão de composição identitária, que pra mim é séria demais. E principalmente sobre “defeitos que nos definem”. Que na verdade nem mesmo chegam a ser exatamente defeitos, mas enfim, características. Embora esse conceito de composição identitária seja algo completamente movediço (construímos nossas identidades ao longo do tempo) a verdade é que, quando somos testados de fato – como eu estou sendo agora – o discurso muda e a prática se torna muito mais impactante do que elocubramos na teoria. A verdade é que lutamos, constantemente, para continuarmos sendo quem somos – ou quem achamos que somos. E tentar sair disto provoca sonhos como estes. Eu já deveria estar acostumada. Mas este é o tipo de coisa com a qual a gente jamais se acostuma.

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